Notas iniciais
Para aqueles que tenham interesse no cast da história, as fotos dos intérpretes estão neste link: https://www.wattpad.com/1230707326-no-caminho-das-estrelas-elenco Playlist no Spotify da história: https://open.spotify.com/playlist/1CnLeDGGcPosRieA3meyp1?si=550a3fdb14d54121 E para os que preferirem, o capítulo em PDF com imagens/fotos e também trilha sonora estão no seguinte link: https://drive.google.com/drive/folders/1nqS-IL46bGLqrBWkNPsSO31DuhRxFAAG?usp=sharing Boa leitura!

Paulo destravou a tela do celular para verificar as horas e logo constatou que estava um pouco atrasado. A voz de Dominique dizendo que ele deveria ser mais organizado surgiu em sua mente e Paulo definitivamente tinha que dar o braço a torcer para sua amiga.

Eu podia já ter arrumado a mala, mas não... Claro que o rei dos atrasos ia atacar novamente. — Pensou.

Assim que terminou de pegar todas as suas roupas, fechou a bolsa de viagem e se pôs a procurar sua carteira, tentando se lembrar de onde tinha a deixado. Foi quando a viu sobre a sua escrivaninha, que ficava no canto oposto do quarto em relação a porta. Correu imediatamente para pegá-la, contudo Paulo sentiu como se alguém na porta estivesse o observando. Então ouviu passos lentos mas uma voz grave o acalmou, fazendo com que ele se virasse.

— Paulo?

Na sua frente, estava André, parado ao lado da porta, exibindo uma face curiosa. Uma das suas sobrancelhas estava erguida para cima e o amigo de Paulo fez um sinal de positivo com a mão. Pela comunicação não-verbal que tinha sido estabelecida entre os dois, Paulo entendeu que ele queria saber se estava tudo certo.

— Caralho que susto, meu irmão! — Paulo falou. — Você quer me matar? Que ideia foi essa?

— Ué, só parei aqui na porta. A madrinha disse que podia entrar, você ainda tava arrumando as malas. — André respondeu, se referindo a Dona Fátima, que era sua madrinha de batismo.

Há quase trinta anos atrás, os futuros pais de André se mudaram para a capital e se tornaram vizinhos de rua da família Costa dos Santos, sendo que posteriormente as duas famílias aproximaram-se pois frequentavam a mesma igreja local. Na época Fátima já tinha dois filhos pequenos e os Cavalcante se tornaram presença constante na residência, sendo chamados para aniversários, reuniões ou churrascos de domingo, fortalecendo o laço entre ambos, mas principalmente entre a matriarca dos Costa dos Santos e Lúcia Cavalcante, que finalmente teve seu primogênito alguns anos depois: o próprio André.

Na época do batismo, Lúcia chamou os Costa dos Santos para se tornarem padrinhos do menino, fato este que conectou fortemente as duas famílias. Cerca de um ano depois, foi a vez de Fátima engravidar mais uma vez e então deu à luz ao pequeno Paulo Henrique, que desta vez foi batizado pela família Cavalcante, selando de vez o contato entre os núcleos familiares.

O tempo passou e os meninos cresceram praticamente juntos, mesmo depois que a família de André mudou de residência, deixando para trás a antiga rua em que viviam. No começo, o mais velho temeu pela primeira vez perder o contato com o mais novo mas isso não aconteceu, tanto porque André ia visitar os padrinhos constantemente quanto porque mesmo com os dois amigos caminhando em direções diferentes, a vida deles sempre se cruzava, seja pelo destino, seja pelos trabalhos deles mesmos, como quando conseguiram passar para estudar na mesma universidade. Eles eram inseparáveis.

— É claro que foi a dona Fátima. — Paulo falou, balançando a cabeça. — Mas você também fica parado feito um fantasma na porta, quer que eu ache o que?

— Eu literalmente acabei de chegar, Paulinho. — André riu, mas ao perceber que as bolsas de Paulo ainda estavam sobre a cama, falou: — Cara, você quer uma ajuda aí?

— Não, eu acho que já terminei.

— Na verdade, eu não estava falando em arrumar a mala. Tava falando em levar pro carro todas essas coisas. — Ele apontou para a cama.

— Ah, isso eu quero sim! — Respondeu. — Pega essa bolsa marrom que eu levo essa mochila preta aqui.

— Beleza. — André respondeu, fazendo o que foi pedido e se surpreendendo com o peso da bolsa. — Caralho, o que você tá levando aqui? A gente vai ficar só alguns dias Paulinho, não fazer uma mudança.

— Eu peguei tudo o que achava essencial.

— O guarda-roupa inteiro aparentemente.

— Mas você só reclama, hein? — Paulo disse, colocando a mochila nas costas. — Você não disse que queria ajudar?

André meneou com a cabeça, e então se virou, carregando a bolsa marrom nas mãos e seguindo para fora do quarto, sob o olhar atento de Paulo.

