Nigth End
3 Pegadas Estranhas
Notas iniciais
— Aii, vai com calma Mah... Ai caramba.
— Ah, vamos lá, colabora sua fresca — Disse Malu, secando a ferida com um pano limpo após ter lavado com água fria.
— Fresca?! Você tem noção do tanto que isso ta doendo? eu acho que tinha alguma coisa na grama pra ter ido tão fundo.
— É, acho que sim. Mas pelo menos não quebrou o braço e vai conseguir ir pra escola amanhã de boa.
As meninas passaram o domingo quase todo estudando Geografia e Matemática. Kiara finalmente topara participar do NES depois que soube de um boato de mais um assassinato estranho que ocorreu na noite do sábado do campeonato, dessa vez na Floresta dos Nobres, próximo à escola, ninguém soube falar sobre a vítima nem a causa da morte, sua primeira ''missão'' seria no dia seguinte ao anoitecer na floresta da escola noturna, Malu decidira que a estreia de seu mais novo grupo de investigação não poderia ser em outro lugar. Por volta das 17:30 Malu foi para casa, pois tinha hora pra chegar. Ao levá-la até o portãozinho teve a sensação que alguma coisa a observava, olhou para os lados, mas a rua estava deserta, então entrou em casa imaginando que não passasse de coisa da sua cabeça.
✞
Na segunda, Kiara acordou animada para mais uma longa semana de aula, estava confiante que hoje conseguiria um emprego. Resolveu dedicar a manhã para passar em algumas lojas e dar mais uma olhadinha no jornal à procura de propostas para contratação, embora não tivesse havido nenhuma durante a semana passada inteira. Tomou um banho rápido no chuveiro fino do quintal, colocou um jeans justo com uma blusa básica, uma pequena bolsa marrom e saiu com apenas uma xícara de café no estômago.
Ao sair de seu quarto dos fundos, notou que havia um pedaço de papel preso no batente da porta, Kiara puxou o papel sem olhar seu conteúdo, imaginara que o vento tivesse trazido durante a noite ou a madrugada pois estava com um aspecto amassado e um pouco velho. Para ganhar tempo, preferiu ir andando e jogar o papel em algum lixo durante seu trajeto ao centro da cidade, passou pela casa da Sra. Rosália, a velha de cabelos grisalhos, que estava fazendo tricô na janela da sala.
— Bom dia querida — disse a Sra. Rosália ao ver Kiara passando em sua janela.
— Bom dia Sra. Rosália — retribuiu com um sorriso.
Kiara passou pela pequena e baixa porta de ferro e começou a subir a ladeira, começando a fazer um mapa mentalmente do seu trajeto naquela manhã. Ao final da comprida ladeira avistou uma lixeira alta cilíndrica e preta, então aproximou-se, mas antes de jogar o papel fora deu uma olhada no que tinha escrito, e logo mudou a ideia de se desfazer do papel.
" Contrata-se secretária, para trabalhar meio turno, pagamos 5 salários" tinha escrito em cima, mais abaixo uma observação que não era necessário experiência e o número de contato.
Kiara virou e revirou o papel várias vezes procurando mais informações, mas não encontrou nada a mais. Essa era a melhor oferta de emprego que já tinha visto sem pré-requisito de ensino superior, normalmente os salários para esse tipo de emprego pagava de meio à 1 salário. Mesmo sem muita esperança da vaga ainda estar disponível, devido ao aspecto antigo do papel, guardou-o em sua pequena bolsa.
Ao chegar ao centro da cidade, dirigiu-se para a banca de jornal, de longe já conseguia ler o título da enquete principal: ''Mais um assassinato misterioso na Floresta dos Nobres'', confirmando o boato do assassinato no sábado da final do campeonato, na Floresta da escola. Kiara se aproximou, pegou o jornal e sem dar muita importância para a manchete, folheou em busca de alguma proposta de emprego, mas sem sucesso, mais uma vez, não havia nenhuma.
Dobrou o jornal de volta, colocou-o na prateleira e foi andando para a praça principal. A praça não estava muito movimentada como de costume, havia um grupo de estudantes na grama conversando, um casal mais distante, em um banco e dois senhores jogando baralho perto de uma cabine de telefone, que era onde Kiara estava indo.
