Jacob passou seu braço em volta da minha cintura e foi me levando apressadamente para fora daquela floresta.

Olhei para ele e lembrei que ele estava sem camisa, só de bermuda, será que esse garoto não sentia frio não? Eu estava congelando de tanto frio, principalmente com a chuva.

– Jacob, você não está com frio? — Perguntei olhando preocupada para ele.

– Ah, eu já me acostumei com a temperatura fria daqui, nem se preocupa. — Ele falou desconversando.

– Mas se acostumar é uma coisa, deixar de sentir frio é outra. — Falei e passei a mão no rosto dele carinhosamente, percebi que ele estava quente, bem quente. — Jacob eu acho que você está com febre, garoto você está queimando! — Falei preocupada.

– Nem liga, eu sou sempre assim, quente.

Eu estremeci quando ele falou que era sempre quente, eu havia maliciado um pouco o que ele disse, me senti envergonhada por causa disso e mudei de assunto.

– Pra onde esta me levando? — Perguntei olhando pro chão.

– Pra minha casa.

– Pra onde? — Falei virando pra ele meio assustada.

– Ué, pra minha casa.

– Mas por que você está me levando pra lá?

– Pra você passar a noite lá, já vai escurecer e você não vai querer dormir na rua com essa chuva não é? — Ele falou olhando pra mim carinhosamente.

– Mas nós mal nos conhecemos.. — Eu ia começar a falar mas ele me interrompeu.

– Mas podemos nos conhecer melhor se você dormir lá, sério, tem uma cama boa e quentinha, tem comida e eu posso te dar umas roupas quentes pra você não ficar com frio, as roupas eram da minha irmã que se casou e foi embora, deixou algumas roupas lá, ela é magra assim como você, vai servir. — Ele falou sorrindo.

– Por que você está fazendo tudo isso por mim? Você mal me conhece! — Perguntei calmamente, eu estava impressionada, ele era tão legal mas eu não sei se devia aceitar.

– Pode parecer estranho, mas eu já gosto muito de você e eu só quero te ajudar. — Ele falou olhando no fundo dos meus olhos, deu para perceber o quanto ele estava sendo sincero.

Eu fiquei tão feliz de saber que ele também já gostava de mim e ele era tão bom, queria me ajudar e tudo.

– Se for assim eu aceito, mas com uma condição!

– Qual? — Ele perguntou curiosamente.

– A condição é; nós temos que dormir em camas separadas, tá?

– Ah, tudo bem!

Ele sorriu. Eu sorri de volta. E a chuva ficou bem mais forte. Ele me puxou e começou a correr, eu corria atrás dele.

Saímos da floresta e eu vi uma casa simples, era de madeira e a sua cor era vermelha, era bonita. Apesar de eu não conseguir ver muito bem por causa da chuva forte que atrapalhava minha visão.

Ele foi em direção a casa e eu fui atrás dele, envergonha, vai que os pais dele não gostem de mim? Ele bateu na porta umas duas vezes e a porta foi aberta por um senhor que se encontrava numa cadeira de rodas.

– Jacob, por que não disse que ia demorar mais do que 30 minutos? — Ele falou dando um sermão no Jacob, me senti culpada.

– Desculpa senhor, mas se o Jacob se atrasou por culpa minha, ele estava me ajudando. — Falei abaixado a cabeça.

– Ei não fica assim, tudo bem. — Jacob falou me abraçando.

Eu olhei pra ele e sorri, adorava quando ele me abraçava pois era tão magnifico, me fazia me sentir tão melhor e tão segura nos braços dele. Era como se eu não estivesse mais sozinha, era como se ele fosse meu, somente meu. Doce ilusão.

– Tudo bem, entrem não fiquem ai na chuva se não vão pegar um resfriado. — Ele falou olhando pra mim e pro Jacob e sorriu.

Apesar de ter achado meio estranha a reação dele de sorrir por ver seu filho com uma garota que conheceu a poucos minutos atrás abraçados, eu sorri de volta.

Jacob e eu entramos dentro de casa, apesar de toda a vergonha que eu estava sentindo.

