Notas iniciais
Meio sumida, eu sei... Estou pesando e eu vou tentar adiantar um pouco a história para vocês poderem conhecer a Emma um pouco mais rápido. É isso, o capítulo tá ai, espero que gostem! Bjs.

Na tarde seguinte, Robin foi procurar o consultório do Dr. Leopold. Ele não conseguira pregar olho a noite inteira. A cena do carro passando com Regina ao lado de outra pessoa não lhe saía da cabeça. Ela chegou em casa usando um vestido diferente do que ele vira no carro, mas era bem possível que ela houvesse trocado de roupa no escritório. Disfarçadamente ele perguntou se ela havia ido fazer algum serviço fora naquela tarde.

— Não. Houve uma reunião de diretoria e não pude sair nem para tomar lanche. Foi um dia cheio. – Regina respondeu sem nem perceber a maldade Robin com aquilo.

Ela está mentindo pensou ele. Mas resolveu não comentar que a havia visto, preferindo investigar primeiro.

O médico tinha razão: ele precisava obter mais provas. Tinha tempo de sobra para segui-la e confirmar suas suspeitas. Entretanto, o ciúme incomodou-o e ele não conseguiu tirar da lembrança aquele carro com ela dentro. Enquanto Regina dormia tranquila, ele se revirava na cama, angustiado, sofrendo, sentindo-se fracassado e sem estímulo para viver. Pela manhã, Granny não se conteve:

— Credo, Seu Roberto, o senhor parece um defunto! Emagreceu, tem olheiras... Desse jeito vai arranjar uma doença.

Ele olhou irritado para ela. — Como posso estar bem, com minha vida virando de cabeça para baixo? Esse seu palpite era desnecessário.

— Desculpe. Não quis ofender. Mas o senhor precisa se alimentar melhor, tratar da saúde... Não falei por mal. As crianças precisam do senhor.

— Está certo. Não fosse pelas crianças, eu já teria sumido.

— Não diga isso. Se D. Regina ouvisse, ficaria muito triste.

— Ela já saiu. Posso falar a verdade.

— É melhor tomar seu café. Olha, eu trouxe aquele pão que o senhor gosta. Trate de comer bem e esfriar a cabeça. Logo tudo vai mudar, entrar nos eixos, o senhor vai ver. Tem café na térmica, e o leite da jarra ainda está bem quente. Hoje eu mesma vou buscar as crianças.

— É bom mesmo. Tenho um compromisso no fim da tarde. Ele queria ir ao consultório depois do horário de consulta, para não atrapalhar o médico, que ia atendê-lo de graça.

Quando chegou, a sala de espera estava vazia e o Dr. Leopond atendia ao último cliente. Robin apresentou-se à recepcionista e pediu para falar com o médico.

— É consulta?

— Não sei. Ele me deu o cartão e pediu que eu viesse aqui hoje.

— Sei. Tudo bem. Sente-se. Ele está atendendo.

— Obrigado. Robin sentou-se e passou os olhos pela sala mobiliada com gosto e luxo.

— Qual é o preço da consulta?

— Duzentos reais. Ele engoliu em seco. Nas circunstâncias em que se encontrava, parecia-lhe uma fortuna.

— Tudo isso? — Deixou escapar sem querer.

— É que ele fica mais de uma hora trabalhando com o cliente. O Dr. Leopold é conceituado, um dos melhores em sua especialidade. É muito procurado.

Robin sentiu-se acanhado. Não devia ter ido. Levantou-se. O melhor era ir embora. Mas naquele instante a porta da sala do médico se abriu, e ele apareceu com uma senhora.

— Até terça-feira, douto. — Disse ela.

— Obrigada por tudo. Até! — Disse ele sorrindo.

Vendo Robin em pé, indeciso dirigiu-se a ele, dizendo — Olá! Como vai? Estava pensando em você. Vamos entrar. Envergonhado, Robin entrou e o médico fechou a porta.

— Ainda bem que veio. Sente-se. Vamos conversar.

— Obrigado. Vim porque me pediu. Não vou me demorar. Não quero tomar seu tempo. Sei que é muito ocupado.