— Estes são tempos de paz — disse um senhor alto e magro, que trajava uma blusa azul e uma bermuda bege.
— Sim, na minha época os tempos eram bem mais difíceis, a guerra devastou muita gente, eu tenho uma prima que morreu na guerra, uma bala perdida a matou. — O outro senhor usava uma blusa branca, uma calça azul escuro e uma boina marrom.
— Eu perdi uma tia, ela se envolveu com um cara que fazia parte do grupo revolucionário Os Pistoleiros, e acabou morrendo também. Entraram na casa deles e assassinaram os dois a facadas. — Lamentou
— Todos os dias eram no mínimo duas ou três mortes, verdadeiros tempos de terror. Essa nova geração não sabe o que é ter medo até dentro da própria casa. — disse enquanto comprava uma carta no bolo de cartas.
Kiara entrou na cabine, de dentro não conseguiu mais ouvir a conversa. Pegou o papel na bolsa e ligou para o número que ali estava escrito. O telefone chamou três vezes e alguém atendeu.
— Bom dia, quem fala ? — falou uma voz masculina, formal e calma.
— Err... Olá — disse Kiara pensando no que falar — Err... que eu achei um papel.... — ''não, assim não'' — pensou.
— É sobre a oferta de emprego ? — ajudou o homem
— Sim, sim! Isso, queria saber se a vaga ainda está disponível. – Mordeu os lábios.
— Qual seu nome por gentileza?
— Eu me chamo Kiara Molt.
— Só um minuto senhora Molt.
Após uns 30 segundos que pareceram eternos para Kiara, o homem voltou à ligação.
— Sim, a vaga está disponível, caso tenha interesse, podemos mandar um motorista até sua casa amanhã para trazer-lhe para a entrevista.
— Sim Sim, tenho interesse. — Apressou-se a dizer. Kiara estava tentando controlar a empolgação, que estava sendo uma tarefa muito difícil. — Err... motorista? — acrescentou
— Ah sim, senhorita, é um pouco distante, então não será problema trazê-la. Qual sua disponibilidade? — perguntou o homem, não dando relevância a empolgação de Kiara.
— De manhã! qualquer horário pela manhã.
Kiara passou todas as informações do endereço onde morava.
— Ok, senhorita Molt, lhe aguardo amanhã as 8hrs. Tenha um bom dia.
Ao finalizar a ligação, Kiara já estava dando pulinhos de alegria na cabine telefônica, quando notou que os senhores que jogavam carta, à observavam rindo. Kiara rapidamente se ajeitou e saiu disfarçando sua vergonha de cabeça erguida.
✞
— Você tá brincando! 5 salários? — disse Malu andando com Kiara para a biblioteca no intervalo.
— Sim! Eu achei que já tinham pegado, liguei sem muita esperança, mas o moço disse que estava disponível e então eu vou amanhã de manhã para a entrevista. — disse Kiara abrindo a porta da biblioteca.
— Caramba, até eu queria esse emprego, onde é esse trabalho? Vou ficar de olho quando abrir outra vaga.
— Não sei, acabei nem perguntando, me empolguei tanto que esqueci de perguntar. Mas amanhã vou saber, aí te digo.
— Espera ai, mas você não acha estranho um bilhete de emprego aparecer na sua porta, logo quando você está procurando um, oferecendo toda essa grana e ainda por cima você vai ser buscada por um cara que você nem conhece e nem sabe para onde está indo?
— Não tinha pensado nisso...
Malu parou abruptamente – Eu acho que isso é enganação, eles podem estar tentando te sequestrar, e você pode ser a próxima vítima dessa onda de matanças.
— Ah não, você falou que essas coisas acontecem a noite, eu vou ser buscada pela manhã. Não acho que é enganação – Disse Kiara chateada em pensar que Malu estava vendo problema até no seu novo emprego.
— Eu vou com você! Já sei eu poderia seguir...
— Já chega Malu, não vai acontecer nada, ninguém vai fazer nada comigo e vai da tudo certo – Disse Kiara cortando a conversa.
