No Matter Where Life Takes Me
4 Capítulo 4 - Mais Encontros
Capitulo 4 — Mais Encontros
Gansos e infelizes.
Com o passar dos dias, o tempo melhorou. Estávamos no fim do inverno. Já não havia mais tanta neve e o tempo estava ensolarado. Era incrível como os dias passaram rápido. Já fazia mais de um mês que tínhamos conhecido os meninos. Um mês daquele dia agitado e divertido. Os meninos nos telefonavam com freqüência, mas desde aquele dia, não tivemos tempo de realmente nos encontrarmos. Bruna e eu estávamos trabalhando como nunca, agora que estávamos à noite. Mas também estávamos aproveitando muito. Tiffe e Mai vinham quase todos os dias a Disco. A não ser quando tinham que trabalhar até mais tarde, o que por um lado, era muito bom. Não tínhamos nossos pais aqui para nos ajudar financeiramente. Tudo dependia de nós. Aluguel, água, luz, telefone. Mas muito trabalho também tinha uma grande recompensa. Hoje estávamos de folga!
– Meninas! O que vocês estão fazendo aqui? – disse Steven aparecendo à porta. – Vocês estão de folga esqueceram?
– Não esquecemos não Steve! – eu disse – Estamos esperando as meninas. Combinamos de nos encontrar aqui!
– Mas elas já deviam ter chegado, Nana! – comentou Bru. – Elas estão muito atrasadas! Era pra elas estarem aqui as sete em ponto.
– Relaxa Bru! De repente elas tiveram que ficar até mais tarde na escola. Lembra que essa semana elas teriam aulas extras em alguns dias? Vai ver hoje é um desses dias.
– Por que vocês não entram e esperam aqui? Posso oferecer uma bebida. – convidou Steve.
– Por que não?
– Droga! Já estamos atrasadas! – disse Mai ao sair da sala. – Justo hoje tínhamos que ter aula extra?
– Mas eu tenho certeza que elas vão entender! – falou Tiffe logo atrás de Mai. – E nós nem estamos tão atrasadas assim! Apenas cinco minutos! Vamos chegar lá em tempo! Tenho certeza!
Mai e Tiffe saíram pelo pátio acompanhadas de seu grupo de amigos. Aproveitavam o longo caminho até o portão para discutirem como seria feito o trabalho sobre a colônia francesa em Montreal. Ao saírem, despediram-se dos seus amigos e seguiram para o lado oposto. Ao olharem para o lado, uma grande surpresa.
– Um dia você disse que eu só não ia ti ver se eu não quisesse. Well... Eu quis ti ver... Aceita uma carona?? – perguntou Pie sorrindo.
Mai não sabia o que dizer. Mal conseguia acreditar que ele estava ali.
– Eu to avisando que desse jeito você me acostuma mal.
– Não tem problemas... Vamos?? – fazendo uma carinha bonitinha, como quem implora.
– Desse jeito não tem como recusar... (como se ela quisesse recusar)
– Bom... Então eu to indo... – disse Tiffe se sentindo sobrando.
– Ta indo aonde?? – perguntou Mai.
– Pra Disco.
– Sozinha??
– Eu é que não vou de vela...
– E quem disse que você vai de vela... – disse Pie, abrindo a porta do carro.
– Você acha que eu ia perder a oportunidade de te ver?? – disse Chuck aparecendo na porta, tímido.
– Oi! Você veio... – disse Tiffe super feliz.
– Então, podemos ir?? – perguntou Pie.
– Claro... – falou Tiffe entrando no carro.
– Pra onde vamos??? – perguntou Pierre.
– Bom, nós tínhamos que ir pra Disco encontrar a Bru e a Nana... – disse Mai.
– Falou bem... Tínhamos... – acrescentou Pie.
– Como assim??? – perguntou Tiffe.
– Você acha que só vocês tem motorista particular??
– Girls!!! Acho melhor vocês irem embora... – disse Steve surgindo porta adentro.
– Mas as meninas ainda nem chegaram... – disse.
– Não quero saber... É melhor vocês irem pra fora logo...
– Que isso Steve?? Ta expulsando a gente?? – perguntou Bru, inconformada.
– Hum... – parou, pensativo – To sim... Venham! Acompanho vocês até a porta!
– Não acredito que você ta fazendo isso... – falei indignada.
– Você ta louco??
– Pode acreditar meu amor, e não, eu não to louco... Eu tenho meus motivos... Anda... Anda... – nos empurrando porta afora.
Não estávamos entendendo nada. Nunca vimos o Steven agindo desse jeito. Onde é que já se viu? Expulsar a gente desse jeito. Isso porque somos amigas dele... Imagina só se não fossemos! Acho que íamos sair de lá a ponta pés. Mas como ele mesmo disse. Ele tinha os motivos dele... E QUE motivos...
