No Other
54 Capítulo 54 - Thank You
Notas iniciais
─ Ai, seu pai estaria dando um troço, meu amor. ─ Minha mãe parou na porta, sorrindo. Sorri de volta, suspirando em seguida. Meu pai realmente estaria enlouquecido. ─Ele teria tanto orgulho de você. Está linda.
─ A senhora também, mãe.
─ Mas a noite não é minha. Pronta?
─ Tanto quanto posso estar. ─ Ela sorriu mais uma vez e segurou minhas duas mãos, ajudando-me a ficar de pé. Ajeitei o vestido e respirei fundo. Jack bateu na porta aberta e sorriu.
─ Vamos, princesa?
─ Claro, milorde. ─ Segurei em seu braço para servir de apoio enquanto eu descia as escadas de casa. Olhei o relógio uma última vez antes de deixar a casa e entrei no carro.
Eu cheguei bem na hora, mas minha mãe fez meu irmão enrolar por cinco minutos. Sorri. Duran devia estar com as mãos enfiadas tão fundas nos bolsos que acabaria abrindo um buraco nas calças. Kyle estava aguardando do lado de fora, ansioso. Eu havia pedido que ele me acompanhasse até o altar, já que era como um pai para mim. Ele ficou tão emocionado que me deu um abraço de minutos no dia.
No lugar da marcha nupcial, eu pedi para Liam cantar Elvis para mim. Era minha cara, não é mesmo? Ainda mais uma música tão maravilhosa. A primeira palavra de Can't Help Falling In Love me alcançou e eu abri o maior sorriso da minha vida, sentindo os olhos ficando marejados. Droga.
Apertei o cabo do buquê, trêmula. Estava tudo tão lindo, tão perfeito. Parentes tinham vindo, Nathaly tinha vindo, todos os meus amigos e padrinhos. Todo mundo ali. E meu pai também, imaginei.
Ali e An acenavam, felizes. Kyu estava quieto, mas sorrindo também. Shaun ajeitou a gravata azul, tranquilo. Elijah e Jack estavam chorando? Fui obrigada a sorrir ainda mais, se era possível. E Duran. Ele estava com a boca levemente aberta, olhando direto para mim. Pros meus olhos. Lá vinha choro, eu não ia aguentar.
Meu coração martelou o tempo todo, mal conseguia escutar a voz do padre. Aquele mesmo padre que me viu perder tanta gente, estava ali me prendendo a alguém. Sorri quando ele perguntou se eu aceitava Duran como meu marido.
─ Com todo o meu coração, senhor, eu aceito.
─ Pois então eu vos declaro marido e mulher. Podem se beijar.
Aceitei o beijo ouvindo os aplausos ecoando e meu coração parar de martelar. Estava feito. Para todo o sempre.
E fomos para nossa festa.
Tive que passar de mesa em mesa, tirando fotos e agradecendo a presença de cada um. Nunca fiquei tão feliz como naquele dia. Duran me seguia para cada canto. Alguns parentes, até por parte de pai, e antigos conhecidos. E Nathaly. Sorri, chamando-a. Duran nunca tinha conseguido encontrá-la, em tantos anos.
─ Eu não acredito, menina. Ele é bonitão, hein? Parabéns.
─ Nathaly, certo? Finalmente eu estou te conhecendo. Prazer.
─ O prazer é meu. Bem, não vou segurar vocês aqui muito tempo. Um abraço do casal e eu estou satisfeita.
Dei o maior abraço de urso nela e fui continuar minhas fotos. Ali e Kyu estavam comendo de tudo e planejando viagens. Annie estava sentada numa cadeira, descalça, reclamando dos pés inchados. Também, ela já estava imensa por causa da gravidez. Isabelle nasceria no próximo mês. Elijah estava com ela, conversando. Jack conversava com Shaun, Lara com o marido, os gêmeos com Leo. Todo mundo feliz. Sorri.
Dançamos uma valsa, partimos um bolo imenso e eu joguei meu buquê de rosas. Ele acertou Ali bem no ombro, feito um míssil. Pedi desculpa enquanto ela tirava pétalas de rosa de si. Kyu deu um beijo nela e prometeu não demorar a seguir nosso exemplo. Ela ficou tão vermelha quanto as rosas na mão.
Finalmente, fomos embora depois de todo mundo. Os pais dele tinham deixado a casa para nós e tinham ido da festa direto para uma viagem de trem. Ele nem pensou em reclamar da oportunidade.
─ Eu te amo.
─ Eu também. Acho que já disse isso, mas você é a mulher mais bonita do mundo.
─ Você me faz me sentir bonita.
─ Sabe, esse vestido fez o serviço todo por mim em te deixar bonita. Eu sei te deixar mais ainda.
─ Como?
─ Tirando ele todo. ─ Ri e deixei ele me levar pro seu quarto, tirando eu mesma o véu.
