Nightingale.
63 Pasíon Descontrolada.
Notas iniciais
"Cuando nos besamos me imagino con él y estoy perdida hoy entre los dos"
O refeitório ao meio dia costumava ficar bem mais cheio do que pela manhã. Todo mundo saía de suas aulas irritado, procurando desabafar todas as preocupações do dia com seus amigos e comer bastante. Às vezes, a cozinheira fazia sobremesas brilhantes, como hoje: torta gelada de limão. Não tinha coisa melhor.
Ajeitei meu blazer contra minha blusa de mangas longas, a calça de couro apertava meu quadril enquanto eu corria com meus coturnos pelo corredor central. Ajeitei a alça de minha mochila mais uma vez. Empurrei as portas de ferro com força, entrando no refeitório.
Suspirei ao reconhecer o barulho lascivo que era emitido por várias vozes gritando e rindo.
Me senti menos segura como quando estava com Percy, deitada em sua cama, sentindo sua respiração contra meu pescoço e suas carícias no canto de minha cintura.
Foco, estúpida. Respirei fundo e avancei passos, sentindo uma mão empurrando-me levemente no quadril. Levantei o rosto a tempo de ver o sorriso de Percy.
– Você disse para não levantarmos suspeitas. – resmunguei em uma carranca, andando em meio as mesas, procurando pelos olhos de águia de Thalia
Ouvi seu riso ao lado do meu ouvido, tentei pular, mas apenas fiquei no mesmo lugar, andando a sua frente.
– É, eu não consigo. Deveria evitar Nico. – avisou
Levantei os olhos para encarar seu queixo erguido em um cumprimento para alguém.
– Por quê?
– Ele está estressadinho.
– Por quê? – vociferei, cruzando os braços
– Disse a ele sobre... Nós.
Franzi os lábios e dei de ombros. Avancei os passos, afastando-me dele antes de ver um sorriso pequeno escapando de seus lábios. Visualizei minha prima com os pés erguidos em cima da mesa, o prato agarrado contra o peito.
Sentei-me ao seu lado.
– Você sozinha? Onde está Silena?
– Você com Percy? – ela arqueou as sobrancelhas, enfiando uma colher de macarronada na boca
– Eu já tinha te dito que transamos.
– Não me disse que voltaram.
– Não voltamos. E...
– Nico. Ele está cuspindo fogo.
– Por quê? – perguntei, inclinando-me, curiosa
– Você sabe porque. Ele prometeu que ia cuidar de você e tudo mais, e agora você acaba de voltar com o cara que ele deveria te proteger. Nada contra o Percy, até prefiro você com ele, mas...
– Nico não tem nada a ver com isso.
– Você não disse isso quando aquilo aconteceu.
– Thals, tudo mudou. – dei de ombros
– Olha, eu realmente não quero saber, Nico está me irritando, eu estou irritada e ah, você tem um namorado, se não se lembra disso.
– Eu queria falar com você. Sabe... Como duas melhores amigas normais, tirando a opinião de seu ex e tudo mais.
Thalia me lançou um olhar mortífero e mastigou com voracidade a macarronada.
– Diga. – cuspiu
Sorri, pulando no banco.
– Ok, é o seguinte, Percy pediu para que eu terminasse com o Rob. Mas eu não sei, ele é maravilhoso, certo? Quero dizer, como amigo, Rob é super legal e o Percy... Você sabe...
Minha prima arqueou a sobrancelha, como em uma expressão esnobe. Meneei a mão em indiferença.
– O fato é que eu estou com medo de terminar com Rob e... Não voltar com Percy.
– Annie, você está vendo a loucura que está falando?
Suspirei, esgueirando-me e encolhendo-me ao lado dela.
– Sim. Estou apaixonada. Isso deveria ser normal, não é?
– É. – os olhos azuis de minha prima se perderam em meio aos sons altos do refeitório – Eu também.
– Está apaixonada?
– Mais que isso. Por que ele não pode ser... Normal?
– Nicolas?
– É! – ela jogou o prato em cima da mesa e virou-se para mim, limpando a boca com um guardanapo – Quero dizer, não foi só porque Nico seguia tudo que o Percy falava. Eu estava cansada! Ele estava surtando com tudo, ele queria me manter presa com ele... Está tão apavorado que aconteça algo como na Califórnia que ele não consegue ficar cinco minutos sem olhar para trás.
– Thals. – suspirei e cruzei os braços
Minha prima bufou, encarando um ponto fixo a nossa frente. Percebi Rob caminhando em nossa direção com um caixinha de suco de uva. Ele acenou quando percebeu que meus olhos estavam pousados nele, acenou novamente e adiantou o passo.
– Ai. Meu. Deus. Ele está vindo.
– Você não vai terminar com ele em um refeitório nojento, vai?
– Não! Não, nunca, mas... Eu preciso fazer isso logo.
– Não em um restaurante nojento, Annabeth!
