Nineteen Thousand Miles
12 I Hate You, Helena
Notas iniciais
– Onde você está? — Perguntei falando com Noah no telefone. Hoje ele pegou o voo para a Espanha, então só conseguimos conversar por celular.
– Daqui algumas horas estou na Espanha. — Ele respondeu. — Vendo minha querida mãe.
– Mande abraços para minha sogra! — Falei animada.
– Mando, mando. — Riu.
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– Sophia, sabe que dia é amanhã? — Melody disse pela quinta vez em vinte minutos.
– Melody, eu sei que dia é meu aniversário, não precisa ficar me lembrando. — Revirei os olhos.
– Temos um presente para você! — Melody me ignorou e continuou falando.
– Mas só vamos entregar amanhã. — Charlotte foi quem se manifestou desta vez. Nem me dei o trabalho de responder essas loucas.
Chegando na frente da faculdade dou de cara com duas pessoas: Uma odiável e uma detestável. A primeira? Shane West, meu cunhado e agora namorado da minha melhor amiga, ironia do destino, ah sim. Não que eu odeie o Shane, nada disso, não guardo rancor, nunca, mas também não esqueço. Inclusive, eu tinha dito que ele estaria voltando para a Inglaterra, não? Pois é, ele estava. Para minha tristeza e para a felicidade de Charlotte, Shane ficaria por aqui mais um pouco, mas tudo bem, eu supero. Charlotte foi até ele e então ficou naquela melosidade que eu prefiro não narrar.
A segunda pessoa? Helena Midler, lembram dela né? Pois é, ela não mudou nadinha desde a última vez que falei dela, continua a mesma inútil de sempre. Está ali agarrada com o ex-namorado da Charlotte, o Brendon. O quê? Acha que eles terminaram por nada? Nenhum cretino resiste às chantagens de Helena Midler, meu caro, e Brendon é um deles. Aí você me pergunta, e o Paul? Aquele que Melody era apaixonada? Deve estar em uma lata de lixo por aí, descartado pela Miss Popularidade ali, como todos os outros. Ai ai, é a vida né.
– Olha só, Sophia, quanto tempo, não? A propósito, feliz aniversário, querida. — Helena disse do jeito mais cínico que ela conseguia quando me viu.
– Ah, é só amanhã, flor, mas obrigada mesmo assim. — Respondi, sorrindo, ou pelo menos tentando, porque minha vontade era de arrastar a cara dela na calçada.
– Ah, mil perdões, eu esqueci. — Ela disse, se fazendo de arrependida.
– Não se preocupe, o que vale é a intenção, não é mesmo? — Respondi no mesmo tom, nós nos encarávamos de uma forma que só faltava os raios pelos olhos.
– Ah, Sophia, vamos andando, certo? — Melody disse, se colocando entre nós e me empurrando para longe dali.
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– Odeio ela. — Eu disse pela quinta vez desde que saímos de lá, enquanto colocava um sanduíche quase inteiro na boca.
– Sabemos. — Charlotte falou enquanto lia mais um de seus livros.
– Odeio muito ela.
– Sabemos.
– Muito muito.
– Ah, cala a boca, Sophia.
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