No Other

46 Capítulo 46 - Better Days


Notas iniciais
Hello, pessoas :3 Andei meio sumidinha, mas consegui vir postar ♥ Aproveitem. Better Days é do Goo Goo Dolls ♥ https://www.youtube.com/watch?v=i-kHleNYIDc

Acordei na quarta feira de manhã com a caixa que minha mãe colocou bem ao meu lado. Ela sorria, esperando eu me sentar e abrir o embrulho. Dentro encontrei uma camiseta e uma caneca, ambos com o rosto de Elvis Presley neles. Sorri.

─ Bom dia.

─ Feliz aniversário, meu bebê. ─ Ela esticou os braços e me enlaçou, suspirando. Aquilo era terrível. ─ Seu pai queria te entregar esses junto comigo.

─ Bom, obrigada também, pai. ─ O clima na casa estava ainda mais estranho. Não era mais pesado como no baque da notícia, mas ainda tinha toda a cautela em cada coisa que se pensava. Era cansativo. Apanhei a blusa e vesti, sorrindo. ─ Vou para a escola com essa.

─ Vou fazer seu café. Vai mesmo à aula?

─ Claro, como mais vou ver meus amigos e ganhar um monte de presentes? ─ Rimos juntas, enquanto ela saia do quarto. Suspirei. Meu pai provavelmente estava naquela estrada para vir passar uns dias conosco, comigo. Não que eu fosse pensar naquilo agora. ─ Bom dia, Megs. Bom dia.

Vesti uma calça jeans para completar meu look e calcei os coturnos, indo até a cozinha. Era meu dia, afinal, logo tive um banquete como café da manhã, com todo tipo de agrado. Elijah e Jack me deram um abraço juntos, entregando os presentes juntos também. Jack ainda se explicou.

─ Tive uma ajudinha da banda, então considere como sendo dos quatro.

─ Okay. Vejamos. ─ Abri o de Elijah antes, pegando o cd do Super Junior. Ele realmente me amava para estar disposto a ouvir kpop por tabela. Sorri para ele, colocando de volta na caixa. ─ Agora do outro irmão.

─ Espero que goste.

A caixa era bem menor, mas não me incomodei. Tirei a caneca de dentro e sorri quando vi o homem sentado na coruja, o símbolo da banda deles. E dentro ainda tinha um chaveirinho do grupo. Sorri mais ainda.

─ Oh, é tão fofo. ─ Ele riu. O desenho tinha sido ideia minha, mesmo que eu não soubesse nem traçar uma linha reta sem auxílio de uma régua. Eu era boa com descrições, logo eles me deram o crédito pela ideia. ─ Eu amo vocês, sabiam?

─ Quem não ama?

─ Se não calar a boca eu te mato, Elijah.

─ Dá um tempo cara, deixa ela acabar o banquete. Precisamos comer também, meninos.

─ Vão sair tão cedo?

─ Precisamos ir até a empresa e falar com Kyle. Quer carona?

─ Não, eu já vou indo. Boa sorte, meninos, beijinhos.

Tive que percorrer o trajeto até a escola sem música. Como se por ironia do destino, uma das minhas distrações depois de tanto desespero tinha estragado. No domingo, meus fones simplesmente deixaram de funcionar, e como eu não tive tempo para comprar outro, fui no silêncio.

─ Hey, Megs, parabéns. ─ Acenei de volta para Todd, ainda atravessando o estacionamento da escola.

─ Valeu, Todd.

Como eu imaginara, a festa começou quando plantei meu pé em sala de aula. Ali pulou no meu pescoço, quase me sufocando, seguida por Lólli, Louis e Annie. Eles quase brigaram para definir quem merecia falar comigo antes, ao que Louis bateu o pé e disse que ele foi o primeiro a me ver. Ri da discussão.

Annie tinha me comprado um livro, e os gêmeos me fizeram um presente, um CD com todas as músicas que eu mais cantava perto deles. Ali disse que os pais não quiseram dar um centavo, então ela me levaria para tomar sorvete depois. E foi assim o dia inteiro, com telefonemas de parentes e acenos de colegas de turma.