– Eu sei, eu sei. Na verdade, eu preciso ir. – balbuciei, pegando minha mochila rapidamente, a joguei contra minhas costas, inclinando-me ao dar um beijo na testa de minha prima – Nos vemos no treino.
– Onde você vai? – ela argumentou, levantando-se
– Eu preciso sair daqui. – vociferei ao ver que não fui rápida o suficiente para fugir de Rob
– Annie... – ele chamou, apoiando na mesa de ferro – Já vai?
– Eu preciso pegar uns livros no armário, me atrasei para algumas aulas e preciso pegar umas matérias. Nos vemos depois? No treino? Pode ser?
– Posso te acompanhar...
– Não! – gritei, erguendo a mão, Thalia me encarou, confusa – Não... Eu preciso ir sozinha. Perdão, nos vemos depois.
Dei um beijo em sua bochecha e acenei, correndo até a porta de saída.
***
Existe uma coisa chamada prazer e era algo que eu não conseguia ficar sem por muito tempo.
Minhas costas bateram contra o armário roxo, minhas mãos apertando os pulsos de Percy enquanto suas mãos prendiam meu rosto contra seus lábios. Ergui meu peito contra o seu, apertando seus lábios entre os meus. Sentia sua língua me invadindo com avidez e força, reivindicando-me para si. Senti seus batimentos pulsando na ponta dos meus dedos. Percy se afastou, os lábios roçando contra os meus levemente. Nossos corpos se chocaram mais uma vez enquanto eu procurava sentir ainda mais dele.
– Eu preciso ir pro treino. – resmunguei, acariciando seu antebraço – Nico não me procurou ainda.
– É, ele procurou Thalia. – sussurrou, seus olhos intercalando-se entre meus lábios e meus olhos – Não quero saber porquê.
Ri e joguei-me contra ele mais uma vez. Puxando sua nuca contra mim, apertando seus cabelos ralos em meus dedos. Suas mãos desceram, possessivas, até minha cintura, apertando-me contra seu corpo. Ofeguei quando nossos lábios se separaram de novo.
– Ok. – coloquei minhas mãos no colarinho de seu casaco – Eu realmente tenho que ir.
– Não podemos fugir de novo?
– Percy! Em três semanas é nosso último jogo, eu não posso parar de treinar!
– Tudo bem, desculpa. – ele deu um selinho nos meus lábios – Me desculpa... – mais um selinho – Por tudo.
– Não precisa se desculpar. – resmunguei, acariciando seus lábios com as pontas dos dedos
– Preciso saber que você me perdoa depois de tudo... Só...
– Já disse que te odeio por ser tão babaca? Eu te perdoo, seu idiota, agora me beija logo antes que eu vá embora.
Percy riu, puxando-me mais uma vez contra ele enquanto nossas bocas se chocavam.
– Você melhorou da febre? – sussurrou, seus lábios não estavam tão distantes dos meus, mas era o suficiente para continuarem se roçando
– Parei de espirrar e não tive febre desde que saí do seu quarto.
Ele sorriu, colocando meu cabelo para trás do meu ombro.
– Qual remédio tomou?
– Aspirina. – murmurei, inclinando a cabeça em direção ao seu carinho
– Bom. Vai pro treino ainda?
Sorri, fechando os olhos, sentindo a ponta de seus dedos tocando meu couro cabeludo em um carinho tímido.
– Uhum. – murmurei
– Ótimo. – senti seus dedos escorregando pelos meus cabelos
– Idiota. – empurrei seu braço com um sorriso e pulei para fora de sua segurança – Preciso treinar algumas danças, — forcei meu rabo de cavalo, encarando-o pelo espelho – preciso saber como as meninas estão e se podemos vencer como líderes de torcida esse ano. E ainda temos várias coisas para você.
– Confiamos em você. – beijou minha bochecha, em seguida meu ombro – Já falou com Rob?
– Vou falar hoje. Depois do treino.
Percy arqueou a sobrancelha e assentiu.
– Vejo você depois.
***
O treino seguiu o mais normal possível. Sem uma lesão ou tapas que saíram "sem querer". Era normal demais para o que estava acontecendo na minha vida.
Percy tinha feito muita merda, era um fato, mas eu tinha que admitir que ele me fazia muito bem. E eu não queria trair Rob, ele era um cara legal, foi um ombro amigo quando precisei e agora parece que eu o estava usando da mesma maneira que Percy usou Rachel.
Você só foi mais educada em ser discreta, completei.
Não tinha sido menos sem escrúpulos. Deveria ser isso porque nos merecíamos e a vida sempre dava um jeito de nos colocar juntos novamente.
Era isso, eu tinha que terminar com Rob.
Troquei de roupa, agradecendo pelo súbito calor que começara a predominar em Hampshire. Deveria ser o começo do verão e não chegava aos pés do calor que fazia no inverno na Califórnia. Peguei meu moletom de antes, puxando meus jeans e tomando um comprimido de aspirina. Calcei os chinelos e fechei a porta do meu armário roxo.
Pode me encontrar no meu armário em dez minutos?
