Nine Months

Após cem anos do fim da Guerra do Inverno, Soul Society estava totalmente recuperada, mas algumas coisinhas haviam mudado... O que incluía os índices de natalidade.

Cap. I – Check up

Como todo final de semestre, Ise Nanao estava fazendo seu check up de rotina no Yon Bantai. Um hábito que a shinigami sempre tivera, afinal, se dependesse de machucar-se em alguma missão para pisar naquele esquadrão, nunca o faria, considerando que o Hachi Bantai não recebia muitas missões, quanto mais missões que exigiam uma Fukutaisho.

É claro que Shunsui também tinha alguma coisa ver com isso, ele não gostava de deixá-la trabalhar em campo. Resquícios do passado sobre o qual ele não falava, mas isso realmente não importava muito, era até melhor, ela já tinha trabalho demais fazendo burocracia.

A morena suspirou ao lembrar-se do tamanho e da quantidade de pilhas que esperavam sobre sua mesa. Certas coisas nunca mudariam.

- Pronto, Nanao-san, pode descer. – disse Isane a Ise enquanto se afastava anotando algumas coisas em uma folha que estava sobre uma prancheta –

- Certo. – Nanao desceu e caminhou até o biombo para poder tirar aquela camisola de hospital e recolocar seu kimono negro – Então, Isane-san, como estou?

- Bem, até aqui está tudo bem, mas prefiro responder a essa pergunta quando seus exames chegarem. – a shinigami terminou o que escrevia e guardou a folha dentro de um arquivo – Como seria bom se todos tivessem a mesma consciência que você... Só aparecem aqui quando estão quebrados, quebrados e expostos, ou quase morrendo de dor... – suspirou a médica depois de sentar-se para esperar Nanao –

- Eu sei... Aposto que esses são os homens, é uma missão impossível fazer o Taisho vir aqui uma vez ao ano!

Nanao estava terminando de prender sua calça quando notou que o cós estava um pouco apertado, coisa incomum, não era nada catastrófico... Apenas uma pequena dificuldade para conseguir fechar que geralmente não existia, precisava parar de comer besteiras.

A morena bufou ao fechar a parte superior da veste e notar que se realmente não fechasse a boca viraria uma bolinha. A cintura parecia ter um arco maior, a barriga tinha um leve – quase imperceptível – inchaço e os seios também estavam maiores do que costumavam ser, nem quando ficava naqueles dias eles ficavam tão inchados.

- É realmente uma comédia o dia que você avisa que vai trazê-lo... – a Kotetsu ri divertida relembrando algumas coisas – Mas mudando de assunto, você reclamou um pouco de dores nos seios, por acaso não seria por estar perto de seu ciclo começar? Você mesma falou que está sentindo-se um pouco inchada.

- Na verdade, agora que você falou... – a Ise parou alguns segundos para pensar – Que dia é hoje, Isane-san? – ela saiu detrás do biombo e caminhou até a mesa onde a médica estava sentada –

- Dez de abril. Sente-se. – a morena sorriu e sentou-se –

- Realmente, meu ciclo começa daqui dois ou três dias... Mas é que não é normal eu ficar tão inchada e tanto tempo.

- Seu corpo não é uma máquina, Nanao-san, fatores externos podem interferir muito nessas coisas. Estresse é um deles e você vive estressada...

- Queria ver se você seria tão calma se levasse a vida que eu levo... – Nanao suspirou – Bem, então eu já vou indo, daqui uns dias volto para você olhar os exames... Como está a capitã Unohana? Ainda está de resguardo?

- Não, não... Ela já voltou para o Bantai, mas trás o Nihon-kun com ela... É um bebezinho tão calmo, mas também o que esperar sendo filho da Unohana Taisho e do Ukitake Taisho?

- Realmente, os dois são tão calmos e serenos que seria difícil imaginar o bebê agitado. Eu fui visitá-la com Kyouraku Taisho logo após o parto, mas depois não tive tempo, nem oportunidade.

- Ela comentou que vai ser a madrinha junto com seu capitão. – comentou Isane –

- Eu fiquei bastante surpresa, já esperava que o Taisho fosse ser o padrinho, mas realmente foi surpreendente quando recebi o convite. – disse a morena enquanto limpava os óculos –

- Bem... Você e Kyouraku Taisho estão juntos, pelo menos é o que estão dizendo, então não me parece uma grande surpresa você ser chamada. – a shinigami médica notou que a amiga corou e pareceu ficar sem graça – Desculpe, Nanao-san, sua vida não é da conta de ninguém... Não queria ser indiscreta, apenas comentei.

