Notas iniciais
Então gente, decidi passar em forma de fic um pouco desse livro maravilhoso que eu li. Não espere um romance com palavras calorosas, nem cenas de sexo, porque nessa história não temos lugar para isso (Não de forma explicita). E essa história não se trata de shippers e sim da forma que agimos e nos deixamos levar por energias que estão a nossa volta. Eu apenas coloquei tudo que irei contar no universo de OUAT e como boa swen, meu casal estará presente também. Corro o risco de ter esta conta excluída pela Nyah, já que grande parte do que colocarei está no livro, mas não custa tentar. Espero que vocês gostem, assim como eu gostei. E a narrativa principal é do Robin e a Emma vai demorar um pouco a aparecer também. Se quiserem falar comigo, ou caso a conta seja excluída, o twitter pra contato é esse @VitoriaVieiraC.

Robin chegou em casa confuso, irritado, batendo a porta com força. Naquele dia fora submetido a um processo de autodestruição e pensava raivoso: “Isso não vai ficar assim. Não posso tolerar ter sido feito de bobo pela pessoa em quem mais confiava. Quem poderia imaginar que, depois de me alisar a vaidade com elogios e tapinhas nas costas, ele acabasse por me apunhalar sem dó nem piedade?”

Dentro da sala espaçosa, decorada com simplicidade e sem muitos adornos, ele andava de um lado para outro, como fera acuada, dando vazão a seu mau humor e a sua revolta. Sentia a cabeça pesada, doendo, como se a testa estivesse sendo apertada sem cessar por um círculo de ferro. Seu estômago queimava, e o almoço que engolira rapidamente havia mais de cinco horas ainda não tinha sido completamente digerido, provocando de vez em quando uma sensação de azedume em sua garganta. Foi ao banheiro e procurou um vidro de sal de frutas. Depois se dirigiu à cozinha, colocou água num copo e despejou um pouco do remédio, ingerindo-o em seguida. Sentiu um arrepio no corpo e fez uma careta desagradável. Se ao menos o mal-estar passasse! Ele precisava se acalmar. Havia uma situação difícil para enfrentar, e Robin precisava estar com saúde. Tinha família para sustentar. Dois filhos na escola: Grace com cinco anos e Roland com sete. Ele fora contra a ideia de enviar Grace a escola aos dois anos de idade. Mas Regina trabalhava e não queria deixar o emprego de forma alguma. Quando se casaram, oito anos atrás, ele se empenhou de todas as formas para que ela deixasse a empresa onde trabalhava como secretária. Afinal, ele havia montado um negócio próprio que lhe rendia bom dinheiro. Mas Regina foi irredutível. Não ia largar o emprego do qual tanto gostava.

Ela dava muito valor à sua independência e gostava de ganhar o próprio dinheiro. Robin não concordava com isso. Mulher casada precisava tomar conta do lar. Ele tinha condições de arcar com as despesas. No fundo, sentia ciúme. Saber que Regina, todos os dias, durante a maior parte do tempo, estava em companhia de outros homens, chegava a tirar-lhe o sono. Apaixonara-se por ela desde o primeiro dia. Cabelos negros, olhos castanhos, boca carnuda e vermelha, corpo elegante e bem-feito, pele alva levemente rosada, Regina representava para ele o máximo da atração. Quando, depois de muita insistência, ela aceitou sair com ele pela primeira vez, Robin sentiu-se o homem mais feliz do mundo. Namoraram durante dois anos. Ele confiava nela. Era moça honesta e de bom comportamento. Porém percebia claramente o quanto ela despertava a atenção masculina e até feminina quando passava indiferente, desfilando sua beleza. Ele fez de tudo para que ela desistisse de trabalhar depois do casamento. Mas ela foi taxativa:

— Não sou o tipo de mulher dependente. Trabalho desde os quinze anos. Eu me sentiria muito mal se tivesse que depender do seu dinheiro. Sou competente para cuidar de mim. Depois, não gosto dos trabalhos domésticos. Não tenho jeito para certos serviços. Por isso, vou continuar trabalhando depois do nosso casamento. Esse é para mim um ponto muito importante.

