Nightingale
1 Prólogo
Notas iniciais

"Você, com suas palavras afiadas. E espadas e armas que você usa contra mim. Você me tirou dos meus pés de novo. Me fez sentir como se eu não fosse nada. Você, com sua voz como unhas em um quadro negro. Me desafiando quando eu estou ferida. Você que está pegando no pé do mais fraco. Você pode me derrotar. Com apenas um simples golpe. Mas você não sabe, o que você não sabe. Um dia eu vou viver em uma grande e velha cidade. E você será simplesmente mau. Um dia serei grande o suficiente para você não poder me atingir. E você será simplesmente mau. Por que você tem que ser tão mau?"
– Mean, Taylor Swift.
Acordei com a luz do sol atravessando a janela do meu quarto.
Consultei o relógio, já era tarde.
Provavelmente minha família já tomava café, mas eu não fazia parte das refeições em casa, era uma forma de poupar meus pais e meus irmãos de serem falsos e de fingirem que se importam comigo.
Prazer, sou Lílian Luna Potter, filha caçula de Harry e Gina Potter e irmã de James e Albus Potter.
Ao contrário do que vocês devem estar pensando, nós não somos a família perfeita: o menino que sobreviveu, a adorável e talentosa ex-jogadora profissional de quadribol, os dois brilhantes garotos, excelentes alunos e brilhantes jogadores grifinórios e a menininha da casa. A perfeita Lilly Luna.
Bom, pelo menos já fomos.
Até meus onze anos quando eu entrei para a sonserina.
O posto de princesinha da família Weasley passou quase que automaticamente para a Rose.
Rose Weasley.
A cópia quase perfeita de Hermione Granger. A excelente aluna, batedora da grifinória, doce, sensível e que sempre sofreu com as provocações e com a inveja da cruel Lilly.
A filha que qualquer pai gostaria de ter.
Inclusive o meu.
– Lílian? — Minha mãe bateu na porta do meu quarto me tirando dos meus devaneios. — Arrume seu malão, vamos passar o final de semana na toca e de lá vocês vão para Hogwarts.
Assenti e ela me fitou por alguns segundos como se fosse dizer algo. Mas fechou a porta me fazendo suspirar entediada.
Eu gostava da toca e da vovó Molly, e também tinha a Domi, minha melhor amiga.
Sim, a Domi. Ela não é uma garota fútil e insensível depois que você a conhece. Longe disso, ela pode ser doce, generosa e corajosa.
E apesar de me defender dos meus irmãos, no fundo eu sabia que ela tinha uma queda pelo James.
xXx
Puxei meu malão que estava debaixo da cama e comecei a socar minhas roupas lá dentro, fiz minha higiene pessoal e vesti um short jeans curto, uma blusa de uma banda trouxa qualquer e all star vermelho surrado.
Desci as escadas e encontrei meu pai jogado em uma poltrona vidrado na coluna semanal de quadribol.
– Bom dia. — Sussurrei sentando no sofá de frente para ele.
Harry desviou o olhar de sua leitura e me fitou.
– Bem que Rose nos alertou, além de ser uma completa vadia em Hogwarts ainda se veste como uma em casa? — Ele cuspiu as palavras com desprezo.
– Eu...
– Vamos? — Minha mãe me interrompeu antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ela vinha descendo as escadas seguida por James e Albus que bateu com seu ombro no meu propositalmente.
Tratei logo de sair da mansão, entrar no carro e engolir o choro.
xXx
Quando me dei por mim já estávamos no vilarejo Ottery St. Catchpole, adentrando os jardins da toca.
A toca havia sido reformada depois da guerra para caber todos os Weasley mais novos, mas ela ainda continuava torta e aconchegante.
Todos se abraçavam e botavam a conversa em dia na sala, dei um abraço de urso na minha avó e corri para o meu quarto antes que notassem a minha presença.
Infelizmente eu o dividia com Rose.
– Como foi de férias, priminha? — Ela perguntou cínicamente enquanto desfazia suas malas.
Rose tinha cabelos ruivos e ondulados abaixo do ombros, rosto cheio de sardas e olhos claros como os do tio Ron.
Ignorei sua pergunta e passei direto por ela na direção da minha cama.
– Espero que não tenha andado roubando nada ultimamente.
– Como você... — No final do meu quarto ano, Neville me chamou em sua sala, ele disse que alguém tinha me visto roubando poções na sala do professor Slughorn.
Se ele não fosse amigo do meu pai, eu teria sido expulsa.
E mesmo assim tive que passar o feriado de natal na cozinha, ajudando os elfos.
– Sua vaca. — Dei um tapa em sua cara e ela me olhou furiosa, da cor do seu cabelo, ainda esfregando o lado direito da face.
– LÍLIAN?! — Albus correu para abraçar Rose que se fez de vítima e começou a chorar. — FIQUE LONGE DELA, ENTENDEU?
Sai correndo para o jardim permitindo que as lágrimas caíssem livremente.
Lembranças da minha infância passavam pela minha mente como flashes.
"Caminhei saltitante até o velho banquinho e dei uma última olhada na minha família que estava toda agrupada na mesa dos leões antes que o chapéu tapasse completamente minha visão.
Eu já tinha certeza do que viria a seguir: Eu seria selecionada para a mesma casa de meus irmãos e meus primos e no dia seguinte receberia cartas de todos os Weasley mas velhos me parabenizando.
– SONSERINA! — O chapéu seletor berrou e murmúrios ecoaram por todo o salão.
Meus irmãos me olharam decepcionados enquanto Rose sorria."
Eu não recebi carta nenhuma naquele dia.
"Agora eu passeava pelos jardins de Hogwarts quando ouvi vozes familiares.
Me escondi atrás de uma árvore antes que dessem conta da minha presença.
– Papai e mamãe disseram para nos afastarmos. — Deduzi que a dona da voz era minha prima Molly, ela andava na direção do castelo com sua irmã, Lucy. — Eles acham que Lily não é uma boa companhia para nós.
– Rose disse o mesmo. — Concordou Lucy. — Ouvi dizer que ela dormiu com todos os meninos da sua turma."
O cenário mudou, agora eu estava escondida atrás de uma pilastra no pátio observando Rose que conversava com o capitão do time sonserino. Ela estava sentada no seu colo e acariciava seu rosto.
"– Sabe, John. — Começou ela. — Você fez muito bem em não deixar minha prima entrar para o time, vi ela tomando umas poções antes do teste..."
Não pude ouvir o que ela disse a seguir, sai correndo sem rumo permitindo que as lágrimas caíssem, como Rose pôde?
"Eu estava passando pelo corredor da mansão Potter quando ouvi meus pais conversando no escritório.
– Sim, sim. Eu sei, é uma vergonha. — Eu podia ver a decepção nos olhos do meu pai ao pronunciar aquelas palavras. — Por que ela não é como a Rose?
– Verdade. — Minha mãe concordou. — Seria tão mais fácil se Rose fosse a nossa filha."
Sentei na grama seca enxugando as lágrimas.
Ao contrário do que Harry dizia, eu não envergonhava Lilly Evans com a minha existência.
Eu era uma Potter.
Uma Potter sonserina.
E Rose Weasley me pagaria.
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