Acompanhei Ali no fim da aula, quando acabamos esbarrando em Leh. Ela parecia bem animada em me ver para poder me dar um abraço. Agradeci, enquanto Ali largava seu mangá.

─ Vou te deixar em casa por ter te arrastado para cá. Vamos.

Fui com as duas, conversando. Pelo menos compensava a falta de fones. Vamos ser francos, eu só estava brava por terem estragado porque no silêncio era mais fácil pensar no meu pai. E as duas me tiravam daquele canto escuro que eu estava tentando manter fora de vista.

Assim que bati a porta da frente e joguei as chaves na mesinha, a porta do quintal se abriu e um berro de surpresa me pegou totalmente desprevenida. Tanto que eu cheguei a travar por alguns segundos. Aquilo era mesmo uma festa surpresa? E eu não tinha notado nada? Eles eram bons.

─ Ah, parabéns. ─ Aquilo sim foi um abraço coletivo. Praticamente todo mundo que eu considerava amigo estava lá. Leo, Kim, Mel, meus irmãos, e todo mundo que já tinha me visto antes. Ali me soltou por último e pegou o celular, falando. ─ Megs, eu tenho algo para você.

Era um vídeo. Duran e seus dois amigos. Sorri. Começou com a voz alegre com um papel em mãos, que eu não entendi.

“Vou ler minha mensagem para você, minha princesa. Meus parabéns, tudo de bom que a vida possa te reservar.”

“O resto está aqui comigo.” Pablo. Sorri de novo. “Muito dinheiro e realização também. Beijo”.

“Os cavalheiros me deixam falar agora? Obrigado. Megs, minha menina, você sabe que eu te desejo sempre tudo do melhor, e espero que não tenha esquecido do seu presente muito adiantado. Um beijo. Parabéns.”

Duran. Eu queria que ele estivesse lá, não numa tela de celular, falando uma mensagem gravada. Devolvi o celular, pensando na caixa que ele me dera quando foi embora. Fui comer antes que meus amigos selvagens tivessem acabado com tudo.

Kyu chegou atrasado, e eu obviamente tive que brincar com aquilo. Ele quis ir embora e enterrar a cara num buraco na areia da praia, mas eu o segurei comigo até que Ali viesse resgatar o namorado.

Quando a maior parte do povo começou a ir embora, Kyu veio avisar algo sobre as bolsas de estudo da empresa de Kyle, dizendo que existiria uma prova de conhecimentos gerais. Combinei minha carona e a de Ali e então ele nos deixou também.

─ Parabéns, amiga. ─ O sorriso que Ali me deu foi reconfortante. Ela sabia que não era o melhor dos dias, mas o esforço deles elevou um pouco o posto no ranking. Agradeci e fechei a porta assim que ela se foi. E foi assim meu primeiro dia do décimo sexto ano de vida.

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As próximas duas semanas foram bem tranquilas. A rotina já tinha voltado praticamente por completo, até aquela terça feira. A aula de redação trouxe para mim tudo que eu achei que já estava superando.

─ Eu andei corrigindo os textos das últimas aulas, galera, e sinceramente não estamos progredindo aqui. Pelo amor que vocês têm à mãe de vocês, tratem de pelo menos fingirem que estão se esforçando. Por outro lado, eu sou obrigada a parabenizar uma aluna em especial. Megan e seu texto sobre o dia mais triste da sua vida. Posso ler?

Fiquei de pé e fui buscar o texto, limpando a garganta. A sala toda ficou esperando eu começar a pronunciar minha obra prima.

“Para morrer, basta estar vivo. É o que minha mãe sempre diz, e eu recebi uma prova terrível.

Sabe quando a gente se nega a acreditar em algo? Quando sua boca até seca e o ar não chega aos pulmões? Eu senti isso tudo vendo um noticiário por acaso. Um acidente de carro que arrancou de mim um dos entes mais queridos e mais importantes. Na realidade, três.

O que doeu não foi a notícia em si. Foi a realidade seguinte, o vazio, a incapacidade de dizer ou ouvir qualquer coisa daquela pessoa. Estar preso com memórias passadas e não poder criar novas. Isso tudo machuca. Principalmente quando se trata do próprio pai.

