Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
13 Enfermaria
Havia médicos, enfermeiras, cirurgiões, dentistas: tudo. Claro que de acordo com uma placa bem grande que estava pendurada na parede.
Ethan me guiou com a maca até um balcão onde se encontrava um secretario, que pelo pouco que eu enxergava, estava uniformizado com um jaleco preto com seu nome bordado em vermelho.
– Veja só quem ainda está por aqui, Syeran. – Falou Ethan em um tom desafiador e cantante.
– Sr. Ethan, como vai? – Syeran respondeu no mesmo tom de Ethan.
– Muitíssimo bem, obrigado. Syeran, por favor, diga que a encomenda chegou, digamos um pouco, danificada. – Ele abriu um sorriso mostrando todos os dentes perfeitamente alinhados. Eu não estava gostando nada de ser chamada de encomenda.
Pouco depois uma médica baixinha com o cabelo ruivo escuro meio preso dentro de uma touca apareceu. Também com o uniforme preto e o seu nome bordado em vermelho.
– Isso é a encomenda? – Fala ela com uma mascara em seu rosto o que me impede de ver a expressão do seu rosto. Estou cansada de ser chamada de isso.
– Sim, dei um tiro nela e pelas sua palavras, ainda está alojada na coxa na perna direita. E cuidado, ela é perigosa e irritante.
Ethan me deu um ‘tchauzinho’ enquanto a doutora me levava pelo extenso corredor cheio de alas.
Ela fez uma curva brusca que eu quase cai da maca, entrando em uma sala de cirurgia pronta para me receber.
Sem ninguém me dirigir uma pergunta, injetaram o que eu acho que seja anestésico com uma seringa diretamente no meu pescoço e logo eu não conseguia mexer meus membros. Entrei em desespero e na minha mente, tentava me debater e sair dali o mais rápido possível. Coisa que não era possível.
– Fique quieta! Não vai querer que por engano eu abra toda sua cabeça em vez da perna, não é? – Falou a médica ruiva, e quando eu menos espero, sinto outra agulha me perfurar o pescoço e minha visão ficar turva.
Apaguei.
– Ei Bella, acorde... – Uma voz melodiosa me acorda. E a surpresa é maior quando eu abro os olhos e me deparo com Lucas.
Não, não é Lucas, e sim Ethan, praticamente em cima de mim. Meu Deus como eles são parecidos. Tão parecidos que eu quase tenho um infarto.
– O que fizeram comigo? – Percebi que a minha voz saiu meio falhada, mesmo porque eu ainda estava meio grogue com os anestésicos.
– Nada querida, ou devo te chamar de encomenda? – Ele abre um sorriso maléfico e ao mesmo tempo inacreditavelmente lindo.
– Ah cale a boca, por favor. – Percebo que a única dor que sinto é de cabeça; não sinto dor alguma na minha perna.
Outra coisa que eu percebo é que eu estou em um quarto com paredes de tecidos vermelhos e dourados, com grandes janelas e cortinas que devem pesar mais que eu.
– Por acaso eu estou no palácio da rainha Elizabeth?
– Não, não. – Ele dá um de suas risadas melodiosas, jogando a cabeça para trás. – Apesar de parecer, estamos apenas em uma mansão muito bem decorada. Logo, você irá conhecer Vossa Senhoria.
– Por acaso, — repito – essa tal de ‘Vossa Senhoria’ foi quem me encomendou? – A raiva voltando a aflorar.
– Foi sim, sente-se melhor? – Me apoio para tentar me levantar e me encostar na cama e Ethan me ajuda, se levantando e levantando o travesseiro, que percebo, que tem vários na minha volta.
– Sim, obrigada. Ethan posso perguntar uma coisa?
– Já perguntou, mas fale.
– Por que você está me ajudando, sendo educado comigo e tudo mais? – Ele se levanta e senta na beira da enorme cama.
– Eu francamente não sei Bella. Alguma coisa em você não me faz querer matá-la, ou torturá-la, apenas ser sarcástico. E quanto à educação, não tem porque eu ser grosso com você. Você não me fez nada. E eu estou apenas cumprindo ordens de traze-lá até aqui. Agora se já se sente melhor, arrume-se. Estarei esperando ali fora, e não tente fugir. Tem guardas em toda ponta por aqui, em lugares que você menos imagina. – Ele abre um sorriso e sai pela porta.
Me levanto e vou até as varias portas que tem naquele enorme quarto que parece mais um salão.
A primeira porta que abro é um closet enorme com vários vestidos dignos de serem usados em frente à rainha mesmo. Sapatos, jóias, acessórios, bolsas, tudo. Em uma parte bem afastada daquela havia umas cinco ou seis calças e umas doze blusinhas.
Escolhi uma calça imitando couro preta, uma blusinha de botão e renda branca, e uma sapatilha de renda preta. Tudo bem simples.
Bem que eu gostaria de usar aqueles vestidos magníficos, mas a ocasião me impede. Imagina só se na minha mente conturbada eu invento de arranjar uma briga?
Lavo o rosto e penteio meu cabelo em um coque alto.
Volto para o salão/quarto/aposento real e saio.
Ethan está encostado de forma casual com as mãos nos bolsos da calça jeans. Vou descrever seu estilo de hoje.
Camisa branca simples de botões, sendo que os três últimos estão abertos; calça jeans escura e sapatos estilo reunião de empresa pretos e lustrosos. Os cabelos platinados estão daquele jeito desarrumado de propósito, que o deixam um irresistível, resistível.
Ethan é realmente muito lindo, perigoso e tudo mais, mas Theo é quem eu amo.
Será?
– Vai ficar apenas me observando e desejando me ter ou irá me acompanhar? – Ele desencosta da parede e fica de costas para mim.
Dou uma leve corridinha até o lado dele, e vejo que não sinto dor alguma.
– Quantos dias eu dormi?
– Um. Como você não calava a boca na sala de cirurgia tiveram que calar sua boca de algum jeito, neste caso, te sedando. – Ele faz uma pausa e continua. – Poderiam muito bem terem me chamado.
– Por quê? O que faria? – Isso parece um flerte? Obvio. Mas ele não responde, apenas da um sorrisinho com o canto da boca, que eu interpreto como uma resposta.
– Chegamos. – Diz ele parando em frente a uma porta enorme com seis guardas por perto, e que quando avistam Ethan, logo abrem caminho.
Observo a grande porta se abrir e me mostrar o caminho para minha possível morte.
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