Nights With You
1 Capítulo 1 - O dia em que o conheci
Notas iniciais
Eu amava as férias. Como eu amava dedicar todo meu tempo em fazer nada, dormir, comer e fazer mais um pouco de nada. Eu amava o ócio, a liberdade de poder fazer tudo o que eu quero no meu próprio tempo era maravilhoso.
Mas existia algo que eu sentia falta da época das aulas.
Com certeza não eram as aulas de química com o Sr. Marcius, ou o bolo de carne que serviam as quintas-feiras.
Eu sentia saudade do grupo do coral. Ah, como eu sentia falta daquilo.
Não que eu não estivesse cantando e tocando nas minhas férias, longe disso, meu ser clamava por música e eu nunca conseguiria ficar longe disso. Mas eu sentia falta de estar rodeada de pessoas que gostavam do mesmo que eu. Que se divertiam cantando e dançando, que gostavam da plateia.
Era diferente de ser uma líder de torcida. Dar piruetas, ficar no topo de uma pirâmide e torcer para o time, tudo era divertido e eu amava fazer isso. Mas a minha relação com a música era diferente, era ainda mais especial.
Eu não lembrava exatamente como tudo aquilo havia começado, porém eu me lembrava de dançar de pijama na cozinha, aos domingos de manhã, enquanto eu e mamãe ouvíamos e cantávamos alto sua coleção de CDs, que iam de Beatles à Britney Spears.
Com oito anos eu decidi que aprenderia a tocar violão, então cinco anos depois, quando fiz treze, decidi que era hora de aprender a tocar guitarra. Dois anos atrás, comecei a aprender a tocar piano. Em meio a todos esses instrumentos, eu cantava. Nunca havia deixado de cantar.
Cantava no coral da escola, cantava em casa, cantava na aula de música. Não conseguia parar de cantar.
Então, era disso que eu mais sentia falta das aulas. O grupo do coral. Pois apesar de nem todos sonharem com uma carreira musical, como eu sonhava, cada um deles amava a música e queria que isso fizesse parte de sua vida.
Além dos meus colegas, ainda havia o Sr. Banner que era nosso mentor e professor de biologia. Ele era como o Sr. Schue, de Glee, e não segregava ninguém, todos eram muito bem-vindos no clube do coral e cada um de nós nutria um carinho especial por ele.
Assim que as aulas voltaram, duas semanas atrás, ele havia me procurado. Pedindo que eu preparasse uma música para voltarmos aos ensaios e eu obviamente não recusei.
Eu cantava com paixão, meus olhos fechados e cada célula do meu corpo comprometida com a música. Meu coração batia forte em meu peito, como o tambor de uma orquestra e eu imaginava uma plateia lotada me assistindo. Eu amava aquela sensação, eu amava o que fazia.
Então uma batida na porta me desconectou de minha imaginação, me jogando de volta a realidade.
Jaqueta de couro, calças justas, coturnos e o cabelo tão bagunçado quanto possível. Ele exalava sensualidade e perigo, tudo misturado. Ele era tão lindo que eu não consegui disfarçar e apenas parei de cantar, antes que corasse e começasse a gaguejar. Eu tinha um namorado.
— Acho que é aqui o clube do coral. O que preciso fazer pra participar? – perguntou ele com um sorriso de canto no rosto, escorado na porta. Merda. Ele era quente.
— Se apresente, puxe uma cadeira. Todos são bem-vindos – disse o Sr. Banner.
— Cullen, Edward Cullen. Entrei aqui na Sacramento High School esse ano. Toco piano e violão. Precisam saber mais alguma coisa? – perguntou com uma sobrancelha arqueada.
— Você é solteiro? – perguntou Jéssica dando um sorrisinho, Kate e Victória ao lado dela olhavam com expectativa. Eu as entendia, ele era realmente quente, era quase impossível desviar os olhos dele.
— Sou. – Respondeu dando de ombros e sem dar detalhes.
— Pode sentar, Sr. Cullen – disse o Sr. Banner antes que a Jéssica fizesse outra pergunta pessoal. – Bella, que tal voltar do começo?
Eu fechei os olhos tentando voltar a sentir a música e ignorar o garoto bonito de olhos verdes, eu sabia que seria quase impossível fazer aquilo de olhos abertos. Então quando os músicos voltaram a tocar, apenas me deixei levar pelo ritmo da canção e cantei, cantei como se a minha vida dependesse disso, como se eu estivesse em um show lotado.
Não havia nada ou ninguém, apenas minha música e eu. A batida da música e a do meu coração sincronizadas.