Sim, é difícil. Vão ser dias escuros, tristes, monótonos e sem a cor que costumavam ter, mesmo com ele estando distante. Ele só não estava lá fisicamente, mas de coração ele nunca nos deixou. O que pode me confortar é apenas a esperança de que ele ainda esteja conosco de coração, e que eu continue sendo o orgulho de sua vida.

Uma pessoa só morre plenamente quando mais ninguém se lembra de sua existência. Logo minha missão é deixá-lo vivo em nós. Numa quarta feira qualquer, uma semana antes do meu aniversário, eu perdi parte da minha família. Foi o dia mais triste da minha vida, deveras.

Por sorte, não é o último deles. Mais dias virão, e com eles, a luz que me falta por agora. Basta esperar e me manter forte.”

Respirei fundo enquanto Janet me agradecia por compartilhar o momento com os colegas. Voltei ao meu lugar, sabendo que eu estava chorando. Sentei-me e, dois segundos depois, senti as mãos grandes cobrindo meu rosto por trás. Shaun. Quando ele puxou os dedos para os lados dos meu rosto, entendi que ele estava secando minhas lágrimas. Agradeci, segurando suas mãos nas minhas e apertando de leve.

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Kyu nos buscou direto na escola no dia seguinte, dizendo que a prova não devia tomar tanto tempo, mas que ele nos deixaria em casa ainda assim. An ficou comigo no fundo enquanto Ali e ele foram na frente, murmurando coisas bem meigas e grudentas um pro outro. Revirei os olhos e tentei me distrair com a música no rádio.

De forma reduzida, fomos até a sala onde a prova seria aplicada e demos de cara com outros concorrentes. Uns quinze, pelo menos! Ali agarrou meu braço, mas garanti que ela iria tirar de letra. Celulares desligados, tempo no relógio e belas cinquenta questões sobre atualidades.

Precisei de uma hora e dez para fazer tudo e conferir minhas respostas. E depois disso, meus amigos saíram em ordem. Ali, Leticia, Annie, Kyu. O último parecia ter acabado de sair duma briga. Questionei o cansaço exagerado.

─ Hum, na verdade eu sou péssimo em inglês. Em ler em inglês. Então eu tenho que traduzir pro coreano. É terrível.

─ Seu esforço vai valer a pena, lindo. E uma aspirina.

─ É, vou pegar uma no escritório de Kyle. Esperem aqui e eu levo vocês.

─ Não pre…

─ Só esperem.

Não acatei, óbvio. Estava claro que ele precisava de uma pausa, então fui para casa de ônibus, sozinha. Até que respirar um pouco foi bom. Se aquela prova fosse um sucesso, minha vida mudaria, mais uma vez.

Alguns dias depois, no sábado, acordei com um telefonema de Kyu. Atendi resmungando, ao qual recebi sarcasmo em troca. Realmente, aquilo era uma maldição.

─ Bom dia. Pronto, agora pode falar o que quer?

─ Kyle já tem os resultados das provas. Vai colocar o mural na recepção depois do almoço. É a hora da verdade.

─ Ah, minha nossa. Okay, eu vou para a empresa depois do almoço então.

─ Okay, te vejo lá. Vou ligar para Ali.

Desliguei, descendo as escadas ainda de pijama, procurando minha mãe. Ela estava na cozinha, lavando a louça. Parei ao seu lado, pegando um copo de leite para mim. Ela sorriu, dizendo bom dia.

─ Precisando de algo, meu bem?

─ Kyle vai liberar as notas das provas hoje. ─ Ela fechou a torneira, encarando meu rosto. Eu sabia que era difícil para ela. Era para mim também. Tinha sido uma decisão minha, mas ainda assim, tinha suas consequências.

─ Boa sorte, meu amor. ─ Ela me beijou na testa e voltou ao seu serviço. Sorri, indo tomar um banho.

