No Other

33 Capítulo 33 - Bad Blood


Notas iniciais
Oi, gente :3 Então, eu até tinha digitado grande parte do capítulo, mas meu pc decidiu apagar quase metade .q Ai eu apelei por uns dias, mas acabei de digitar. Bad Blood não é da Taylor Swift (pode ser também) É do Bastille ;) https://www.youtube.com/watch?v=qoNYlV07Cf8

– Ela me disse que ouviu uma conversa sua no banheiro. Com Kyu. – Ali e eu paramos na esquina, esperando Annie nos alcançar. – Algo parecido com ajudá-lo a terminar comigo para poderem ficar juntos.

Annie parou ao lado de Ali, ofegante. Voltei a caminhar, esperando que fosse acompanhada. Eu não ia perguntar se ela acreditava naquela bobagem toda, mas notei que ela parecia chateada.

– Mais alguma coisa? – Perguntei, preocupada.

– Não entendi direito, algo a ver com mãe. Conhece a mãe dele?

– Não, nem quero. – Suspirei, parando de frente para Ali. Ela tinha acreditado em Jessica. – Ali, no que você acreditou?

– Em nada. – Cruzei os braços, esperando. Ela imitou o gesto. – Quer saber? Não sei! Kyu fala tudo pra você e eu fico igual idiota esperando, mas ele nunca fala nada. Ele confia mais em você do que em mim!

Annie esperava a resposta. Olhei rapidamente para ela, pensando em como ela estava completamente perdida na história toda. E ela estava em risco também. Esfreguei a cara antes de falar.

– Ok, vamos fazer assim. Vai lá pra casa amanhã, de manhã. Sem mais segredinhos, vamos te colocar a par de tudo. Ok?

– Ótimo. – Ela fitava o chão. Revirei os olhos e dei um empurrão de leve nela.

– Eu não sou talarica assim não. Kyu vai continuar sendo seu namorado, relaxa. Annie, está convidada para amanhã também.

– Sério? Eu quero ir. – Annie deu um sorrisão. Como ela podia ser tão fofa? – Vou pedir meus pais.

– Ok. Vou arranjar um filme para gente ver, pergunto pro meu irmão. Sem pegação com Kyu, ok? – Meu celular tocou no mesmo instante em que eu pronunciei o nome. Atendi, murmurando. – Você morre se não ouvir minha voz?

– Não é culpa minha se você não tem internet. – Ele riu.

– Ali, avisa que se ela acha ruim eu estou aceitando qualquer smartphone.

– Kyu? – Ela ficou na ponta do pé, como se fosse conseguir enxergar o visor do aparelho. Concordei.

– Só fala o que você precisa. – Voltamos a andar.

– Ali usa brinco? Ou colar?

– Ela usa se der para ela. Quer que eu olhe?

– O que? – Aproveitei que ela olhou para mim e procurei os dois objetos citados. Kyu falava sério.

– Vamos fazer isso, estragar surpresas é o hobby número um do país. Megs, eu te mato no tapa se fizer isso.

– Não perguntei, idiota.

– Ih, ficou nervosinha, foi?

– Está no fogo cruzado também, ridículo. Lembra do assunto proibido Hye-In?

– O que tem isso?

– Ali quer saber. Amanhã, de manhã, lá em casa. Não se atrase.

– Obrigado por me consultar, por sorte eu estou livre nesse horário. – Olhei mais uma vez para Ali enquanto ele reclamava na minha cabeça. – Segunda opção.

– O que? Oh, colar?

– Uhum, nada chamativo, aposte no simples. Tchau, lindo. – E desliguei na cara dele. Ali estava quase pulando em cima de mim, esperando eu explicar a conversa inteira. – Aparentemente é surpresa, então...sorry.

– Oh, ok. Até amanhã. – Ela tomou seu rumo com Annie e eu fui na direção que sempre seguia para casa. Olhei por cima do ombro, as duas passaram por um rosto familiar. O loiro estranho, me olhando nos olhos.

– Oi. – Travei toda com o susto. Virando o corpo devagar, encarei o par de olhos verdes sem saber o que dizer. Ele sorria, prendendo o cabelo da mesma maneira de quando o vi pela primeira vez.