– Nossa, achei que vocês não iam sair daí nunca... – falou Dave assim que nos viu.
– Eu já estava seriamente pensando em ir embora... – falou Seb sério.
– David?? – falei sem acreditar.
– Seb?? – Bru fez a mesma coisa.
– O que vocês estão fazendo aqui?? – eu perguntei.
– Wow... Eu sei que você não me ama... Mas não pensei que me odiasse a ponto de nem querer me ver...
– Claro que não David! Ela te ama sim... É que ela tem que fazer charminho...
– Cala a boca, Bru!
– Gostei da sua amiga! Ela é sincera... Quando eu quiser saber as coisas já sei pra quem perguntar... – comentou Dave.
– Gostou dela?? Fica com ela pra você então... – falei indelicadamente.
– Hey! – falou Seb – Nem sonha...
– Relaxa... Os dois não precisam ficar com ciúmes não... A Bruna é toda sua Seb... – disse Steve.
– Oh... Qual é?? Como assim, toda sua??? Não vem não hein... – falou Bru.
– Ah... – Seb fez um biquinho — Tava gostando da idéia...
– Ela também gostou da idéia! – disse Steve parando no alto da escadaria ao lado das meninas, intrometendo-se – Mas é como ela disse, mulher tem que fazer um charminho...
– Wow... Que isso Steve?? – perguntou Bru admirada.
– Só uma brincadeirinha sua boba... – falando baixinho pra que apenas ela escutasse. – Você tem que aproveitar! Ele é um gatinho! Eu to aprovando... Se você não aproveitar, eu vou pensar seriamente em provar também... – riu.
– Já entendi o recado... – disse Bru – Sorry, mas eu não to a fim de passar ele pra você...
– Ai Bru... Deixa de ser má... – rindo.
Bruna desceu as escadas da entrada da Disco e foi até Seb...
– Sei que tinha combinado de te ligar antes de marcar alguma coisa, mas eu queria muito te ver... – disse Seb corando – Aceita uma carona??
– Claro... Mas e a Nana?? – perguntou baixinho.
– Deixa que o David cuida dela...
– Eu acho que isso não é uma boa idéia, mas como eu sei que a Nana não vai querer vir com a gente... Vamos sem ela, mesmo...
– Então, por favor... – disse abrindo a porta do carro pra que Bru entrasse.
– Obrigada...
– Que cavalheiro... – Steve suspirava no alto da escadaria.
– Tchau pra vocês... Até amanhã Steve!
– Até!
Seb entrou no carro, deu partida e saiu.
– Hey... E eu?? – perguntei.
– Você ainda pergunta?? – disse Steve olhando pro David.
– Ah não...
– Deixa de ser besta e vai logo falar com ele... – disse Steve dando um empurrãozinho.
Mas eu estava tão distraída que esse empurrãozinho fez com que eu quase rolasse escada abaixo. Mas David estava atento e por perto, e antes que eu me espatifasse no chão, me segurou.
– Eu disse que estava aqui para isso! Sempre salvar moças indefesas... – disse segurando-me em seus braços e sorrindo. – Ta tudo bem??
– Ta sim... Obrigada... – eu disse levantando a cabeça e olhando fixo nos olhos dele, quase sem acreditar no que acabara de acontecer.
Eu nunca tinha reparado. Mas David tinha um olhar lindo e profundo... Que brilhavam ao olhar pra mim. Talvez tenha me preocupado tanto com nossas pequenas discussões que nunca tinha parado para realmente olha-lo. E ele era encantador. Não era do tipo atlético, super forte. Era mais simples. Era forte, mas não tinha músculos para mostrar, tinha cabelos pretos e lisos que caiam sobre seu rosto. Não era tão alto como Pierre, mas era mais alto que eu, o que já era suficiente. Tinha um sorriso lindo, quando sorria sem graça pra mim... Mas seu olhar...
– É... Acho que esse é meu destino... – disse pra quebrar o gelo.
– E pelo visto, eu nunca vou ser salva por um príncipe montado num cavalo branco...
– Wow... Mas eu também não sou um sapo não!
– Que pena... – disse Steve se intrometendo novamente. – Se você fosse, ela podia tentar dar um beijo no sapo pra ver se ele se transformava em príncipe...
– Hum... Vendo por esse lado... Não é uma má idéia ser um sapo...
– Steve, não dá idéia, por favor!
– Não ta mais aqui quem falou... Fui! – disse entrando na boate.
– Agora eu tenho que ir... – eu disse.
– Vai sozinha?? – perguntou Dave.
– E eu vou com quem?? A Mai e a Tiffe não deram sinal de vida... E a Bru já se mandou... Não tem mais ninguém...
