Niji

1 Único


A segunda feira era violeta. Coincidentemente, foi quando um estranho foi lhe pedir informações e estranhamente estava indo para o mesmo lugar.Passaram a tarde inteira juntos naquele bar sem motivos aparentes e no final viraram não amigos mas pelo menos o nível básico: conhecidos.

O cabelo dele tinha partes violetas na primeira vez que ele o viu.

A partir disso, o outro não sabia que iria se deixar levar num mundo de fantasias.

Porque se apaixonaram com o tempo.

A terça feira era anil. A cor estimulante para a imaginação, Emiru dizia. E também por ser um feriado no meio da semana. Não que isso fazia muito sentido para Jin por isso sempre usava o eufemismo de que ele era adepto do elemento surpresa e não que era aleatório. Porque colocado assim ficava mais bonitinho. E Emiru era bonitinho.

Não, Emiru era lindolindolindo e wow.

Assim, enquanto isso, Emiru decidiu usar a criatividade exacerbante do dia fazendo algo no chuveiro com Jin.

Não conseguiram mas deu certo no final. Os dois estavam rindo e se amando.

Amando e amando.

A quarta-feira era azul. Azul escuro escuríssimo como o céu que viam e se encantavam e encaravam e se perdiam. As estrelas estava brilhando plimplimplim e as mãos estavam conectadas simbolicamente.

Eu te amo.

E o maior que o brilho das estrelas era o brilho dos olhos de Emiru.

Eu também.

E os lábios de ambos imitaram as mãos.

Até o amanhecer.

A quinta-feira era verde.Nesse mesmo dia da semana a algum tempo atrás, Jin conheceu o jardim secreto-não-tão secreto de Emiru. E ele corria e rodava e sorria e puxava Jin pelo espaço cheio de gramíneas e cores, muitas cores. Borrões de vermelho, lilás, turquesa, de Emiru, de amor e de próprio Jin.

Caíram na grama e rolaram e rolaram e Emiru abraça forte Jin e seus lábios estão no ouvido alheio.

Eu queria viver com você para sempre.

Estáticos na posição. Os olhares não se encontram.

Mas você vai.

A respiração controlada de Jin fazia seu peito subir e descer levemente, carregando consigo o peso do garoto ali deitado.

Para sempre então.

E ninguém se atreveu a falar algo.

Mas Jin sentiu o abraço apertar.

A sexta-feira era amarela. Apesar de não parecer, esta cor contribui para o temor a certas coisas, assim como Jin leu no horóscopo idiota do jornal naquela sexta qualquer. Hoje era dia de ficar sozinho porque aparentemente Emiru tinha um compromisso e tinha que fazê-lo sozinho. Jin concluiu que era algo importante e que estava preocupando o outro fazia um certo tempinho, já que ele parecia sempre meio abatido e sem energia ultimamente.

Passou o resto do dia imaginando se ele chegaria bem em casa e se ligaria reassegurando que o amava. E acabou dormindo.

O telefone tocava no quarto ao lado.

O sábado era laranja. Emiru acordou e sentiu raiva e tristeza e depressão, muita depressão ao ver a cor laranja das embalagens atrás de seu espelho. Porque essa cor fazia ele se lembrar de algo que ele queria esquecer.

E ele decidiu chamar Jin porque era isso que o outro o ajudava a fazer mesmo não estando ciente disso.

Toctoctoc e a porta foi aberta por um Emiru já mais feliz. Sorrindo ele estava pelo menos.

Mas de alguma forma não era o suficiente, algo estava errado e Jin sabia disso.

Emiru também sabia mas por hora ele fingiu não saber.

E ignorar o enjoo crescente.

O Domingo era vermelho. Foi num domingo a um ano atrás exatamente que começaram a namorar. Tudo foi tão intenso e quente quente e muito quente e cheio de ternura e mãos e corações palpitantes.

No dia de hoje especificamente Emiru estava de cama, era aparentemente só uma gripe.

Eu posso me cuidar sozinho. É sério.

Não acredite nele não acredite nele não acredite nele.

Eu acredito em você.

Mentira.

Jin sabia que só estava agradando o outro ao não discordar, mas às vezes devemos ser persistentes em algumas coisas.

Emiru já sabia e seguia isso faz tempo.

Por isso era teimoso em sua afirmação e mandou Jin para casa para não ficar doente também.

Jin, eu te amo.

O outro parou na porta e virou-se e estranhou. Emiru continuou.

Para sempre.

Jin respondeu o mesmo e agora estava entrando em seu carro e sua mente mas o que você está fazendo? algo está errado errado muito errado e estranho e volte mas ele só olhou a casa se afastar pelo retrovisor.

Foi num dia que Jin nem sabia direito que dia que era que recebeu a notícia assim como a conta do hospital.

E no mesmo segundo, o mundo inteiro foi consumido por uma escuridão maligna que engolia e se saciava com todas as cores que Emiru tanto gostava e Jin passou a amar.

Eu disse volte eu disse!

Ele sabia, era sua culpa.

Não era um resfriado idiota, Emiru estava doente fazia anos e anos e anos e sozinhos.

E ficava com raiva e deprimido e inconsolável por ter descoberto isso por médicos e não pela própria pessoa.

Se apenas eu soubesse.

Mas ele não fazia mágica, não iria saber como curá-lo se soubesse disso antes. Mas talvez... Talvez...

E chorou.

De segunda à segunda, todas as semanas.

Agora o ano inteiro era preto.

Notas finais
Tinha assistido Sweet November ontem. E Alvin e os esquilos. Que bom que me inspirei no primeiro. /nonsense
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!