– Ei. – Respirei fundo, quase parando de andar. Eu já estava quase em casa.

– Te vejo muito, sim? – Ele ainda sorria, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco cinza de moletom que usava.

– Já reparei nisso também. Coincidência, não?

– Mais ou menos. – Esquisito! Ele estava mesmo me stalkeando? – Eu moro nessa rua.

– Mudou faz pouco tempo?

– É, na verdade eu voltei para cá. Eu estava vivendo no Japão, com uma tia.

– Legal. – Ele não parecia ser uma pessoa ruim, só...estranha. – Bem vindo de volta.

– Valeu. Ahn, qual seu nome?

– Megan. Normalmente Megs.

– Bonito nome. – Lá vem. – Feito você.

Dei uma risada, sem saber o que mais fazer. Ele riu junto. Aquela era mais do que previsível.

– Eu tinha que tentar. Funcionou?

– Nope. Nem perto.

– Ok, eu esperava. Ainda assim, chances de eu te levar para sair?

– Depende, você vai me contar seu nome até o dia?

– Ah, sim, perdão. Klaus.

– Klaus? Ok, tipo o cara do Vampire Diaries.

– Hum, eu parei de assistir mais ou menos quando ele voltou, então...quase isso.

– Parei também, ficou uma bosta. Niklaus?

– É.

– Ok.

– Então...

– Niklaus. – Interrompi. – É um cara legal. Te conheço tem uns quinze minutos, então...Te vejo por ai.

Acenei e me virei para acabar com a distância até minha porta. Ele segurou meu braço, virando-me de volta.

– O que foi? – Perguntei, olhando a mão firme dele. Esperava que ele me soltasse, mas ele sorriu.

– Gosto de desafios. Quer saber por quê?

Esperei, um pouco assustada. Convenhamos, não é todo dia que um cara muito bonito vem dar em cima de você e te agarra assim que leva um fora.

– Porque eu sempre ganho. E eu gostei mesmo de você. Mesmo. – Ele finalmente me soltou e, como se eu tivesse delirado, sorriu e se despediu. – Cuide-se.

Eu era um desafio? Quando é que eu era desafio para qualquer um? Entrei em casa logo depois que ele entrou numa casa quase ao lado da minha.

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– Fala logo, cacete! – Ali estava quase roxa de raiva, com cara de quem ia matar Kyu se eu deixasse alguma faca perto dela.

– Ali, minha mãe quer me levar de volta para a Coréia, por isso ela veio. – Kyu fitava o chão, envergonhado. Eu notei o quanto ele tinha se segurado. Falar de Hye-In era tipo dar um tiro na própria mão sem poder berrar.

– O que? Não vai embora, né? – Ali ficou de pé, pulando do banquinho.

– Não! Não, não quero ir. – Ele ergueu o rosto, esperando que eu o ajudasse. Ele tinha que justificar tudo. Não era aquele o problema. Abaixei um pouco a cabeça. – Não gosto dela, Ali.

– Sua mãe? Nossa, por quê? – Ela parecia chocada. Ele até tentou falar, mas os olhos já estavam marejados.

– Ela não vai rir. Vai.

– Hye-In matou o próprio pai. Meu avô era um cara tão...e ela o matou para pegar a herança. – Encarando as próprias mãos, continuou. – Só que ai ela fugiu e me largou para trás. Eu não entendi na hora o que tinha acontecido, ela disse que tinha que ir recuperar o tempo perdido. Ela não me queria, Ali.

Olhei para o casal. Apesar de tudo, da fragilidade de Kyu, Ali ainda parecia irritada. O orgulho, já até sabia. Suspirei. Ele ergueu o rosto molhado.

– Num resumo, ela anda me vigiando, procurando uma brecha para me levar. – Ali desviou a mão que ele lhe estendeu. – Não queria te preocupar, então procurei por Megs e desde então a gente tem conversado.

– E, bom, ele ficou me devendo um “curso gratuito” de coreano desde o dia que eu emprestei a casa. Ele estava pagando.

– Ah. – Ali ficou de pé, tremia. – Megs, a casa é sua, mas podia me dar licença?

– Claro, vou atrás de Annie. – Sai da cozinha. Antes de subir metade da escada, a gritaria começou. Annie e Elijah correram para o corredor, querendo ouvir mais.