Deixa de ser bobo e vai logo menino. Você sabe que ele quer. — Lembrou-se de Dominique falando com ele mais cedo, entre as edições que fazia para seu podcast. Paulo então balançou a cabeça, afastou os pensamentos e seguiu o mais velho pela casa, enquanto carregava a mochila nas costas.

Seu pai não estava em casa naquele momento pois trabalhava de noite e seu irmão mais velho já não residia no mesmo local que ele e seus pais, de modo que somente dona Fátima e sua irmã do meio, Denise, estavam em casa. Ele estava pronto para chamar sua mãe e avisar sobre sua ida, mas nem precisou pois ao passar pela cozinha percebeu que ela e sua irmã conversavam com André.

— Filho! — Fátima se aproximou, dando um abraço e depois fazendo o sinal da cruz em sua testa. — Boa viagem meu amor! André, cuida desse menino por mim viu?

— Pode deixar dinda, eu vou ficar de olho no Paulinho. — André falou, encarando o amigo logo em seguida.

— Mas fica de olho mesmo, viu? — Denise respondeu, comendo um pedaço de bolo de fubá. — Esse menino me apronta cada uma...

— Olha quem fala! — Paulo respondeu, rindo, enquanto Denise se aproximava do irmão e também lhe dava um abraço.

— Se cuida viu? Eu vou ficar longe, mas ainda de olho em você. Não faça nada do que eu não faria.

— Mas aí você baixou pra caralho o nível, né maninha? — Paulo falou.

— O que você quer dizer com isso, Paulo Henrique?

— Vocês dois, por Deus! Um minuto de sossego nesta casa é impossível. — Fátima exclamou. — Desculpa por isso, André. Aceita um pedacinho de bolo? Paulinho, vem pegar também filho. Vocês comem durante a viagem.

— Eu vou aceitar. — Paulo respondeu, pegando a fatia nas mãos e comendo um pedaço. — Ai mãe... Você não existe. Obrigado.

— Que isso, filho. Está bom? — Ela perguntou ao dar um pedaço para André, que confirmou com a cabeça.

— Mãe, o papo tá muito bom, mas agora realmente precisamos ir, né André? Já estamos atrasados, a Dominique vai matar a gente.

— Nem fala. — André respondeu, enquanto se despedia de Fátima e Denise.

— Beijo mãe, tchau Dê! — Paulo também falou, enquanto caminhavam na direção da porta da saída, sendo seguidas pelas mulheres até o portão. Fátima e Denise continuaram observando enquanto André e Paulo colocavam as bolsas e mochilas no porta-malas do automóvel de cor prateada que os levariam até o destino prometido. André acenou uma última vez antes de entrar pela porta do motorista, mas Paulo resolveu abraçar sua irmã e mãe mais uma vez antes de saírem. Foi quando Fátima falou:

— Beijo meu filho, que Nossa Senhora Aparecida te acompanhe. Manda um abraço pros seus amigos e olha aqui, tome cuidado por favor!

— Fica calma, mãe. Calma...

— É sério, Paulinho. — Fátima ressaltou, agora com uma voz um pouco mais séria. — E cuida do André também.

— Pode deixar, mãe. Vai dar tudo certo, viu? — Paulo falou uma última vez.

Feitas as despedidas, o rapaz entrou no veículo prata e se sentou no banco do carona, abaixando o vidro do carro em seguida. Acenou de novo, enquanto André dava a partida no carro e finalmente deixava o local onde estavam, seguindo pela rua e se distanciando das duas mulheres, que continuavam no portão. Então Denise se virou para sua mãe e questionou, um pouco confusa:

— Mãe, por que toda essa preocupação com o Paulinho? Geralmente você fica mais tranquila. E ele tá com o André, eles sabem se virar.

— Coração de mãe Denise. Coração de mãe não falha. — Fátima respondeu. — Tem algo estranho acontecendo com esses meninos.

X-X-X

Já faziam algumas horas desde que o carro havia deixado a cidade grande com os cinco jovens em seu interior rumo ao destino de suas férias. Era uma noite quente e a temperatura havia subido mais um pouco após a descida da serra rumo ao litoral.

As ondas do mar se chocando contra as rochas produziam um barulho alto que podia ser escutado pelos jovens do carro, andando pela rodovia que cortava a região litorânea. À direita do veículo, a serra se erguia entre vários paredões e picos rochosos daquela área de preservação ambiental da Mata Atlântica, sendo engolida pela escuridão noturna. Do lado esquerdo, podia ser visto um pouco da floresta local e entre as árvores, se observava o mar revolto à distância.

No rádio do carro, uma playlist musical de André servia de trilha sonora para a viagem. A playlist fora construída de modo colaborativo entre os cinco amigos exatamente para agradar todos os gostos mas nem sempre isso acontecia.

— Harry Styles de novo? Não é possível! — Dominique, que estava sentada atrás do banco de carona, falou. — Tobias, você colocou quantas músicas dele na playlist?