– Valeu pela parte que me toca... – disse Dave magoado.
– Ai! Desculpa. Nem tinha lembrado de você... – menti.
– Caramba... Eu sei que eu não sou perfeito... Mas não pensei que fosse tão fácil me esquecer. – disse, fazendo bico. – Depois dessa vou até embora...
David já estava entrando no carro...
– Hey! Eu tava brincando... Você não vai me deixar aqui sozinha né?? – eu disse aparecendo na janela do carro.
– Você bem que merecia... Mas eu não sou tão mau assim... – disse abrindo a porta do carro por dentro.
– Thank you!!
– E ai Mai, ta a fim de ir pra onde?? – perguntou Pie.
– Ah sei lá...
– Tava a fim de ir pra um lugar calmo... Onde nós pudéssemos ficar sozinhos... Conversar melhor...
– HAM... HAM... – interrompeu Chuck – Eu não gosto de ser estraga prazeres, mas você não ta sozinho Pierre...
– Que merda Chuck! Você tem que comprar um carro...
– Mas eu não sei dirigir, dã...
– Mas você não presta pra nada hein...
– Claro que presta... – intrometeu-se Tiffe.
– Ah claro... Pra você eu acho que ele presta pra alguma coisa... Mas pra mim não adianta nada... Ele nunca aceita as minhas cantadas...
– Você tem que entender que você não é o único no mundo dele Pierre... – falou Mai.
– Que??? Você ta me traindo Chuck??? – perguntou Pie desapontado.
– Eu vou ter que falar a verdade... – disse Chuck entrando na brincadeira – Há um tempo atrás eu conheci uma garota que mexeu comigo cara... Sinto muito... Mas ela é mais bonita que você... – Tiffe corou.
– Depois dessa eu nem falo mais nada! Magoei... – fazendo o biquinho que só ele faz.
– Oh baby, mas eu to aqui... – disse Mai.
– Ainda bem!! – disse, abrindo um largo sorriso – Desde aquele dia, você é a única que me trata bem... Olha que você vai começar a me acostumar mal também... – riu.
– Mas e ai pra onde a gente vai?? – perguntou Chuck.
– Hum... Que tal a gente ir pra praça perto de casa? Eu sei que não é O lugar, mas pra quem não tem muita opção, é um lugar LINDO!!!! Ainda mais à essa hora... – sugeriu Tiffe.
–É uma boa idéia!! – concordou Mai.
– Ok... Então aqui vamos nós... – disse Pie, voltando a dirigir.
“Another day is going by… I’m thinking about you all the time” , tocava no radio nesse momento...
–Bru… Eu tava pensando em tudo que aconteceu... E... Ter conhecido você, foi a melhor coisa...
– Eu também gostei muito de ti conhecer... – disse Bru, sorrindo envergonhada.
“But you’re out there... And I’m here waiting...”
– Eu queria saber se eu posso passar na Disco mais vezes...
– Claro que pode... Mas agora, eu estou trabalhando a noite...
“ And I wrote this letter in my head... ‘cuz so many things were left unsaid…”
– Não tem problema… Ou tem??? – perguntou Seb.
– Claro que não... Você pode ir lá quando quiser...
“This could be the one last chance to make you understand… Yeah!!!”
– Que bom! – disse Seb parando o carro – Eu vou adorar ti ver… – aproximando-se.
– Eu também... – ele se aproximando cada vez mais.
– Porque... – cada vez mais perto...
“I’d do anything... Just to hold you in my arms... To try to make you laugh… Somehow I can’t put you in the past… I’d do anything… Just to fall asleep with you… Will you remember me? ‘cuz I know I won’t forget you…”
– David! Dá pra você ir mais devagar…
– Relaxa... Eu dirijo bem...
– Percebe-se... Olha o farol!!!! – soltei um grito – David!!
– Ops! Foi sem querer! Quem manda você ficar me olhando desse jeito... Seus olhos lindos, verdes.. Essa pele clara... Esse rosto lindo... Eu me distraio...
– Nossa... – fiquei sem graça – Eu sou tudo isso?
– Tudo isso e muito mais... – aproximando-se, até que...
– David! Olha o velhinho!!!! – gritei de novo – Presta mais atenção! Você ta dirigindo!!!! Desse jeito eu não saio mais com você...
– Isso não! Acho que vou ter que colocar uma divisória nesse carro...
– Pra que???
– Pra sempre que você estiver nele eu colocar ela entre eu e você... Só assim pra eu prestar atenção no transito e não em você...
– Tenho uma idéia melhor! Dá próxima vez eu dirijo!!! Com certeza, eu dirijo melhor que você...
– Melhor que eu???? Há Há Há! – riu Dave. – Ta pra nascer alguém que dirija melhor que eu...
