Niji
1 Único.
Notas iniciais
Chovia muito naquela noite de Novembro. Gotas de chuva desciam pela janela do último apartamento de um luxuoso prédio. Trovões podiam ser escutados de dentro do quarto, relâmpagos podiam ser vistos por trás das longas e escuras cortinas e os mesmos clareavam o quarto por alguns segundos, mostrando dois corpos se movendo em uma cama. Era um vai e vem frenético. E logo a escuridão tomava conta do quarto quando os Relâmpagos sumiam e assim levando junto à imagem dos corpos com ele. Mais os gemidos ainda podiam ser ouvidos, junto ao barulho dos trovões. Levou umas 2 horas até a chuva virar apenas chuvisco.
Uma mão alisava o peito alvo que dormia silenciosamente depois de uma noite exausta. Era madrugada agora, estava frio e os corpos que antes se mexiam, estavam quietos, serenos e cobertos por um grosso edredom. A mão ainda desconhecida se mexia pelo corpo, que parecia não sentir aquele toque. Deveria ser bem suave, pois o outro nem dava sinais de que acordaria com aquilo. Mais um relâmpago rasgou o céu noturno, clareando o amplo quarto e assim revelando a face serena de um homem moreno, cabelos curtos e de um brilho inexplicável nos olhos. Olhos que admiravam o outro corpo ao seu lado. Seu alvo era o rosto delicado, com lábios fartos, rosados e entreabertos e o que parecia ser uma linda garota, era na verdade um lindo homem que respirava levemente, deixando aquela face absurdamente angelical. Um sorriso tomou os lábios do corpo acordado, quando o outro ainda adormecido se remexeu com o barulho de um trovão que ecoou lá fora.
–shhhh... Estou aqui, meu amor. –
O que parecia maior, envolveu o outro com o braço, apertando-o contra si. Agora seus lábios deslizavam os cabelos loiros, cheirando aquele perfume tão... Tão doce. Não evitou deixar um baixo riso lhe escapar os lábios que ainda sorriam.
–Aish Yun... Assim eu não consigo dormir. –
O menor finalmente despertou, depois de tantas investidas do seu protetor. Sorrindo tão angelical como dormia, olhando o outro pelo canto dos olhos, o deixando abestalhado somente por vê-lo ali, sorrindo.
–Desculpe... Não era minha intenção te acordar, amor. –
Era sim, claro. Riu, não sabendo disfarçar a mentira. O loiro apenas se virou na cama, assim podendo ficar de frente ao que o olhava.
–Ah não?-
Perguntou com certa ironia, rindo suave. Levou uma mão tão rápido quando um raio até o rosto, que era com certeza mais masculino que o seu, alisando e assustando o outro com o toque. Imediatamente este fechou os olhos, apenas sentindo e o sorriso apenas crescia em seus lábios. Pouco a pouco os lábios rosados iam se aproximando, aproximando mais, até encostar levemente nos do outro.
–Tenho uma coisa para você... –
Disse ainda com os lábios juntos ao do mesmo, sorrindo, para em seguida sair num pulo da cama e ainda nu, andou pelo quarto o que fez o outro rir na cama.
–Volta aqui coisa gostosa... –
Mordia o lábio, olhando aquelas belas curvas, belos músculos e um belo e apertável bumbum. O loiro apenas deu um leve tapa no traseiro, piscando para o outro que ria com os braços atrás da cabeça, observando-o ir até uma cômoda de madeira no canto do quarto.
Sentiu um peso na cama e sabia que era o outro engatinhando até si, provavelmente estava sorrindo sapeca como sempre fazia, mas de olhos fechados não dava para saber se era isso exatamente. Apenas optou ficar com os olhos fechados, até um peso sentar por cima de si.
–Amor... Abre os olhos. –
Era um tom um tanto risonho que o outro usou para pedir que abrisse os olhos, então este foi abrindo devagar, vendo aquele anjo sentado por cima de si. Sorriu, ainda com as mãos embaixo da nuca.
–O que vai me dar?-
Suas palavras eram sugestivas, porém “aquilo” que seu amado iria lhe dar, não era exatamente o que o moreno pensava que era. Logo uma caixinha vermelha aveludada apareceu nas mãos do loiro, fazendo o maior ficar assustado.
–Calma, não se assuste! –
O menor riu se divertindo da cara que o outro ainda sustentava no rosto.
