Nightmare
1 Capítulo 0: Piloto
Notas iniciais
Eu tive um pequeno problema quando eu encontrei o texto semana passada: O texto estava muito mal trabalhado, por isso eu quase apagava e desistia de uma vez por todas.
Mas com um pouco de paciência eu consegui reescrever algumas páginas de um piloto (que acabou se tornando esse capítulo), espero que gostem e que me mandem críticas (construtivas, é claro) para me ajudarem a continuar a escrever essa história.
Acordei hoje suado, respirando pesadamente. Tive um pesadelo, mais um. Esse haveria algum significado? Como era mesmo? Não consigo lembrar de muita coisa, poucas imagens – certamente não são todas –, e como sempre, tenho a impressão de que deixei algo importante escapar…
Desta vez, eu lembro da luz do luar, que banhava a terra através de uma delicada camada de nuvens que cobriam lua. Uma floresta de arvores secas que negavam a própria morte e decidiam ficar firmes em seus lugares – apesar do vento, chuva ou qualquer outro desastre – e ainda assim se mantêm. Os galhos das árvores criavam as únicas sombras do ambiente, por isso eu podia lembrar: “Era noite”. Sinistramente os lobo uivavam ao fundo, corujas se mostravam alertas, o vento assobiava e os galhos quebravam ao menor movimento. O balé dos horrores, dos meus horrores, estava sendo apresentado num palco exclusivamente para mim. Para onde correr? Todos os lados tinha a mesma coisa. Eu estava cada vez mais claustrofóbico.
Vamos combinar que sonhos ruins ou pesadelos não são agradáveis, mas por que minha cabeça insiste neles? Por que sonhar com uma pilhas de corpos? POR QUE OS CORPOS ERAM TODOS IGUAIS A MIM?
“Aaron, você tem que deixar de ler tantos livros de horror psicológico, principalmente os mais antigos. Você está ficando mais doido do que já era!”, disse a jovem garota ao meu lado.
“Nicole, eu já entendi essa parte, não é legal ler histórias de terror, não é legal assistir filmes de terror, mas eu gosto, fazer o quê?”, respondi.
“Como se a vida real já não fosse ruim...”, ela murmura.
“Onde está a graça na vida real, prima?”. Nicole pensa por alguns segundos, mas não responde. “Quando e como você se tornou tão adulta?”, pergunto.
“E quando você pretende crescer? Logo vai se tornar um adulto mas nem pensa nas responsabilidades que vai ter”
“Eu tenho 16 anos! Ainda tenho tempo para amadurecer. Já você, Nicole, tem só 14. O que te fez crescer tão rápido?”.
“Não tenho certeza”, responde ela simplesmente. “Enfim, tenho que ir, logo vai escurecer e mamãe já deve estar se preocupando”.
Meu celular notifica uma mensagem. Olho pra Nicole. “Quer apostar?”, dizia seus olhos.
“Você estava certa”, disse após ler, “Sua mãe está perguntando por você, e Nicolas disse que não está conseguindo falar com você”.
“Ora, meu celular descarregou e nem notei. Responda que eu estou saindo agora mesmo”. Eu tento segurar uma risada, mas foi em vão. Afinal de contas ela não é à prova de irresponsabilidades.
Nos despedimos e ela foi embora. E, de novo, eu estava só em casa. Uma bela fim de tarde de um domingo… Sem nada para fazer!
Depois de alguns capítulos do meu livro favorito e de um episódio da série que eu estava acompanhando. O relógio marcava 21h, logo eu sentiria fome. Deixo uma playlist tocar nos meus fones de ouvido e vou preparar meu jantar.
Mamãe estava em uma viagem de negócios e só voltariam em alguns dias. Então ainda teria uma semana “de pura diversão”…
Ao inferno a diversão! Eu só precisava deitar na minha cama. E era para ela que eu estava me dirigindo.
Quando eu fechei a porta do meu quarto ouço uma voz infantil perguntando ao meu lado: “Já está com sono?”.
