Nineteen Thousand Miles

3 Capítulo 3 - Tragedy


Notas iniciais
Voltei. Espero que gostem.

– O Paul é tão lindo! — Melody ficava babando na tela do computador, enquanto conversava com Paul no Facebook. Paul é um garoto lá da faculdade, ele cursa engenharia, ele e Melody já ficaram algumas vezes, mas Paul é do tipo de garoto que só fica. Como dizer isso para Melody sem levar um sermão? Não tem como.

– Melody, amiga, ele não é o cara pra você. — Eu disse abafando uma gargalhada junto com Charlotte.

– Ah, ele é sim. — Ela disse suspirando, apoiando o rosto em uma das mãos.

BIP BIP recebi uma mensagem. Peguei o celular e sorri ao ver o nome de Noah.

"Como posso dormir com você nos meus pensamentos?"

Abracei o celular e me joguei de costas na cama, fechando os olhos. Noah era o cara pra mim, isso eu tinha certeza.

– Sophia! Quase que esquecemos! Temos que planejar seu aniversário! É daqui dois meses, ai meu Deus! — Charlotte berrou colocando as mãos na cabeça. Ri do desespero dela.

– Se acalme, temos tempo ainda. — Falei largando o celular e pegando o notebook, já que Melody estava com o computador.

– Temos tempo? Você é louca! — Ela disse ainda desesperada. Olhei para ela com uma sombracelha levantada. Ficamos nos encarando por uns segundos e logo começamos a rir.

– Tudo bem, temos um tempinho, mas vamos começar a pensar semana que vem já. — Melody disse entrando na conversa.

– Ué, você não estava conversando com o Paul. — Fiz uma cara de apaixonada quando disse o nome dele, tentando imitar Melody. Vi que ela fez uma cara de nojo e desviou o olhar.

– Ah, até já sei, ele está com Helena? — Charlotte perguntou olhando para a amiga.

– Ele postou uma foto deles juntos. — Melody disse com a voz chorosa.

– Ah, não fica assim, vai achar alguém melhor! — Eu disse quando ela deitou a cabeça em meu ombro.

– Ele é o melhor pra mim. — Ela disse já derramando lágrimas.

– Ah, Melody, por favor! — Charlotte disse revirando os olhos.

– Fale por você né Charlotte, tem um namorado perfeito! — Melody disse magoada.

– Sim, realmente o Brendon é o namorado perfeito, mas eu passei por muitas coisas e me magoei muito antes dele aparecer na minha vida. Você tem que confiar no seu coração Melody, e eu sei que ele ainda tem muitas surpresas para você. — Charlotte respondeu com um sorriso no rosto. Melody apenas pulou nos braços dela e ficou lá pelo resto da noite.

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No outro dia a nossa rainha do drama estava melhor, e ainda dormia na cama de cima da beliche. Charlotte e eu fazíamos panquecas para o café, meu pai iria passar o dia no hospital com a mamãe hoje, então para eu não ficar sozinha, as meninas ficariam aqui em casa.

– Espero que esteja tudo bem com a sua mãe. — Charlotte disse enrolando as panquecas.

– Eu também. — Respondi suspirando.

Na verdade, o hospital havia ligado para o meu pai, dizendo para ele ir lá. Eu não sabia se havia acontecido alguma coisa.

– Que cheiro bom. — Melody murmurou coçando o olho enquanto descia as escadas.

– Olha, a Bela Adormecida finalmente acordou... — Charlotte disse rindo.

– Ah, cala a boca e me serve uma panqueca. — Ela respondeu rindo também.

– Idiotas. — Eu disse revirando os olhos e rindo com elas.

Comemos e fomos olhar filme, passamos o resto do dia atiradas no sofá. Bando de desleixadas.

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– Nos vemos na faculdade. — Melody disse, então ela e Charlotte foram embora.

Subi para o meu quarto já ligando o computador. Noah ligou a webcam e ficamos conversando por um bom tempo.

– Você é linda...

– Você já disse isso Noah. — Eu disse corando.

– Não me canso de dizer isso. Fica mais linda ainda quando está envergonhada. — Ele disse rindo.

– Idiota. — Respondi rindo com ele.

Nessa hora a porta do meu quarto abriu.

– Filha, cheguei. — Meu pai apareceu na porta. Ele não estava com uma cara muito boa.

– Pai, o que aconteceu? Como está a mamãe? — Perguntei já quase chorando.

– Está tudo bem querida, mamãe está bem, só piorou um pouco, ela vai ficar bem. — Ele respondeu. Eu sabia que não era verdade. Corri pros braços dele, já chorando.

– Quero a verdade pai. — Eu disse ainda nos braços dele. Ele suspirou.

– Ela piorou muito, querida. O médico não sabe mais o que fazer.

Meu mundo caiu. Eu não chorava, eu gritava.

– Deite um pouco, querida, descanse. — Ele disse e me deixou sozinha, para pensar um pouco.

– Sophia, eu... — A voz de Noah vinda do computador me chamou a atenção. Me sentei em sua frente de novo.

– Desculpe Noah, preciso dormir, eu...

– Eu sei, eu estava aqui... Saiba que se precisar de alguma coisa eu sempre vou estar aqui.

– Obrigada Noah, não sei o que seria de mim sem você. Boa noite, eu amo você.

– Amo você também.

Então eu desliguei e fui dormir. Mas quem disse que consegui dormir? Claro que não.

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Passou alguns dias, resolvi não contar para as minhas amigas a situação da minha mãe, mas isso estava meio difícil...

– Daí quando você entrasse, podíamos colocar fogos de artifício, seu bolo poderia ter quatro andares, daí você caminharia pelo tapete vermelho e...

– Melody, chega! — Gritei. — Eu não quero planejar minha festa, eu não quero, só... Pare, por favor. — Eu disse agora mais calma, cobri o rosto com as mãos e fui correndo para o banheiro. Me olhei no espelho e vi, quem eu sou, o que eu quero, o que estou fazendo? Eu estou perdendo as esperanças, e isso não pode acontecer. Não posso ficar assim, meu aniversário está chegando, preciso me divertir.

Arrumei minha maquiagem, vi se estava apresentável e saí. Quando pus meus pés para fora do banheiro, todos me olhavam. Andar pelos corredores até a minha sala naquela hora foi horrível... Eu virei o centro das atenções.

– Sophia, eu sinto muito, eu não sabia... — Melody veio correndo e me abraçou.

– Não sabia o que? — Perguntei.

– Da sua mãe, não sabia que você perdeu ela, eu fiquei animada enquanto você estava apenas sentindo falta dela, eu...

– Espera aí, como assim perdi ela? — Eu já chorava, se minha mãe havia morrido, eu não sabia.

– Melody, cala a boca! — Charlotte disse chegando perto de mim. — Sophia, vá para casa, fale com o seu pai... Vocês precisam conversar.

Foi isso que eu fiz. Cheguei em casa, meu pai estava sentado no sofá com a cabeça apoiada nas mãos.

– Pai! — Corri até ele e me joguei ao seu lado. — O que aconteceu?!

– Filha, sua mãe não resistiu ao último tratamento... Ela não resistiu... — Meu pai disse já entre soluços. Nunca vi meu pai chorar, aquilo foi como uma faca em meu coração.

Notas finais
É isso, beijos.