— Algumas... — Ele, que estava sentado entre Dominique e Talissa, falou, dando uma risadinha em seguida.

— Na verdade fui eu que coloquei essa. — André falou, sem tirar os olhos da pista. — O Tobias curte mais o primeiro álbum dele.

— Não sei como vocês aguentam esse Tiago Iorc da Inglaterra.

— O que você acha, Lissa? — Tobias perguntou.

— Oi? Vocês estão falando comigo? — Talissa respondeu, desviando o olhar da janela.

— Tudo bem, meu anjo? — Dominique perguntou. — Tá com a cabeça nas nuvens.

— Tudo ótimo. Só tava pensando no nosso destino. Nunca fui pra Caminho da Anta, vocês acreditam?

— Nossa, eu acho sua cara Talissa. — André respondeu. — Você ainda lembra de quando a gente foi, Paulinho?

— Já faz um tempinho né? — Ele, que estava no banco de carona, respondeu. — Eu gostei, mas tem umas coisas naquela cidade que me dão arrepios.

— E lá vamos nós... — Tobias falou, baixinho.

— Você já foi, Tobias? — André perguntou.

— Não, primeira vez. — Ele respondeu. — Mas eu dei uma procurada sobre a cidade na Internet.

— Eu estava vendo que lá tem umas praias que são lindas. — Dominique comentou. — A casa da sua tia é perto da Barra da Serpente, né?

— Isso mesmo, é bem pertinho.

— Eu achei linda demais. Aquela outra dos Cristais também... Perfeita.

— Essa dos Cristais não é onde tem a comunidade esotérica? — Talissa questionou.

— Você quer dizer duendes e magos? — Tobias perguntou, levantando uma sobrancelha. — Por favor, né Talissa.

— Ai Tobias, deixa de ser chato. Mas é ou não é, André?

— Lissa, pra ser sincero eu não sei. — André respondeu. — Não conheço muito disso, só sei que Caminho da Anta é uma cidade especial, tipo... São Thomé das Letras. É a melhor comparação que eu achei, lá também é um lugar muito lindo.

— Agora eu descobri porque você anda vendo duendes, André. — Dominique falou e Tobias riu.

— Caralho, essa é a impressão que vocês têm de mim?

— Eu vou ficar quieto. — Paulo respondeu, rindo baixo.

— Você nem se atreva...

— Amores, estamos no meio da rodovia. — Dominique respondeu. — Tem muito tempo para se resolverem depois.

— Eu vi que eles também tem várias lendas no folclore local. — Talissa continuou. — Falam de portais aqui nas montanhas, trilhas e túneis secretos, fantasmas, um monte de coisa mágica.

— Isso tem muito mesmo, Lissa. Aliás você vai adorar minha tia porque ela é expert nesses assuntos. — André respondeu. — Mas essa lenda das trilhas secretas eu já ouvi falar demais, lá pros lados da serra.

— Curioso. — Dominique falou. — Mas por quê secretos?

— Vai saber. Talvez eles querem esconder algo na floresta. — Paulo falou.

— É só lenda gente, por favor. — Tobias respondeu, sem paciência. — Agora falando de algo real, eu vi que essas trilhas da reserva são massas mesmo. Como é o nome mesmo?

— Cara, eu não lembro de cabeça... — André respondeu.

— Não é Tapirapé? — Paulo falou.

— Isso! Pô, o parque parece ser interessante. — Tobias falou. — Eu li bastante sobre ele na Internet também.

— Podemos juntar um dia pra ir. Eu topo demais. — Paulo respondeu.

— Eu também quero! — Talissa falou.

— Vamos precisar organizar esse calendário quando a gente chegar, hein? — Dominique respondeu. — Porque provavelmente passaremos um dia inteiro no parque.

— Ah, tá tranquilo amiga. Ainda tem muito tempo pra aproveitar, dá pra ir em todos os lugares que a gente quiser. — André falou, encarando à sua frente a estrada praticamente deserta. Foi quando a luz dos faróis iluminaram uma grande placa na estrada que estava disposta em cima de um belo canteiro de flores no meio da pista.

— Bem-vindos a Caminho da Anta. — Ele leu, enquanto passavam pela placa e seguiam pela pista, até também passarem por baixo de dois grandes arcos brancos, monumento este que servia como portal da cidade.

— Finalmente! — Tobias comentou. — A casa da sua tia fica muito longe, André?

— Segundo o Waze ainda vai demorar uns 15 minutos... Temos que passar pelo centro ainda, a Barra da Serpente fica depois.

— Tá tranquilo. Eu só estou doido pra cair numa cama e apagar.

— Bom mesmo, porque amanhã já quero pegar uma praia. — Talissa comentou, despretensiosamente.

— Podemos ir na Itatim. — André comentou. — Fica bem ali do lado do centro, dá até pra dar um pulinho na região histórica. Inclusive... tem umas feirinhas de artesanato maravilhosas por lá, amiga. Eu sei que você gosta.