– Eles estão...? – Annie queria descer, mas bloqueei seu caminho.

– Estão, deixa eles. – Ficamos os três parados no topo da escada, escutando. Dava pra ouvir do outro quarteirão.

– POR QUE CONTOU PARA ELA ANTES DE FALAR COMIGO? É COMIGO QUE VOCÊ NAMORA, KYU, OU ESQUECEU DISSO?

– Eu sei, Ali, me escutou quando eu disse que não queria te preocupar?

– DÁ PRA ACREDITAR? MINHA MELHOR AMIGA SABE MAIS DO MEU NAMORADO QUE EU! EU, A NAMORADA. E POR FALAR NISSO, VOCÊS ESTÃO SEMPRE NUM AGARRAMENTO.

– Ali, para com isso! – Kyu não elevou o tom de voz nem por um segundo. Ainda assim, eu notei. Aquela irritação. Ele tinha se exposto e ela estava suspeitando dele.

– É A VERDADE. OLHA, EU TNEHO UM PROBLEMA. O QUE FAÇO? AH, DEIXA AQUELA IDIOTA DE LADO E VAMOS FALAR PRA MELHOR AMIGA DELA. QUAL O PRÓXIMO, SE COMEREM NA MINHA FRENTE?

Annie estava horrorizada. E eu também. Podia ser pela raiva, mas Ali podia pelo menos pensar quem ela estava ofendendo na discussão toda. Ela tinha mesmo aquela desconfiança toda sobre mim?

– ALI, SE ESCUTA. ELA É SUA MELHOR AMIGA. – Ele finalmente ergueu a voz.

– Melhor ainda, né? Ai você nem precisa se preocupar em encontrá-la. Sempre perto. – Um dos bancos caiu. – Faça o que quiser, não ligo mais. Não quero mais.

– Ali. Ali, volta. Ali! – Ela passou pela porta da minha casa, batendo-a ao sair. Kyu saiu atrás dela, berrando.

– Eu devia ir, esperar lá em casa. – Annie nem conseguia falar direito. – Tchau, gente.

– Tchau. – Levei-a até a porta e fui para a cozinha. Elijah voltou pro sue quarto, quieto. Um dos bancos tinha caído. Dei um suspiro e o coloquei no lugar.

“Conclusões do dia: Ali acha que eu roubaria o namorado dela” Pensei, olhando pela janela da cozinha. “Acho que já posso morrer.”

Respirei fundo. Era só a raiva que tinha feito ela dizer aquilo tudo. É, tinha que ser. Tomei um copo de água, querendo engolir aquela pontinha de mágoa que surgia. Não funcionou. Liguei para a melhor pessoa para me ajudar.

– Oi, Nhoim. – Lara devia estar sorrindo. Ela sempre sorria. Sorri só de imaginar.

– Ei. Minha amiga acaba de terminar com o namorado, depois de deixar claro que acha que a gente chifra ela. Não nessas palavras, mas enfim... Algum motivo real para me magoar?

– Todos. O que ela fez foi te deixar na dúvida se ela confia em você ou não. Mesmo que seja por ciúmes. – O tom profissional estava lá, disfarçando o de preocupação. – Olha, tenta se distrair por agora. Amanhã vocês conversam. Consciência limpa, ok?

– Totalmente. Ok, vou fazer. Distrações. Valeu, Nhoim.

– De nada, Nhoim. – Desliguei, dando um sorriso. A questão no momento era como me distrair. Fui para o quintal, respirando fundo. Deitada no gramado, fechei meus olhos e me pus a pensar.

Só não era o que eu queria pensar. A briga foi tomando forma na minha cabeça. Segunda opção, jogo. Jogando eu não tinha como pensar em duas coisas. Sentei no sofá da sala, pronta para começar Oblivion.

Não era fácil feito Dragon Age, mas parecia legal.Horas se passaram. Até ouvi uma batida contra o vidro. Olhei pela janela, nada. Achei que tinha viajado, mas ouvi de novo.

Abri a janela da cozinha e botei minha cabeça para fora. E quase engasguei. Desesperada, falei alto.