– Ei pai, ela pode passar a noite aqui? Ela não tem pra onde ir, ela perdeu a memoria e não consegue lembrar de mais nada. — Jacob falou pro seu pai lançando um olhar como se ele estivesse pedindo "por favor, por favor".

– Tudo bem, você pode ficar aqui o tempo em que você quiser, você é muito bem vinda. — O pai do Jacob falou sorrindo pra mim, eu agradeci. — Ah esqueci de me apresentar, sou Billy Black o pai do Jake e eu nem vou te perguntar o seu porque pelo visto você também não se lembra disso.

Apenas olhei para ele triste, eu queria tanto, mais tanto saber o meu nome.

– Ei vou te mostrar onde você vai dormir e te dar umas roupas quentes da minha irmã pra você vestir. Vem. — Jacob me chamou, ele estendeu a mão para mim e eu segurei.

O quarto era legal e confortável, as roupas eram ótimas e Jacob disse que eu poderia tomar um banho quente se quisesse, eu quis e tomei, pelo menos tirei aquela sensação de me sentir suja. Eu estava terminando de me vestir quando Jacob entrou no quarto.

– Opa! Acho que entrei na hora errada. — Jacob falou meio envergonhado.

– Tudo bem, já estava terminando aqui mesmo, pode falar Jacob.

– Então se é assim, eu vim avisar que o jantar está pronto e ah por favor me chame só de Jake, é bem melhor. — Ele sorriu e eu me derreti.

– Tudo bem Jaco.. Jake.

– Assim está bem melhor. — Ele falou e soltou um risinho saindo do quarto. — E vem logo pra comida não esfriar. — Ele disse na porta e logo saiu.

Eu estava terminando de arrumar o meu cabelo quando eu senti uma dor de cabeça forte e lembranças invadiram a minha mente.

"– Charlotte não corra filha, você pode cair e se machucar! — Uma mulher falava vindo atrás de uma criança, muito parecida comigo, provavelmente era eu.

– Mamãe correr é tudo de bom, eu sinto esse vento gostoso batendo na minha cara, me sinto livre mamãe.. Eu amo correr! — Eu dizia enquanto corria e ria.

Mamãe sorriu pra mim, ela era loira e tinha os olhos verdes e o sorriso dela era lindo.''

– AIIIII! — Gritei de dor na cabeça, Jacob veio correndo ver o que era.

– O que houve? Por que está gritando? — Jacob disse me abraçando.

– Ah Jake, eu tive uma lembrança, mas minha cabeça ta doendo muito. — Falei começando a chorar.

Jacob me abraçou mais forte.

– Ei não chora se não eu também vou começar a chorar. — Dava para perceber que ele estava sendo sincero com o que dizia, pois a expressão dele estava muito triste. — Pode me dizer o que você lembrou?

– Eu lembrei de quando eu era pequena, quer dizer, não tenho total certeza se era eu mas acho que sim, eu estava correndo e uma mulher que provavelmente seria a minha mãe estava correndo atrás de mim dizendo "Charlotte não corra filha, você vai se machucar" eu sei que eu falei pra ela que gostava de correr pois me sentia livre e chamei ela de mamãe, Jake. — Falei chorando muito por causa da lembrança e da dor de cabeça. — Jacob será que eu vou lembrar de toda minha vida? Será que vou achar meus pais?

– Tomara que sim, assim você vai parar de sofrer e eu vou ficar feliz, pois eu odeio te ver sofrer. — Ele falou fazendo carinho na minha cabeça. — Mas enfim se você era aquela criança e ela te chamou de Charlotte então esse é seu nome. — Ele sorriu pra mim. — Viu você queria tanto saber seu nome, agora sabe.

– É verdade Jake! Meu nome é Charlotte, eu lembrei do meu nome! — Falei pulando, feliz por isso.

Pena que a dor de cabeça não deixou eu festejar muito, ela doía bastante.

– Charlotte é um nome lindo, combina com você. — Eu apenas me derreti com essas palavras. Jacob era realmente um garoto muito incrível.

Notas finais
Se gostou por favor comente, pois é muito triste as pessoas ignorarem o nosso trabalho.