– Falou o melhor motorista do mundo né! – ri.
– Ainda bem que você reconhece... – disse Dave aproveitando-se da situação.
– Mas eu mereço isso hein...
– Isso e muito mais... – tentava se aproximar de novo.
– David... – chamei sua atenção.
– Que foi?? Mais um velhinho?? Ou outro farol vermelho??? – disse todo preocupado, voltando sua atenção para o volante.
– Calma! Eu só ia perguntar pra onde a gente ta indo... – ri.
– Ah ta! Pensei que eu tava dirigindo mal de novo... – riu também.
– Você dirige mal por natureza baby... – comentei.
– Há Há Há! Muito engraçado... – fazendo cara de quem não viu graça nenhuma.
Pie, Mai, Chuck e Tiffe chegaram na praça e desceram do carro. Havia um carro estacionado ali perto. Tocando musica e muito alta por sinal. Eles se aproximaram do carro com cuidado e bateram com tudo no vidro...
Bru e Seb estavam cada vez mais perto. Os olhares já estavam fixos. Bru nunca vira olhos tão lindos como os do Seb. Seus lindos olhos azuis brilhavam. E cada vez mais perto. Já era possível sentir sua respiração. Cada vez mais perto. E seus lábios já estavam cada vez mais pertos.
– AHHHHH!!!!!!!!!!! – gritou Bru assustada.
– Calma... Não é assalto não... – disse Pie.
– Seu #$¨$¨&%$¨$%##$¨%&... – xingou Seb.
– A gente só veio aqui pedir pra vocês trocarem de musica... – disse Chuck rindo – A gente atrapalhou alguma coisa??? – riu mais ainda.
– Some daqui!! – disse Seb furioso.
– Acho que é melhor a gente sair daqui... – disse Mai.
– Pela primeira vez eu acho que a Mai teve uma idéia útil.. – disse Tiffe rindo. – Vamos??
– Há! Eu sempre tenho boas idéias ta?
– Aposto que a idéia de trocar de musica foi sua... – disse Bru.
– Como você adivinhou??? – perguntou Mai com um sorrisinho maldoso.
– Mas eu te mato! – falou Bru. – Me aguarde...
– É melhor a gente ir dar uma volta... – disse Pie – O clima aqui ta esquentando... Só que esse clima quente eu não gosto muito não...
Apesar do clima “quente”, ninguém conseguiu segurar a risada... Realmente Pierre era o mais pervertido...
– Vamos... – disse Mai ainda rindo.
– Vamos dar uma volta também... – sugeriu Bru, ainda com vergonha do que tinha acontecido, ou melhor, do que não tinha acontecido.
– Vamos... Vai ser bom... Pelo menos assim eu acho que ninguém vai aparecer pra pedir pra mudar de musica... – disse Seb, rindo.
– Vamos ficar por aqui... – disse Dave estacionando o carro.
– Pra mim ta ótimo!!!! – concordei abrindo a porta do carro e descendo. Logo em seguida, David desceu e trancou o carro.
– Eu acho que aqui vai dar pra gente conversar melhor... – disse, me puxando pra perto dele, segurando-me pela cintura e começando a andar.
“ I wanna feel the way you make me feel when I’m with you...” o radio continuavaligado.
– Então Bru… Me fala mais sobre você… – disse sentando num banco vazio e bem longe de todo mundo.
– Ah... Bom, eu vim do Brasil faz cerca de quatro meses. Foi muito difícil conseguir vir pra cá... Meu pai não queria que eu viesse de jeito nenhum... Sabe como é... Única filha mulher, pai coruja... Mas graças a Deus eu tinha a Mai e a Tiffe por perto... Elas me ajudaram a convencer ele que não ia ser tão ruim assim... Ai ele até concordou, só que ai surgiu outro problema... Ele queria que alguém um pouco mais velho que nós, fosse com a gente. Foi ai que a visita da Nana na minha cidade caiu do céu! Ela é praticamente três anos mais velha que a gente. Não é uma diferença muito grande, mas era o suficiente pro meu pai. Até porque o apartamento onde nós estamos era de um amigo dela daqui do Canadá. E como ele ia voltar pra cidade dele, o apê estaria vago. Então ele concordou em alugar pra nós. A gente tinha conhecido a Nana pela internet e vivíamos nos falando por telefone. Só que a gente ainda não tinha se visto pessoalmente. Mas ai ela veio até a minha cidade e convenceu meu pai definitivamente! Depois de muito sacrifício, é claro... E agora, aqui estou eu... Trabalhando, estudando, e me metendo em confusão... – riu – E conhecendo pessoas interessantes também... – disse corando – E você???
– Well, minha vida é básica... Muitos shows, fãs histéricas gritando, me agarrando, dormindo muito pouco, mas finalmente de FÉRIAS!!!!