As meninas se dirigiram para o balcão, Malu foi procurar livros sobre a cidade, aquela história de Ryan tinha mexido com sua cabeça. Perguntou sem sucesso para a balconista sobre livros que tinham a história de Night End ou algo relacionado, a única referência que sabia era do livro de História comum, que não tinha muita informação.
Kiara sentou em uma mesa redonda perto da janela chateada ainda pensando na possibilidade de não conseguir aquele emprego e de ser tudo enganação, enquanto a amiga teimosamente ia procurar alguma coisa nas estantes. Aquela história obviamente seria um absurdo, não teria a melhor probabilidade de ser sequestrada em pleno dia, isso nunca tinha acontecido, não era possível que iria acontecer justo com ela.
Malu voltou desanimada e sentou ao lado de Kiara.
— Não tem nada aqui, estou começando a achar que Ryan falou aquilo só para nos impressionar, ou se enturmar, já que ele não tem amigos. — Malu estava procurando alguma desculpa para o fracasso de sua busca.
— É feio falar dos outros pelas costas — disse Ryan jogando sua mochila encima da mesa se juntando na mesa com as meninas.
Kiara e Malu tomaram um susto com a chegada repentina de Ryan.
— Você tá nos perseguindo? Não se pode mais conversar em paz, caramba. — disse Malu franzindo o cenho
Ryan colocou as duas mãos na nuca com os braços abertos e se inclinou na cadeira de um jeito despojado, fechando os olhos com ar de superior, com um sorriso nos lábios.
— Qual seu problema ? — disse Malu
— Na verdade, estou tranquilo, apenas colhendo algumas informações. — disse Ryan se ajeitando na cadeira.
— Que informações ? — perguntou Kiara
— Assuntos confidenciais. — disse Ryan — Aliás, vocês acharam mais alguma coisa sobre os assassinatos ?
— Estamos procurando, você também tá fazendo investigação ? — disse Malu curiosa
— Não, sou apenas um curioso que gosta de saber sobre os acontecimentos.
— Nós estamos montando um grupo de investigação, você quer participar ? — disse Kiara rapidamente, antes que Malu interferisse.
Malu olhou para Kiara incrédula com o convite, logo aquele garoto que ela não gostava.
— Vamos lá Malu, para com isso, precisamos de um homem no grupo e ele pode ajudar bastante. — disse Kiara com olhar de súplica.
Malu fez uma pausa para pensar — Ta bom, mas antes, você vai ter que contar pra gente o que sabe sobre aquela história que falou pra gente no parque da história da guerra.
— Eu ainda nem disse que quero entrar — disse Ryan sorrindo
— Ah vamos Ryan, vai ser divertido. — disse Kiara
— Vou pensar na proposta... — disse Ryan olhando pra cima
Uma garota baixinha de cabelos castanhos, cacheados e volumosos saiu de trás da estante, seus olhos eram escuros e arredondados, usava um óculos redondo de fundo de garrafa que aumentavam seus olhos três vezes mais, a menina estava carregando vários livros nos braços.
— Oi, tudo bem ? Boa Tarde, err... desculpa estar escutando a conversa de vocês — disse sem pausa — Vocês estavam falando em um grupo de investigação? Meu nome é Talita Keiroz e eu gostaria de entrar no grupo, quer dizer, ainda tem vaga? Eu andei lendo uns livros de mistérios e tipo de detetive também. Eu acho que posso ser muito útil — finalizou com um sorriso amarelo.
Todos da mesa olhavam para a garota espasmos pelo encontro repentino e a quantidade de informação da sua fala sem pausa. Um silêncio constrangedor se estendeu por 5 segundos enquanto a garota sorria olhando para cada um da mesa esperando a resposta.
— Olá Talita, sente-se — Malu fez um gesto para a menina se sentar.
A garota se sentou desengonçada quase derrubando os livros de seus braços.
— Então, conte-nos como você pode nos ajudar? já que diz que pode ser útil para nós.- perguntou Malu
— Existem monstros que vivem na floresta, esses lobos na verdade são tipo lobisomens, que atacam os humanos, e os lobisomens reais não precisam de lua cheia para se transformar igual nas histórias, eles se transformam toda noite e se alimentam de humanos. — Enquanto falava, seus olhos brilhavam e ficavam ainda maiores naqueles óculos de fundo de garrafa. — Dizem também, que naquela escola da floresta só estudam vampiros, é por isso que ninguém pode chegar perto, isso explica porque a escola só funciona à noite.
