No Control
1 Capítulo I
Notas iniciais
Já sentiram como se suas vidas fossem um daqueles jogos onde os jogadores controlam seus movimentos, falas e pensamentos, te forçando a viver todo dia a mesma coisa repetitivamente? Bom, esta tem sido minha vida desde quando me lembro.... Na verdade "me lembro" não seria bem a palavra.
Todos os dias eu era acordada por Buggs. Buggs é um cachorro do qual a única coisa que me lembro é seu nome, e o fato de que todos os dias ele me acorda. Me levanto e coloco minha roupa de treinamento, sou mandada para um centro de concentração todos os dias após o café da manhã.
Meus pais nunca permitem que eu saia de casa, e eu nunca protesto... Lá fora parece, se é que possível, mais monótono que aqui dentro. Desço pelos túneis, que se encontram nos fundos da nossa casa, até o campo.
O campo consiste basicamente em 5 repartições, ao menos são o que dizem. Para frequentar esta na qual me encontro você precisa ter 4 coisas: Discrição, audácia, saber agir sob pressão e saber como sobreviver. Nesta secção existem cerca de cinquenta adolescentes e embora eu não reconheça nenhum rosto, um deles parece me reconhecer.
Estávamos lado a lado, cada sobre uma plataforma de formato circular. Ficávamos ali até que nossa general Tathiana desse a ordem para sairmos.
–Formem grupos de dez, agora. -Seu olhar era seco
Um som de pés se movendo tomou conta do salão. Parecíamos saber exatamente qual era o nosso grupo e sem objeções os cincos grupos se formaram fazendo o recinto mergulhar novamente em silêncio absoluto.
–Sua missão é passar pelos dez níveis. Vocês têm cinco horas, ao final do tempo retornem para a ala de treinamento onde permanecerão até o final do dia. -Todos olhavam para ela atentamente- Alguma pergunta?- Seu tom sugeria que era melhor não haver perguntas- Estão esperando o que? Vão.
Saímos de nossas posições e nos dirigimos aos portões, eram cinco ao todo. Deviam medir seis metros, eram de prata com alguns símbolos entalhados, as portas começaram a deslizar com um barulho ensurdecedor até que se abriram por completo revelando um imenso corredor. Marchamos para dentro, o portão se fechou ás nossas costas nos mergulhando em completa escuridão.
–Ei.... Regan.-Ouvi uma voz sussurrando ao meu ouvido
–Não é permitido que conversemos antes da missão começar e se fosse você seria sábio em não me dirigir a palavra- Respondi
–Desculpe, não sabia que estava falando com a nossa general -ele bufou
–Escuta aqui.....
Antes que completasse a frase as luzes se acenderam, estava começando o primeiro nível. Estávamos em uma cidade, o sol brilhava, as ruas estavam lotadas de carros e pessoas que andavam por ali sem se preocupar com a nossa presença. Estávamos com roupas iguais aos demais habitantes daquele lugar, carregávamos maletas pratas e calçávamos sapatos baixos e confortáveis... provavelmente teríamos que correr. Todos os olhos se voltaram para um menino que deveria ter dezessete anos, ele era alto e fortinho, seus olhos verdes eram penetrantes, carregava na mão direita uma maleta dourada e possuía, na mão esquerda, uma arma a qual ele guardou no bolso interno do casaco. Eu não parecia ser a única que não o reconhecia, embora soubéssemos que aquele era nosso líder. Todos os grupos possuem um líder, o nosso se chamava Tim. Ele parecia particularmente ansioso, olhando em volta sem parar como se esperasse por algo.
–Bom, não sabemos qual é a nossa missão mas acredito que estas maletas contenham algo de relevante. Precisamos de um lugar seguro para abri-las. Sugestões?-Ele nos encarou
–Um hotel? -alguém ás minhas costas sugeriu, que ideia estúpida
–Não temos dinheiro- Eu retruquei- Nossa melhor opção seria um desses becos sem saída, ninguém nunca entra em becos.
–Certo, é o melhor que temos agora... — Tim olhou em volta á procura de um- Vamos lá..
Começamos a atravessar a rua quando um van parou, e foi aí que tudo deu errado.
–Boa tarde senhores -um grandalhão sorriu
Estávamos cercado por um grupo de homens vestido de preto, nosso grupo formou um círculo e se colocou em posição de ataque, a não ser por Tim que sorria.
–Pessoal, se acalmem... eles estão do nosso lado- Tim sorriu- Vocês demoraram..
–Mas que porra... -eu comecei a dizer
–Vossa excelência, eu tentei avisá-la, mas estava ocupara sendo arrogante -o garoto que havia sussurrado em meu ouvido antes sorriu de canto
–Alguém me explica que merda é essa?-Uma menina chamada Megan gritou
Fale com o autor