– Klaus, meu Deus, desce daí. Anda. – O loiro grandão me olhava, sentado no alto do muro que separava minha casa da vizinha. Na minha opinião, parecia meio desestabilizado. – Desce!

– Posso descer no seu quintal?

– Pode, só desce. – Corri lá pra fora. Abri a porta e pisquei com o baque surdo. Arfando, Klaus estava de costas no meu gramado, arfando.

– Ai. Isso dói. – Ele tinha caído. Suspirei e me abaixei perto dele.

– Tudo bem? – Coloquei sua cabeça nos meus joelhos. – Respira, calma.

– Megs, estou calmo. Adorei o cuidado e tals, mas estou legal.

– Ok, então fica de pé. – Papel de boba. Deixei-o no chão e fiquei d epé, limpando a grama dos joelhos.

– Está bem?

– Sim, por que não?

– Querida, primeiro você mente muito mal. Tipo, sério, muito mesmo. Segundo, deu para ouvir a menina lá de casa.

– Ali sabe ser bem...escandalosa quando ela quer. – Dei de ombros. Eu querendo esquecer e ele jogando sal na ferida.

– Ainda assim, foi meio cruel.

– Vamos dizer que ela não percebe o impacto que as coisas têm. Eu acostumei.

– Não parece. Quer ir se distrair?

– Era o que eu estava fazendo antes de um lunático subir meu muro. – Ele riu, esperando uma resposta. – Já te disse.

– Já, mas estou perguntando de novo. E afinal, do que você tem medo? Sou um cara normal, num lugar comum. Tipo você.

– Não sei nada sobre você. E pular muros não te enquadra em “normal”.

– É isso? Niklaus Hertz, acabo de completar 21 anos de idade, estou atualmente cursando engenharia elétrica. Minha mãe é dona de uma loja de roupas no centro, meu pai é engenheiro no exterior. Moro na terceira casa depois da sua, adoro bichinhos, mas sou alérgico. Algo mais?

– Claro, isso tudo me prova que você não é um pedófilo, estuprador, assassino. Imagine só.

– Quando você faz aniversário?

– Maio. O que deve dar ai uns...seis, sete meses?

– Se vai fazer 16, são cinco anos de diferença, logo, não se enquadra mais em crime. Não tenho motivo nenhum para te matar e nunca precisei me forçar em alguém para conseguir.

– O interesse é esse?

– Eu já dormi com algumas pessoas, não quer dizer que eu só saia com alguém com esse objetivo. – O sorriso sedutor de sempre. Respirei fundo.

– Talvez seja um hipster.

– Ah, Deus, salve-se. – E caiu na gargalhada. Ri também. – Vamos, anda. Pode chamar uma amiga, não me importo. Por favor.

– Qual é o plano? – Cocei um olho, relutante.

– Isso significa sim?

– Talvez. O plano?

– Bem, tenho uma festa de faculdade ou um restaurante, tanto faz.

– Uma festa não parece tão bom.

– A gente pode só passar e testar. Não é tão ruim.

– É de graça, sim? Prefere a festa?

– Já são oito da noite. Não precisamos demorar.

– Espera eu trocar de roupa?

– Tome seu tempo, princesa.

Entrei em casa e subi pro meu quarto. Com uma calça jeans escura e uma camiseta rosa que eu devo ter ganhado em algum natal de uma tia esquecida, prendi o cabelo num coque e calcei uma sapatilha. Lápis de olho só pra disfarçar a falta de produção e desci.

Gastei vinte minutos, no total. Klaus estava com outra roupa, uma camiseta limpa de grama e uma jaqueta de couro. Até pensei em pegar uma jaqueta, mas não ia precisar. Não estava com frio.

– Está frio.

– Não. Estou bem.

– Tem medo de entrar num carro comigo?

– Espero que não tente ser uma pessoa horrível. – Conferi se estava com as chaves de casa e meu celular. Tudo certo.

Entrei no Volvo parado na frente da minha casa e prendi o cinto. O rádio tocava Alice In Chains.

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A casa era parecida com a de Shaun, só que nos fundos não tinha piscina. Só um gramado e uma matinha fechada. Klaus sussurrou no meu ouvido.

– Recomendo ficar fora da casa, não trocar de copo e ficar por perto. Ok?