Quando a música acabou e eu abri meus olhos, meus colegas aplaudiram, Victória assoviava animada, o garoto novo tinha um brilho nos olhos enquanto aplaudia com os outros. Agradeci e sentei em minha cadeira, a tempo de escutar o discurso do Sr. Banner, sobre os campeonatos desse ano e da rotina de ensaio que seguiríamos.
*****
Eu sai correndo da sala de música, querendo pegar o final do treino de futebol americano, já que por ainda ser começo do ano os ensaios do coral ainda acabavam cedo.
Rose me esperava na arquibancada, rabo de cavalo, calça jeans, tênis esportivos e uma camiseta de mangas compridas. Rosalie era minha melhor amiga, havíamos sido criadas como irmãs, apesar de ela ter Jasper. Morávamos em casas próximas, esse ano tivemos sorte de pegar a maioria das aulas juntas e ainda éramos líderes de torcida juntas, além de namorarmos jogadores do time de futebol. A última coincidência sempre sendo tratada com desgosto por Rosalie.
— Como foi a reunião do time de atletismo? – perguntei assim que sentei ao lado dela.
— A mesma coisa – respondeu dando de ombros. – E o coral?
— Divertido como sempre – disse sorrindo. – Um garoto novo resolveu entrar para o clube esse ano.
— Milagre – riu ela. – Como o maluco é?
— Quente – falei suspirando. Mike, Bella! Pense em Mike. – Jaqueta de couro, bem badboy. Jéssica e as garotas quase subiram em cima dele. Mas com aqueles olhos verdes, eu as entendo.
— Olhos verdes, jaqueta de couro. É o Cullen?
— Como você sabe? – questionei com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Como não saber? Ele é um dos garotos que se mudaram esse ano, todos estão comentando. A irmã dele está no primeiro ano. Ele faz quase todos as aulas com a gente, inclusive senta atrás da gente com o Emmett na aula do Sr. Banner. Em que mundo você vive, passarinha?
— Nem eu sei. Provavelmente estava voando. – Dei de ombros rindo. Como não o percebi?
Nós paramos de conversar sobre o garoto Cullen, prestando atenção no treino e babando em nossos respectivos namorados. Mike e eu estávamos namorando desde julho. Ele havia me pedido em namoro no meio das férias e nós quase não nos vimos no meio delas, pois Mike achava que era cedo demais para ser apresentado ao meu pai, então esperei ansiosamente pela volta as aulas, para ter meu namorado por perto com frequência.
Podíamos formar um casal clichê, digno de um filme, afinal ele era jogador do time de futebol e eu uma líder de torcida. Era previsível, ele me tratava bem, apenas parecia certo.
Assim que o treino acabou, ele jogou o equipamento no canto da quadra junto com os outros jogadores e veio para a arquibancada, o cabelo loiro pingando.
— Oi, docinho – disse se aproximando e já me erguendo, tomando meus lábios antes que eu pudesse responder.
Eu coloquei meus braços em seus ombros, tentando em vão não encostar muito em seu corpo suado. Eu odiava quando ele vinha me abraçar assim que saia do treino, mas ele parecia não ligar para aquilo.
Assim que o nojo pelo suor passou, aproveitei o beijo em seus braços, quente, avassalador. A música não importava naquele momento, nem o garoto novo, apenas meu namorado gostoso.
*****
Na semana seguinte, Sr. Banner havia nos desafiado a trazer algo indie para cantar para os outros. Eu amava esses desafios do Sr. Banner, onde o prêmio era a simples alegria de vencer, mas não conseguia mais esperar pelos desafios onde disputaríamos os solos das regionais.
Eu estava animada, havia escolhido Summertime Sadness da Lana Del Rey e seria uma das últimas a cantar, por causa do sorteio.
Edward seria o primeiro a cantar e eu sentia a expectativa de todos, completamente curiosos para saber se Edward seria uma pessoa que entendia o mínimo de música, ou seria um desastre.
Quando a batida começou, eu sorri reconhecendo a melodia, eu amava I wanna be yours, do Arctic Monkeys, o que só fez com que minha expectativa aumentasse.
Assim que Edward começou a cantar, senti como se todas as minhas expectativas fossem superadas. Sua voz era profunda, rouca na medida certa, quente. Combinava com ele, com a jaqueta de couro e os jeans justos. Ele cantava com emoção, de olhos fechados.
Ao meu redor, eu sentia as pessoas tão hipnotizadas quanto eu, presas no encanto da voz de Edward. Eu poderia ouvi-lo cantar por dias sem enjoar.
Naquele momento parecia que eu o estava vendo pela primeira vez, enxergar o jeito com que ele se entregava na música, o quanto ele dava sua alma para aquilo.
Para mim, aquele foi o dia em que eu realmente conheci Edward Cullen.
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