Levantei-me da cadeira e vi Eleanor fechar a cara novamente.

– Gostaria de falar umas coisinhas, posso? – Perguntei me dirigindo a Phillip, que fez que sim com a cabeça; Theo olhou para mim com um olhar de advertência; Eleanor largou a colherzinha novamente no bowl com a mousse pela metade. – Bem para começar, peço que todos parem de comer, para evitar qualquer engasgamento.

– Que historia é essa Bella? – Perguntou o confuso Phillip.

– Só escute, irá entender logo. Bem, quando eu deixei você e Theo naquele apartamento lá no Brasil, fui acabar de uma vez com a sua falecida irmã – olhei para Eleanor nessas ultimas palavras – Amarílis. Acontece que eu consegui, decepei a cabeça ruiva dela e a embrulhei em um lençol da cama dela, e sai me achando vitoriosa pela porta, achando que todos os meus problemas haviam acabado. Eu estava errada. Assim que desci dois lances da escada, fui atingida por um tiro vindo de Ethan, que todos aqui sabem quem é. Ele me levou a força para uma das ilhas do arquipélago Trindade e Martim Vaz. Lá eu conheci uma garotinha irritante chamada Anny, que me odiou e me chamou de encomenda assim que eu desembarquei naquela maldita ilha. Fui levada á uma enfermaria, onde uma médica entojada me ajudou. Fui levada até um salão enorme, onde havia um trono, e que, no trono havia uma tal de Vossa senhoria, ela exigia ser chamada assim. Disse para mim que seu nome era Annelise Heliont, ou melhor, Condessa Annelise Heliont. – Vi Eleanor estremecer, e Theo colocar os cotovelos na mesa e me observar atentamente. – Disse que eu era a encomenda dela. “A melhor assassina sem antecedentes e sem ser pega já vista”. Noutro dia, tentei matá-la, mas ela foi mais rápida e se defendeu. Fui mantida dentro de meu quarto até o resto do dia. Ethan foi quem me ajudou por lá. Levantei-me no outro dia e vi que havia uma caixa com coisas necessárias dentro; coloquei dentro de uma bolsa e sai para o corredor, que estava vazio. Assim como o restante do prédio. Saí e fui até a beira do penhasco, Ethan me encontrou e falou que estavam querendo me matar, pois descobriram que Anny havia sido morta, e a principal suspeita era eu, e como ele tinha responsabilidade por mim, se eu fosse morta isso significaria que ele também iria ser. Fugimos de helicóptero, pulamos do helicóptero, pegamos um avião, ocorreu uma tempestade, pulamos do avião, chegamos pela praia de Santa Monica e viemos de ônibus até São Francisco. Lá descobri que, Ethan, Amarílis e a sua querida namorada – olhei aleatoriamente para Phillip e Eleanor que tremia de raiva – eram mandantes de Annelise, para me seqüestrar e levar até ela. E agora, provavelmente estão me caçando e sua queridinha ai, é uma das caçadoras que já deve ter dito onde estou e quantas armas eles devem trazer para me matar. Agora Phillip, entenda que eu não estou fazendo isso por mal, eu só quero te salvar desse ser que até pouco tempo ninguém sabia que ela existia. – Assim que termino de falar e vejo a cara chocada de Phillip e Eleanor se levantando da cadeira me preparo para o pior.

– Sua idiota! Você não tinha o direito! Vou fazer você pagar por isso te entregando de bandeja para Annelise! Você e esses idiotas que estão nesta sala! – Sinto uma mão invisível me jogar na parede com força o suficiente para deixar minha marca na parede.

Minha cabeça gira e minha visão fica turva, escuto gritos enfurecidos, mas não identifico de quem são.

– Bella! – a voz de Theo. – Ande temos que sair daqui.

Levanto-me com dificuldade e minha visão vai clareando aos poucos, vejo que Eleanor esta no chão e Phillip esta ao seu lado.

Pego uma faca que havia na bancada da cozinha, me livro dos braços de Theo e vu em direção a Eleanor. Jogo Phillip para lado com uma fúria descontrolada, miro a faca no pescoço de Eleanor, mas ela abre os olhos e segura meus braços.

– Acha mesmo que vai se livrar assim de mim? – Ela fala.

– Acho. – A faca corta seu pulso e ela me larga, o bastante para eu dar um soco no estomago dela.

Miro a faca no coração dela e cravo. Cravaria, se ela não me desse um chute invisível que me fizesse ser lançada para a beira da janela.

Vejo ela se levantar rapidamente e vir até mim; ela levanta braço e faz um gesto com a mão como se fosse me enforcar a distancia; era exatamente o que ela estava fazendo.

O ar estava sumindo de meus pulmões. Levava minhas mãos ao pescoço e não encostava em nada, não sentia pulsos ou mãos em lugar nenhum da minha garganta.

Senti a mão afrouxar e o ar voltar até mim; logo percebo o porquê, Theo jogou uma cadeira em Eleanor que cai no chão. Ele vai até ela com outra faca e a corta no rosto. Levanto-me e vou até ele; ele a imobiliza no chão enquanto eu corto a garganta dela. Com uma faca de serra fica difícil, mas é mais torturante.

Assim que eu consigo arrancar a cabeça ruiva de Eleanor e jogá-la com as veias e o sangue para o lado, vejo Phillip chorando encolhido na curva da bancada com a pia.

Jogo-me para o lado saindo de cima do corpo ensangüentado de Eleanor; Theo faz o mesmo.

Largo a faca e vou me arrastando até a janela, lá embaixo vejo vindo no começo da rua, uma fila de vans pretas, provavelmente de Annelise.

– Temos que sair daqui. – Falo.

– Concordo plenamente. Eu pego a bolsa. – Theo fala indo correndo para o quarto para pegar a bolsa de ombro, cheia de armas e facas.

Vou até Phillip, pisando no braço de Eleanor, quando percebo que ele está olhando fixamente para o corpo sem cabeça da amada, retiro o pé e vou até ele.

– Precisamos sair daqui Phillip. – Falo para ele.

– Porque você fez isso?

– Eu precisava, e nós não temos tempo para choro. Se quiser tentar me matar depois, á vontade, mas agora precisamos sair daqui. – Agarro o braço e o arrasto comigo.

– Vamos Theo! – Grito.

Theo vem com a bolsa e outras camisas, uma para mim e outra para Phillip.

Saímos do apartamento pelas escadas, igual ao que eu fiz ano passado, fugindo também, mas de pessoas realmente perigosas.