Hesitei antes de enviar, mas o fiz. Arrastei-me pelos corredores, uma luz irritante me lembrando que fora naquele mesmo lugar onde Rob me pedira em namoro.
Me senti dez vezes pior.
Você vai se sair bem, resmunguei no fundo da minha mente.
Quantas garotas haviam passado por isso? Terminar com seu namorado porque aparentemente, o amor de sua vida decidira te notar.
Vendo por esse lado, eu parecia uma cachorrinha com as patas abanando para ele.
Suspirei, chegando ao corredor do meu armário, alguns passos longe da porta da sala de música.
Senti duas mãos esgueirando-se pelos meus olhos e soprando uma risada em meu ouvido.
– Quem é?
Ri, apertando as mãos contra meus dedos contra suas mãos calejadas.
– Percy, isso é idiota. — resmunguei
Ele me virou no mesmo momento e agarrou meu rosto, chocando nossos lábios. Apertei seu rosto contra mim e ele se afastou, grunhindo.
– O que foi? — perguntei, acariciando seu rosto com as pontas dos dedos
– Foi... — virei seu rosto vendo uma mancha arroxeada, arqueei a sobrancelha — Olha, antes que você surte, eu entendo totalmente o lado dele... Quer dizer, eu fiz ele prometer que isso não aconteceria mais, mas... Te ver com Rob está me matando mais do que esse soco.
– Soco?! — Percy fez uma careta, respirei fundo — Nico te socou, é isso?
– Talvez...
– Perseu Jackson! Você está parecendo aqueles viados submissos, ele te dá um soco e você não faz nada?
– Eu entendi o lado...
– Se você repetir isso de novo, eu juro que nunca mais falo com você. — fechei os olhos e respirei fundo — Seu viado.
– Você quer que eu te mostre quem...
Não deixei que ele terminasse, beijando-o novamente. Sorri quando suas mãos desceram pela minha cintura e me certifiquei de não apertar a lateral de seu rosto.
Senti seu corpo contra o meu. Os músculos tensionados de seus ombros embaixo de minhas mãos e me deleitei contra seu beijo. Era inexplicavelmente saboroso e excitante. Ergui meu peito contra seu, suas mãos apertando meu quadril e meu corpo contra o armário.
Alguém pigarreou entre nós.
Uma inspetora. Não, pior, Afrodite. Ela ia contar a minha mãe e então, minha mãe ia me matar, ia me trancar dentro de nosso apartamento ou... Poderia matar.
Percy continuou com os lábios colados aos meus. Fechei os olhos, nossas testas se encostando e esperando uma das nossas maiores broncas.
– Eu vou falar com ela, tudo bem e...
Assenti, abrindo os olhos trêmulos.
Virei meu rosto para a figura a nossa frente, amaldiçoando-me por ser tão idiota.
Rob engoliu em seco, franzindo os lábios. Ele cruzou os lábios e inclinou-se para frente.
– Eu ia perguntar o que estava acontecendo aqui, mas... Eu acho que devo imaginar que isso vinha acontecendo há muito tempo.
– Não! Quero dizer, isso não aconteceu além disso! – apressei-me a dizer, dando alguns passos para frente – Eu queria falar com você, eu juro que não queria que você visse isso...
– Você não queria? – Rob riu, cínico – Você me manda uma mensagem pedindo para te encontrar aqui, mas... Opa, você não queria.
– Eu não queria! Rob, eu juro... – solucei e mordi o lábio inferior
– Annie, calma... – Percy empurrou-me para o lado – Robert, sentimos muito... Mesmo, cara, mas...
– Ah e agora você vai falar por ela? Estou muito lisonjeado pela sua sinceridade e o que você sentia por mim, Annabeth. – ele fez uma pequena reverencia e me mandou um olhar zangado – Espero que se fodam juntos. Ah, não, vocês já devem ter feito isso centenas de vezes. – resmungou e virou as costas
Lambi o lábio inferior, tentando segurar a raiva que me invadia.
– Eu fiz tudo errado. Tudo. – resmunguei, passando a mão com raiva pelo meu rosto
– Ei. – Percy afastou minhas mãos e encarou-me com um sorriso – Está tudo bem, meu amor. Agora...
– Não. Não posso fazer isso com Rob, nem com você, nem...
– Annie. – Percy soltou uma risadinha, dando um passo para trás – Era isso que você queria, não era? Vocês terminaram.
– Não desse jeito! – gritei – Você não entende! Nunca vai entender! Ele estava comigo quando você surtou que não era pra mim, entende? Ele não merecia aquilo.
– Tudo bem, eu te entendo... Sei do que está falando, sei...
– Não! Você não sabe! – exclamei e engoli em seco, suspirei – Não, quero dizer, me desculpe. Só me deixe em paz.
– Annie...
– Em paz. Por favor. – pedi
Corri. Pude ouvir Percy gritando atrás de mim, no entanto já não me importava mais. Não me importava saber que ele estava pronto para nós dois porque eu não estava.
Corri ainda mais até estar deitada em minha cama, pronta para uma noite coberta de choros.
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