Nightingale.

10 Kinda Shady.


Notas iniciais
OLÁ PESSOAS OLÁ PESSOAS LINDAS HOW ARE YOUUU Enfim, here i am once again. Espero que gostem!!

"Ain't calling me baby, why you sudden change?"

O carro que minha mãe tinha alugado era bem espaçoso. Não tão espaçoso assim, já que eu estava espremida entre uma Silena que saltitava a todo o momento no banco e uma Thalia emburrada que reclamava que o ar condicionado não era tão potente assim, e que o perfume de Silena estava a irritando por ser francês e tudo mais.

Acariciei meu vestido longo azul marinho, o tecido leve e bem passado, usava coturnos, meias quentinhas e tudo mais. Um decote redondo fundo com um colar que terminava com uma pedra branca entre meus seios. Eu estava mexendo com a mesma quando chegamos a casa dos avós de Silena por parte de pai.

Eu não conhecia ninguém.

– Prefiro não ficar por aqui. – Dite falou do banco do passageiro, encarando o jardim florido com uma grama bem aparada, uma cerca branca vintage preenchido por poucas crianças em bicicletas que corriam de um lado para o outro.

– Mãe! – Silena resmungou – O papai nem vai estar aqui, vai ser legal, por favor.

– É melhor não, Si. – minha mãe se intrometeu – Vamos dar uma volta por Hampshire, minha irmã aqui vai me apresentar a alguns lugares. E amanhã, podemos sair a família materna toda junta, o que acha?

– Ah, legal, programa em família. Não se esqueça de chamar o tio Ares, ele vai ficar tão feliz em receber essa noticia.

– Annabeth.

Dei de ombros, agradecendo por Rachel já ter saído do carro e minhas primas seguindo seu exemplo. Acenamos para a ruiva e a loira que partiam do carro com sorrisos hesitantes, por fim atravessamos o jardim e vimos Silena inclinando-se para tocar a campainha.

Demorou poucos minutos, ouvimos uma gritaria e passos fortes até que a porta branca com o número 302 em dourado e um olho gordo foi aberta.

– Olha, quem chegou!

Nico usava uma touca, blusa e jeans preto com os pés descalços e um sorriso grande ao pegar Thalia pelo pescoço e bagunçar seus cabelos tirando sua tiara.

– Nico, o que está fazendo aqui? – perguntei, empurrando minha prima e abraçando-o pela cintura

– Eu estou hospedado na casa do Percy, tenho que segui-lo por algum tempo.

– Tritão está por a...

– Annabeth! – Silena resmungou

– O que é? Ele não é um desejo passageiro, ok? E agora, eu posso conhecer meu futuro sogro e sogra. – cantarolei e encarei Rachel – Sem ofensas, e não é com o Percy, colega.

– Sem jeito. – Nico bagunçou meus cabelos e puxou Thalia de novo – Então, podem entrar. Está todo mundo no quintal, e já está servindo o almoço.

– Aqui é a casa do seus avós, certo? – Rachel perguntou, encarando a decoração vintage da casa

Tudo parecia ser antigo demais, entretanto parecia tão romântico e bonitinho, a casa se resumia a tons pastéis, marfim e branco. Uma luminária descia do teto com que parecia ser velas douradas, um vaso grande dourado estava no corredor amplo em que passávamos com o novo casal a frente a risadas, no mesmo vaso, rosas brancas desciam, fixando-se ao dourado, o que, de fato, me atraiu.

– Dubai. – Silena respondeu, simples

Rachel emitiu um “ah” enquanto Silena segurava meu braço e tagarelava sobre onde os vasos haviam sido comprados. Depois de uma caminhada, chegamos ao quintal. Continuava com a grama rala e verde, flores aos cantos e uma mesa branca de mármore presa ao chão, com várias cadeiras, talvez mais de vinte. Silena acenou para mim, desaparecendo assim que vi Beckendorf passando com um menino mais novo.

– Acho que sob... – comecei até que vi Percy pegando Rachel no braço e dando um beijo em sua testa

Certo, só eu. Completei em minha cabeça, percebendo que eu estava sozinha.

– Oi. – Percy disse, acenando para mim

Dei de ombros, caminhando até a uma das cadeiras vazias e ficando ao lado de um homem moreno com óculos de sol, mexendo no celular sem parar.

Imitei seu movimento, entrando em redes sociais abandonadas e pensando o quanto eu estava deslocada ali. Observei Nico e Thalia dividindo um fone de ouvido, Beckendorf e Silena em um canto, conversando... Percy e Rachel se comendo ao lado da porta, de frente para mim. Qual o problema deles?

– Sozinha? – o homem tinha uma voz forte, grossa e rouca

Encarei os olhos cobertos, assentindo.

– Você é filho de quem aqui? – perguntei, indiferente, ainda digitando alguma baboseira em meu Facebook

– Ah, não, eu sou pai. – tirou os óculos de sol, deixando-me apreciar duas esmeraldas esbeltas – Poseidon, qual seu nome?

– Annabeth... Chase.

– Uma Chase?

Ri, bloqueando a tela do meu celular e observando o homem com certo interesse.

– Falaram isso do meu outro sobrenome. Olympus, pode me explicar o porquê?

– Sua família é uma longa linhagem, garota. Bem forte. Eu conheço, o que provavelmente, é seu avô, Cronos.

– É, ele sim.

– Cara enjoado e teimoso, desculpe-me as palavras.

Ri, jogando a cabeça para o lado com fervor.

– É, ele é! Ele é um saco na maioria das vezes. Acho que ele teve um papel importante para me mandar para cá, eles meio que me “expulsaram” dos Estados Unidos.

– Achei que estávamos no século vinte e um.

– Minha mãe e meu avô não devem saber disso.

