Uma claridade me atinge e eu fico cega temporariamente. Parecia que tinha um holofote direcionado para o meu rosto.

– Entre Srta. Bella Clainford. – Uma voz imponente, altiva e também um pouco familiar – feminina – fala meu nome.

Dou uma olhada para Ethan do meu lado sem parecer nenhum pouco atingido pela claridade.

– Vossa senhoria, — ele faz uma reverencia. – acredito que devo avisar que Bella é um pouco, antipática, digamos assim.

– Sei falar Ethan, obrigada. – Eu falo e ele olha para mim de canto de olho e se levantando da reverencia.

– Eu acredito caro Ethan, que a Srta. Bella sabe se portar muito bem diante das pessoas. E acredito mais ainda que ela aceitará de bom grado o meu pedido. – A voz fala em alto e bom som.

– Olha aqui, já estou indignada de me tratarem indiferentemente, cansei disso, e se responder significa minha morte, até nunca mais! – Grito virando as costas, com meus músculos duros de tensão; caminho em direção a porta, que se fecham antes mesmo de eu dar um passo.

– Srta. Bella, para sua devida segurança, acho que não seria muito educado recusar esta oferta. – A voz altiva continua.

– Que oferta? – Grito em resposta, ainda de costas. – Não fizeram uma única oferta para mim desde que eu coloquei os pés nesta mansão. Por acaso me perguntaram se eu queria vir até aqui? Não. Trouxeram-me com uma bala alojada na minha coxa em cima de uma maca e me largaram para uma médica entojada que gritou comigo e me sedou! E em algum momento me chamaram pelo meu nome a não ser agora? E que historia é essa que eu sou uma encomenda? Quem me encomendou? E eu não sou uma calça, um filme, ou algo do tipo para ser algo a ser encomendado! Então se falar de uma vez o que eu estou fazendo aqui, eu agradeceria muito!

Ouço uma risada alta e clara da tal Vossa Senhoria.

– Irei responder suas perguntas Srta. Bella. Bem vejamos: você é minha encomenda; eu a encomendei. Sinto muito pela recepção dos meus servos, eles não são tão acostumados a receberem pessoas novas aqui. A médica entojada eu acredito que seja a Sra. Crusoé. Não perguntamos a você se gostaria de vir aqui por vontade própria porque não sou tola; nem eu nem Ethan, Amarílis ou Eleanor. Todos nós sabíamos que você não viria até aqui sem provocar uma grande confusão; estudamos você há algum tempo. E a oferta é a seguinte: gostaria, não gostaria não, você vai digamos desaparecer com algumas pessoas para mim. Será recompensada, e viverá aqui nesta mansão incrível. Companhias não iram faltar.

Demoro um pouquinho para absorver tudo que aquele ser acabou de dizer.

Eles estavam me espionando? Eleanor estava do lado desse ser também? Amarílis não era a grande vilã então, mas sim essa tal de Vossa senhoria que não me agrada nenhum pouco.

– Então você está me contratando para ser assassina de aluguel?

– Basicamente isso, e não é bem um contrato é mais um mandato. Ou você faz, ou você faz. Simples assim. – Nossa muito simples!

– E se eu disser não? Que não vou matar ninguém só porque uma Vossa senhoria qualquer está me mandando? Vão fazer o que? – Logo sinto pontas do que eu imagino que sejam facas nas minhas costas inteiras, que vão desde a nuca até o meu tornozelo. Se eu der um passo para trás, fico com mais furos que uma peneira.

– Acho que a resposta foi bem clara. – O holofote que estava focado em mim todo esse tempo se junta a outro que foca em um trono em cima de um altar. Lá em cima, uma mulher com longos cabelos pretos cacheados usando um manto vermelho com fios dourados – que eu imagino que sejam de ouro.

Ela está com luvas pretas lustrosas e uma espécie de cajado em sua mão; o tal cajado é coberto de pedras preciosas que vão de rubi á diamante com detalhes em ouro.

Em sua cabeça, uma coroa simples de diamantes deixa seus cabelos mais escuros que já parecem ser.

Da onde saiu esse ser?

– Quem é você? – Pergunto; as facas ainda me cravam as costas.

– Meu nome é Annelise Heliont, prazer. – Diz ela vindo até mim e me dirigindo a mão para um aperto; as facas logo se afastam como todos na volta se ajoelham e fazem reverencias.

– Como você bem sabe: Bella Clainford. – Estendo minha mão e a cumprimento.

– Foi bom fazer negocio com você Srta. Clainford. – Ela abre um sorriso que eu percebo que é um tanto quanto falso.

Ela vira as costas e caminha lenta e elegantemente até uma porta que tem quatro guardas vestidos de preto com seu nome bordado em vermelho.

Tudo aqui é muito extravagante.

Os holofotes se apagam e Ethan se levanta do chão e vem até mim.

– Vamos? – Ele pergunta.

– Aonde?

– Arrumar nossas coisas.

– Nossas?

– Acha que ele iria deixar você viajar sozinha? Sabendo que seu amiguinho médico tolo e o seu namorado esquisito estão lá fora? Não se iluda Bella.

Nesta mansão, não consigo falar com Lucas pelos sonhos; parece ter um tipo de bloqueio por aqui. E eu sei que se eu não fizer isso, eu morro.

Poderia muito bem ter avisado Theo e Phillip, mas não, optei por seguir minha mente extremamente idiota e vim parar aqui. Não lembro nem quantos dias já se passaram desde que eu parei aqui. Imagino que sejam três ou quatro. Não importa, foi tolice.

Ethan me acompanha até o meu quarto/salão e diz para eu me preparar.

– Partiremos amanhã cedo. E quanto a sua arma: retiramos ela de você, para sua devida segurança. – Ele sorri e fecha a porta, me deixando sozinha com meus pensamentos que ainda vão me levar á morte.