No Need to Say GoodBye
13 Dia 6 - Entrando em Crise
Notas iniciais
Pov. Rei Rilian
Sinto-me mal. Pela primeira vez nessa eternidade, sinto-me mal. Eu sei, ela nunca disse que gostava de mim, mas também nunca disse que não. Nossa, como estou deprimido! Sinto que meu peito dói demais, como se minha alma fosse despedaçada. Isso dói tanto!
– Rili? — Valentiny bateu na porta do meu quarto — Tá tudo bem?
– Vai embora! — enterrei o rosto no travesseiro — Eu não quero ver ninguém...
– Rilian, sou eu Valentiny! — ela bateu denovo — Deixa eu entrar, vai!
Ela entrou no quarto, fechando a porta. Tinha os cabelos ruivos e cacheados presos em um rabo, e usava o vestido azul escuro, seu preferido. Ela se aproximou de mim, sentando do meu lado na cama. Eu deitei, ficando de costas pra ela, para que não veja meu rosto.
– Rili, o que tá acontecendo, heim? — eu senti ela colocar a mão em meu ombro. — Seu pai me disse que você está triste desde que chegou do jardim da vadi.... quer dizer, da Aurora... O que foi, heim?
Eu permaneci em silêncio, torcendo para que ela fosse embora e me deixasse em paz.
– Rili, eu sou sua amiga... por favor... me diz... — ela insistiu.
Eu respirei fundo, e me sentei na cama, ficando de frente pra ela. Mas olhar pra Valy, me tira toda a compostura.
– ELA NÃO GOSTA DE MIM!!!!!! — eu gritei, como um desabafo, e comecei a soluçar compulsivamente.
– O que... como é? — ela me olhou, confusa — Me explica essa história direito! Ela te disse isso?
– Não... não foi na minha presença... quer dizer... eu tava ali... mas ela não tava falando comigo.... — eu dizia, entre um choro e outro. — Eu achei que ela gostava de mim...
– Calma, Rilian, calma. Respira, reeeespiiiira... — ela me fez respirar fundo, tentando controlar meu choro — Melhor? Agora conta essa história direito, ela contou pra quem? Ou melhor, quem é ela?
Eu respirei fundo, tentando conter o choro, e comecei a narrar os fatis ocorridos comigo naquele dia.
"Hoje Rainha Lucia decidiu que era a hora de começarmos a trazer os bancos e mesas para a Festa das Colheitas. Como são bancos e mesas de carvalho esculpido e maciço, são muito pesadis para serem carregados por cavalos alados, então ela decidiu o seguinte: Reis Pedro, Edmundo e Tirian iriam na primeira caravana buscar alguns bancos. Quando eles retornassem com os minotauros, eu e meu pai buscaríamos os outros e assim por diante até tudo estivesse no lugar.
Todos concordadarm de imediato, e logo, os três reis estavam plainando no céu a caminho de Cair Paravel. Papai enfiou-se em algum canto, tirando gravetos e folhas secas aqui e ali. Mas como eu estava muito entediado de esperar, comecei a caminhar pelo jardim, apenas apreciando a beleza daquele lugar, enquanto ouvia Rainha Lucia dizer qualquer coisa pra meu pai.
Depois de muito andar pelas amoreiras, macieiras, pitangueiras, salgueiros e pereiras, eu ouvi uma voz no meio das folhas. Eu sou muito curioso, e às vezes queria que nunca tivesse curiosidade, pois isso me pouparia de muitas coisas que eu ouvi na vida, que poderia ter vivido melhir se não ouvisse. Curiosidade é uma benção, mas pode também ser uma maldição."
– Pare de enrolar e diga logo o que você ouviu! — Valentiny cruzou os braços, impaciente.
– Calma, já vou chegar lá...
"Depois de me infiltrar nas árvores, eu encontrei uma clareira. No meio dela, havia uma placa, com várias pequenas placas em formato de seta, apontando em várias direções. Portão Dourado, Fonte dos Desejos, Arco de Cerejeiras e Pomar foram somente algumas das muitas placas que haviam ali. Bem na minha frente, havia um banco de madeira, branco, daqueles lindos de varanda, virado de frente para as placas. Foi apenas nesse instante que eu percebi estar de pé em um canteiro de dentes de leão amarelos, e me afastei um pouco para trás. No banco, duas figuras haviam, ambas não me perceberam: a dama de cabelos negro-azulados conhecida por Aurora, e Cristal, do lado dela. Cristal usava uma tiara de rosas brancas, que tudo me leva a crer que fora Aurora quem fez. Mas isso não vem ao caso agora.
