Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
17 Lista
Syeran está como sempre com aquele sorriso de comercial de creme dental petrificado.
– Olá novamente.
– Srta. Clainford! – Ele alargou mais ainda o sorriso.
– Poderia me informar se a vossa senhoria está presente na mansão? – Ele diminui o sorriso.
– Desculpe, mas qual seria o assunto da Srta com ela?
– Garanto que é do interesse dela. – Deixo meu sorriso um pouco mais suave.
– Só poderá falar com vossa senhoria acompanhada do Sr. Ethan. – Inferno.
– Onde ela se encontra?
– No grande salão.
– Aquele no qual eu fui apresentada a ela?
– Exatamente. Mas lembre-se que só poderá ficar na presença dela acompanhada do Sr. Ethan.
– Está bem, obrigada. – Desisto do sorriso; não irá me levar a nada. Virei-me de costas e sai.
Virei à cabeça para trás e vi que Syeran ainda me observava. Algo nele me deixa extremamente desconfortável.
Esperei que alguém fosse pedir alguma informação, mas ninguém chegou ali então sai e fui em direção ao grande salão.
Uma horda de guardas impassíveis se postavam em frente à grande porta. Mesmo assim tentei.
– Olá. – Falei cantarolando, e nenhuma reação deles. – Estão bem? Parecem cansados... – Nada. – Vossa senhoria está ai? – Nenhuma reação. – Ela esta me esperando...
–... Não, não está. Se estivesse seriamos comunicados, agora mantenha a distancia para sua devida segurança. – Falou grossamente um dos guardas robustos, esperando que eu me sentisse atingida.
– Será que avisaria? Desde quando ela deve satisfação a algum de vocês? – Falei em um tom calmo, que pelo jeito o atingiu, pois ele deu um suspiro.
– Srta. Por favor, afaste-se.
– Senão o que? Vai me jogar no mar como uma oferenda? Acho que a vossa senhoria não gostaria que a sua encomenda fosse jogada aos tubarões. – Falei olhando para minhas unhas, que necessitavam urgentemente de uma manicure; tirei os olhos das minhas unhas e vi que os guardas se entreolhavam. – Vão me deixar entrar agora?
– Com três guardas. – O guarda veio para frente da horda.
– Um, ela não quer muitas pessoas. Não mais do que já tem lá dentro. – Blefei.
– Dois e nada mais. – Os olhos castanhos mostravam seriedade.
– Um. – Não sai do lugar.
– Tudo bem, mas em qualquer sinal de confusão, espero que você saiba nadar. – Ele sai do caminho e aponta com a cabeça para um guarda alto e forte e que parecia um armário. – Joseph vai acompanhar você. – “Ótimo, mais um Joseph para minha lista.”, pensei.
– Ok, mas saiba que isso irá ser comentado em nossa conversa. – Empino o nariz e faço um sinal para os guardas abrirem um dos lados da porta para eu entrar, como uma perfeita esnobe.
Até agora, meu plano tem dado certo.
Assim que fecham a porta, eu olho ao redor, ao perceber que ainda há um longo caminho até a portinha no canto da sala e que este salão está vazio, dou uma rasteira no guarda, que obviamente não estava esperando isso. Ele cai no chão, mas me levando junto; minha queda é amortecida por o monte de tecido do vestido. Tento levar minhas mãos até o cordão que prende todo o vestido para poder me livrar dele, mas o guarda está tentando me imobilizar, e não consegue. Dou um chute nos seus ‘países baixos’, mas parece que ele não é atingido, apenas da um sorrisinho.
Imagino que todos eles tenham um protetor genital, pois com um chute feito o que eu dei, não havia como ele não sentir nada. Alcanço o cordão nas minhas costas e desprendo o meu vestido, mas ainda tentando me livrar daquele guarda burro, pois se fosse eu no lugar dele, já havia chamado os outros.
Consigo levantar ele com as minhas pernas e dar outro chute mirando em qualquer lugar, desde que aquele armário se mantenha longe o bastante de mim para eu me livrar daquele monte de pano.
Acontece que – não sei como – o chute atinge o ombro dele, ou melhor, o salto do meu sapato atinge o ombro dele. Ele se afasta – pois o deixei em pé, e eu atirada no chão –, mas logo volta a me puxar pelo pé. Ele me arrasta em círculos rápidos o que me deixa tonta, e quando pega velocidade ele me solta. Bato com tudo na parede; minha explode em uma dor de cabeça, mas pelo menos consigo me livrar dos panos do vestido. Minha visão está turva, mas vejo o segurança indo até as grandes portas; consigo clarear minha visão em poucos instantes e vejo que estou do lado da porta pela qual Annelise desapareceu ontem; me apoio na parede e me levanto, dou uns poucos passos até a porta e abro e entro.
– Srta. Bella o que faz aqui? – Annelise estava sentada na beira de um lareira em um vestido azul comprido e saltos; e ainda com a coroa na cabeça.
– Desculpe vossa senhoria, não agüentei mais ficar isolada em meus aposentos. – Minha voz soou tão falsa que nem eu mesma a reconheci.
– Você não estava confinada nele Srta. – Ela me olha seriamente, talvez até com uma pontada de medo.
– Desculpe novamente é que seus guardas são muito hostis e praticamente me espancaram quando fui sair de meus aposentos, então queria contar isso a vossa senhoria. – Ela largou a taça de vinho em uma mesinha perto da lareira e foi até a janela enorme.
– Cara Srta. Bella, não se deve entrar assim nos aposentos das pessoas.
– Desculpe, Sra.
– Lembre-se que se me matar estará morta no mesmo instante querida.
– Então, irei correr o risco. – Salto em sua direção com um castiçal em punho e então ela se vira e mira uma arma em mim.
– Se eu fosse você, não dava mais nenhum passo. – Ele me olhava seriamente com a arma pronta para atirar, diretamente na minha cabeça. – Largue o castiçal. – Não larguei; era a única forma de me proteger. – Largue o castiçal. – Ela não levanta a voz, apenas a abaixa mais. – Bella, Bella, ouvi a sua fama de ser rápida, por isso a encomendei. Mas não ache que sou tola igual à Amarílis, sou muito, muito melhor; ou pior, dependendo do ponto de vista. – A porta se abre e a metade da horda de guardas entra pela porta, cada um com uma arma em punho. – Vá. Guarde suas habilidades para as pessoas da minha lista. – Ela abre um sorriso malicioso e abaixa a arma, enquanto os guardas me imobilizam e me levam novamente para o meu quarto/salão.
Fico praticamente presa pelo resto do dia, até Ethan vir me visitar e trazer meu almoço.
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