No More Lies... (lukabeth)
3 II. " O que está feito, feito está."
Notas iniciais
À noite, junto à fogueira, Percy chamou Grover para uma conversa. Estava preocupado com a amiga.
– Acreditas mesmo que ele não irá magoar a Annabeth?
Grover olhou para ele. Não parecia zangado, apenas cansado.
– Percy, sinceramente, sim. Tu chegaste muito tarde. Não os conheceste como eu os conheci.
– E como é que tu os conheceste?
– Ouve, ninguém no acampamento costuma falar sobre isso, é... complicado. Mas a verdade é que até há não muito tempo atrás, eles eram namorados.
– Namorados? Do tipo que namora?
– Sim, é isso que os namorados fazem, Percy. Eles namoram... Bem, eles sempre foram muito próximos. No inicio, ele só olhava para ela como uma irmã mais nova. Mas... com o tempo, eles aproximaram – se. Cresceram, eu acho. E sentimentos novos surgiram.
– Amor?
– Entre outras coisas.
– Outras coisas – Percy perguntou chocado – Que outras coisas?
– Não sei. Paixão, carinho, desejo...
– E depois?
– E depois, um dia, eu não sei como nem porque, eles simplesmente acabaram.
– Mas... isso foi antes de eu ir para o acampamento?
– Não. Eles ainda namoravam nessa altura.
– Ah, isso explica os sorrisinhos. — Percy disse. Como podia nunca ter reparado ou dado por isso? Era tão óbvio, sempre estivera à sua frente. — Quando acabaram então?
– Eu não sei, Percy. Pouco antes da nossa missão no verão passado, eu diria.
– Talvez tenha sido por isso mesmo. Nós fomos recuperar o raio-mestre de Zeus. Ele queria-o. Talvez tenha sido isso mesmo.
Percy estava bastante convicto, Grover no entanto duvidava que tivesse sido essa a razão.
– Hmm, não creio. Eles amavam-se, nunca teriam terminado por uma coisa tão estúpida.
– Amavam-se assim tanto?
– Eu juro-te que nunca vi ninguém assim tão apaixonada em toda a minha vida. E além disso, Annabeth não parecia saber da volta de Cronos, ou da traição de Luke. — Ele disse parcial. — Não, isso tudo foi feito nas costas dela. Ela não sabia de nada!
«Ou então talvez soubesse de tudo. Todo este tempo.» pensou Grover.
A ideia assustava-o. Mas estava ali mesmo. E ele não a poderia ignorar.
***
Annabeth acordou. Sentia muitas dores. Olhou em volta. Não estava no acampamento. Era um enorme quarto. Tinha paredes brancas e além da sua cama, uma enorme cama de casal, cama King talvez, havia um sofá creme, uma mesinha de cabeceira de pinho mel com um abajur Tiffany, duas ou três cadeiras e uma cómoda também de pinho mel. No meio do quarto estava uma mesa de mogno com um tabuleiro cheio de comida. E que fome ela tinha! Havia também uma cortina numa das paredes e de lá provinha toda a iluminação. Era uma janela, tinha a certeza.
Não havia ninguém no quarto. Levantou – se e apesar das dores e da sonolência que sentia, sentia-se recuperada. Caminhou até à janela. Os olhos demoraram a habituar-se à iluminação. Sentiu o ar fresco vindo detrás da cortina. Inspirou fundo. O cheiro era inconfundível. Mar.
Annabeth sentiu-se tonta. Quase caiu ao chão, mas um par de braços segurou-a antes mesmo de tocar o solo.
– Luke. — Ela disse como se estivesse vendo uma assombração.
– Oi, para ti também. — Ele sorriu e ela vacilou voltando a perder o controlo sobre as suas pernas. Aquele sorriso pelo qual, tantas e tantas vezes, tinha sido subjugada.
– Luke... — Ela repetiu tentando convencer-se de que ele estava mesmo ali e não era apenas outro dos seus sonhos parvos.
– É o meu nome. E talvez seja melhor sentares – te antes que voltes a partir alguma coisa.
Luke ajudou-a a chegar até ao sofá e a sentar-se.
– Pareces fraca. Devias comer qualquer coisa. — Sugeriu.
Ela olhou para o tabuleiro cheio de comida à sua frente. Havia pão, leite, sumo de laranja, café, mel, margarina, marmelada, biscoitos, bolos e bolachas de melaço e de manteiga, um frasco de nutella e alguns morangos extremamente vermelhos e uvas enormes e suculentas. Tudo parecia bastante delicioso. Annabeth olhou com bastante gulodice.
– Por favor, serve-te. — Luke ofereceu, incentivando-a a comer.
Ela estendeu uma das mãos e pegou um copo onde derramou algum leite e colocou algumas colheres de café. Depois, com uma faca, abriu um pãozinho e barrou alguma margarina. Bebeu um pouco do leite e deu uma dentada no pão. Estava estaladiço como ela tanto gostava. No final comeu algumas bolachas de manteiga e alguns morangos.
Luke apenas olhava para ela e sorria sem dizer nada. Depois dela terminar de comer, ele falou pela primeira vez.
– Então, já acabaste de “pequeno-almoçar”?
– Já. — Ela respondeu sorrindo, mas desconfiada. — Sou tua prisioneira agora?
– Não. — Ele também respondeu parando de sorrir. — És minha convidada.
– Qual é a diferença?
– Para já, não estás presa ou confinada a uma cabine. E és livre de partir se assim desejares.
– Claro que sou. — Disse irónica. — Posse pular do navio e afogar-me.
– Não sejas idiota Annabeth. Podes levar um dos botes ou sair no próximo porto. Eu nunca te faria minha prisioneira. Isso é uma estupidez. Achei que me conhecesses melhor que isso.
– Já te conheci um dia. Será que ainda conheço?
– Claro que sim. Não mudei assim tanto. Ao contrário de ti.
– Ainda estás chateado?
– Ainda! Tu traíste-me. Eras a única pessoa, Annabeth. A única pessoa em que eu confiava. E assim como todos os outros abandonas-te-me.
Ele gritava com ela de pé, no meio da cabine e ela chorava.
– Eu sei, Luke. Achas que não sei? Não há um único dia em que eu não pense nisso. No quanto eu te desiludi. Mas não posso voltar atrás. Seu eu pudesse, faria tudo diferente, emendaria todos os meus erros.
– Mas não podes. O que está feito, feito está. Tu tens ideia de como eu me senti?
– E tu? Tens ideia de como eu me senti? Eu senti-me suja. Senti-me nojenta. E sabes que mais? Não importa quantos banhos eu tome, sempre me sentirei suja, porque está tudo aqui – Ela disse apontando o coração – E nunca irá sair.
Ela estava chorando muito e enquanto ambos gritavam as suas bocas ficavam terrivelmente próximas. Luke não pode controlar o desejo aumentado pela saudade. Empurrou-a contra a parede e beijou-a. Ela nem tentou resistir e apesar da surpresa do momento, imediatamente correspondeu, sentindo a suavidade da boca de Luke. Dos seus lábios, da sua língua.. E as mãos hábeis que lhe percorriam o corpo.
Quanto mais próximo o homem estiver de um desejo, mais o deseja; e se não consegue realizá-lo, maior dor sente.
Notas finais
Agora, eu adorei escrever este capitulo, portanto espero que também tenham gostado e que tenham ficado na dúvida sobre o que Annabeth fez ou não. Tenho um thriller (acho que é assim que se escreve) para a fic quase pronto. Adicionarei na sinopse assim que concluir.
Acho que é tudo--
Até à próxima e...
beijos ♥
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