– Até parece que você não gosta das suas fãs te agarrando...
– Não vou dizer que eu não gosto, mas se todas elas fossem lindas como você eu ia gostar mais...
– É que eu sou única sabe... – disse Bru, se achando a tal.
“ I wanna be the only hand you need to hold on to...”
– Única…– disse Seb aproximando-se – Linda… – mais perto – Perfeita... – mais perto.
“ I wanna feel the way you make me feel when I’m with you... I wanna be the only hand you need to hold on to…”
– Psiu… – pediu silencio.
– Não David… – cochichei.
– Deixa vai… Por favor…
– Ai.... Não sei não...
– Please!!! – implorou.
– Ta... Mas vai com calma...
– Ta bom....
– Mais devagar...
– Mais????
– É melhor...
– Então ta...
– Isso... Pronto... Se prepara...
– Pode ir??
– Pode...
– Tem certeza???
– Vai com tudo!!!
– Fala cara!!!!!!!!!!! – gritou, dando um tapa na cabeça de Seb.
– Ah não! Você também? Eu não acredito... – choramingou Seb.
– Ninguém merece esses seus amigos hein! – falou Bru.
– To começando a concordar com você...
– Mas a gente não fez nada... – eu disse, me fingindo de santa.
– Não?????? – falou Bru, inconformada.
– Imagina! Vocês são anjinhos que caem do céu... Pensando melhor... Anjos que desabam nas nossas cabeças... – disse Seb rindo.
– Obrigado pelo anjo... – disse Dave, sempre se aproveitando das situações, mas Seb lhe lançou um olhar mortal. – Mas acho melhor a gente sair daqui Ana... Vamos dar uma volta... Não to a fim de apanhar e muito menos de morrer hoje... – acrescentou Dave.
– Eu acho melhor você sair daqui mesmo... Por segurança... – concordou Seb.
– Com certeza!!! Fui!!!!!!!!
– Acho que hoje não é meu dia... – disse Bru rindo. – Ta tudo dando errado...
– Nossa, eu sou um erro também??? – perguntou Seb, triste.
– Claro que não! Acho que você foi a única coisa boa de hoje... – disse corando. Seb sorriu de ponta a ponta.
– Até que enfim estamos sozinhos! – disse Chuck, tímido. – Assim podemos conversar... Um dia bem agitado aquele, não?
– Muito... Nunca vi aquele restaurante tão cheio...
– Aposto que nunca tinha visto uma confusão daquelas...
– Assim como nunca tinha visto alguns doidos querendo almoçar na porta do banheiro... – disse Tiffe rindo.
– Ah... Mas eu nem tinha percebido que era a porta do banheiro! Tava todo mundo tão preocupado com o grandalhão que pra gente não importava o lugar, a gente só queria era se esconder...
– Entendo! Na real vocês queriam é ficar ali, vendo se algum gatinho passava né?
– Sabe como é... Eu tinha que dar uma forcinha pro Pat... Coitado a noite dele foi muito agitada... Ele tava precisando relaxar... – disse Chuck rindo.
– Vocês amam o Pat hein?
– Claro! Ele é o nosso multiuso. Amigo, ator nos clipes...
– Diversão nas horinhas vagas... – disse Pie intrometendo-se na conversa.
– Nem aqui eu me livro de você? Tava ouvindo a nossa conversa é? – perguntou Chuck.
– Você tem que entender Chuck... Primeiro amor a gente nunca esquece...
– Primeiro amor??? Você não tinha me contado isso... – disse Tiffe rindo.
– Ops! Era segredo... Mas eu acho que a Tiffe é confiável... Ela não contaria pra ninguém...
– Ela eu acho que não... Mas e eu??? Eu posso contar né??? – disse Mai, surgindo logo atrás de Pie.
– Você pode tudo gata... – falou Pie.
– HuHuHu! Sentiu o clima né Tiffe? Acho melhor a gente sair daqui...
– Também acho... – concordou Tiffe, saindo com Chuck.
Já estava ficando tarde. Eram mais de dez horas da noite e estavam todos ali na praça, ainda conversando.
– Pierre! Ta ficando tarde! – disse Mai.
– Mas já???
– Você esqueceu que eu trabalho? E eu ainda tenho que fazer um monte de coisas antes de dormir...
– Ah... – disse Pie, fazendo um biquinho básico.
– Não faz assim... Eu to adorando ficar aqui, mas eu tenho que ir mesmo...
– Se não tem outro jeito... Vamos que eu ti levo...
– Ok...
Caminharam até o carro, entraram e foram embora...
David e eu estávamos dando voltas pela praça, mais brigando do que conversando e evitando passar por perto de Seb e Bru... Até que David parou e...