— Ai, vamos pelo amor dos deuses. — Talissa falou, enquanto sentia a brisa da maresia adentrar o veículo ao abrir a sua janela. O seu cabelo castanho balançou ao sabor do vento e ela fechou os olhos, apenas sentindo o suave sopro dos mares passar pelo seu rosto.

Estou voltando minha mãezinha. Era hora de se reconectar novamente com sua espiritualidade depois de tanto tempo.

Abriu os olhos e se virou para dentro do carro, percebendo no mesmo instante que Tobias tinha desviado o olhar e agora claramente fingia que não estava prestando atenção em Talissa.

Ele realmente acha que eu não percebi? — Pensou. Pouco depois cutucou o rapaz na barriga, fazendo com que ele levasse um susto. Do outro lado do banco traseiro, Dominique riu.

— Que isso, Talissa? Tá maluca?

— Eu vi, tá bom?

— Viu o que?

— Tobias meu amor, não se faz de sonso. — Talissa respondeu, enquanto percebia que Dominique a encarava atrás de Tobias. Então a moça de descendência asiática deu uma piscadinha com o olho, entendendo a situação.

— Mas eu não estou me fazendo de... de... sonso.

— Imagina se estivesse... — Dominique comentou.

— O que tá acontecendo? — Paulo perguntou, curioso, já se virando para trás.

— Nada, só o Tobias sendo o Tobias.

— Talissa! — Ele falou.

— Você sabia que fica muito fofinho quando está nervoso? Parece um ursinho.

— URSINHO?

Os outros três integrantes do carro desataram a rir no mesmo instante. Lá na frente, algumas luzes já surgiam, anunciando que finalmente estavam chegando na cidade.

Foi quando o som de uma buzina repentina assustou a todos, fazendo com que Talissa fechasse a sua janela no mesmo instante. Enquanto André olhava no retrovisor, os outros quatro se viraram para trás e encararam um carro completamente preto com os faróis altos logo atrás deles, tentando avançar. Então o carro buzinou novamente e no mesmo momento André passou para a pista do acostamento, ainda assustado, deixando com que o carro, que também possuía todas as janelas fechadas impedindo a visão de quem estava em seu interior, avançasse com rapidez pela rodovia deserta.

— O que exatamente... Foi isso? — Dominique perguntou, surpresa.

— Mano, o cara deveria estar a mais de 140 km/h. Será que ele não tem medo de pegar multa não? — Paulo falou.

— Se não tem medo de bater na gente, imagina de pegar multa. — André respondeu. — Gente doida.

— Porra, já achei que estava naqueles filmes que acontece um acidente de carro do nada. — Tobias falou. — Só faltou aparecer um caminhão com troncos de madeira...

— Vira essa boca pra lá! — Paulo respondeu, exaltado. — Não chama a desgraça que ela vem.

— E vem mesmo. — Talissa falou. — Nem falo essa palavra, minha mãe diz que atrai o mal.

Tobias ergueu a sobrancelha, curioso.

— Superstição?

— Olha lindo, todo cuidado é pouco. Você pode até não acreditar nessas coisas. Mas que elas existem, existem. — Talissa respondeu, cautelosa.

X-X-X

Por volta de quinze minutos depois daquele estranho evento na estrada, o grupo de jovens finalmente chegou no endereço indicado pela tia de André. A casa se localizava no bairro que levava o nome da praia conhecida como Barra da Serpente, uma vizinhança calma e silenciosa, de cunho residencial. Próximo à Barra também se localizava a foz do rio Pararangaba, uma área de visitação e turismo ecológico muito popular entre os turistas que vinham para a cidade de Caminho da Anta.

Quando chegaram ao endereço indicado, logo notaram que uma bela mulher os esperava na frente de um muro de cor laranja. Ela tinha os cabelos negros soltos e vestia uma blusa preta básica que combinava com sua saia longa de seda com estampa de flores e também com os diversos colares de pedras que usava no pescoço.

Assim que percebeu que se tratava do seu sobrinho e dos seus amigos, a mulher abriu o portão automático de madeira, dando passagem para que pudessem estacionar o carro na garagem da casa de praia da família. Em seguida, fechou o portão de novo, após adentrar a casa para receber os hóspedes.

— Tia! — André falou, após deixar o carro já estacionado na garagem. — Tudo bem?

— Tudo certo, meu querido. — A mulher respondeu, enquanto dava um abraço no sobrinho. — Como foram de viagem? Foi tudo bem?

— Tranquilo. Tirando um cara maluco que quis ultrapassar a gente aqui na estrada e quase levou o carro junto.

— Meu Deus, que perigo. Mas ficou tudo bem?

— Ficou sim, na real foi só um susto. Uns otários, tia. Adianta nada ficar correndo desse jeito, uma hora bate e vai parar nos braços de senhor Jesus.