– Claro. – Ele ainda não tinha me soltado.

– Em uma hora e meia a gente vai embora. Aproveite.

Concordei e fui com ele até o colega dono da casa. Depois de cumprimentos básicos e poucas palavras, fui explorar o ambiente. Peguei um copo limpo e me servi de refrigerante.

A cozinha estava uma bagunça. Tinha um casal quase se engolindo num canto, um grupo de pessoas conversando, bebendo e fumando. Klaus me procurava de tempos em tempos. E Shaun. Já do lado de fora, encontrei meu colega de classe.

Conversando com um outro cara, tranquilo. Franzi o cenho. Estranhei encontrá-lo ali. Ele me viu também. Acenando para o colega, veio me encontrar.

– O que faz aqui? – Ele cheirava a pinheiro. Ou era o ar, perto das árvores. Era bom.

– Socializando?

– Sozinha? Como veio parar aqui?

– Meu vizinho me trouxe, Klaus. – Mostrei o loiro conversando com duas pessoas.

– Ok. – Shaun se sentou numa raiz e esperou eu me sentar ao seu lado. Fiz.

– Então, está tudo bem? Na escola? – Foi o primeiro assunto que consegui puxar. Até porque, não tinha tantos assuntos em comum assim.

– Oi? Ah, acho que bem. – Ele parecia distraído, distante. Cruzei os braços. – Só biologia e literatura que me pegam, mas já estou dando meu jeito.

– Hum, sei bem. Geografia me apertou. Estranho. – Suspirei. – Se precisar de ajuda...

– Ajuda? – Distraído de novo. – Ah, seria legal.

– Shaun, o que há com você? Você está...distraído.

– Sabe que eu costumo falar o que me vem na cabeça, sim? Direto. Então, talvez não queira essa resposta. Vai por mim.

– Eu perguntei, logo, eu quero.

– Ok. – Ele ergueu o rosto. – Sabe, eu normalmente me controlava por respeito com Duran e tal, mas agora ele se foi e...

– E dai?

– Megs, você é gostosa. Sério. – Ergui uma sobrancelha. O que deu nele? – Ai, quando eu acho que aprendi a lidar com essa ânsia dentro de mim de ficar te secando o dia inteiro, você aparece com essa blusa. E ainda cruza os braços.

– O que? – Fiquei esperando uma luz divina iluminar aquela fala na minha cabeça. Não que eu não entendesse, eu só...não quis acreditar. Direto demais.

– Quer ajuda?

– Não precisa, já entendi. – Olhei a camiseta. Nem tinha reparado que a porcaria do decote era tão grande.

– Nunca pensei nisso, mas sutiã rendado é bonito.

– Shaun, para! Por favor.

– Descruza os braços, pelo menos. Ficam maiores.

– Shaun!

– É verdade, eu avisei que você não precisava ouvir.

– Ok, agora para! – Respirei fundo, descruzando os braços. – Mudando de assunto...

– Por que veio com ele?

– Ele estava insistindo em sair comigo. Não parecia má ideia.

– É, eu com uma blusa dessas não ficaria tão certa disso. – Pegou meu copo e tomou um gole, sério. – Megs, cara nenhum gosta de ouvir não. Alguns são menos imbecis que outros, no entanto.

– Só você está com essa fixação no meu sutiã.

– Não é bem o sutiã, mas... – Ele parou de disfarçar, sorrindo. Revirei os olhos, esperando ele erguer o rosto.

– Shaun?

– Oi? – Dei um tapa nele que até estalou. Um pouco mais forte do que eu queria. – Ai. Por que fez isso?

– Porque foi merecido. – Peguei meu copo de volta. – Quantas horas?

– Quase dez. Por que?

– Vou embora daqui a pouco. Veio sozinho?

– Não, eu conheço Tyler há um tempo. Ele me disse que eu tinha que ver o que o futuro me reservava. E falando no demônio...

Olhei na mesma direção que Shaun olhava, vendo o tal amigo se aproximando. Ele devia ser da minha altura, parecido com Kyu. Bom, aquilo foi meio racista. Ele tinha uma descendência asiática, mas não parecia nem um pouco com Kyu.

– E já está tonto. – Shaun suspirou, ficando de pé. Tyler realmente andava com passos incertos.