–Não vou te pedir em casamento, ainda. É só... Um presente. –
Arqueou uma sobrancelha, confuso agora. Se não era um anel de “Compromisso”, o que era afinal? Resolveu perguntar, mesmo receoso.
–Posso ver? –
Seu parceiro balançou a cabeça positivamente, abrindo a caixinha em seguida. Era uma linda aliança de ouro branco. Sua feição ficou ainda mais confusa. Uma aliança representa compromisso, não? Pensou consigo mesmo antes de direcionar o olhar que olhava o anel, com certo encantamento, pois era lindo, para assim olhar o menor que sorria tão alegre.
–Gostou? – Estava esperançoso, ansioso pelas palavras do outro.
–Ehr... Jae, isso é uma aliança. – Ele tornou a rir novamente e Yun ficou novamente confuso.
–É sim, mas... Digamos que não é de casamento. Noivado, talvez? – Brincou e finalmente conseguiu arrancar um sorriso do maior.
–Bom, pelo seu sorriso vi que gostou da idéia... Então, aliança de noivado. – Piscou, sorrindo para assim retirar a aliança da caixa.
–Olha... – Virou a mesma um pouco de lado, havia algo escrito ali. –Um... Deu... Trós? Isso é Francês?- Fez que sim com a cabeça, sorrindo. –E é: Un, Deux, Trois. –Corrigiu o outro que ficou meio encabulado. Mordeu o lábio inferior antes de olhar para JaeJoong outra vez.
–E o que isso significa? – Sem cerimônia o loiro pôs a aliança no dedo anelar direito do maior, enquanto falava.
–Essa é a melhor parte... – Ele parecia bastante empolgado e não querendo atrapalhar, o mesmo o deixou prosseguir, ficando quieto e apenas escutando.
–Un, é 1 em Francês e ele representa a sua coragem. Coragem por ter apostado em mim, mesmo sabendo que seria uma batalha e tanto conseguir meu coração. Deux, é 2 em Francês e ele representa o seu amor. Amor que não pensou duas vezes antes de oferecer a mim, o amor que me aqueceu tanto com toques como com palavras. Trois é 3 em Francês e ele representa a sua paciência. Paciência por ter esperado esse dia chegar. Um ano se passou e agora posso dizer que, é você com quem eu quero passar o resto dos meus dias e... –
O loiro nem havia terminado e o outro já chorava silenciosamente, deixando pequenas lágrimas escorrerem por sua face. Ele não era o único, pois o menor também deixava pequenas gotas descer em seu rosto.
–Eu te amo, meu príncipe. – Se inclinou por cima do seu amado, para poder assim selar aquele momento mágico com um beijo, suave e cheio de amor.
–Sabe quanto tempo eu esperei por isso, sabe? – Alisava o rosto miúdo, que o olhava intensamente.
–Eu sei. 12 longos e demorados meses amor, mas... Agora posso te dizer que meu coração é unicamente seu, para sempre. — Sorria bobo, dando outros selinhos no seu agora, noivo.
–Você me chamou de Príncipe... Isso faz de você uma princesa, né? – Estava feliz e nada melhor do que brincar um pouco com seu loirinho.
–Isso faz de mim, a sua Princesa. – Estavam bobos e apaixonados. E agora era totalmente recíproco.
–Minha... Agora e sempre. –
Ambos trocaram um doce sorriso antes de juntar os lábios novamente, mas agora para um beijo mais encorpado, cheio de vontade e desejo. Demorou alguns minutos, até que lhes faltou ar e foi preciso cessar, selando demoradamente. Uma luz começou a invadir o quarto lentamente. Seria mais um relâmpago? Acho que dessa vez não, pois cada vez ficava mais claro ao invés de escurecer novamente. Os dois resolveram sair da cama e assim o maior se propôs puxar a cortina, revelando um lindo sol nascendo no fim do oceano que era de frente para a janela do quarto. Sorriram se entre-olhando e mais ao longe, podia-se ver um lindo arco-íris, festejando a ida da noite fria e chuvosa, trazendo consigo uma manhã de paz e serenidade, para aquele casal apaixonado. Deixaram as cortinas abertas ao voltarem para a cama. Trocaram mais alguns beijos, se amaram naquela manhã quase toda, para adormecer novamente ali, juntos. Mas algo havia mudado. Algo havia mudado aqueles dois para sempre, mas nada mais importava, pois agora eles tinham um ao outro. De corpo e alma.
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