Nightingale.
72 Prólogo: The cycle repeated.
Notas iniciais
"We can't wait to burn it to the groud"
O homem estava com as mãos apoiadas em cima da mesa de madeira. Em um galpão. Os papéis mostravam tudo que ele mais amedrontava.
Estava perdido.
Pensou em como fora um burro ao apostar todas suas fichas nas vinganças de um velho idiota. O seu jeito sempre fora o melhor.
Fogo. Sem nenhum rastro, sem nenhuma pista além de cinzas que ficariam no ar. Sempre fora o jeito certo de encerrar as coisas. Grunhiu, socando a mesa e passando a mão pelos cabelos castanhos.
– Não, não, não... Isso não pode dar errado. Eles não podem...
Estava na mira deles de novo. Scotland Yard, CIA, FBI... Não podia ser pego. Não quando tinha trabalhado tanto para conseguir derrubar tantos impérios, para se tornar o Júlio Cézar que nasceu para ser. Era o Alexandra Grande da Europa e o Kennedy da América.
Não podiam tirar isso dele agora. Precisava de proteção.
– Pete? – resmungou ao ver o grandalhão entrar pelo arco onde deveria estar uma porta – Eu quero o disfarce pronto para hoje a noite. Preciso ir para o Egito...
– Tudo foi bloqueado, senhor. Sua conta foi bloqueada hoje mais cedo. Vim avisar que precisamos sair daqui.
– Como... O que aconteceu, exatamente?
– As contas foram bloqueadas. O Quarteirão está sendo vigiado. Não duvido nada que tenhamos alguém da Federal incluído por aqui.
– Claro que tem, Pete. Claro que...
– Senhor, precisamos de um plano. E logo. O dinheiro está acabando. O único caso que eles querem é o nosso. É você.
– Ninguém vai me ver cair, Pete. Nenhum imperador se deixa ver cair. – murmurou para si mesmo, bufando logo em seguida – Traga os contratos dos diretores da CIA.
– Eles mudaram.
– Mudaram? O que mudaram?
– Mudaram de diretores.
– De onde? – rosnou, os olhos fechados, podia sentir sua garganta se fechando de raiva, suas têmporas latejando a ponto de querer socar a primeira pessoa que aparecesse em sua frente
Controle-se. Era seu mantra.
– De todas as bases.
– Como... Como eles mudaram todas as bases?
– Essas são as informações.
– As principais. Eu quero saber quem ficou com as principais. Quero relatórios, quero familiares... Todos os pontos. Quero saber quem eu vou chantagear, Pete. Hoje. Agora.
– Senhor. – Pete deu alguns passos largos a frente colocando uma pasta de couro na mesa de madeira
O homem arqueou as sobrancelhas, sentando-se na cadeira velha que rangia ao seu peso. O que não o importava de maneira nenhuma. Observou a lista de vários velhos que haviam adquirido a direção. Um rosto dominou seu ódio. Não era um ódio. Não era vingança. Seus sentimentos nunca se envolviam com o trabalho, porém tinha um apreço especial por aquele homem. Tanta coisa que passaram juntos... Seria mais fácil lidar com alguém que já conhecia.
– Para quem eu posso vender informações e onde posso pegá-las?
– A informação, senhor... – Pete mostrou, puxando um papel dobrado do bolso dianteiro da cala – É essa.
Os olhos do homem examinaram aquilo com cuidado. Arriscado, perigoso... Claro. Não sabia a última vez que fizer algo que não fora perigoso. Mas era o mais fácil. Estava na sua cara.
Sempre quisera colocar as mãos nas informações e segredos de todos os homens mais ricos da América que apenas Frederick Chase pudera recolher ao longo de todos os seus anos.
Era um tesouro. Um tesouro que todos sabiam que existiam, mas nunca procuraram onde. Ele seria o primeiro. O primeiro a ter sucesso também.
Seus dedos vagaram sobre os nomes importantes que enfeitavam a lista de segredos. Aquilo valia milhões. Poderia vender a pessoas diferentes, armazenar segredos de pessoas diferentes e vender para continuar vivendo.
– Como estão as coisas na Califórnia, Pete?
– O que Jack deixou?
– O que eu reconstruí.
– Setenta por cento de lucro a cada mês, senhor.
Um sorriso desenhou seus lábios frios. Estava pronto. Era isso. Demoraria um ano para avaliar as vítimas, procurar onde ficaria, saber quem ameaçaria... As pessoas eram frágeis. Fáceis de ser manipuladas. Como uma argila molhada, pronta para ser o vaso que ele quisesse. Só teria que procurar pelas pessoas certas, coloca-las nos lugares certos nas horas erradas. Era isso.
Isso era seu trabalho. Era disso onde surgia o poder, o respeito.
Nada seria melhor quando vendesse todas aquelas informações e então, estivesse em alguma ilha da Austrália, pegando algumas vagabundas.
Seu telefone vibrou ao lado dos papéis.
– E... Pete? – o homem chamou, vendo o outro erguer os olhos, pronto para atender o pedido – Preciso de outro celular. Rápido.
– Sim, senhor. O que mais posso fazer?
O homem sorriu mais uma vez. O plano estava desenhado em sua cabeça. Só precisava pegar um papel e desenhá-lo. A sangue frio. Sem ódio, sem vingança. Não podia falhar como Jack, Thomas e todos aqueles imbecis falharam enquanto procuravam por aquilo. Não poderia.
Ele fechou a pasta, levantando-se e andando com passos calmos até seu braço direito.
– Quero um carro com os melhores homens para Califórnia. Especialmente, Los Angeles. Até esse fim de semana. Podemos ficar na casa do velho imbecil por alguns dias, depois arranje um galpão.
– Sim, senhor.
– Quero que mande uns cinco homens para Hampshire. Quero que vigiem cada passo de Poseidon Jackson, entendido?
– E o que vamos fazer na Califórnia, senhor? Ele foi intitulado diretor, mas... Ao que parece ainda continua em Hampshire.
– Você está aqui para obedecer ordens, Pete. E sobre Califórnia, vamos conhecer a família Jackson de perto. – ele piscou
Ajeitou a pasta de couro embaixo do braço enquanto saía do galpão.
Estava pronto para avaliar, ameaçar e destroçar uma família. Sentia falta dela, na verdade.
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