No Other
7 Capítulo 7 - Atlas
Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=osRbbhYT_3M
O audio no meu computador não ficou muito bom, porque ficou travando, mas acho que é do computador mesmo -q Me digam se não for, vou tentar achar um melhor ^^
Boa leitura!
Abri a porta de casa depois que parei de tremer. Arrumei minha roupa mais uma vez, a jaqueta agora fechada para esconder a camiseta destruída.
Estava todo mundo na sala, assistindo TV. Fechei a porta com cuidado, para não fazer barulho, e subi pro meu quarto. Joguei o gorrinho em cima da cama e fui pro banheiro.
Joguei a camisa no lixo. Liguei o rádio e fiquei encarando meu reflexo no banheiro. Lavei o rosto e penteei o cabelo. Troquei de roupa, jogando o resto no cesto de roupa suja ao lado do meu Box.
Me sente na cama, respirando fundo. Eu tinha certeza que logo alguém viria checar se eu realmente tinha chegado. Meu celular tocou em cima do criado mudo. Talvez Duran, ou Shaun.
Desconhecido. Atendi, curiosa. Naquele minuto, eu me lembrei do trote que recebi há, mais ou menos, uma semana.
– Alô? – Silêncio. Tinha que ser a mesma pessoa. Mas eu não ia perder o controle dessa vez, ia ficar calma.
– Tá tudo bem? – Era a voz de um homem, com toda certeza.
– Quem é? – Ele estava falando da festa? Da tentativa de estupro? Aliás, ele estava lá? Era da escola?
– Espero que sim. – Desligou. As perguntas ainda giravam na minha cabeça. Não consegui pensar em respostas direito, a porta do quarto se abriu. Coloquei o celular de volta no criado mudo.
– Ei, por que não avisou que tinha chegado? – Ian se deitou na cama, colocando a cabeça nas minhas pernas. Jared entrou logo em seguida.
– Nos assustou.
– Desculpa, eu só queria um pouco de silêncio.
– Indireta pro Ian, sim ou claro? – Ele riu, mexendo na caixa com minha coleção de CDs. – Você tá bem?
– Não pareço?
– Sei lá. – Ele se virou pra mim. – Tem algo de...estranho com você. Parece que chorou.
– Parece que eu chorei? Mas deve ter umas 6 horas que eu parei de chorar.
– Agora que Jared falou... – Ian ergueu um pouco a cabeça e me estudou. – Parece mesmo. Que foi?
– Nada. – Os dois trocaram um olhar desconfiado. – Sério, nada. Só chorei quando... – Ian olhou para o chão, eu me calei. – Não foi nada.
– Ok, se você diz... – Ele encarava Ian agora. Deu de ombros e voltou a olhar os CDs. – Esse é novo do Seether?
– É. Holding On To Strings Better Left To Fray. Quer emprestado?
– Não, depois eu compro. Só preciso lembrar do nome. – Ri fraco.
Os dois ficaram ali, conversando comigo, por mais um tempo. Assim que me deixaram sozinha, acabei dormindo.
Fiquei observando o avião enquanto ele se afastava no céu, indo para Londres. Estava escuro, eu teria aula no dia seguinte, mas eu não queria ir embora. Como se ficar ali vendo o avião diminuindo fosse me ajudar.
Quando o avião sumiu, suspirei e fui atrás da minha mãe e Elijah. Coloquei os fones, ouvindo Pass Slowly, do Seether. Fiquei brincando no banco de trás do carro com o Anel na corrente que Jack me deu.
Minha mãe parou a Pajero encostada no meio fio. Desci do carro, desanimada, querendo me enfiar no meu pijama e dormir, mesmo que ainda fosse 7 e meia da noite.
– Quem é? – Saí de um transe com a voz de Elijah, falando com um vulto perto dos arbustos da entrada.
– Casa dos Stone, certo? – Ele saiu das sombras, parando sob a luz do poste.
– Duran? – Eu pisquei umas duas vezes, demorando a raciocinar. Ele deu um sorriso sem graça.
– Oi. Desculpa chegar assim, eu pedi Shaun pelo seu endereço.
– Ficou me esperando?