— E esses são seus amigos, querido? — Ela apontou para os outros quatro integrantes do carro.

— Desculpa, nem apresentei ninguém! Galera, essa aqui é a minha tia Antônia. Ela que cuida aqui da casa de praia da família. Tia, esses são Dominique, Tobias e Talissa. E o Paulo acho que você já conhece. — André falou, apontando pra cada um deles, enquanto eles também se apresentavam e acenavam para a mulher.

— Muito prazer pra todos vocês. O André falou que meu nome é Antônia, mas se quiserem podem me chamar de Nini. É assim que todo mundo me chama, não precisam ficar com vergonha. E eu também espero que vocês gostem de Caminho da Anta. Sobrinho, podemos falar em particular um momento?

André confirmou com a cabeça e seguiu a tia até o fim da garagem, que culminou em um corredor que levava aos fundos da casa de cor alaranjada. Atrás da residência existia um pequeno espaço com uma churrasqueira junto de uma mesa de madeira com bancos ao redor e um pouco mais à frente um gramado que levava a piscina, já no fim do terreno da casa. No meio dos muros, do lado da churrasqueira, também existia um pequeno portãozinho de cor branca que separava a propriedade da casa de Antônia.

— Eu vou deixar com você dois molhos de chave, certo? Aí você divide com seus amigos. E aqui está o controle do portão. Como você também conhece a casa vou deixar contigo a apresentação de tudo, está um pouco tarde e amanhã eu vou abrir a loja bem cedo. — Nini falou.

— Tá bom tia, pode deixar. — Ele falou, enquanto pegava as chaves e o controle. — Prometo pra você que não vamos dar trabalho.

— Que isso, não se preocupe. Só aproveite. Bem... Ah sim, qualquer coisa é só me chamar. — Nini falou, apontando para o portão branco. — Mesmo que eu não esteja em casa, é bem provável que o Samuel vai estar e ele me avisa.

— Tá bom. Aliás, como tá o primo?

— Está bem, graças aos deuses. Sabe André, isso que aconteceu com seu tio, esse divórcio... machucou demais o Samuel. Você conhece ele, né?

André confirmou com a cabeça.

— Pois é. Mas estamos nos recuperando, isso é o mais importante. — Nini respondeu. Após a rápida conversa, Antônia e André retornaram para o grupo de amigos, que esperavam em volta do carro e a anfitriã se despediu dos jovens, retornando para seu lar.

Após retirar todas as malas do carro, André abriu a porta da frente da casa, revelando uma enorme sala de estar, com dois sofás de cor branca, assim como a pintura do cômodo, além de uma poltrona marrom e diversos pufes espalhados no chão. A sala de estar era interligada com a sala de jantar, e uma grande mesa de granito com cadeiras ao redor podia ser vista.

À direita da sala de jantar ficava o acesso ao corredor que levava para os dois quartos, sendo que no meio deles estava o banheiro da casa, coberto de azulejos verde-escuros. Ao seguir reto pela sala de jantar, chegava-se à cozinha que terminava em uma porta de correr de vidro que dava acesso para a área da churrasqueira e piscina.

— Que casa linda, André! — Talissa falou. — É enorme!

— Tem até piscina aqui. Que foda! — Tobias comentou.

— Eu falei pra vocês que a casa era boa. — André respondeu. — Aqui, precisamos dividir os quartos.

— Talissa, a gente pode ficar com esse aqui. — Dominique falou, apontando para o quarto à esquerda que possuía uma cama de casal e um sofá-cama.

— Então só nos resta o outro quarto. — Paulo falou, encarando o quarto à direita.

X-X-X

O som do chá de camomila sendo colocado na pequena caneca de fibra de coco se misturou aos sons noturnos de Caminho da Anta. Aqueles que afirmavam que fora da cidade grande a noite era silenciosa definitivamente nunca tinham parado pra prestar atenção na sinfonia que existia no meio do silêncio. Os sons dos animais, do vento se chocando contra as árvores e as próprias ondas marítimas, que podiam ser ouvidas à distância, se juntavam para fazer com o silêncio o verdadeiro som das noites litorâneas.

Antônia assoprou o chá e levou a caneca até sua boca, bebendo em um gole o líquido, enquanto encarava pela janela da cozinha o corredor externo de sua casa. A mulher de olhos castanhos e beleza estonteante ainda vestia a blusa branca e a saia florida, mas tinha retirado a maioria dos seus colares, utilizando apenas um que possuía uma pequena pedra de ametista na ponta, que balançou em seu peito por conta da brisa suave que entrou na residência, fazendo tremular também a pequena cortina de renda com desenhos de vaquinhas que estava na frente da janela.

Aquele sopro de frescor refrescou um pouco aquela noite quente e abafada de verão e Nini, ainda bebendo seu chá quente, puxou uma cadeira e sentou-se na mesa redonda que possuía na cozinha, coberta por uma toalha de mesa feita de crochê pela mulher. Tomou mais um gole, sentindo o sabor da camomila e depois respirou fundo, tentando se acalmar com o objetivo de dormir em paz.