– Shauna! – Com um copo numa mão, ele enfiou a outra no bolso da calça apertada e jogou as chaves para Shaun. – Vou dormir na sua casa.

Shaun aceitou as chaves e tomou o copo da mão do amigo, virando a bebida restante num gole só. Foi ai que Tyler notou minha presença e o sorriso bobo que ele tinha se alargou.

– Quem é? Amiga sua? – Ele perguntou, apontando para mim.

– É, ela...

– Prazer. – Ele segurou meu braço e me puxou, pondo-me de pé. Perdi o equílibrio e me apoiei nele, quase derrubando-o. – Nome?

– Megan. Você é Tyler. – Ele concordou, soltando meu braço e me prendendo pela cintura. Shaun até tentava me ajudar, mas mesmo tonto o tal do Tyler era forte.

– Ciúmes, Shauna? – Shaun revirou os olhos, perdendo a paciência.

– Estou com dó da menina, só isso.

– Não precisa. – Foi nessa hora que ele me puxou ainda mais e me deu um beijo rápido. Eu nem reagi. Não que eu fosse brigar com um bêbado, mas foi chocante.

– Hey, hey, para com isso! – Tyler finalmente me soltou, puxado por um Shaun surpreso. – Quer pegar alguém me agarra, pelo menos não corre o risco de ter uma queixa por assédio.

– Não é má ideia, Shauna.

– Só vem. – Shaun ia arrastando Tyler consigo, até Tyler parar e tascar-lhe um beijão. Beijão, de língua. Klaus se aproximou de mim enquanto eu ainda tentava digerir a imagem. Parecia surreal.

– Já quer ir embora? – Klaus perguntou, os dois meninos já tinham voltado a caminhar. – Tudo certo com aqueles lá, né?

– Sim, um deles é amigo meu. Vamos.

– Por que bateu no cara moreno? Digo, o que falou com você antes.

– Ah, Shaun é legal, só um pouco direto demais. – Ele abriu a porta do carro para mim.

– Ah, o que ele disse? – Trancou as portas e deu partida.

– Nada sério. – Dei de ombros, olhando pela janela. Não parecia o mesmo trajeto. Ele riu.

– Deixa eu tentar adivinhar. Do jeito que ele estava quase caindo dentro da sua blusa, eu diria que tem a ver com o sutiã. Certo? – Voltei a fitá-lo, tirando os olhos da rua escura.

– Que rua é essa? – Ele tinha parado o carro, sorrindo. E eu começava a tremer.

– Quer me mostrar se ele tinha razão? Dá mesmo pra ver bastante.

– Klaus, é pra me levar para casa. – Dentro de um carro não existe muito para onde recuar. Klaus era maior que eu, e mais forte, e mais rápido. E eu estava ferrada.

Ele soltou seu cinto e se debruçou sobre mim, naquele espaço minúsculo. Minha cabeça estava na porta. Quis me soltar, mas a porta estava trancada.

– Klaus, me solta. – Eu não conseguia falar direito. Porque minha cabeça sabia muito bem o que ia acontecer, mas eu não queria aceitar. Ele estava até tomando cuidado. – Klaus!

Minha única resposta foi a boca dele sobre a minha e a mão por baixo da minha camiseta. Tentei empurrá-lo, aproveitei as unhas compridas e as finquei em seu braço, tentei socar. Nada funcionava!

Ele tirou minha blusa e desceu as mãos até o bolso da minha calça. Que droga. Ele jogou meu celular no chão do carro, logo do meu lado. O plano era ligar para qualquer pessoa e gritar.

Com o pior plano do mundo, tentei esticar o braço e pegar o celular. Ele estava subindo as mãos, sem a menor preocupação com minha movimentação. Pousou uma das mãos no meu pescoço e a outra sobre minha barriga.

Eu quis chorar, mas nem isso conseguia naquele estado de pânico. Ele falou sério, mexendo em sua jaqueta com a mão que estivera sobre minha barriga.

– Eu sinto muito, garota. – Quis perguntar porque ele ia se desculpar se podia simplesmente não fazer, mas a picada no meu pescoço e o peso que senti me impediu de falar. Apaguei.

Notas finais
Desculpem a demora .q Até a próxima :)