Notas iniciais
uma songfic que veio na minha cabeça... particularmente não gostei muito das últimas frases, mas acabei por deixar assim mesmo...boa leitura!!!

No digas nada

Olho mais uma vez para o homem ao meu lado. Ele dorme profundamente e pela primeira vez vejo que não sei mais nada sobre sua vida. Não sei mais quais são os seus sonhos, os seus desejos, os seus planos.

Mudo de posição e começo a repensar tudo que acontecera em nosso relacionamento. Desde o nosso primeiro beijo até começarmos a dividir o mesmo teto, há seis meses.

Lembro de nossas loucuras neste apartamento, neste quarto. Dos momentos de puro prazer e de grande cumplicidade. Quando tudo isso mudou?

Recordo as juras de amor que trocamos, as declarações que fizemos. O que aconteceu conosco? Será que não sou mais o que ele queria? Será que não somos mais “almas gêmeas”? O sono se esvai completamente.

Levanto e sento na escrivaninha, acendo o abajur e pego papel e caneta. Preciso pôr pra fora tudo que estou sentindo...

Puede que no sea yo lo que buscabas

Ni que seas tu mi otra mitad

Hace tiempo que el amor se fue de esta casa

No nos queda nada de que hablar

Pela primeira vez escrevo algo tão verdadeiro! Volto a observá-lo. Ele ainda parece aquele cara encantador que cantava no meu ouvido até que eu conseguisse pegar no sono.

Me esforço para saber o motivo de dar tudo errado. As coisas desandaram quando passamos a morar no mesmo endereço. No começo, era festa e amor todo dia. Finalmente tínhamos nosso canto, o lugar onde poderíamos ser apenas nós mesmos.

Aos poucos, os momentos de silêncio foram aumentando, nossas conversas diminuindo. Fomos nos transformando em colegas de quarto.

Depois de mais um tempo, as brigas começaram. Tudo era motivo de discussão. Ficávamos mais na rua do que em casa e eram raros os momentos como casal.

Há pouco as brigas cessaram. Apenas nos toleramos. Parece que esperamos que alguém dê o primeiro passo para acabar de vez com essa história.

— Que horas são? – pergunta ele despertando.

— Tarde.

— Então você devia estar dormindo – comenta levantando e indo ao banheiro.

Pego o papel e a caneta. Apago o abajur e me deito.

— Tá bem quente aqui! – diz tirando a roupa, apagando a luz e voltando para a cama.

Meu coração se aquece. Por um instante tudo que quis foi esquecer os últimos meses e dizer:

Deja la ropa junto a la cama

Solo quédate un poco más

Y no digas nada

Todo esta en calma por una vez

No digas nada

No digas nada, todo esta en calma

Por esta vez

Apaga la luz y no digas nada

Mas nada saiu da minha garganta. Ele colou a blusa e a bermuda na cadeira, ficando apenas de boxer. Deitou-se e percebi que ficara pensativo.

— Aconteceu alguma coisa?

— Amanhã vou viajar a trabalho.

— E vai ficar fora por quanto tempo?

— O tempo necessário.

De novo aquele silêncio incômodo se fez presente. Eu queria mudar aquilo, porém não sabia como. Qualquer comentário poderia gerar uma briga e já não as suportava mais.

— Boa noite! – desejou ele, virando-se e pegando no sono.

Mais uma vez fiquei ali, olhando-o, sem conseguir dizer nada, sem conseguir tomar uma atitude.

Senti vontade de abraçá-lo, de senti-lo perto de mim novamente. Contudo a covardia me impediu.

Um muro invisível nos separava e pelo visto nos separaria para sempre. Aos poucos o sono foi me dominando.

Coloquei meu braço em cima dele, põem só senti o colchão. Abri os olhos e percebi que ele não estava mais ali. “A viagem!” pensei olhando para a janela.

O céu nublado só me deixava mais triste e com vontade de ficar ali até que ele voltasse. Mas será que ele voltava?

Hoy las nubes no se van de mi ventana

Y no sé si quiero despertar

Dejaré mi corazón bajo la almohada

Por si un día quieres regresar

O despertador toca. Por mais que queira o contrário, preciso levantar.

Vou para o trabalho, contudo não consigo esquecer a noite de ontem. Por um momento achei que as coisas poderiam voltar ao normal.

A primeira semana passa e logo depois a segunda também. Nesses quinze dias nenhum email, nenhum telefonema, nenhuma notícia.

Nosso apartamento está vazio. Opaco, precisa do brilho que ele trazia no começo de “nossa vida”. Essa distância traz a tona algo que não queria admitir. Meu coração ainda bate mais forte por ele.

Recordo nossos beijos proibidos e passo a mão sobre meus lábios.

— Será que provarei novamente seu sabor?

Pego o telefone e ligo para ele. Preciso dizer tudo que está oprimido em meu peito...

Y no sé si podré

Arrancar de mi piel

Esos besos prohibidos que me diste ayer

Y no digas nada, todo esta en calma por una vez

No digas nada

No digas nada, todo esta en calma por esta vez

Apaga la luz y no digas nada

- Aconteceu alguma coisa, Uruha?

— Não! Liguei errado, me desculpe! – falo desligando em seguida.

Deito na cama e abraço o travesseiro dele, sentindo seu cheiro.

“Tenho muito pra falar e nenhuma coragem pra começar...” é a última coisa que penso antes de adormecer...

Notas finais
Reviews, please!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!