— Mãe?

Nini abriu os olhos e encarou, na soleira da porta da cozinha, a fonte daquela voz sonolenta: era Samuel Cavalcante, seu filho único, que tinha acabado de completar dezenove anos. O jovem alto, de pele branca e cabelos castanho-escuros, quase pretos, que a encarava com certa curiosidade e preocupação falou:

— Você tá com uma cara esquisita.

— Pensei que você já estava dormindo, meu filho.

— Perdi o sono. — Ele respondeu. — Eu posso pegar um pouco do chá?

— Claro filho, à vontade. — Nini respondeu, enquanto ouvia o som do jovem arrastando os chinelos pela cozinha. Pouco depois, ele sentou na cadeira de frente para sua mãe, ainda encarando a mulher de forma curiosa.

— Tá tudo bem, mãe? — Ele perguntou. — Parece preocupada.

— Eu estou, meu filho. Não queria falar nada com o seu primo, mas estou com uma sensação tão estranha... Algo me incomoda, sabe?

— É com ele?

— Não, não é o André. Nem os amigos dele, mas o ambiente está esquisito nesses últimos dias e parece que nesse último dia piorou muito. É como se eu sentisse que algo terrível está para acontecer.

— Credo mãe. — Samuel bebeu um gole do chá na sua caneca de porcelana estilizada com uma coruja colorida. — Deve ser só impressão. Coisa da sua cabeça. Você não disse que está muito ocupada no trabalho ultimamente?

— De fato, Samu. Mas é uma sensação diferente, entende? Até comentei com o Dauá...

— Eu sinceramente não estou sentindo nada, mãe. Mas é só sensação ou você tem alguma prova mais concreta de que algo vai acontecer?

— Bom, eu joguei as cartas do tarô hoje. E a leitura não foi das mais positivas... 7 de paus, 8 de copas, mas confesso que a carta que me assustou foi a da torre. E você sabe o que ela quer dizer, né?

— Mudança radical, quebra brusca de um ciclo...

— Literalmente uma torre desabando. Isso não significa que ela seja uma carta ruim, mas aliadas as outras duas, que afirmam que você vai passar por provações e perda de situações do passado... Não sei Samu, eu não deveria, mas estou um pouco aflita.

Samuel deu mais um gole no chá de camomila antes de falar:

— Mãe, eu sei que não é fácil falar isso, mas acho que você deveria tomar um pouco de cuidado com tudo isso. Digo, tudo bem você acreditar no tarô mas você está baseando sua vida inteiramente nas cartas.

— É só um guia. Olha, eu sei que você é um pouco mais cético, filho...

— Eu só tento ser o racional da família. Mas não tenho problema com essas questões.

— Tudo bem, pode confiar em mim. Eu entendo. — Nini respondeu, estendendo as mãos na direção de Samuel que as apertou. — Mas você toma um pouco mais de cuidado nesses próximos dias? Por mim, filho. A minha intuição está bem mexida e pode até não ser nada... Só que eu prefiro me cuidar e também cuidar de você.

— Calma. Pode deixar, eu tomo cuidado. — Samuel respondeu, abrindo um sorriso que confortou o coração de Nini. — Você vai ver, vai ficar tudo bem. É só sua impressão.

— Que os deuses queiram, Samuel. Que os deuses queiram. — Ela falou, apertando forte as mãos do filho e não querendo mais soltar. Samuel era tudo naquela vida para sua mãe e Nini nunca se perdoaria caso algo acontecesse com ele, principalmente agora que estavam somente os dois, pois Marco Aurélio havia deixado eles para trás, semanas depois de Samuel completar dezoito anos.

Ninguém pode saber da verdade, pelo bem do meu filho.

O vento soprou mais uma vez enquanto nas florestas, próximas da casa, os sons misteriosos da noite continuavam a ser ouvidos.

X-X-X

Paulo acordou em um sobressalto.

O rapaz abriu os olhos de uma vez, respirando de forma ofegante e quase desesperada, sem entender o que estava acontecendo. Então decidiu esperar sua visão se acostumar com a escuridão que fazia no quarto e quando isso aconteceu, ainda meio sonolento, encarou o cômodo que dividia com André e Tobias, em completo silêncio. A cama de Tobias estava ao lado da porta, enquanto na parede oposta ficava a cama de Paulo e André ficava na cama do meio.

Nada de incomum foi registrado pelo jovem, que voltou a recostar a cabeça no travesseiro, virando-se para a parede e dando as costas para o resto do quarto. Foi quando percebeu algo estranho e se virou novamente para encarar o cômodo mais atentamente, percebendo que a cama de André estava vazia. No mesmo instante, a escuridão do quarto foi dissipada em meio a uma luz estranha que apareceu no meio do recinto.

