No Limite da Tentação
2 Uma Garota Deve Ter Seus Mistérios
Notas iniciais
Ele estava se aproximando e seus olhos não desviavam do meu nem um segundo. Meu coração estava martelando no meu peito e eu queria arrumar um jeito de fugir. Uma figura de longos cabelos chega ao meu lado que eu reconheço como Júlia.
–Phoebe! Eu estava te procurando. O garoto que eu estava dançando tinha uma mão muito boba – ela bufa. — Você tem que dançar comigo de novo.
Para minha sorte ( ou não) Júlia me arrasta para a pista de dança antes que o Sr. Olhos azuis chegue até mim e nós nos perdemos na multidão. Eu ainda estou tomando atordoada minha Coca-Cola e tentando me recuperar do olhar do homem. Sério, foi um olhar! Como eu poderia ficar assim com só um olhar? Foi só um olhar! Um maldito olhar de um cara com os olhos azuis mais perfeitos que eu já vi na vida e o sorriso mais sexy que podia existir no mundo.
–Por que você tá com essa cara? — Júlia me olha desconfiada.
–Nada! — Digo e tomo e sugo o canudinho.
–Ah, Deus! Eu adoro essa música, é tão sexy! Dance comigo, Phoe – Júlia tira a minha Coca-Cola das minhas e entrega para qualquer pessoa ali.
Eu presto atenção na música e descubro que também é uma das minha favoritas, S&M da Rihanna. Júlia me puxa pela mão e começamos a dançar juntas. Eu abro os olhos por um segundo e vejo o Sr. Olhos azuis me olhando perigosamente a alguns metros. Eu não sei o que dá, mas eu sinto a necessidade dele me achar sexy. Seguro o seu olhar por um segundo e volto a dançar acompanhando a Jú. Não sabendo bem o que eu estou fazendo, mexo os quadris no ritmo da música, rebolo e dou uma leve descidinha. Jogo o meu cabelo de um lado para o outro e mordo o lábio para reprimir o sorriso de satisfação de estar dançando tão entregue assim.
–Nós estamos dando um show e tanto – Júlia fala rindo no meu ouvido.
–Tenho certeza que nós estamos – eu ri.
Abro os olhos e pego uma respiração funda. Uma pequena multidão de homens se formou a nossa volta e sorriem sugestivamente para nós duas.
–Acho que eles acham que nós somos um casal – Júlia ri. — Mas se for para formar um casal com um Grey, eu prefiro que seja o seu irmão.
–Teddy está comprometido com aquela loira peituda odiosa que ele levou para casa na semana passada. — Eu digo. — Você é boa demais para o meu irmãozinho.
Por um momento eu vejo um lampejo de tristeza nos olhos da Júlia, mas antes que eu possa falar alguma coisa, um cara sexy como o Paul Wesley vem falar com ela e a Jú logo abre um sorriso. Eu olho em volta para procurar o Sr. Olhos azuis, mas não o encontro e tento ignorar a pontada de decepção por não encontra-lo me olhando e resolvo ir até o banheiro, passo na mesa, pego minha bolsa e vou. Me espremo no meio de toda aquela gente e vou até o corredor espelhado onde provavelmente fica o banheiro. Há uma pequena fila no banheiro feminino e eu me escoro na parede para esperar. Puxo meu iPhone da bolsa e vejo uma ligação perdida da minha mãe, mas resolvo ligar para ela depois. No relógio do celular diz que já é uma hora da manhã e eu me assusto. Não parecia fazer tanto tempo que chegamos. Nós temos que voltar para casa logo, meus pais vão vir amanhã cedo nos ver. Eu entro no banheiro quando a fila finalmente anda e me olho no espelho. O lugar não está pobre como eu esperava e é grande com um espelho enorme em cima da pia. Eu passo os dedos pelos meus fios assanhados da tentativa de fazer meu cabelo ficar melhor e retoco o meu batom vermelho fosco. Me olho no espelho de novo e estou mais apresentável. Meus olhos cinza estão escuros com a baixa luz e eu aproveito para limpar o lápis de olho borrado embaixo dos meus olhos. Saio do banheiro e sinto o meu celular vibrar dentro da bolsa. Abro a bolsa e puxo o celular para fora, vendo uma mensagem da Júlia brilhar na tela. Eu paro bruscamente para olhar a mensagem e acabo batendo em uma parede fazendo com que eu me desequilibre. Ou parece uma, mas não tem como ser uma parede porque paredes não tem braços para te segurar quando você está prestes a cair. Meus olhos se fixam no peito duro e largo, depois eu me concentro em seu cheiro e... Meu Deus, ele cheira bem demais.
–Cuidado! Não te disseram que não é seguro olhar para o celular quando dirige? A mesma coisa se aplica a andar, angel. — Uma voz sexy e masculina fala.
Eu mordo o lábio envergonhada e levanto os olhos para olhar o desconhecido. O. Meu. Deus. É o Sr. Olhos azuis e ele está com aquele sorriso de novo.
–Ér... Hum, desculpe – sorrio envergonhada.
–Não estou reclamando – ele fala. — Acho que deve ser importante o que você estava olhando.
–Bom, minha amiga estava me avisando que a nossa carona já está indo embora – consigo dizer. — Então é melhor eu ir.
–Eu posso te dar uma carona – ele me olha sugestivo.
Pegar uma carona com estranhos? Claro que não! Eu posso estar tentando ser livre, mas eu não iria pegar carona com um desconhecido. Meu pai me mataria se soubesse.