Depois do almoço, minha mãe me deixou na empresa e foi encontrar uma amiga de longa data que estava de passagem pela cidade. Acabei pensando em Nathaly. Com tanto tempo sem muito contato, ela talvez nem soubesse do meu pai. Fechei a porta do carro e entrei na recepção do prédio.

─ Cadê Ali? ─ Kyu perguntou.

─ Ela e Annie iam visitar a avó. Somos só nós três. E então?

─ Tem a coragem de ser a primeira? Algumas pessoas já saíram em lágrimas. ─ Leticia comentou, rodando a caneta entre os dedos.

─ Okay, eu carrego o fardo. Lá vou eu. ─ Coloquei o cabelo atrás das orelhas e caminhei decidida até o mural, sentindo uma tremedeira interna. Olhei o final da lista primeiro, rezando para não ver ninguém. E nenhum. Ótimo. Fui subindo. Kyu, Annie, Alice, um garoto chamado Craig e eu. ─ Eu fiquei em primeiro?

─ O que? ─ Kyu veio pro meu lado, olhando a lista. Apenas os cinco primeiros ganhavam as bolsas integrais, os outros cinco recebiam porcentagens de até 70%. ─ Leh…

─ Parabéns, meninos. Eu vou me virar ficando por aqui mesmo.

─ Ainda ganha desconto, Leh.

─ Eu não me banco nem aqui, Megs. Obrigada, ainda assim.

E ela voltou para trás do seu balcão, cabisbaixa. Suspirei. Kyu coçou a cabeça antes de suspirar também e me olhar.

─ A gente sabia do risco. Eu vou ver se falo com Kyle.

─ Ela vai te odiar.

─ É sobre o Craig, não ela. Ele comentou uma vez que nunca queria sair do país. E ele só fez a prova por insistência da mãe. Se ele desistir, Ali se torna a segunda e Leh a quinta.

─ Ah, ainda tem o orgulho ferido da sua namorada na história toda? Bom, você sabe melhor do que eu. Eu vou voltar para meu lar. Avisa qualquer coisa.

─ Pode deixar. Beijos.

Dentro do táxi, liguei para Ali e dei as boas novas. Ela ficou preocupada sobre a situação de Leh, mas eu tentei parecer confiante. Kyu ia conseguir, certo? Ela e An estavam no viva voz, logo as duas me ouviam ao mesmo tempo e eu só precisei repetir aquilo uma vez. Excelente.

─ Então, só confirmando, vamos mesmo para a Dinamarca?

─ Ali, supera essa fase otaku sua, pelo amor de Deus. Sim, Dinamarca. O plano não é ficarmos juntos?

─ Okay, já entendi.

─ Perfeito. Precisamos voltar à empresa segunda, com um responsável. Levem todos os documentos da lista do e-mail, por favor.

─ Pode deixar. Beijos.

Desliguei, pagando a corrida e entrando em casa. Como o processo era todo rápido, passei a lista de documentos para minha mãe e passamos o fim de tarde vasculhando pastas antigas.

─ E onde vão ficar? A bolsa não cobre isso, cobre? Ora, foi uma péssima ideia. E se não for uma boa escola? A bolsa cobre mesmo a universidade depois?

─ Mãe, respira! Podemos ficar nos quartos da escola, onde também vamos ter o que comer, relaxa. Fora isso, mesmo se não cobrirem, vai ser mais fácil conseguir alguma bolsa posteriormente. Dá pra se acalmar?

─ A Dinamarca não é a cidade vizinha, minha filha.

─ Eu sei disso. Também não é o Japão, Ali queria ir pra lá.

─ Ah, ai eu não deixava. Ela enlouqueceu?

─ Já se acalmou?

─ Foi outro dia mesmo que eu te deixei no primário e você não quis ir embora até a professora te dar os livrinhos da sala de aula.

─ Eu não sou mais criança, mãe. E se tudo der errado, eu sempre posso voltar.

─ É, é verdade. Olha para você, toda crescida. Eu te amo, meu bebê.

─ Eu te amo também, mãe. E vou visitar sempre.

─ Ah, mas você ouse não visitar! ─ Ri, voltando a procurar todas as certidões e certificados dos quais precisaria.

Notas finais
Até mais vê-los, amores ♥