Notas iniciais
Boa leitura!

Fiquei olhando Christian conversando com Cleandro, esperando o pior. Já estava imaginando chegar em casa e falar pra o meu pai que fui demitida por que coloquei pimenta na comida de um Vitoriano. Talvez ele até apoie o que eu fiz. Eu em.

A conversa não demorou muito, mas eu sei que acabou com todos sorrindo e aperto de mãos. Depois Christian foi até Marcus no caixa e pagou a conta! Quê!? Como ele pode ter?...

Fui até Cleandro totalmente ansiosa pra saber o que aconteceu e quem ia ser demitido.

---Cleandro? O que aconteceu? ---falei tentando sair despreocupada.

---Ah sim, aquele garoto elogiou o espaguete de hoje. Disse que estava uma delicia e que a parti de agora irá almoçar aqui todos os dias. ---falou orgulhoso. ---Parabéns.

Meu queixo caiu. Fiquei tão chocada que nem consegui sair do lugar.

---O cara pagou a conta, você acredita! ---falou Matheus sorrindo vindo até mim, mas viu minha cara e se contraiu.

---Você não foi...

---Não. Não fui. ---falei. Ele me olhou confuso. ---Ele elogiou a comida!

---Ele o que? ---falou indignado.

---Já volto. ---fui até Clara e ela me olhava feliz.

---Cleandro me elogiou. Disse que aquele cliente maluco que pediu espaguete salgada gostou da comida. Eu em. ---falou sorrindo.

---Pois é. Estou chocada. ---falei sinceramente.

---Não podemos julgar o gosto dos outros.

---Tem razão. Mas aí já é demais. ---comentei saindo.

Fui lá fora pra tomar um ar e o encontrei encostado numa parede como sempre. Olhei pra ele irritada por ele ser tão perfeito.

---Por que fez aquilo? ---acusei.

---Se eu dissesse a verdade, você iria se prejudicar. ---falou simplesmente vindo até mim.

---Eu coloco pimenta na sua comida e você está preocupado em não me prejudicar?! ---falei abismada. ---E que mania terrível de me esperar nos lugares.

---Eu sei que você adora. Vi você me olhando na saída do jogo. ---falou sorrindo convencido. ---E quanto a sua ação hoje, não foi nada sensato da sua parte. Poderia ter sido demitida.

---Pelo menos não veria você. ---falei saindo estressada, ele me agarrou pelo braço e me fez encará-lo.

---Não sei por que está tão disposta a me afastar de você! Podemos ser amigos.

---Não quero ser sua amiga! Não podemos! ---falei me afastando dele antes que alguém visse.

---Ah então é por isso que você e aquele garoto da colheita do mal colocaram pimenta e sabe lá Deus o que na minha comida?! ---falou irritado.

---Sinto muito, ok? ---falei cansada. ---Foi errado, poderia ter prejudicado outra pessoa. Mas é que eu queria você fora da minha vida.

---Nem sempre a gente tem o que quer. ---falou sério. ---E não estou falando de você.

---Eu sou um desafio pra você, é por isso que você me quer? ---perguntei querendo despejar essas perguntas pra fora.

---Não. Eu... ---falou parecendo confuso. ---... Há algo que não me deixa ficar longe. É como se eu estivesse atraído por você. Uma atração forte.

Eu não consegui falar nada, por que sabia que ele falava sério. De algum jeito eu sabia.

---E eu sei que você sente o mesmo. ---falou vindo pra mais perto. No meio da calçada. ---Eu sinto. Quero que me dê uma chance pra eu provar que eu não ligo pra nada dessas coisas...

---Eu ligo! Você sabe que sim. E eu não vou desistir.

---Nem eu. ---falou obstinado. ---Geralmente eu consigo o quero. Principalmente quando eu quero muito. A gente se vê amanhã.

Pelo menos uma noticia boa. Amanhã eu não trabalho!

¨

Eu tinha um plano! Eu já sabia que Christian não iria me deixar em paz e até eu conseguia perceber que oralmente eu não era capaz de convencer ninguém, então no meio da noite tive uma ideia. Meu celular tocou na quarta feira antes de ir para o trabalho e já sabia que era o Matheus.

---E então?

---Você só pode ter enlouquecido! O que esse cara fez pra você? ---Disse espantado.