– Não, cheguei a pouco tempo. – Ele começou a esfregar as mãos, como se estivesse com frio. – Eu sei que uma noite de domingo não é a melhor hora para visitas, mas eu estava quase matando meu pai em casa. Inventou de tocar bateria, o barulho ficou insuportável.
– Duran, essa é minha mãe e meu irmão, Elijah.
– Ah, desculpa, me distraí. Parece que eu não tenho educação. – Ele estendeu a mão para minha mãe. – Prazer.
Minha mãe sorriu triunfante, tirando a chave de casa da bolsa, antes de aceitar a mão de Duran. Entramos em casa, Elijah fazendo alguma piadinha com minha mãe, que riu. Fiquei observando Duran enquanto ele tirava o casaco.
Ele era mais alto que eu, pouca coisa. Uns 5 centímetros, só. O cabelo estava cortado, mas ainda tinha uma aparência bagunçada. Ele parecia mais magro com o casaco, mas sem ele percebi que ele tinha os ombros largos e as costas definidas. E pela primeira vez percebi que os olhos azuis dele tinham um tom de safira. Como ele era lindo.
– Não feche a porta. – Minha mãe sorriu para mim. Concordei e chamei Duran até meu quarto. Ele ficou olhando em volta, eu só me sentei na cama.
– Legal. – Ele parou em frente a estante com meus livros. – Já leu todos?
– Não, ainda não. Mas to tentando.
– Tá tudo bem com você? – Ele se sentou ao pé da cama, me olhando sério.
– Aham. Só to um pouco desanimada. – Ele ficou encarando o chão por alguns segundos, pensativo, antes de se levantar e pegar um cabo p2-p2 que eu deixava numa bagunça de fios ao lado do rádio.
– Levanta. – Ele me estendeu a mão depois de ligar o próprio celular no rádio.
– Pra que? – Ele só indicou a mão com a cabeça. Segurei sua mão e ele me puxou da cama, pra perto dele. E então ele deu o play no celular.
Atlas. Era uma música bonitinha. Mas ele queria que eu dançasse. Tipo em Harry Potter, quando o Rony vai embora e o Harry consola a Hermione dançando com ela.
– Eu não vou dançar, Duran. – Eu falei rindo, mas ele não me soltou.
– Vai sim. – Ele também ria. Antes que eu falasse mais qualquer coisa, ele me puxou ainda mais para perto dele. Não tinha como eu fugir, então comecei a dançar.
Eu nunca levei jeito para dança, mas não importava. Duran basicamente me carregava no ritmo da música. Ficamos rindo, mas eu realmente relaxei.
Não faço ideia de quanto tempo se passou. Fanfarlo virou Band of Horses, com a música Monsters. Duran diminuiu o ritmo, cantarolando a música. Passei meus braços ao redor do pescoço dele.
“Those to say we got much hope
If I am lost it’s only for a little while”
Minha mãe e Elijah estavam lá embaixo, na cozinha ou na sala. Eu cantarolava a música, sem pensar neles. Parecia que só tinha eu e Duran ali, naquele instante.
“Giant little animals to fear”
A respiração dele estava no meu rosto. Fechei meus olhos e ele me beijou. Não foi um beijo doce, foi até meio feroz. Senti seu corpo colando no meu e minhas costas encontrando a estante.
O beijo continuou. Teria continuado, se eu não tivesse sentindo a mão dele subindo por minhas costas, por baixo da camisa. Me trouxe péssimas lembranças. Me desvencilhei, ofegando.
Ele passou a encarar o chão, as bochechas completamente coradas. Imaginei que as minhas deviam estar na mesma situação. Não o encarei também.
– Eu... – Tentei falar alguma coisa, só para acabar com o silêncio, mas não consegui.
– Desculpa, eu... – Duran mal conseguia respirar. – Eu vou embora.
Ele jogou os cabelos para trás com a mão e saiu do quarto. Fui atrás dele, descendo as escadas e levando-o até a porta. Ele murmurou um tchau tímido, que eu retribui com um aceno.
Fechei a porta assim que ele saiu, subindo pro meu quarto antes que minha mãe perguntasse porque ele tinha ido embora daquele jeito. Paralisei no vão da porta do quarto.
O celular de Duran ainda estava no rádio, tocando Sting.
Notas finais
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Bjs
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