Ao finalizar, Malu e Kiara olhavam incrédulas para a garota que acabara de falar um absurdo. Ryan interrompeu o silêncio com uma risada alta.
— Isso são histórias que contam para assustar crianças. — disse Ryan entre risos.
— Não, não são. — disse Talita com firmeza.
— Que provas você tem ? — desafiou Ryan
— Nunca tem pegadas de gente ou de animais nas cenas dos crimes, meu pai é policial e sempre fala sobre isso. — disse com muita certeza
— Isso não é suficiente pra dizer que existem lobisomens e vampiros — interrompeu Kiara
— Que opção melhor você tem então ? — confrontou Talita
— Um Serial Killer, um psicopata. Eles são altamente inteligentes e o suficiente para não deixar pistas e rastros. — Sugeriu Malu
— Eu voto no Serial Killer — disse Ryan
— Eu também — disse Kiara
— Tá, então se não vão precisar de mim... — Talita ia se levantando quando Malu interrompeu segurando o braço da garota — Espera, não dissemos que não vamos precisar de você. Você pode tentar nos provar sua teoria depois, mas por enquanto pode ajudar a gente na investigação, aliás, seu pai é policial que você disse, conte mais sobre seu pai pra gente... – Disse Malu interessada.
Logo imaginou que Talita poderia ser uma boa fonte de informações para os crimes, perguntou sobre a relação que ela tinha com o pai e o quanto ela poderia extrair sobre os crimes.
O intervalo bateu e todos voltaram para suas atividades escolares.
O NES estava crescendo aos poucos, embora as opiniões e personalidades fossem diferentes, pareciam estar se dando muito bem. Ryan não deu resposta sobre entrar ou não para o grupo. Logo após a aula, as três meninas se encontraram na frente da escola e combinaram de se encontrar na praça principal da cidade para a primeira missão, que se realizaria naquela noite no local do último crime, a Floresta dos Nobres.
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Às 20:00 horas como combinado Kiara pegou sua mochila e saiu de casa para se encontrar com Malu e Talita na praça. Em 10 minutos Kiara chegou e encontrou Talita que já estava lá, Malu chegou só 20 minutos depois.
— A gente já tava indo embora, você demorou demais, o que aconteceu? — Disse Kiara
— Foi o Vitor, meu irmãozinho demorou pra cair no sono, quase que eu não consigo sair de casa. Meus pais ainda estão acordados, mas eu deixei uns livros e o travesseiro coberto com lençol, eles não vão perceber. — disse enquanto tirava a mochila das costas e colocava em um banco da praça.
— Essa cidade fica muito estranha à noite. — Kiara não parava de olhar ao redor.
— É fica bizarra. — concordou Talita
— Eu trouxe algumas coisas, aqui tem uma lanterna, fósforo, uma vela, tesoura... tem... caderno, caneta... e eu só consegui roubar uma faca da cozinha. — disse Malu remexendo a bolsa.
— Pra que você trouxe uma vela ? a gente tem lanterna, eu também trouxe uma. — Kiara tirou a lanterna da sua mochila e mostrou.
— Vai que acaba a pilha, não vou querer ficar no escuro — disse fechando a mochila — Queria ter trazido mais coisas, mas arrumei tudo em cima da hora.
— Vocês vão gostar disso – Disse Talita com empolgação. Eu consegui roubar uma cópia de um mapa da pasta do meu pai, remexi todas as gavetas, mas só achei isso de interessante. — Talita abriu a folha com o mapa e mostrou para as meninas — O mapa original com cor deve tá na polícia. Tá vendo esse círculo aqui no meio — disse apontando no mapa — Eu acho que foi o local do último crime, podemos ir lá e comprovar o que falei pra vocês mais cedo, das pegadas, ou ver se achamos mais alguma coisa.
— Nossa, isso é fantástico — disse Kiara maravilhada, já se sentindo uma detetive de verdade.
As meninas guardaram as coisas e começaram andar em direção à floresta.