---Você fez o que eu te pedi, Matheus? ---perguntei impaciente.

---É claro que eu fiz. O que você não me pede sorrindo que eu não te dou chorando? ---falou.

---ótimo, não sei se vai dar certo. Mas pretendo que dê.

---Tem certeza de que ele tem medo?

---Quem não tem medo de rato? Principalmente se ele subir nas suas calças? ---falei tentando me convencer disso.

Cheguei no trabalho e dei de cara com Marcus que me olhou com uma expressão estranha, daquela que te diz: “eu sei uma coisa que você não sabe”.

---E então, loirinha. Abalando corações, não é? ---falou rindo. Eu o olhei, confusa. Do que ele estava falando?

---Hã?

---Um cara veio aqui perguntando por você. ---falou com um sorriso. ---Se eu não me engano, acho que era o do espaguete estragado.

---O que? Como você sabe?

---Eu sei de tudo que acontece aqui, loirinha. Agora voltando ao que interessa. Ele não viu você aqui e veio me perguntar. Eu disse que...

---Não me diga que você disse que eu só trabalho segunda, quarta e sexta? ---falei em pânico.

---Eu disse.

---Ai não.

---Ex namorado possessivo? Eu sei como é isso. Minha ex quase matou mina prima pensando que era minha namorada. ---falou em tom compreensivo.

---Não é nada disso! ---falei rapidamente. ---Ele... É complicado. Enfim... Isso quer dizer...

---... Que provavelmente ele vai estar aqui daqui a pouco. Sinto muito. ---falou rindo da minha infelicidade. ---Por que não dá o passa fora nele?

---Como assim? ---perguntei confusa.

---Chama a policia. Tem vezes que...

---Não! ---quase gritei. ---Desculpe, eh não. Não. Não é necessário. Vou dar um jeito nisso hoje.

---é claro. Boa sorte com isso. O cara parece que não vai desistir tão fácil de você não. ---falou e saiu. Fiquei olhando para o nada como se fosse minha única esperança. Por que tudo tinha que ser tão difícil? Por que ele não podia ser um cara normal?

---Hei! Tá tudo pronto! ---falou Matheus entrando na minha frente. ---O que está acontecendo com você?

---Nada. Ele, com certeza vai vim hoje. Acabei de ouvir a confirmação. ---falei. ---Não me pergunte. ---completei depois que ele me olhou confuso.

---Ok. Eu peguei um rato que parece de esgoto, sabe? Mas é limpo e sem nenhuma doença, então não se preocupe.

---Da onde foi que você pegou um rato desses? ---perguntei espantada.

---Minha tia cria... ---falou parecendo envergonhado. Tive vontade de rir, mas me controlei.

---Certo. Quantos você pegou?

---Peguei quatro. Por via das duvidas. ---Falou depois me olhou serio. ---Você sabe que isso pode espantar toda a clientela e pode até prejudicar os negócios e tal, não sabe?

---Sei. ---depois tive uma ideia. ---E se todo mundo souber o que a gente vai fazer?

---Quê? Falar com os fregueses? Você enlouqueceu? ---falou abismado. ---como vamos falar para os fregueses que soltaremos ratazanas nos pés deles?

---Daremos um jeito. ---falei e comecei fazendo o processo de convencer os fregueses de que estamos salvando o estabelecimento. Cheguei em todas ás mesas explicando o que iriamos fazer e por que, eu disse que faríamos para espantar um certo freguês pervertido, ainda acho que algumas pessoas não acreditaram nisso. Matheus olhava com cara de que iria explodir em gargalhadas a qualquer minuto enquanto eu falava.

Por fim eu consegui avisar á todos, mas poucos quiseram ficar pra ver o show e ainda perguntaram se amanhã vai ter.

---Não sei como você conseguiu, mas espero que dê certo por que ele já chegou. ---falou Matheus rindo apontando para o garoto mais lindo que eu já tinha visto. Ele usava calça jeans e uma blusa que caia perfeitamente com seu corpo, que parecia ser extremamente forte e... ---Olha lá, ele foi falar diretamente com Cleandro.