– Ah! – gritei quando quase cai. David colocou o pé na minha frente para que eu tropeçasse. – Seu idiota! Você vai ver!
David saiu correndo e eu fui atrás.
– David, seu desgraçado! Eu te pego!
– Tenta...
– Ta me provocando é??
– Lero! Lero! Lero! Você não me pega! – cantarolou mostrando-me a língua.
– Deixa de ser criança! Seja homem pelo menos uma vez na vida e me enfrenta...
– Ta bom!!
David simplesmente parou de correr e... PLAFT!!!!!! Bati de frente com ele... E com raiva, comecei a bater nele, que não reagiu.
– Seu... Idiota!! Você... Quase... Me... Derrubou... – disse entre tapas.
– Falou... Bem... Eu... Quase... Te derrubei... – defendendo-se dos tapas.
– Pensei... Que você... Fosse... Homem... O suficiente... Pra... Me enfrentar... Mas ta ai... Só... Apanhando... – continuei ainda batendo nele.
– Ta certo!!! Você que pediu pra te enfrentar...
David segurou minhas mãos e me beijou. Não havia melhor maneira de me enfrentar, a não ser essa. Estávamos literalmente vivendo entre tapas e beijos...
Seb e Bru pareciam finalmente estar em paz. Um cara vendendo algodão doce passou por eles...
– Você quer um?? – perguntou Seb.
– Se você me ajudar a comer eu aceito...
Seb se levantou e foi até o cara do algodão e comprou um. Logo em seguida voltou pro banco onde estava Bru. Ela pegou o pacote e abriu...
– Ah... Nesse daqui não veio presentinho... – disse Bru ficando triste.
– Claro que veio... É que EU queria te entregar...
– Hum... E o que veio?? – perguntou Bru curiosa.
– Me dá a sua mão... – pediu Seb.
Bru estendeu a mão.
– Veio isso... – falou, colocando um anel em seu dedo – Eu sei que não é o mais bonito... Mas é de coração... – disse brincando.
– Adorei!! Obrigada!! – dando-lhe um beijo bem perto de sua boca.
O anel realmente não era dos melhores. Era simplesmente liso, de cor prata, com um adesivo da Minie colado onde ficaria a pedrinha. Eles conversaram por mais algum tempo. E o clima entre eles estava cada vez melhor...
– Você realmente gosta de algodão doce hein... – disse Seb sorrindo ao ver que Bru nem precisara tanto dele para praticamente acabar com todo o algodão.
– Muito!!! Fazia tanto tempo que eu não comia...
– Então, olha o aviãozinho... – falou, pegando um pouco do algodão e colocando na boca de Bru.
Finalmente depois de muito tempo, ele pode sentir seus lábios. E sem ninguém pra atrapalhar, ele foi se aproximando... Se aproximando e...
Finalmente a beijou... Um beijo tão apaixonado que poderia até ser o único... Mas com certeza, seria inesquecível...
Chuck e Tiffe estavam andando quando avistaram um carrinho de sorvete.
– Vamos tomar um sorvete?? – perguntou Chuck.
– Hum... Sorvete... Ótima idéia!!!
Os dois correram até o carrinho.
– Me vê um sorvete de chocolate... – pediu Chuck.
– E eu vou querer um de bombom... – acrescentou Tiffe.
– Obrigado... – agradeceu Chuck, entregando o dinheiro.
Saíram à procura de um banco vazio. Assim que acharam, se sentaram...
O nosso beijo foi longo…
– É assim que você enfrenta as pessoas quando elas te batem?? – perguntei ainda sem fôlego.
– Não... Eu só enfrento VOCÊ assim...
– Então acho que você pode me enfrentar mais vezes...
Depois dessa indireta, David voltou a me beijar.
Depois de um longo e apaixonado beijo, Bru se encostou em Seb, e seus braços a envolveram. Ficaram por alguns minutos assim. De vez em quando Seb lhe dava pequenos beijos na bochecha e no pescoço...
– Seb... Eu tenho que ir... – disse Bru com muita de vontade de ficar.
– Já?? Ta tão bom aqui... – disse abraçando-a mais forte.
– Já... Eu tenho que acordar super cedo amanhã...
– Ah... – fazendo um biquinho irresistível.
E com era irresistível, Bru se virou e lhe deu um beijo.
– Então vamos... Eu ti levo...
Os dois se levantaram e caminharam abraçados até o carro. Entraram e foram embora...
David e eu estávamos parados perto da fonte, no centro da praça. Estávamos abraçados. Tudo parecia em paz. Até que David começou a jogar água em mim...
– David!!! Pára!! – eu pedi.
E ele continuou a jogar água em mim...
– David! Pára!!! Ta frio... – eu insisti.
Mas ele continuou...
