Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
18 Passeio
Eu arrastei uma poltrona para a beira da janela, peguei uma manta e me sentei para ver chuva cair lá fora. Entediante? Muito.
Entediante até Ethan chegar e me trazer o almoço.
– Olá Bella. – Ele entra com uma bandeja e um sorriso no rosto.
– Oi. – Falei com um mau humor estampado na minha fala.
– Vi que você não está tão animada quando estava mais cedo. – Como não falei nada, ele continuou. – Trouxe o seu almoço. Espero que goste de camarão.
– Pode deixar ali na mesa, depois eu como. Porque pelo visto tenho o resto do dia inteiro para ficar dentro deste quarto, presa.
– Você não deu muita escolha não é mesmo? – Ele ri; reviro os olhos. – Ah pare, não é tão ruim assim.
– Ah desculpe-me se ofendi o Sr. E a vossa senhoria com a minha incrível habilidade de não aguentar ser mandada! – Me levantei da poltrona e fui ao frigobar que eu havia descobrindo recentemente que tinha de tudo: vinho, champanhe, água, suco, uísque e mais. Peguei uma dose de uísque e mais outra, e mais outra. No fim tomei três até Ethan tirar o copo e a bebida de minhas mãos e colocar novamente no frigobar.
– Para com isso Bella! Se embebedando não vai ajudar em nada! Troque de roupa, vamos dar um passeio.
– Serio? E vão deixar você sair daqui comigo?
– Claro, como dizem: você está sob minha responsabilidade. – Ele sorri.
– Espere. – Sai e entrei no closet e peguei um vestido mais solto, que me de flexibilidade, coloquei umas botas altas e prendi meu cabelo firmemente.
– Já? – Ele estava tomando uma tacinha de vinho.
– Sou rápida. Você já deve ter percebido. Vamos? – Tentei não deixar transparecer minha alegria por sair daquele quarto extremamente tedioso.
– Claro. – Ele me deu o braço. – Madame?
– Realmente isso é preciso?
– Sim se você quiser sair daqui.
– Está bem. – Dei um suspiro, o que só o fez abrir mais o sorriso.
Ele abriu a porta e os guardas ficaram nos encarando.
– Rapazes, irei dar um passeio com esta moça. Não precisa seguir-nos, não vamos muito longe. Ela está sob minha responsabilidade.
– Mas senhor...
– Mas nada. Sei o que estou fazendo. – Ele virou as costas e nos apressou pelo corredor.
Chegamos ao hall onde Syeran, pela primeira vez desde que cheguei aqui, estava serio e lia atentamente uma carta. Quando levantou os olhos, chamou uma mulher morena e alta, que me lembrou muito Beth, que pelo visto iria ficar ali no lugar dele. Syeran saiu rapidamente e passou por nós sem nem perceber e foi rapidamente para o corredor que levava ao grande salão.
Ethan olhou para mim e disse:
– Melhor ainda, aquele papagaio de pirata me odeia. Venha vamos rápido antes que ele volte.
Pegamos um guarda-chuva, que eu achei incrivelmente grande e saímos pela porta principal, onde eu entrei em cima de uma maca quando cheguei aqui. Um helicóptero estava levantando vôo bem na hora em que saímos.
Uma idéia louca me passou pela cabeça: — novidade. – se eu saísse correndo e pulasse no helicóptero igual aos filmes, será que eu conseguiria?
Desisti dessa idéia assim que o helicóptero rapidamente atingiu os ares.
Fomos andando até a cerca que ficava á beira do precipício. O vento batendo em nosso guarda-chuva e molhando a barra do meu vestido.
– Você não sente medo? – Ethan perguntou olhando para as ondas indo e voltando ao bater nas pedras lá embaixo.
– De que especificamente?
– Disso. Um mar com milhões de profundidade, rochas pontiagudas, essa altura.
– Não. Não mais.
– Como conseguiu?
– Porque não conseguir? – Ele olha para mim.
– Você é louca.
– Será que você também não é?
– Os loucos sabem quando estão loucos? – Ele voltou a fitar as ondas; lembro-me de ter me perguntado isso há uns meses antes.
– Eu não sei. – Percebi que Ethan estava frágil, como ele me chamou um pouco mais cedo. – Venha, vamos entrar. Temos um plano para pensar e pessoas para matar. – Ele desviou o olhar das ondas e fitou meus olhos; desviei rapidamente e arrastei-o comigo lá para dentro. Meus pés estavam encharcados.
Assim que entramos no hall e deixamos o guarda-chuva em um porta guarda-chuvas, Anny – a criança que eu não via desde o primeiro dia. – se postou em nossa frente com aquela carinha petulante.
– O que estava fazendo lá fora com a encomenda? – Perguntou ela obviamente se dirigindo a Ethan.
– Passeando, vendo a chuva...
– Ela tem ordens restritas de permanecer em seus aposentos até a chuva parar.
– Vá mandar em outra pessoa Anny. Não vou ser mandado por você. – Seguimos reto e passamos por ela.
Eu não estava esperando que aquele monstrinho colocasse o pé na minha frente e eu tropeçasse praticamente caindo de boca no chão. Sorte que Ethan me segurou, porque não restaria um fio de cabelo na cabeça daquela criançinha demoníaca. Ela riu da minha cara, em alto e bom som, atraindo toda a atenção do hall para nós.
– Vamos Bella, não cai nas pegadinhas dela. – Ele apertou meu braço e me arrastou para o corredor do meu quarto, deixando o projeto de Amarílis para trás.
– O que aquele serzinho insignificante tem contra mim? – Perguntei quando chegamos em meu quarto. Sentei-me na poltrona e retirei as botas encharcadas da chuva.
– Não sei. Provavelmente não gostou da sua cara.
– Ah é mesmo? Nem percebi. – Falei, com meu mau humor voltando. – Aquele projeto de demônio quase quebrou meus dentes me dando uma rasteira!
– E você quase perdeu os dentes por causa de uma criança não percebeu? – Obviamente ele estava se divertindo muito com isso.
– O que uma criança faz aqui? Por acaso ela manda em alguma coisa?
– Manda e muito. Ela é a irmã mais nova de Annelise.
– Quantos anos ela tem?
– Não sei. Ninguém sabe, exceto ela e Annelise. – Reviro os olhos. – Bem vou ter que ir, tirar esses sapatos que não são nenhum pouco confortáveis quando estão molhados. Volto mais tarde para trazer seu jantar.
– Obrigada, tchau. – Ele sai com um sorriso e eu vou novamente ligar a banheira.
Dessa vez a intenção é realmente tomar um banho quente para relaxar; minha cabeça ainda dói de eu ter sido atirada na parede. Penso em tomar um remédio, mas desisto, pois lembro que tomei uísque.
Escolho uma camisa de flanela vermelha e preta e uma leggin preta para botar depois do banho.
Entro na banheira bloqueando todos os tipos de pensamento de fundo de poço e penso somente nas minhas táticas de matar pessoas e nas táticas que eu já usei.
Isso me lembrou da primeira pessoa que eu matei um ajudante de Theo chamado Joseph; matei-o com um tiro.
Na época que eu achava que Theo queria me matar; engraçado, depois descobri que ele só queria me salvar das pessoas.
Eu não facilitei em nada também; matando seus ajudantes e todos os outros.
Uma matança sem controle.
E a culpa? Ainda não sei onde ela está, mas que se mantenha bem longe de meus pensamentos.
Fale com o autor