Paulo apertou os olhos e encarou a bola de luz que permanecia parada no meio do cômodo, tentando descobrir de onde ela tinha saído, uma vez que a porta do quarto continuava fechada.

— Que merda é essa? — Falou, um tanto quanto assustado. Um fantasma?

Percebeu que mesmo com a iluminação Tobias ainda dormia profundamente, então se encheu de forças e se levantou da cama, encarando de forma desconfiada aquela bola de luz translúcida, que a medida que Paulo caminhava também parecia se deslocar para longe do rapaz, suspensa no ar. Quando chegou na cama de Tobias, a bola de luz permaneceu ao lado da porta, como se estivesse esperando que Paulo acordasse o amigo.

Paulo tentou chamar e depois cutucou o rapaz, mas nada aconteceu, o que o fez imediatamente desconfiar da situação pois conhecia Tobias o suficiente para saber que ele tinha um sono leve.

— Tobias? Acorda, por favor!

Paulo chegou a tentar chacoalhar o amigo, contudo não teve sucesso e um arrepio passou pelo seu corpo. Era como se Tobias tivesse caído em um sono profundo... De repente associou aquilo com a bola de luz. O rapaz então se virou na direção daquela esfera misteriosa, mas se assustou ao perceber que ela conseguiu atravessar a parede.

— Que porra é essa?

Paulo correu na direção da porta e a abriu, apenas para perceber que o orbe de luz agora estava pairando sobre a mesa da sala de jantar.

Então percebeu que o quarto de Dominique e Talissa estava aberto e caminhou na direção do cômodo, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa a porta do quarto fechou em um rompante, batendo com força e provocando um alto som de impacto. De repente, escutou o mesmo barulho vindo atrás dele e notou que a porta do seu quarto também tinha se fechado. Paulo correu para abri-la novamente, todavia não conseguiu.

Ela estava trancada.

Sentiu o desespero passar pelo seu corpo, e aquela sensação só piorou ainda mais quando o orbe de luz começou a pulsar mais forte e consequentemente, aumentar a fonte de luz que cortava a escuridão da casa.

Foi quando a esfera seguiu para o cômodo do lado e o rapaz sentiu que deveria caminhar atrás dela, até chegar na cozinha. Ele não sabia explicar o que estava acontecendo, mas era como se aquele orbe estivesse o atraindo e querendo mostrá-lo alguma coisa, como uma mariposa que é atraída por uma luminária. Ao chegar no outro cômodo encarou o ambiente atentamente, até perceber uma pessoa parada do lado de fora da casa.

— André! — Ele gritou, desatando a correr pela cozinha. Abriu rapidamente a porta de correr e saiu para a área externa, até chegar no seu amigo que estava em pé no meio do gramado entre a churrasqueira e a piscina. O rapaz ainda vestia a camiseta regata branca e os shorts de pijama azul-escuro que tinha usado para dormir, permanecendo com a cabeça abaixada e os olhos fechados. Paulo então tocou no ombro do amigo, que sequer esboçou qualquer reação.

— André?

Não houve nenhuma resposta.

Paulo imediatamente pensou que o amigo estava tendo uma crise de sonambulismo, apesar de André nunca ter tido tal distúrbio. O mais novo já estava pronto para tentar levar o amigo de volta para casa quando ouviu o rapaz falando baixinho, ainda dormindo:

— Eles vão nos buscar.

— Que?

— Eles vão nos buscar.

— Quem?

Foi quando Paulo percebeu que algo os iluminava. O rapaz olhou para cima e no meio do belo céu estrelado estava o orbe de luz que o havia acompanhado dentro de casa. Sentiu um calafrio atravessar seu corpo enquanto o brilho do orbe diminuía progressivamente e a escuridão parecia crescer ao seu redor, até notar que aquelas trevas que surgiam em volta dos dois possuíam silhuetas humanas, com a exceção que estas eram estranhamente mais altas. Pouco a pouco, percebeu que elas os cercavam, surgindo misteriosamente à medida que a iluminação do orbe se dissipava.

— André, pelo amor de Deus, vamos sair daqui agora! — Paulo falou, tentando empurrar o amigo que mal se mexeu, parecendo mais pesado que de costume. O rapaz já estava transpirando de nervosismo, pois as sombras ao seu redor cresciam em tamanho, engolindo toda a claridade ao seu redor e transformando-se em único borrão negro que o observava atentamente.

— Eles...

— Foda-se eles, vamos logo!

— Eles já estão aqui. — André falou, uma última vez, antes de cair desmaiado diante dos olhos de Paulo. O rapaz então se ajoelhou diante do amigo, desesperado, e olhou ao redor mais uma vez. As sombras humanoides já tomavam conta da sua visão e não havia mais tentativa de escapar do abraço gelado da escuridão que se aproximava. O orbe de luz soltou mais algumas fagulhas e então finalmente se apagou, no momento em que Paulo abraçou André, que continuava caído no chão. Se fosse para o amigo ser levado, ele iria junto.