Leopold olhou para ele e não respondeu de imediato. Robin estava constrangido. — Você não deseja melhorar? Não confia que eu possa ajudá-lo?

— Não é isso! Pelo contrário. Sei que é muito bom profissional. Aliás, nota-se pela sua maneira segura de falar, pela sua postura. O que eu sinto é que não tenho como retribuir sua atenção. Já fez muito por mim ontem.

— Você está constrangido só porque não tem dinheiro para pagar a consulta?

— Bem, isso realmente me incomoda. Afinal o senhor é um profissional competente, estudou anos e merece ser pago pelo seu trabalho.

Leopold sorriu e considerou: — Como você é orgulhoso! Pensando assim, não conseguirá melhorar sua vida nunca.

— Estou dizendo a verdade. Não é por orgulho, não.

— Você pensa que ter dinheiro é sua maior qualidade e que sem ele não é nada?

— Estou habituado a pagar minhas contas.

— Não estou lhe cobrando nada.

— O que de certo modo me deixa com a sensação de estar me aproveitando da sua boa vontade.

— Engano seu. Julga-me ingênuo a ponto de ser usado pelas pessoas sem perceber?

Robin assustou-se: — Não... não quis dizer isso.

— Pois foi o que me pareceu. Sou um estudioso da vida, dos nossos comportamentos. Descobri que somos nós que, com nossas atitudes, atraímos todos os acontecimentos e situações que vivenciamos. Que, enquanto continuarmos agarrados a elas, os fatos irão se repetindo. Descobrindo qual a atitude que está causando uma situação que não nos agrada, poderemos substituí-la por outra melhor e obter outros resultados. Quando o convidei a vir aqui, não foi por sentir pena de você, nem para tentar ajudá-lo a resolver seus problemas. Foi porque me interessei profissionalmente pelo seu caso. Encontrar a causa dos seus problemas é perceber o caminho para a ajuda de muitas pessoas e seguramente aumentar o meu conhecimento, ter sucesso em minha carreira.

Robin abriu a boca e tornou a fechá-la, sem encontrar palavras para responder. Leopold prosseguiu: — O que desejo lhe propor é uma troca. Você tem o que eu preciso para desenvolver meus conhecimentos, e eu posso dar-lhe alguns esclarecimentos que poderão mudar sua vida se os utilizar. Já vê que em nosso caso ninguém está abusando de ninguém e o dois poderá lucrar.

— Sua maneira de pensar me surpreende.

— Gosto de ser verdadeiro. Depois, você estava pensando que sua situação atual pode ter me impressionado e que eu desejava ser caridoso, ajudando-o.

— Não me socorreu na via pública por caridade?

— Não. Prestei socorro, o que é natural na minha condição de médico, mas em nenhum momento fiz caridade.

— Não estou entendendo.

— Um ato de caridade o tornaria uma vítima, um coitado, incapaz de resolver os próprios problemas.

— Mas eu me sinto assim mesmo, incapaz de solucionar minha vida.

— Mas você não é. Está neste momento emocionalmente pressionado por ideias erradas a seu respeito, se desvalorizando, não utilizando sua força interior, sua inteligência, sua capacidade. Mas elas estão lá, dentro do seu ser, à espera que as perceba e faça uso delas de maneira adequada. Eu não gosto de fazer caridade. Nunca dou nada de graça. Prefiro trocar. Não há ninguém que esteja impossibilitado de dar alguma coisa.

— Eu no momento não posso dar nada.

— Não pode me dar dinheiro. Mas pode me contar o que vai dentro do seu coração para que eu possa aprender mais sobre a alma humana.

— Acha que será suficiente?

— Para mim é o bastante. Você acha que estarei à altura de entrar na sua intimidade e mostrar-lhe alguns lados da sua personalidade que não está conseguindo ver?

— Pelo que já fez comigo desde que entrei aqui, penso que tive muita sorte em encontrá-lo.

Leopold sorriu contente. — Por que diz isso?

— Porque entrei aqui, acanhado, me sentindo miserável, e agora pela primeira vez em alguns meses comecei a me sentir digno. Tinha me esquecido de como é isso.

— É um bom começo, concorda? Roberto concordou e eles marcaram hora para a noite seguinte.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.