– David!!!! Pára!!! – já estava gritando com ele.
David ameaçou me jogar na fonte, de brincadeira, mas eu me desequilibrei e...
– Ah!!!! – gritei ao cair com tudo.
– Ops! – Dave levou as mãos à cabeça. – Não era pra você ter caído. Foi sem querer! descul...
– Cala a boca!!! – gritei, interrompendo-o. – Só me ajuda a sair daqui...
David me tirou de dentro da fonte e percebeu que eu estava com muito frio.
– Desculpa mesmo... – disse me entregando sua blusa pra me aquecer.
– Eu preciso ir embora... – disse vestindo a blusa.
– Mas você ta toda molhada...
– Por isso mesmo... Eu preciso pelo menos trocar de roupa... – falei.
– Só que você não pode entrar no meu carro assim... Você vai molhar todo o banco e... Aii!!! – gritou no momento em que joguei a blusa em sua cara.
– Então deixa que eu vou andando... – disse e fui embora.
– Ana! Espera... – disse indo atrás de mim.
– Me esquece! – falei sem nem olhar pra trás, e continuei andando.
David entrou no carro e foi atrás de mim. Quando me encontrou, baixou o vidro do carro e seguiu ao meu lado.
– Ana... Entra no carro... – disse Dave.
– Não! Eu vou molhar seu banco... – falei irritada.
– Não tem problema... Depois ele seca... Se você continuar ai fora você vai pegar um resfriado...
– Não tem problema... Depois eu tomo um remédio e passa...
Seria muito difícil me convencer a entrar no carro agora...
Chuck e Tiffe estavam tão empolgados com a conversa que nem perceberam o tempo passar. Quando perceberam já estava muito tarde...
– Droga... Ta tarde... Já são onze horas...
– Já??? – disse Chuck surpreso – Incrível... Com você ao meu lado eu nem percebo o tempo passar...
– Nem eu percebi... – disse Tiffe ficando sem graça – Eu tenho que ir embora...
– Ok... Vamos procurar o pessoal então...
Eles andaram e andaram. Deram voltas e mais voltas na praça e nada. Todos já tinham ido embora.
– Droga! Eles já foram... E eu não tenho carro... E agora??
– Não tem problema! Eu moro aqui perto. Posso ir a pé... – disse Tiffe.
– Acho que não tem outro jeito... Eu ti acompanho até lá!
– Que isso... Você vai chegar muito tarde na sua casa...
– Não me importo! Mas eu não posso deixar você ir sozinha. Já ta tarde. Vamos?
– Ok... – concordou Tiffe sorrindo – Vamos...
Com o passar dos minutos o tempo foi esfriando e como Tiffe não imaginava que ia ficar até tarde na rua, e com a pressa pra ir pra escola, acabou esquecendo o casaco no restaurante. E começou a sentir frio...
– Que frio... – disse Tiffe esfregando os braços.
– Vem aqui... – disse Chuck dando-lhe sua blusa e depois abraçando-a.
– Obrigada... – sorriu.
Pie e Mai deram muitas voltas até finalmente chegar ao prédio. Pie ligou o som... Estavatocando Good Charlotte.
“Ever since I met you... I never could forget you…”
– Pronto! Chegamos… — disse Pie.
– Obrigada pela carona! Adorei passar a noite com você...
“ I only want to get you rigth here next to me...”
– Eu também adorei!! – sorrindo.
– Bom, eu acho que já vou indo...
– Espera um pouco...
“ Cause everybody needs someone that they can trust and...”
– Mas já ta tarde… — disse Mai.
– Só mais um pouquinho... – pediu Pie.
“ You’re somebody that I found just in time...”
– É que… — disse Pie olhando fixo nos olhos verdes e lindos de Mai — Eu não queria que você fosse antes de... — se aproximando e se aproximando...
E VINGANÇA É UM PRATO QUE SE COME FRIO...
– E ai cara!!!!! – disse Seb aparecendo na janela do carro.
Mai e Pie não acreditavam no que estava acontecendo...
– Sabe o que é... Eu queria que vocês trocassem de musica... – disse Bru sentindo-se vingada.
Seb e Bru não agüentaram e riram muito do que fizeram...
Mai não demorou muito no carro com Pie... Logo depois do que Seb fez, ela se despediu e subiu pro apê... Bru ficou mais um pouco com Seb na portaria do prédio. Depois de algum tempo, ela se despediu e subiu...
– Atchin...
– Ana... Entra no carro, por favor! – insistiu Dave.
– Não... Obri-atchin-gada... Prefiro ir andando...
– Mas desse jeito você vai ficar doente...
– Não me importo...
– Pega pelo menos minha blusa... – disse esticando a blusa pela janela.
– Atchin! Não... Eu vou molhar ela também...
