Nii-san

1 Algo estranho


Entrei no ônibus querendo não ir para a escola. Abri as quatro janelas e pude sentar-me na cadeira, de forma não comum. Esqueci de trazer o mangá do Fairy Tail em casa, queria passar o tempo lendo no ônibus. Arrependido só restava olhar pela janela. Quando enfim, faltava só mais uma parada para eu vê-lo de novo.

Ele entrou, eu observava seus movimentos timidamente. O ônibus estava lotado, e ele teve de se assentar na cadeira especial para deficientes, logo atrás de mim. Meu coração naquele momento batia forte, com vergonha, ansioso, querendo logo falar com ele. Ele estava no lugar perfeito para eu poder chama-lo a atenção. Eu fazia planos ligeiros, para poder toca-lo, poder ouvir sua voz sua voz, eu admirava ele, tanto.

Ele deve ter apoiado seu braço, eu sentia ele me tocando nas costas, eu achei confortável, mas não gosto que as pessoas me toquem nas costas, por causa dos meus ossos, que parecem asas de anjo crescendo. Sentia minha alma vibrar, coração acelerado, não aguentava nem mais um segundo, eu queria logo abraça-lo, queria logo, que ele fosse meu irmão.

Sua aparência, é meio comum, pelo menos para mim. Ele me lembrava de um colega da escola. Admito que sinto inveja do seu corpo perfeito. Seus cabelos, seus olhos, seus lábios, não havia defeitos muito visíveis. Almejava aquele corpo, queria ter nascido bonito assim para pelo menos ter uma autoestima melhor. Mas já não queria aquilo, queria conhece-lo, queria ser amigo dele, queria ser o irmãozinho dele.

Pensando em tudo aquilo, que já poderia tomar uma iniciativa, levantei. Queria chegar lá, e cheguei, bem devagar. Mas tinha um homem que me impedia. Tinha o espaço perfeito, o tempo perfeito, o momento perfeito, menos aquele homem. Eu sou muito tímido, e seria julgado por ele, e os outros ao redor. Fazer um ato esquisito daquele jeito, acabaria comigo e a imagem infantil que eu passava. As pessoas me sempre me olhavam estranho, talvez seja pela minha aparência. Será mesmo que tenho cara de louco ou psicopata? Sou completamente normal.

Minha parada já estava chegando, então eu andei um pouco, e o acento que tinha saído, foi preenchido pelo mesmo homem que me impediu. Eu poderia ter voltado e falado com o garoto, mas seria mais estranho ainda. Eu então, perdi o momento perfeito, para conhecer o nii-san. Já desistindo de tudo, decidi descer logo do ônibus. Eu desci, e o sinal estava fechado, eu caminhava até a escola e via o ônibus, e ele lá dentro. Minha chance havia acabado. Só espero que tenha uma próxima vez, como essa, mas que seja mais perfeito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.