— Pense em mim, em como vou ficar nervoso imaginando você lá, junto com todos aqueles homens, até as mulheres lhe olham. Tenho certeza de que muitos dão em cima de você mesmo sabendo que é comprometida. Imagino o que farão depois que for casada! Regina fulminou-o com o olhar:

— Estou com você porque o amo. Escolhi me casar com você. Isso deve ser suficiente. Que me importa o que os outros pensam? A malícia é deles. Eu sei o que quero da minha vida e o que vou fazer com ela. Se não pode entender isso, sinto muito, mas você não tem condições de se casar, nem comigo nem com qualquer outra mulher.

Robin sentiu um aperto no coração e resolveu contemporizar. Sabia que ela às vezes era intransigente. Não desejava perdê-la. Por isso concordou a contragosto. Entretanto, guardava a esperança de que quando tivessem filhos ela acabasse por desistir. Afinal, cuidar de crianças era coisa trabalhosa, e as mulheres, na maioria, mudavam muito quando se tornavam mães. Porém Regina não mudou. Teve dois filhos, planejou tudo com cuidado e conseguiu continuar trabalhando.

Ele tentava convencê-la a ficar em casa, cuidar das crianças, mas ela arranjou uma creche, ao contrário do que o marido e a sogra queriam. Dona Cora implicava com a nora por causa disso. Nunca vira mulher tão teimosa e determinada. Dissimulava, porém, seus sentimentos para que o filho não se indispusesse com ela. Sabia como ele era apaixonado por Regina. Mas, dissimuladamente, a pretexto de estar sentindo saudade, ia à creche ver as crianças, todavia era para descobrir alguma falha, algum problema que pudesse fazer com que a nora resolvesse deixar o emprego e ficar em casa cuidando dos filhos.

Enquanto o casal estava trabalhando, durante o dia, Cora ia muitas vezes à casa deles, sob qualquer pretexto, para verificar se tudo estava bem cuidado. A empregada fingia não perceber a intenção quando Cora subia nos quartos do casal e das crianças, abria as gavetas e olhava tudo. Granny sorria satisfeita ao perceber a frustração da velha senhora por não encontrar nada que pudesse criticar. Esse, aliás, havia se tornado um ponto de honra para Granny, que trabalhava com Regina desde o casamento e gostava muito de sua patroa.

Regina era objetiva, falava logo como queria as coisas; se não gostava de algo, chamava a empregada e colocava-se de maneira clara, explicando-lhe por que desejava daquele jeito. Ela era muito exigente, mas Granny preferia assim. Quando caprichava, ela elogiava, e isso era para ela o maior prêmio, porque sabia que, se não estivesse bom, a patroa diria logo o que pensava. Depois, Granny sentia-se respeitada. Regina conversava com ela de forma clara, direta, e não ficava falando mal dela pelas costas, como muitas patroas que Granny conhecia.

Quando os patrões estavam fora, ela caprichava mais ainda na arrumação, desejando até que Cora aparecesse, para gozar da satisfação de vê-la contrariada. Durante todos aqueles anos de casamento, Robin teve de engolir o ciúme, dissimular. Regina nunca lhe dera motivo de queixa. Tinha suas roupas bem cuidadas a tempo e a hora, comida boa e caprichada, as crianças estavam saudáveis, alegres e bem alimentadas. Sentou-se em uma cadeira e passou nervosamente a mão pelos cabelos. E agora, o que seria dele? Teria de falar com a esposa, contar-lhe a verdade. O que faria para sobreviver?

Ele trabalhava com construção. Tinha um depósito de materiais e sempre sonhara em montar outra empresa, construir casas para vender. Durante anos fizera os cálculos e sabia que construir dava muito dinheiro. Sonhava enriquecer, melhorar de vida. Talvez então Regina se resolvesse a deixar o trabalho e, quem sabe, trabalhar com ele. Era uma maneira de conseguir finalmente o que desejava. Por que não? Se ele tivesse uma grande empresa, ela certamente poderia ajudá-lo. Teria um salário bom e tudo ficaria resolvido. Mas ele precisava de capital. Foi ai que conheceu Gold.

Notas finais
No livro os cap são longos, então irei fazendo aos poucos. Mas e então, gostaram? Falem comigo! Bjs.