Bru subiu pro apê com um sorriso de ponta a ponta. Ao abrir a porta, encontrou Mai com a cara mais fechada do mundo...
– Mai... Desculpa... – disse Bru rindo.
– Tudo bem... Deixa você, deixa...
– Caramba... Tenta entender! Você e o Pie fizeram a mesma coisa...
– Sua cara foi tão divertida! – disse Mai, desfazendo a cara fechada e sorrindo.
– A sua também... — disse rindo.
– E a Nana e a Tiffe??
– Não sei...
Nesse momento começou a chover...
Faltavam apenas 15 minutos para Tiffe chegar ao prédio quando começou a chover…
– Ah não! Mais essa! Era só o que faltava! – disse Tiffe rindo.
– Nem fala... Vem, vamos!!! — puxou ela pela mão e começaram a correr.
– Chuck! Eu não agüento mais correr... — disse depois de 5 minutos e parou.
– Então vem cá... — disse pegando-a no colo — Pronto... Agora você pode descansar...
– Ah! Chuck!!! Não! Me põe no chão! — disse rindo.
Nesse momento Chuck soltou as pernas de Tiffe, mas continuou segurando-a pela cintura. Tiffe escorregou entre seus braços até que seu olhar se encontrou com o dele. Ele lhe abraçou forte. Seus corpos ficaram cada vez mais unidos. Seus lábios se encontram. E aquele momento se resumiu em um longo e maravilhoso beijo na chuva...
– Ana!! Entra logo no carro!
– NÃO!!!! – disse com firmeza.
– Mas ta chovendo... – disse Dave, ainda tentando me convencer.
– E daí?? Já to molhada mesmo...
David parou o carro e desceu...
– Se eu to falando pra você entrar no carro... É pra você entrar! – disse pegando-me no colo e me colocando dentro do carro.
Mas enquanto ele dava a volta para entrar no lado do motorista, eu tranquei as portas...
– Ana!!! Abre!! – disse Dave batendo no vidro do carro.
– É bom ficar molhado não é???
– Ana... Eu já disse que foi sem querer... Abre logo essa porta...
Deixei de ser má e abri a porta. Fomos o resto do caminho sem nos falar. Quando chegamos à frente do prédio encontramos Chuck e Tiffe se divertindo muito. Estavam aos beijos, rodando na chuva. Olhei para David. Desci do carro, fechei a porta e subi sem nem olhar pra trás. Ao me ver passar como um foguete, Tiffe resolveu entrar também. Despediu-se de Chuck e subiu. Chuck aproveitou que David estava de carro e pediu uma carona...
Tiffe encontrou a porta do apartamento aberta. Eu tinha acabado de entrar. Mai e Bru notaram que tanto eu quanto Tiffe estávamos ensopadas, mas definitivamente o humor de cada uma era bem diferente. Tiffe estava super feliz, com um sorriso enorme, enquanto eu estava com a cara fechada...
– Nossa! O que aconteceu Nana?? – perguntou Bru ao ver minha cara.
– NADA! – respondi indelicadamente.
– Calma...
– Liga não Bru! – disse Tiffe – Pelo visto a noite com o David não foi muito boa... Ele também tava com uma cara péssima...
– Me façam um favor, não toquem nesse nome! – eu disse indo tomar um banho rápido.
– Ok! Gurias, vou me trocar e já volto pra gente conversar... – disse Tiffe, indo pro quarto.
Alguns minutos depois...
– E ai, como foi a noite de vocês??? – perguntou Tiffe curiosa.
– A minha noite tinha tudo pra acabar bem, até que ALGUÉM acabou com tudo antes... – disse Mai olhando para Bru, rindo.
– Você tem que entender que você mereceu... — disse vindo da cozinha com uma bandeja com xícaras de chá. – E a minha noite foi ótima! Com direito a algodão doce e anel! – disse mostrando o anel.
– Ai! Que fofo... — disse Tiffe, rindo e pegando uma xícara – A minha foi divertida! Teve direito a sorvete e beijos na chuva...
– Uau! Que LINDO!!! – disse Mai.
– E a minha... – falei saindo do quarto, sentando-me no sofá e pegando uma xícara — Teve direito a quase ir de cara ao chão, corrida, tapa, beijo, beijo de novo, cair na fonte, voltar pra casa andando com um idiota me seguindo de carro, chuva, ser colocada a força no carro, ver o idiota ficar na chuva implorando pra entrar no carro, e ir embora sem nem dar tchau... Atchin! Noite perfeita!! – terminei, afundando mais no sofá.
– Nossa! Não imaginava que tinha sido tão boa assim...
Nesse momento olhamos uma pra cara da outra e rimos muito! Apesar de não ter sido a melhor noite para todas, pelo menos foi divertida...
Fale com o autor