Ninguém
1 Capítulo 1
E ela acordou. Acordou como se o dia que viria a viver fosse mais um dia normal, um dia normal na vida de uma simples garota. Mal ela sabia que esse dia lhe reservava surpresas.
No caminho para a escola não viu ninguém, exatamente, ninguém. Não havia se quer uma pessoa na rua, as casas, as lojas, todas estavam fechadas.
Chegando ao local, percebeu que o mesmo igualmente se encontrava fechado. Não via nenhum aluno, nenhum professor. Ela não via ninguém. O que havia acontecido com todos? Será que era apenas um sonho? Será que todos haviam partido?"
No mesmo momento, ela se desesperou, começou a correr e gritar, em busca de alguém, de alguma outra voz perdida, mas ninguém respondia, ninguém aparecia...
Ela estava sozinha, sozinha em uma cidade, sem amigos, sem pais, sem pessoas, sem vidas...
Correu para as outras casas, estavam abertas, mas, dentro delas havia silêncio. Apenas móveis, espaços vazios, lacunas frias de solidão e o cheiro do abandono que a abraçava em convite para uma xícara de chá.
O que há de ter acontecido naquele dia?
Foi então, que sentiu um cheiro familiar de terra molhada e lembrou-se das tardes de verão, o mundo vivia a mesma rotina e ela passava seus momentos em um lago bem próximo dali.
No mesmo momento, tomou sentindo para o lago. Conforme se aproximava as lembranças vinham em sua mente, lembranças das pessoas, da árvore sob a qual sentava, da pureza do lago e do reflexo que o mesmo passava — um reflexo puro, que purificava sua alma e fazia com que se sentisse em casa, e não mais jogada nesse mundo.
O caminho já percorrido infinitas vezes estava com as mesmas folhas secas esparramadas, independente das estações, e bem como elas, a menina desejou que nada tivesse mudado. A indiferença entedia, a mudança enlouquece.
Mas não sentiu falta apenas dos peixes, ao fundo, nuvens escuras eram refletidas na água. Uma pintura perfeita. Não havia um rosto, não havia seus cabelos longos refletidos, nem seus olhos brilhantes refletindo sobre a superfície do lago. Não havia nenhum reflexo seu. Não havia mais uma menina.
As pessoas eram refletidas, sem que as sentisse por perto, imersas na mesma pressa e nas mesmas preocupações de suas vidas, a rotina novamente se passava pelo reflexo do lago. Ninguém a via, ninguém a sentia. Talvez, a única coisa que sempre estivesse estado ali fosse o erro. O erro de achar que ainda existia. O erro de achar que aquilo fosse apenas mais um dia...
Fale com o autor