---Quê? ---olhei abismada para a direção em que ele estava. Christian falava com Cleandro seriamente e depois de um minuto olhou pra mim, Cleandro seguiu seu olhar e concordou meio constrangido. O que é que aquele maníaco falou de mim para o meu chefe?! Olhei para Matheus assustada, ele retribuiu meu olhar.

Assim que a conversa acabou Christian sentou numa mesa pra dois e esperou, parecia ansioso. Fiquei ainda mais nervosa. Cleandro veio até mim, completamente vermelho, o que achei estranho.

---Pode nos dar licença, Matheus? ---falou meu chefe. Matheus o olhou espantado.

---Pra quê isso?

---Vá logo e deixe de reclamação. É urgente. ---falou ele pra mim. Eu fiquei tão sem jeito que só consegui olhar para o chão. Matheus saiu carrancudo me deixando sozinha com uma provável péssima noticia. ---Sofia, você se lembra do cara do espaguete?

Como poderia esquecer?

---Sim.

---Ele está aí. ---falou constrangido. ---O caso é o seguinte, você o conhece de algum lugar?

Não sabia o que dizer, mas resolvi falar a verdade.

---Bem... Sim...?

---Ótimo! Eu pensava que ele era um tarado! Mas já que você o conhece, fará exatamente o que ele pediu.

---E o que ele pediu? ---perguntei assustada.

---Ele pediu que almoçasse com ele. ---falou sem jeito. ---Vai pagar o dobro se fizer isso.

---O quê? ---fiquei sem palavras. Eu estava com raiva, com certeza. ---Mas eu estou trabalhando!

---Eu sei, eu sei. E, acredite, se eu tivesse escolha não deixaria.

---O que? Ele te ameaçou de morte?!

---Dinheiro. Ele vai pagar o dobro! ---disse extasiado. ---Se fizer isso, vai nos ajudar bastante, Sofia. E é só um almoço.

---Não importa! E mesmo que eu o conheça de vista, não significa que ele não seja um tarado! Eu posso correr risco de vida...

---Não exagere, Sofia! É só um almoço. E eu vou ficar de olho nele. ---falou ele calmamente. ---A menos que você o odeie.

---Sim!

---Mas como pode odiá-lo se nem se conhecem? Você mesmo disse que o conhece de vista. Talvez seja hora de conhecê-lo melhor. ---falou. É disso que eu tenho medo. Se já tenho uma atração por ele sem nem...

---Eu não acredito que vai me fazer, fazer isso. ---falei em pânico.

---Não se preocupe, qualquer coisa eu chamo a policia. O que eu duvido que vá precisar... Ele parece gostar de você. ---falou.

---Só por que ele vai pagar o dobro se eu almoçar com ele?

---É obvio! ---falou e saiu da minha vista fazendo um sinal pra eu me juntar á ele.

Andei até a mesa me concentrando o máximo pra manter a cara mais enfezada do mundo, já que eu parecia uma idiota toda vez que o via. Ele me viu e sorrio torto como se soubesse que eu estava odiando.

---Que bom que aceitou. ---falou rindo. Sentei na cadeira e mantive minha cara emburrada.

---Fui obrigada. ---murmurei incapaz de falar claramente.

---Eu imaginava que não iria querer. ---falou e depois me olhou sério. ---Não tive escolha, se esse é o único jeito de fazer você me ouvir, que assim seja.

Não falei nada. Nem sabia o que falar também.

---Não faça esse bico. ---falou. ---Se há uma coisa que eu adoro que todas ás garotas façam é biquinho. Fica uma gracinha.

---Pode parar! ---joguei uma toalha nele. Ele riu. ---Nem venha ficar me contando do que você gosta que ás garotas façam. Eu saio daqui, juro.

---Não vou mais falar. Foi só um comentário sedutor, só isso. ---falou se rendendo sorrindo. ---Não precisa ficar com ciúme.

Cruzei os braços, estressada.

---Que obsessão, sabia? Por que não aceita que nem tudo que a gente quer, a gente pode ter?

---Bem, por que eu sei, que o que eu quero, você também quer. Só que a diferença é que eu tenho coragem de admitir e você não. ---falou sorrindo torto. Não consegui falar. Minha voz foi para o brejo. Olhei para os lados pedindo ajuda. Matheus pareceu entender e sumiu de vista.

Notas finais
Comentem, beijos!