- Não é necessário se desculpar, Isane-san, foi uma colocação correta... Apesar de eu e o Taisho não termos nenhum compromisso assumido realmente nem entre nós dois.

- Er... Mesmo assim, falei demais... Mas então por que não aproveita que está aqui e vai ver seu afilhado? A capitã está na sala dela e se não me falha a memória não está ocupada.

- Não, não... Eu tenho realmente que ir, tenho pilhas e pilhas de papéis me esperando. Depois eu venho. – a morena já se levantava para ir quando Isane insistiu e praticamente a empurrou até a sala da capitã –

- Largue de bobeira, Nanao, seus papéis podem esperar um pouquinho... Não é como se você fosse passar o dia todo aqui, são apenas alguns minutos.

- Okay, okay... Você venceu, mas pare de me empurrar, Isane!

As duas caminharam até a sala de Unohana conversando sobre coisas bobas, a médica queria mesmo fazer Nanao esquecer sua indelicadeza. Por que raios tinha que ter uma boca tão grande?

Ela bateu a porta e em seguida ouviu uma permissão para entrar.

- Com licença, Capitã, Nanao-san está aqui e queria saber se pode recebê-la. – anunciou a fukutaisho do Yon Bantai –

- Claro que posso, mande-a entrar, por favor. – disse a mulher com sua habitual calma –

- Boa tarde, Unohana Taisho. – a Ise entrou um pouco constrangida –

- Boa tarde, Nanao, sente-se... – ela olha para sua comandada – Poderia trazer um pouco de chá para nós, Isane?

- Claro. Volto em um minuto.

Assim que a outra saiu, Nanao passou os olhos sobre a sala. Era um lugar amplo, muito bem ventilado, claro, possuía uma decoração delicada que irradiava paz. Retsu tinha preso ao tronco uma espécie de malha negra transpassada que servia manter o bebê, uma peça deveras interessante.

- Então, veio ver seu afilhado? Já estava estranhando sua ausência...

- Er... Desculpe, mas é que o esquadrão vive uma zona, não posso ficar me dando ao luxo de sair, Taisho.

- Não é necessário me chamar assim, chame-me de Retsu, afinal será madrinha do Nihon. Quer segurá-lo?

- Ele não está dormindo? Não quero atrapalhar nada...

- Não, não... Essa é a maneira que ele fica o dia todo, uma técnica que os humanos usam para humanizar mais a relação entre mãe e filho, sem dizer que me deixa os braços livres sem que eu precise deixá-lo. – Retsu sorriu pegando o pequeno de quatro meses com esmero e passando a Nanao –

- Jura? Mas não é perigoso sufocar o bebê? – disse ela já com o bebê no colo –

- Negativo, é uma técnica muito segura e digo eu que muito sábia, esse contato tão próximo entre mãe e bebê o deixa muito calmo, pois remete ao período em que estava no útero.

A fukutaisho apenas sorriu e voltou sua atenção a Nihon. Um bebê branquinho, de cabelos brancos com os do pai – o que já tinha causado certa preocupação – olhos azuis, face rosada e um sorrisinho com covinhas. Ela sentia até medo de machucá-lo, parecia tão delicado...

Estava tão alheia que não notou a entrada e, posterior, saída da Kotetsu, aquele momento fez surgir na Ise um sentimento estranho. Uma vontade de ter um bebezinho próprio, um pedacinho de si tão fofo para cuidar... Era como se seu relógio biológico mostrasse que ela andava tão absorta em outras coisas que se esquecia das mais essenciais.

- Leva muito jeito para isso... – A Unohana levou a porcelana que continha o líquido quente aos lábios – Será uma boa mãe.

- Nanao riu – Eu? Mãe? E uma boa mãe? Eu acho que não... Pelo menos, por enquanto... Acho que sou racional demais para aceitar o elo que liga uma mãe a um filho, eu seria uma péssima mãe, sou muito ligada ao trabalho, estressada, tenho dificuldades de mostrar o que sinto...

O pequeno brincava de agarrar os dedos da madrinha alheio a conversa, ele gostava da Ise, ela lhe passava uma tranqüilidade que lembrava a da mãe.