Eu abri minha boca para responder, mas lembrei: “Não tem mais ninguém aqui em casa. Eu estava só”. Senti uma vertigem e quando me recuperei olhei em volta. Não havia ninguém de onde a voz veio. Devia ser o cansaço.
No meu sonho, alguns amigos e eu estávamos numa festa no bairro. Eu estava tentando me divertir, mas não estava no meu habitat… Inacreditável que eu tenha virado a noite nessa festa.
O sol estava nascendo devagar no horizonte e ainda estava escuro. Eu estava sozinho e caminhando de volta para casa, decido pegar um caminho diferente do de costume. Chego em uma praça e sento na grama para olhar para o céu, sentindo a brisa do ar frio no meu rosto.
“Oi, tudo bem?”, eu escuto alguém falar, mas se foi comigo não dei atenção, eu estava tão feliz no meu devaneio. “Oie~”, ouço novamente e desta vez me viro em encontro ao dono da voz.
“Oi”, respondo. Um garotinho asiático estava na minha frente. “Ahn… Já nos vimos antes?”, a sensação de dejà vu gritava na minha cabeça.
“Então você se lembra! Sim, nos conhecemos antes”, o garotinho responde.
Durante alguns segundos eu fico encarando o menino, então me deito e falo “É muito real…”
“Mas é só um sonho”, falamos em uníssono. Volto a encará-lo.
“Eu lembro desse sonho, foi tão real...”. Lentamente cada detalhe voltava em minha mente, eu sabia que não precisava ter pressa, “Aproveite o momento, sinta a brisa, sinta a grama, sinta a paz”, algo me dizia.
“Estava na escola, era o dia de uma apresentação de talentos”, o garoto se senta ao meu lado, esperando pacientemente eu terminar.
“Eu estava longe da plateia, longe de todos, mas estava lá olhando. Não gosto de lugares cheios e o barulho já era irritante o suficiente. Eu não queria estar lá, mas eu fiquei… Estranho, não? Era só um sonho”, faço outra pausa esperando uma resposta, mas ela não vem.
“Uma apresentação após a outra eu me pergunta o por quê de ainda estar lá, esperando. Minha resposta veio com uma onda de risadas. Toda a escola estava rindo.
“Um grupo de 25 crianças de, mais ou menos, 10 anos estava se apresentando. Era um número muito bonito, sincronizado e difícil. Em certo momento 3 crianças se esbarraram e caíram. Ninguém parou para ajudá-las, apenas riram.
“2 das crianças – um casal – saíram correndo imediatamente, um garoto – talvez o mais pequeno – estava chorando no chão, paralisado.”
“Pois é, foi um sonho ruim para mim”, disse o garoto, “Eu não aguentava mais aquelas risadas, mas tudo que eu consegui fazer foi tapar meus ouvidos com toda minha força, mas eu ainda ouvia.
“Finalmente chegou alguém para me ajudar. Um professor me deu a mão e me levou de onde eu estava. ‘O show deve continuar’, ele disse, então eu notei que ele só queria que eu não atrapalhasse.”
“Eu não tinha ouvido o que o professor falou. Ele tinha te levado para um lugar perto de mim – não tinha ninguém para rir de você lá, ninguém ia conseguir te ver – quando te tirou do palco. Eu decidi que deveria falar com você, tentar te animar”, eu disse.
“E eu te ouvi. Você parecia que foi o único que não riu de mim. Foi o único que realmente tentou me ajudar”, seus olhos estavam lacrimejando.
“Eu não podia ficar só olhando, eu não aguentei ver toda aquela cena”, eu me sentei novamente, “Depois que acordei fiquei alguns dias ainda pensando nesse sonho. Aliás, eu não consegui perguntar eu nome”.
“Achei que não precisasse, afinal de contas eu sou uma invenção da sua cabeça”, ele disse.
“Mas um nome é melhor que chamar você de ‘garoto’ ou ‘menino’”.
Depois de pensar um pouco o garoto fala: “Se é importante para você, escolha um nome para mim”.
Um nome apareceu na minha cabeça: “Edward, que tal?”
“Gostei”, ele disse simplesmente, “Então meu nome é Edward Nightmare”.
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