Pousamos no meio do pasto.

E eu torci meu tornozelo.

Nos livramos dos pára-quedas e fomos andando até acharmos a pista.

– Você está bem? – Perguntou Ethan enquanto andávamos.

– Não, torci meu pé.

– Deixa eu te ajudar. – Ele veio até mim e eu me apoiei nele.

– Porque me ajudou a fugir?

– Porque a responsabilidade de cuidar para que você não fizesse nada era minha, e como eu já lhe disse: se você morrer, eu morro, se querem te matar, vão me matar também. Então, como eu gosto muito de estar vivo, ajudei você. Vamos ter que colaborar, não vamos nos matar, porque eu não fugi de lá para não morrer nas mãos de Annelise não significa que eu queira morrer pelas suas mãos está entendendo?

– Não posso prometer que não vou te matar, isso seria burrice. – Ele olhou para mim. – Mas posso prometer que vou tentar não te matar.

– Digo o mesmo.

Quando chegamos à pista de vôo encontramos apenas um avião, que por sorte, tinha combustível o bastante para chegarmos a algum lugar longe.

Entramos no avião e Ethan foi quem pilotou; quando chegamos às nuvens falei:

– Eu preciso falar com Theo, ou com Phillip. Eles irão nos ajudar.

– Não tenho um telefone caso não tenha percebido.

– Vou dormir, importa-se de ficar sem uma co-pilota?

– Não.

– Então ta; qualquer coisa me acorde.

Fui para um dos assentos e tentei pegar no sono. E consegui.

“Estou dentro da mansão de Amarílis. Vejo pessoas em trajes pretos subindo a escada e as sigo. Elas estão indo para o quarto onde eu a matei. O corpo ainda está no mesmo lugar que eu deixei, mas a cabeça desapareceu. As pessoas de preto pegam o corpo de Amarílis e colocam em um daqueles sacos pretos funerários e lacram. Fico assistindo tudo. – Onde está a cabeça dela? – Pergunta um homem; o outro responde: — Ninguém sabe; não acharam em lugar nenhum. Só acharam um bilhete que dizia alguma coisa relacionada à ‘ninguém nunca vai descobrir!’Ninguém precisa saber’, coisas sem sentido algum. – respondeu o outro.n Fiquei assistindo aquilo boquiaberta. Todos estão querendo me incriminar. Tudo bem que eu matei mesmo Amarílis, mas eu não escrevi nada, muito menos peguei a cabeça dela para guardar de lembrança! As pessoas pegaram o corpo de Amarílis e desceram as escadas. Desta vez não os segui. Aproveitei meu sonho para investigar esta mansão. Entrei em todas os cômodos que haviam na parte de cima e não havia nada de anormal, exceto por conter uma sela em cada, é claro. Desci as escadas. Tudo normal, até eu achar um compartimento atrás da geladeira que levava a uma espécie de laboratório/escritório. Abri um armário de vidro que estava cheio de ampolas com um liquido lilás dentro; não tinha rótulo. Na mesa havia varias folhas espalhadas com um monte de cálculos e formas. Números e letras; palavras esquisitas como se fossem nomes de remédios. No computador, que era sem senha, havia varias fotos de documentos com palavras estranhas que eu não reconhecia. Saí do computador e fui para a parte de laboratório. Achei outras ampolas que no rotulo diziam que eram sangue de alguma coisa que eu interpretei como kylumns. O que seria kylumns? Sai do compartimento e resolvi ir embora digo, acordar. Já que a única coisa que eu consegui aqui foi descobrir que a cabeça de Amarílis sumiu e que ela tinha um laboratório muito estranho em sua casa.”

Abro os olhos e vejo que estamos no meio de uma tempestade.

Relâmpagos cortam o céu.

– Meu deus Ethan! Precisamos pousar urgentemente!

– Ah é serio? Nem percebi! Não estou enxergando nenhuma pista de pouso para pousarmos querida!

– Onde estamos?

– E-eu não sei. – Falou ele baixinho.

– Você o que? – Gritei.

– Eu não sei onde estamos ok! – Gritou ele em resposta.

– Precisamos pousar... – Não consegui terminar a frase, pois bem na hora um raio atingiu a asa direita do avião e desestabilizou todo o resto, nos levando direto para baixo.

– Ai meu deus Ethan!

– Agora sim, vamos morrer!

– Não, não vamos! E cale essa boca, vamos ter que saltar novamente!

– Não temos pára-quedas!

– Temos sim, dois; uma para cada, mas o problema é que vamos saltar no meio de uma tempestade e não sabemos se abaixo de nós tem água ou terra!

– Só nos resta pular!

– Tenta estabilizar nem que seja um pouco o avião, senão vamos ter que aguentar a pressão aqui em cima e possivelmente morrermos assim que abrirmos a porta. – Falei.

Ethan correu para tentar estabilizar o avião, mas não adiantou nada, só fez avião dar uma guinada rumo a nossa morte.

Ele voltou correndo pegou as bolsas.

– Temos que pular agora. – Falou seriamente.

– Ok, prepare-se, vou abrir a porta.

Abro a porta e parece que o avião se desestabiliza mais ainda. Uma lufada de vento nos suga para fora do avião.

Abro o pára-quedas enquanto ainda tenho consciência, porque sinto que estou prestes a perdê-la

– Bella! – A voz de Ethan me parecia tão longe. – Bella! Bella não desmaie! Bella! – Abri os olhos. – Ao seu lado Bella! – Virei minha cabeça para o lado, o que só me ajudou a ficar mais tonta. Ethan estava lá.

– Onde estamos?

– Acho que nos EUA!

– Em alguma cidade?

– Bem provável. – Virei minha cabeça para baixo e só vi água.

– Ethan é possível estarmos no oceano?

– Também, por quê?

– Olhe para baixo! – Vi que ele olhou.

Vi também que havia uma praia, imagino que seja o píer Santa Monica, na Califórnia.

– Meu Deus.

– O que foi?

– A vista daqui de cima é maravilhosa. – Falei alto para que Ethan escutasse. – Theo amaria isso aqui. – Sem querer deixei uma lagrima escorrer pela minha bochecha.

– Estamos quase alcançando o solo, temos que planejar alguma coisa. – Falou Ethan.

– Que tal fingirmos que somos fugitivos de um tipo de máfia que me encomendou para ser uma assassina de aluguel? Desculpa, esqueci que somos isso mesmo.

– Há-há. É serio. Poderíamos fingir que somos professor e aluna que você estava passando por um teste.

– Com bolsas?

– Qual é o problema das bolsas?

– Deixa para lá, se alguém perguntar falamos isso. Senão só encenamos uma cena em que você diz “parabéns pelo vôo!” e eu digo “muito obrigada, foi emocionante!” e saímos andando pela praia calmamente, depois, corremos. – Falei.

– Tudo bem, vamos lá.