— André...

Envoltos nas trevas da noite, as sombras avançaram, engolindo os dois amigos na mais pura escuridão.

X-X-X

Paulo gritou.

— Meu Deus, você acordou! — A voz de André ressoou em seus ouvidos e Paulo encarou o amigo sentado na sua cama com uma cara assustada. Olhou um pouco desorientado ao redor, e percebeu que nada tinha se alterado, exceto pela cama vazia de Tobias.

— O que... O que aconteceu? Cadê o Tobias?

— Tá com as meninas na cozinha. — André respondeu. — Tá melhor, Paulinho?

— Melhor? Do que você tá falando?

— Cara, você estava tendo um pesadelo. Começou a gritar umas coisas desconexas... Aí eu e o Tobias acordamos na mesma hora, sabe como é, sono fraco...

Paulo permaneceu em silêncio, encarando André nos olhos, se lembrando de tudo aquilo que tinha vivenciado, desde a bola de luz até as sombras que o consumiram em pura escuridão. Então era tudo apenas um pesadelo? Por que parecia tão real?

— Eu fiquei aqui tentando te acordar e o Tobias foi chamar as meninas. Mas ao que parece elas também acordaram com os seus gritos.

— André. — Paulo falou, segurando forte no braço do rapaz naquele momento. — Eu sonhei com você.

— Que? — Ele perguntou, confuso e surpreso ao mesmo momento.

— Eu não sei, eu lembro que eu acordei aqui, e tinha uma... Uma bola, uma esfera, sei lá, que brilhava muito, suspensa no ar. E você não estava no quarto com a gente. Não sei o que me deu, eu segui essa esfera até o lado de fora e você estava lá.

André ficou alarmado no mesmo instante, mas apenas falou:

— Continua, Paulinho.

— Então. Você estava dormindo em pé do lado de fora da casa, sonâmbulo... E murmurava uma frase sem parar. Eu tentei te acordar, mas não consegui antes de...

— De?

— Sei lá, André. Eram meio que sombras escuras, que surgiram do nada e ficavam ao nosso redor. Mas aí elas começaram a se aproximar e você desmaiou. E de repente tudo ficou escuro.

— Caralho. — André falou, carregado de uma expressão de espanto.

— Foi horrível, André. Eu tentava te acordar, mas não conseguia...

— Foi tipo o que eu estava tentando fazer com você então...

— Paulinho, você tá bem? — Dominique falou, surgindo na soleira da porta com Talissa e Tobias, trazendo um copo de água com açúcar nas mãos para o rapaz, que pegou logo em seguida. — A gente ouviu tudo.

— Que coisa bizarra. — Talissa respondeu, enquanto Paulo bebia um gole da água açucarada. — Toma mais um gole, Paulinho. Você precisa se acalmar.

— Vocês... Vocês também estavam no sonho.

— O que? — Eles falaram em uníssono, assustados.

— Principalmente o Tobias. Eu lembro que tentava acordar ele, mas não consegui de jeito nenhum. E vocês duas a mesma coisa... — Paulo falou, respirando fundo.

— Que estranho... Mas foi só um pesadelo amigo, tá bom? Está tudo bem agora. — Tobias falou, tentando tranquilizar Paulo.

— É, foi mesmo. — Paulo respondeu, resoluto. — Tem que ser...

— Escuta, Paulinho. — André falou, tocando na mão direita de Paulo e causando um arrepio no rapaz que acabou segurando a mão do outro no mesmo instante. André percebeu o ato, contudo sequer se importou, continuando a falar em seguida: — Eu não quero fazer você relembrar, mas você disse que eu estava murmurando algo?

— Estava. Você falava que eles iriam te buscar. Nos buscar, na verdade.

— Eu falava isso? — André encarou os outros três amigos com os olhos arregalados. — Paulo, era isso que você estava gritando aqui no quarto. Que eles iam nos buscar, eles já estavam aqui.

Um silêncio opressor caiu sobre o quarto enquanto os cinco se entreolharam, sendo que Paulo estava claramente amedrontado com aquela revelação feita por seu melhor amigo.

— Acho que a gente deveria tentar esquecer disso tudo e dormir. — Dominique respondeu.

— Só tem mais uma coisa... Eu não quero criar medo, mas eu preciso falar algo. — Paulo disse, segurando forte na mão de André. — Aquelas sombras engoliram nós dois, mas eu tenho a impressão de que foi uma consequência do que eu fiz.

— Como assim?

— Eu não consegui fugir, fiquei com você. Mas André... Eu acho que aquelas sombras não me queriam.

— Você diz aquelas que estavam ao nosso redor, no seu sonho, enquanto eu estava sonâmbulo?

— Isso. Elas não estavam atrás de mim, André. Eu acho pelo menos...

O rapaz engoliu em seco antes de prosseguir, sentindo a mão de seu melhor amigo apertar a sua.

— Elas estavam atrás de você.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não esqueçam de comentar!