- Pois eu penso o contrário, ao meu ver, seria uma ótima mãe... Não se julgue de maneira tão deturpada, apenas quem não te conhece pode julgá-la fria ou distante. É uma das pessoas mais amáveis que conheço, se me permite dizer.

- Eu não sei... Mas também de que me adiantaria a vontade de ter um filho? Não sou casada e nem encontrei o homem que quereria viver isso comigo... Ainda.

- Tem certeza? – Unohana tinha uma face tão serena que chegava a assustar a Ise – Pois eu acho que Kyouraku-san não se importaria ser pai de um filho seu.

A morena deu um sorriso quase sarcástico que intrigou Retsu.

- Não me assustaria se amanhã ele notasse que ama uma outra shinigami qualquer... Shunsui é muito instável, nunca é possível dizer se o estado em que se encontra é o ponto de equilíbrio.

- Estranho ouvir isso, parece tão desiludida, Nanao-san... E ainda é tão jovem. Não estaria vendo coisas que não existem? Tentando preparar-se para algo que acha que pode vir a acontecer, mesmo não tendo motivo algum para isso?

- Eu apenas procuro não sonhar alto demais para o tombo não ser mais dolorido que o necessário. – dito isso a moça entregou o bebê que agora dormia tranquilamente para a mãe e começou a se levantar – Obrigada por seu tempo e desculpe minhas divagações, acho que estou um pouco sensível demais devido ao meu ciclo...

- Não tem problema, se quiser conversar mais basta me procurar, sabe onde estou...

No entanto, um acontecimento chamou a atenção da médica, antes de conseguir ficar de pé, a madrinha de seu filho voltou a sentar-se subitamente.

- Uou... – Nanao levou à mão direita a fronte e fechou os olhos –

- Nanao-san? Está bem? – Retsu colocou o filho na manta presa ao corpo e levantou para ajudá-la –

- Estou sim, foi só uma vertigem... – a morena voltou a tentar levantar aceitando a mão que Unohana lhe estendera –

- Uma vertigem? Tem certeza de que está bem?

- Tenho sim. – ela deu um sorriso amarelo – O grau dos meus óculos aumentou um pouco, ainda não me acostumei, foi só isso.

- Tem certeza? Eu posso atendê-la...

- Não, não... Estou muito bem, foi só uma vertigem por causa do aumento do meu grau, não se preocupe.

- Certo, mas se não melhorar em alguns dias volte aqui... Pode ser que o exame tenha indicado um aumento errado para o grau de seus óculos.

- Claro, claro... Boa tarde e mande um olá ao Ukitake Taisho por mim.

- Mandarei sim.

A Ise saiu, mas Unohana permaneceu olhando-a até que ela desaparecesse de seu campo de visão. Alguma coisa lhe dizia que aquela vertigem era causada por outro motivo, não era como se tivesse ouvido falar de alguma coisa suspeita, estava mais para um pressentimento, alguma coisa que captou no olhar dela.

- Isane! – a morena capitã chamou –

- Sim, Taisho! – ela entrou no escritório –

- Você notou alguma coisa anormal na Nanao-san enquanto fazia os exames físicos?

- Anormal, Taisho? Como assim? – perguntou a fukutaisho confusa –

- Não sei, alguma coisa que esteja fora dos padrões anteriores. – Unohana não demonstrava preocupação, parecia mais curiosidade –

- Bem... Ela está dois quilos acima do peso, suas medidas estão um pouco maiores por causa disso e reclamou um pouco de vertigens... Está desconfiada de alguma coisa, capitã?

- Não, apenas fiquei curiosa, ela teve um pequena vertigem antes de ir embora.

- Posso ir, então?

- Pode sim, Isane, obrigada.

Unohana tinha acabado de ficar com a pulga atrás da orelha, aqueles exames com certeza trariam alguma coisa a mais do que a prova da boa saúde da Shinigami.

Continua...

Notas finais
Gente, é a primeira long desse casal que faço, então por favor não me matem e tanham paciencia, vcs sabem que eu posso demorar, mas que não abandono fics!!!!
Vai acontecer muita coisa, desde romance e um pokinho de drama... Pq eu amo isso, até comedia!!!
Amo vcs e estou amando os reviwes que vcs me deixam!!!
Kiss kiss