Para Kiara aquela missão ainda era inútil, não achava que iriam descobrir alguma coisa diferente que a polícia já não soubesse, só tinha de fato aceitado ir porque só de imaginar em visitar a escola por onde Allan passava todos os dias e quem sabe encontrá-lo novamente, a deixava de coração acelerado, mesmo não querendo admitir para si mesma, sabia que no fundo era verdade. Elas caminharam para a Floresta dos Nobres e quando chegaram no caminho tortuoso de pedras, que estava iluminado, optaram ir pela floresta, por ser mais seguro e se esconderem melhor dos seguranças. Conseguiram chegar ao cercado da High Five, mas era muito alto para pularem e constituído de vários ferros pontiagudos dispostos paralelamente entre si.
— A gente não tem como entrar, e não dá pra ver nada daqui, o que vamos fazer ? — Disse Malu
— Sei lá, voltar pra casa — disse Kiara dando de ombros
Malu olhou incrédula para a amiga e ignorou seu comentário — Vamos rodeando o cercado e pode ser que a gente encontre alguma brecha, pega sua lanterna. — disse Malu enquanto tirava a sua da bolsa.
As meninas andaram contornando o gradeado mas não acharam nenhuma falha no cercado e não conseguiram achar nenhum jeito de entrar. Desistiram de contornar, pois além da mata estar ficando mais densa o terreno da escola era muito grande pra conseguirem contorná-lo completamente.
— Por que a gente ta tentando entrar na escola ? — perguntou Talita
— Porque é o lugar mais misterioso que temos aqui e também eu sempre quis entrar no castelo — respondeu Malu
— Precisamos de um foco, a gente veio pra ir no lugar do último crime ou entrar na escola ? — perguntou Talita indecisa.
— Os dois. — respondeu Malu
— Eu acho que a gente pode voltar aqui outro dia e pensar em uma maneira de pular esse cercado, já que não tem nenhuma brecha. — falou Talita
Kiara ficou pensativa olhando o cercado imaginando se Allan estaria ou não do outro lado do cercado a alguns metros de distância. Talita abriu o mapa que foi iluminado pelas lanternas e traçaram um possível caminho para o local indicado com um círculo no mapa. A floresta estava ficando cada vez mais escura, na medida que entravam, o caminho também se tornava mais difícil.
Passaram um bom tempo andando na floresta escura, quando estavam quase desistindo Kiara achou umas faixas amarelas que contornavam um conjunto de árvores. No local cercado, tinha o desenho de um corpo no chão. Estava com um cheiro forte, as manchas do sangue que fora deixado pela vítima ainda estavam lá apodrecendo. Ninguém teve coragem de ultrapassar a barreira feita pelos policiais, rodearam a área por fora, iluminando e procurando pistas.
— Eu falei pra vocês que não tem pegadas, lobisomens e vampiros existem, são reais! — disse Talita confiante
— Lobisomens e Vampiros também deixam pegadas. — disse Malu
Talita ficou pensativa, mas logo achou uma resposta. — Os Vampiros voam e os lobisomens devem subir facilmente nas árvores para escapar.
— Ah, francamente! agora lobisomens são uma espécie de macaco? — Malu revisou os olhos.
— Eles são fortes e ágeis, conseguem escalar uma árvore.
— Vamos embora não tem mais nada pra ver aqui — disse Malu deixando Talita e sua teoria maluca de lado.
— Espera Malu, cadê Kiara?
Kiara tinha desaparecido, deram várias voltas ao redor das faixas e nenhum sinal da amiga. Começaram a chamar pelo nome, mas também não tiveram respostas, já estavam começando a ficar preocupadas, quando escutaram a voz de Kiara chamando um pouco distante. As meninas foram correndo em direção ao chamado, pensaram que tivesse acontecido alguma coisa com a amiga, mas ao chegar a viram parada olhando para cima à um metro e meio de uma árvore.
— Você quer matar a gente de susto, pensamos que tivesse acontecido alguma coisa! — disse Malu ofegante.
— O que você ta procurando — disse Talita se aproximando olhando para cima também, procurando saber o que Kiara estava olhando.