– Mas me diga, Cristal, — Aurora começou, depois que as duas conseguiram parar de rir — você estava tão murcha quando chegou... parecia aquelas petúnias, quando a gente esquece de regar. Aconteceu alguma coisa?
– Milhares de coisas... — Cristal suspirou, meio triste — Ai Aurora, eu ando tão bolada com essa história da Valentiny... quer dizer, Rilian gosta dela e tals, mas não tem como não notar que ela tá agindo muito esquisito... Até o Caspian notou isso...
– Notou é? Ele não comentou nada comigo. Aliás, ele não tem mais me contado nada... — Aurora falou, pesarosa — Ai, olha, eu sei que a Zahra me disse que ele me ama, mas ele tá tão esquisito... Eu to feliz com o casamento, mas será que ele quer mesmo casar, ou será que ele só está me enrolando denovo, como tem feito nesses últimos sete anos? Eu sei... ele me ama, mas não tem como não ficar preocupada! Ai! Eu só queria que ele, sei lá, mostrasse que está pelo menos um pouquinho animado de casar comigo!
Cristal a ouvia atentamente, embora o que ela queria mesmo era falar. Mas Aurora não deixava, e nem deixará, pelo menos, até que meu pai case com ela. Pelo menos, Aurora é uma boa moça...
– Olha, Aurora... eu tava falando com Pedro ontem, e ele disse que o Caspian só tá com um pouco de medo. É que sabe né, a esposa dele morreu... ele ainda não sabe bem se está pronto pra lidar com um casamento denovo. Pelo menos, foi o que o Pedro disse. — Cristal comentou. Odeio ouvir o nome do Rei Pedro na voz dela. Tudo soa mais bonito na voz dela. Pedro não é um nome que deva ser embelezado.
– Pedro é mesmo bem sábio. Parece até que ele entende dessas coisas de amor... — Aurora riu — Falando nele, você e ele tem andado muito juntos ultimamente, né?
Cristal abriu um sorriso, e abaixou a cabeça, corada. Corada por causa do Pedro.
– Ah... eu gosto de conversar com ele... eu sei que ele quebrou meu pulso, mas já sarou. E ele parece ser tão legal comigo... — Cristal comentou, ainda corada.
– Eu acho que ele tá na sua. — Aurora disse. Palavras duras de se ouvir.
– O que? Como assim? — Cristal se fez de desentendida.
– Ah, o jeito que ele te olha, o jeito que tenta não olhar, tá na cara, Cristy. — Aurora confirmou.
– Você acha? — ela a olhou, com os olhos brilhando.
– Acho. E acho também que você devia encorajar. — Aurora continuou — O cara é Rei, gato, charmoso, inteligente, sábio...
– De Londres... — Cristal sussurrou.
– Viu? — Aurora continuou — Ele é perfeito! E ainda tá te dando mole! Por que não aceita?
Cristal abaixou a cabeça, ainda mais corada. Mas não podia negar o enorme sorriso no rosto."
– Viu só? — eu voltei a soluçar — Ela não gosta de mim!
– Rili, ela não disse isso! — Valy retrucou — Ela apenas estava ouvindo o que a vadi... o que a Aurora estava dizendo! E pra dizer a verdade, ela não disse que gostava do Rei Pedro, apenas estava ouvindo os comentários!
– Mas ela corou! — eu enterrei a cabeça no travesseiro, deitando — E disse que gosta da companhia dele!
– Mas também gosta da sua! — Valy falou — Qual é, Rilian! Ela te colocou um apelido! Isso é uma coisa que só quem gosta de verdade faz. E você já a consolou uma vez, já levou jantar na cama pra ela... cara, ela gosta de você!
Eu solucei ainda mais um pouco. Cristal gosta é do Pedro. Eu bem queria que ela gostasse de mim.
– Olha só pra você! Um rei tão sábio, aí, aos prantos, por causa de uma garotinha de 21 anos! — Valy brigou — Vê se cresce, idiota! Se quer mesmo ela, se declara! Não deixa o Rei Pedro ganhar! Faça alguma coisa! Só não fique na cama, chorando como um menino de dez anos!
Valy se levantou da minha cama, deixando-me ali. Ela caminhou até a porta, mas parou.
– E se ela não gostar de você, dê atenção para quem gosta. — ela suspirou.
E saiu do quarto.
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