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Acordei com uma fincada na barriga, perdendo o ar. Abri os olhos e encontrei o azul do céu nos dele. Sorri, olhando para o lado e vendo Duran tentando não soltar um palavrão.
─ Bom dia. ─ Empurrei-o um pouco para baixo, tirando-o de cima do meu estômago. ─ Bom dia, Eli.
─ Bom dia, mamãe. A gente vai sair hoje, não vai? O papai prometeu.
─ Vamos, Jared. Podem deixar o papai levantar? ─ Elizabeth deixou o corpinho cair para o lado da cama e veio pro meu lado. Abracei-a.
─ Chama a Ali, amor. ─ Pedi. Mesmo depois de seis anos, Ali e Kyu ainda moravam conosco. A casa da avó de Duran ficava grande demais sem a senhora aqui ou eles. Então eles ficaram com os cômodos no outro lado do lugar.
─ Eu vou. ─ Jared desceu correndo do meu colo e seguiu pelo corredor. Eli o seguiu, os dois numa energia impressionante para as oito da manhã. Aproveitei o alívio e fiquei de pé, bocejando. O telefone tocou. Calcei os chinelos e fui atender.
─ Oi cunhadinha, linda. Bom dia.
─ Oi, Annie. Como vai?
─ Ótima, vocês?
─ Acordei com uma criança de cinco anos pulando na minha barriga, mas vou sobreviver.
─ Qual das duas?
─ Jared.
─ Oh, Isabelle sente tanta falta deles. E vocês nem para viajarem para cá nessas férias. As crianças precisam conviver.
─ Sabe que eu devo isso a Ali por anos.
─ Eu iria, mas preciso guardar. A festinha da Isa já está chegando.
─ Se eu fiz a de duas crianças em um mês, você consegue.
─ Tomara. Ah, tem alguém querendo falar com você.
─ Fala, peste, como você está? ─ Aquela voz que me perseguia até hoje. Fechei o sorriso na hora.
─ Eu sou a peste, Elijah? Se enxerga.
─ Como vão meus sobrinhos?
─ Muito bem, loucos para visitarem vocês.
─ Lindinhos, manda um beijo do tio para cada.
─ Pode deixar. Beijos. ─ Desliguei, finalmente. Duran apareceu na cozinha depois da árdua tarefa de botar os dois para tomar banho. Deixei-o preparando o desjejum e atravessei a casa.
Bati na porta e esperei. Ela abriu a porta, acabando de pentear o cabelo enquanto o chuveiro continuava ligado. Provavelmente Kyu.
─ Nossa, animada mesmo, hein?
─ Depois da senhorita me enrolar pelos últimos anos, sim. Finalmente vamos ao Japão, eu estou tão empolgada. ─ Ela se agarrou no meu braço, a aliança dela beliscando minha pele. Eu ficava feliz em ver que a personalidade dela amadurecera mas não mudara em muita coisa. ─ Cadê os meninos?
─ Banho. Annie ligou.
─ Ah, que ótimo.
Kyu saiu do banheiro enrolado na toalha. Os anos fizeram ele perder toda aquela vergonha extrema dos outros. Estava até ficando meio tiradinho. Sorri, dando bom dia. Ele deu uma piscadinha e foi se trocar no banheiro.
─ Bom, eu vou me trocar e ajeitar minhas crias. Gêmeos conseguem destruir tudo duas vezes mais rápido. Tomem café e não demorem.
─ Nem você.
Em duas horas eu arrumei os dois e me aprontei, deixando as malas na sala. Duran saiu trancando a casa inteira, enquanto eu digitava correndo no computador. Ali estava ajeitando tudo no táxi.
Aquelas seriam as primeiras férias em anos que eu não visitaria minha mãe e Kyle. E já tinha algum tempo que eu não conversava com vários amigos. Nathaly, os gêmeos, Lara, todos agora ocupados assim como eu em guiar a própria vida. Leticia e Pedro tinham ido morar na Argentina com Pablo e quase sempre mandavam notícias, mas era só. Leo tinha sumido, só An sabia dele, às vezes. A banda estava ocupada vendendo sua música.
Tanto tempo sem visitar as lápides gastas pelo tempo. É, crescer parece bem sombrio e só, com pessoas ficando para trás e nos deixando para seguirmos sós. Mas no fundo, eles todos estavam comigo, fosse em pensamento, memória, ou só guardados no coração.
─ Megs, temos que ir. ─ Duran veio me chamar, enquanto eu acabava de escrever. ─ O que está escrevendo agora, madame?
─ Um final.
─ Final? De que história.
─ Da minha. Não é bem o final definitivo, só o de uma era. Só um minuto e…
Estes foram, certamente, os melhores anos de minha vida. Foram eles que me tornaram o que sou hoje. Megan Stone, 29 anos, escritora, mãe de um lindo casal de gêmeos. E o mais importante, eu sou uma pessoa feliz. Pode ser clichê, mas alguns clichês funcionam bem. Agora, se me dão licença, estou partindo para a minha próxima aventura.
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