Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
7 Uísque
“Um som de um piano tocando uma melodia suave me desperta. Eu estava com um vestido branco esvoaçante, deitada em um grande salão com o piso de mármore cheio de detalhes. Levantei-me e olhei ao redor. Era realmente um grande salão. O som vinha detrás de uma grande porta branca que eu conhecia de algum outro lugar. Abri a porta e entrei. Dei de cara com Theo, tocando piano com um smoking impecável, cabelos arrumados perfeitamente e um sorriso maravilhoso estampado no rosto. Corri até ele; ou melhor, tentei, pois uma parede invisível não me deixava dar um passo para frente. Tentei gritar seu nome, mas não saia voz alguma. Vi que Amarílis, com os olhos repletos de escuridão, se aproximava atrás dele com uma faca grande o bastante para atravessá-lo, sem ele sequer perceber. Theo continuava tocando, absorto na melodia. Chutei, dei socos, gritei nada adiantou. Amarílis olhou para mim e deu um sorriso maléfico e por incrível que pareça, seus olhos brilharam e sua pele ficou pálida feito papel; seus braços ficaram finos e compridos, ela ficou mais alta e a sua boca se transformou em uma coisa horrenda, cheia de dentes pontiagudos na parte superior e inferior que se transformavam em um sorriso horripilante. Foi ai que ela se aproximou do absorto Theo, e o atravessou com a lamina, deixando-o com o olhar doce, paralisado e o piano, borrifado com sangue vermelho vivo. Eu parecia ter perdido o ar. Minhas pernas cederam e eu cai no chão, jogando as mãos para frente para me apoiar na parede transparente; só que a parede transparente havia sumido; eu estava livre. Cai no chão aos prantos, sem conseguir me mexer de ante da cena que via. Amarílis – ou o ser que ela era – havia sumido. A única coisa que parecia dizer que ela havia passado por ali era Theo, morto, caído em cima do piano com uma poça de sangue o circundando. “ Talvez isso aconteça.” “E você não conseguirá me impedir.”. Amarílis havia se posto em minha frente; agora, como uma pessoa normal. Estava novamente de vestido só que ele era igual ao meu; branco e esvoaçante.”
Acordei suando. E com Phillip me observando na parede oposta.
– Você está bem?
– Não.
– Com o que você estava sonhando?
– Theo. – Ele fez uma cara de ‘novidade’ – Morto. – Ele olhou para mim preocupado.
– Você sabe se isso é verdade?
– Imagino que não. Pois Amarílis disse que ‘isso talvez aconteça’ e que eu não poderei impedi-lá.
– Isso não é bom.
– Quanto tempo você está acordado?
– Acordei não faz muito. Sonhei que uma pessoa estava morrendo também.
– Theo?
– Não. Eleanor.
– Serio?
– Sim.
– Será que ela está bem?
– Sim, esteve aqui quando você estava dormindo. Acordei com ela me chamando.
– Ela queria o que?
– Ela disse para nos prepararmos que ela irá nos tirar daqui perto do meio dia. Pois Amarílis dorme de dia, e acho que agora recém é dez da manhã.
– Como você sabe que é dez da manhã?
– Não sei.
– Só o que nos resta é esperar então. – Me escorei na parede de novo.
Acontece que, demorou muito mais de que três horas para Eleanor chegar. Phillip estava errado.
– Oi Bella. Prestem atenção: vocês irão me obedecer, ok? Eu conheço tudo aqui dentro e sei que podem surgir pessoas das sombras, paredes, de qualquer lugar. Então, o melhor para vocês é me seguirem em silencio e me obedecerem. Se eu disser “corram!” vocês correm. Isso é preciso.
– Tudo bem. – Dissemos em uníssono.
Ela pegou uma chave e colocou em algum lugar na parede, e a cela se abriu. Percebi que na mão dela havia um corte profundo.
– O que aconteceu com a sua mão?
– Nada, agora silencio!
Saímos para o corredor, que na outra noite, eu não havia percebido que era muito extenso e cheio de portas.
Eleanor abriu uma porta que deu em outra porta, e em outra, e em outra, e que se mostrou um grande e complexo labirinto.
Até que saímos na escada do hall do casarão.
Tudo parecia silencioso demais.
Chegamos à porta da frente sem nenhuma intervenção.
– Mas e Theo? – Perguntei; já estava por perguntar isso á muito tempo.
– Deixem-no.
– Nunca! – Phillip falou, indignado.
– Deixem-no aqui por enquanto. Cuidarei, ou pelo menos tentarei cuidar para que ele fique vivo. E tirarei ele daqui como fiz com vocês. Agora me obedeçam e vão embora. Em breve dou noticias. – Na parte do ‘noticias’ ela olhou fixamente para mim. – Colocou a gente a porta fora e adentrou novamente o casarão.
O sol brilhava forte e quente na rua.
Tudo naquele casarão era tão frio, que eu senti uma forte mudança de temperatura quando fomos para a rua.
De algum modo, Phillip me convenceu a sairmos dali o mais rápido possível antes que Ethan ou qualquer outra pessoa aparecesse.
Ficamos andando, desolados, pela rua até chegarmos ao apartamento.
Quando chegamos, peguei um copo e coloquei uma boa dose de uísque e tomei em um gole só. Levei a garrafa para o quarto, tomei tudo e dormi.
Acordei e a minha cabeça doía.
Vi que no criado mudo do lado da cama tinha um copo d’água e um remédio. E um bilhete.
“Tome o remédio. Irá fazer bem, e eu sei disso. Fui cuidar da minha vida. Volto quando puder. Não se preocupe, não fugi nem nada disso. E irei voltar. Phillip.”
Levantei-me cambaleando e fui até o banheiro.
Tomei um banho, troquei de roupa e me deitei no sofá da sala. Comi o que havia na geladeira.
Eu olhava para a TV, mas nem prestava atenção. Eu não estava interessada naquilo. Eu queria tirar Theo daquele covil.
Confesso, fiquei um pouco preocupada com Phillip e com aquele recado que ele havia deixado. E se ele enlouquecer? E se ele for se entregar para Amarílis para salvar Theo? Ele não seria louco, nem idiota para chegar a esse ponto. Espero que não.
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