— Pegadas, tem pegadas aqui. — disse apontando para o chão. — Começam daqui de onde eu tô e acabam no pé dessa árvore. A pessoa escalou essa árvore aqui, só não sei como, não tem galhos para apoiar e ela é muito alta.
— Não fale nada, PORFAVOR! — disse Malu rapidamente para Talita, antes que começasse novamente com aquela história de criaturas sobrenaturais.
— Não adianta querer fugir. — disse Talita triunfante
— O cara pode até ser um Serial Killer super inteligente, mas nenhum ser humano normal conseguiria sumir do nada ou escalar essa árvore — disse Kiara virando e olhando para as meninas de olhos arregalados.
As meninas ficaram se entreolhando assustadas, sabiam que alguma coisa ali não estava normal, embora Malu não acreditasse em criaturas sobrenaturais, sabia que alguma coisa estava muito estranha ali. Uma sensação estranha começou a tomar conta do clima, uma espécie de medo misturado com perigo. Quando de repente elas escutaram um barulho estranho na mata. Kiara faz um sinal de silêncio com o dedo, e todas ficam paradas e tensas. A coisa na mata começou a se mexer em direção a elas, estava escuro e o barulho era a única coisa que poderiam detectar naquele momento.
— Corram!! — gritou Malu desesperada. Que foi a primeira a sair correndo com toda a velocidade que conseguia.
Talita foi logo atrás seguida de Kiara, o terreno era muito pedregoso, os galhos e a mata atrapalhavam a visão. A coisa agora também se mexia com velocidade, estava seguindo as meninas. O coração de Kiara parecia que ia sair pela boca, estava prestes a ser morta por alguma coisa que nem sabia o que era e estava cada vez mais perto. Teve certeza de que era seu fim, quando sentiu algo puxar seu braço. Kiara caiu rolando, as meninas continuaram correndo desesperadas, sem olhar para trás.
— Peguei! — disse uma voz masculina e familiar. – Agora você está sobre meu domínio seu monstro maldito, ou eu te mato.
Kiara identificou a voz de Ryan de imediato – Ry..an ?
Ryan estava com um punhal aparentemente de prata na mão, quase perfurando pescoço de Kiara.
Kiara abriu os olhos e se sentiu aliviada em ver que não era um bicho – Sou... eu? — disse ofegante — O que... você ta fazendo... aq.. ?
Ryan tirou o punhal do pescoço de Kiara e escondeu-o rapidamente na calça, cobrindo com a blusa- O que VOCÊ ta fazendo aqui? — disse o garoto franzindo o cenho.
— Eu... voc... ai... — Kiara estava tentando falar mas a adrenalina estava alta demais e sua respiração muito ofegante.
— Ah, sim Desculpa. — Ryan saiu de cima de Kiara, e sentou-se na grama ao seu lado.
Kiara sentou e colocou a mão no coração, enquanto tentava regular sua respiração. — Achei... que... fosse um bicho! Ahhhhh Ryan! — Kiara deu um abraço em Ryan, que se espantou com a ação de Kiara.
Ryan ficou sem jeito, mas retribuiu o abraço. — Não vai chorar né ?!
— Não, só estou feliz de ser você e não um lobisomem. — Kiara se afastou de Ryan com um sorriso e os olhos marejados de lágrimas.
— Como você sabe que eu não sou um lobisomem? — disse Ryan sério
Kiara ficou séria e o encarou.
— Tô brincando com você. — Cutucou-a sorrindo para quebrar o clima.
— Não brinca com isso, eu já estou quase acreditando que eles existem.
Ryan se levantou e deu a mão para levantar Kiara. — Precisa de ajuda?
Kiara confirmou acenando a cabeça. Ryan passou o braço esquerdo de Kiara em seus ombros, e apoiou sua mão direita na cintura de Kiara. Os dois saíram da floresta e foram para a praça. Assim que chegaram na praça, Malu e Talita vieram correndo ao seu encontro. As meninas contaram toda a história e a confusão foi esclarecida, menos o motivo de Ryan estar na floresta, sempre que perguntavam, ele mudava de assunto e conseguia fugir da pergunta.
Naquela noite todos dormiram se perguntando sobre aquelas misteriosas pegadas.
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