–Obrigada, mas não aceito carona de estranhos – falo sincera e o dou um sorriso. — Eu realmente preciso ir.
Ele me olha surpreso, mas logo depois sorri.
–Tudo bem, então – O Sr. Olhos azuis suspira.
Eu não faço um movimento para ir e ele nenhum movimento para me soltar, mas qunado meu celular volta a vibrar, eu relutante me afasto dele.
–Eu vou indo, obrigada por não me deixar cair – eu falo e dou um aceno.
–Você poderia me dar o seu número como agradeçimento – ele inclina a cabeça para um lado.
–Assim como eu não costumo pegar carona com desconhecidos, eu também não costumo dar o meu número a eles. — Falo com a onda de segurança que me bate.
–Então eu vejo que você é uma garota esperta – ele sorri malicioso. — Poderia me informar o seu nome então?
–Certamente eu sou. — Digo. — Uma garota tem que ter os seus mistérios, certo? Mas agora eu tenho que ir. Adeus!
Saio de lá nervosa quase correndo. O que diabos me deu? Ele era o cara mais perfeito que eu já vi na vida e pediu meu número! O que deu em mim para que eu resolvesse ser tão atrevida? Oh meu Deus, eu preciso da Júlia.
…
Dormir foi um problema. Os olhos azuis daquele homem não me saiam da cabeça e o jeito sexy que ele sorria. Ele queria meu número! Por que eu não dei meu número e quando eu fiquei tão difícil? Não que eu fosse fácil, mas eu não tive muitos namorados, apenas um nos meus dezoito anos. Quando se é filha mais nova de um dos caras mais influentes e ricos dos Estados Unidos, é meio difícil fazer os caras decentes virem até você. A maioria deles era interesseiro e os que não eram, tinham medo do meu pai. Mas de qualquer jeito, hoje é outro dia e eu provavelmente nunca iria ver mais o Sr. Olhos Azuis.
Pulo da cama, tomo um banho revigorante e desço para a sala. Entrava luz por todo lugar, mas a sala estava gelada por conta do temporizador. O meu armário da cozinha ainda não havia sido reabastecido e eu estava faminta. Resolvi ir até a Júlia e arrasta-la comigo até o restaurante que eu havia visto aqui perto, mas quando eu estava pronta para subir as escadas, ela já estava descendo radiante.
–Bom dia, flor do dia – ela sorri.
–Oi – falo desconfiada.
–Eu estou com fome – Júlia faz bico.
–Eu estava indo te acordar pra gente ir comer – sorrio.
–Então vamos logo! Ah, o seu irmão me mandou uma mensagem e ele está com seus pais ver o apartamento – ela fala animada.
Eu estava começando a achar que a Jú sentia algo pelo Teddy. Ela havia ficado devastada quando soube que ele estava se mudando para a universidade e meses depois quando ele chegou em casa com uma garota no Natal, ela fingiu uma dor de barriga e fugio. Encontrei-a com os olhos vermelhos algum tempo depois saindo do meu quarto e quando vi meu travesseiro estava borrado de rímel e lágrimas, mas ela nunca havia falado nada... E era difícil de acreditar.
–Jú... Você gosta do meu irmão? — Pergunto receosa.
–Eu gosto de comida, Phoe – ela desconversa e sai me puxando.
Resolvo não tocar mais no assunto e vou com ela até os elevadores e logo em seguida para a manhã brilhante e barulhenta de New York. Sinto o nervosismo dela e isso é a minha confirmação para a minha pergunta anterior.
–Você gosta do Teddy! — Eu grito.
–Já disse, eu gosto de comida! — Ela desvia o olhar e começa a andar mais rápido em direção ao restaurante que está a poucos metros daqui.
–Você gosta do meu irmão, Jú! A quanto tempo? — Pergunto indignada. — Você é minha melhor amiga, por que diabos não falou?
–Não vou falar sobre isso agora! Eu estou com fome demais e não consigo pensar direito assim – ela rosna.
–Júlia Montgomery! Você está apaixonada pelo meu irmão, nós vamos falar agora! — Eu exigo, segurando o riso.
Por que eu estava com vontade de rir?
–Não, não, não! Eu não gosto dele! Eu não gosto de caras que transam com você e no outro dia você já acorda com ele vestindo suas malditas calças e saindo sorrateiramente pela porta. — Ela rebata e entra correndo no restaurante.
Oh, meu Deus! O Teddy havia sido o primeiro da Jú! Ela havia falado sobre sua primeira vez e que o cara havia saído correndo no outro dia, mas ela nunca disse quem. Ela havia chorado por semanas e havia sido horrível vê-la assim.
Eu paro bruscamente. Júlia e Theodore? Não era a toa que ela havia o evitado o tempo todo das férias que passamos juntos.
Eu estava tão afogada na notícia que não ouvi quando um cara que vinha dirigindo uma moto desenfreada me mandou sair da frente. Eu só via a moto na minha direção e o som dos meus ossos quebrando. Eu estava imóvel, então apenas esperei pela batida de olhos fechados. Mas ela não veio. No lugar disso, eu senti meu corpo ser puxado violentamente para o lado e bater em alguma coisa sólida e quente com um cheiro inebriante.
–Droga! Você está bem? — Uma voz rouca e sexy pergunta.
Oh, oh. A voz.
Abro os olhos lentamente para encarar o meu salvador e seus olhos azuis pegam o meu.
O Sr. Olhos azuis.
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