– Ah... Chase. – saboreou a palavra em sua boca e assentiu – Posso estar enganado, mas seus pais são Frederick e Atena?

– É, são. – concordei, encarando-o com surpresa – Como sabe de tudo isso?

– Ah, eu tive alguns negócios com aquela família até que eu me afastei por um tempo da presidência. Talvez, voltemos a ter alguns contatos.

– É, seria bom. Você conheceu meus pais... Tipo, com intimidade?

– Hm, vamos dizer que sim. – ponderou, inclinando a cabeça – Atena, adolescente rebelde aquela.

– Ah, não acredito! – bati palmas, surpresa – Você conheceu a minha mãe na adolescência? Eu acho que preciso gravar isso e esfregar na cara dela.

– Ela está em Hampshire? – seu tom era curioso quando se inclinou até mim

– Sim, ahn, posso perguntar o que vocês tiveram na adolescência e tal?

– Um namoro. Um namoro passageiro. – balançou a mão no ar indiferente – E o que está fazendo aqui, garota? Nunca lhe vi por essas terras.

Apreciei seu sotaque britânico com um sorriso, parecia ser fraco, porém presente. Fazia-me lembrar que ele era inglês, mas não fazia questão de gabar isso, mostrava que ele era viajado, que não morou por tanto tempo em um único lugar. Toquei os pratos de artesanato, curiosa e pensando no que falaria para o homem ao meu lado.

– Bem, eu fui convidada pela Silena. Ela é minha prima por parte de mãe.

– Silena, uma bela garota. – falou, tentando acha-la com os olhos – Então quer dizer, que Afrodite é o que sua?

– Ah, você deve saber, ela é uma Olympus! – resmunguei

– Claro, claro. – encarou-me por um tempo e inclinou a cabeça para o lado – Irmã de Atena, certo? Nunca ia adivinhar, deveria ter me ligado nisso antes.

– O senhor está envelhecendo, é normal. Embora, não aparente, claro. – dei de ombros, pegando o copo de Coca que uma mulher em um vestido degradê verde me ofereceu, parando atrás de Poseidon

– Obrigada por ser sincera, Annabeth.

– Sem problemas, senhor.

– Não precisa me chamar de senhor. Aliás, essa é Anfitrite, minha esposa. Querida, esta é Annabeth Olympus.

– Chase. – completei com um sorriso, bebericando minha Coca – Sabe quem ficou curioso quando descobriu quem eu era? – sorri, depositando o copo na toalha de mesa quadriculada vermelha – Tritão, acho que vocês devem conhece-lo, porque ele...

– Ele é nosso filho. – Anfitrite respondeu com um sorriso orgulhoso – Um bom menino, uh?

– Claro. – encolhi-me, reparando que a cor da pele dela era muito próxima da cor dele, os olhos de tom esverdeado pareciam com o de Poseidon embora os de seu filho fossem mais claros – Não, pera... – fechei os olhos, virando meu rosto para um Percy sorridente, conversando animadamente com Rachel – Se vocês são os pais de Tritão, então o Jackson...

– É meu filho. – Poseidon completou com um sorriso – Por que não pega uns pastéis para a gente, querida?

Anfitrite nos encarou, curiosa e deu um sorriso para nós antes que saísse para dentro da casa, sem ao menos olhar para seu enteado.

– Sabe muita para uma garota nova, Annabeth.

– É que eu convivi bastante com seus dois filhos. – frisei e encarei Percy – Aquele ali é um saco. Olha, eu sei que nenhuma das amigas dele, e eu não sou amiga dele, um dia dirão isso, mas eu tive um desejo passageiro por ele, então... Calma, como sabe que sou nova por aqui?

Poseidon pareceu gelar, e deu um sorriso grande, empurrando o prato com as pontas do dedo.

– Você disse que seu avô e sua mãe tinham te mandado para cá.

– Ah, sim, desculpa. – lhe mandei um sorriso envergonhado e continuei: — Enfim, Tritão é bem legal, mas figurinha repetida. Percy é... Sei lá, um saco, mas eu já estou bem porque ele tem namorada e tudo mais.

O moreno a minha frente deu uma gargalhada, colocando uma mão em meu ombro.

– Querida, pode apostar, eu prefiro você.

– Ah, alguém que está ao meu lado! Amém. – reclamei

– Gosto de meninas atrevidas. E uma Olympus...

– Sou Chase. Prefiro Chase.

– Enfim, uma garota como você faria bem para meu filho.

– Se não for feio perguntar, senhor... – inclinei-me para perto dele – como foi que o Percy surgiu? Porque tipo, o Tritão e Percy tem quase a mesma idade...

– Aqui os pastéis. – a morena jogou seu cabelo castanho com californianas para o lado, dando um sorriso grande – Eu vou ligar pra Tritão, ele já deveria estar aqui. – resmungou, acariciando o ombro de Poseidon – Aproveite, querida, Deméter que fez e ela nunca erra. – piscou antes de escapar novamente pela porta que eu tinha saído

– Então... – continuei, esperando que Poseidon me respondesse.

O moreno continuou calado, apenas encarando-me, voltando a empurrar o prato com as pontas dos dedos, como se estivesse nervoso. Mordi o lábio inferior, percebendo que não tinha feito a pergunta certa, então ficando calada.

– Desculpa, eu deveria saber que...

– Não, eu sei que é curioso e você é filha de Atena, eu deveria ter percebido...

– Olá.

Ergui meus olhos, observando Percy e Rachel chegarem, o moreno agora escondia seus cabelos com um boné do Lions, a camiseta branca folgada e as mangas arregaçadas, as bermudas jeans eram surradas, quando terminei de olhar para seus pés, percebi que estava descalço, o que representava que ele estava bem confortável ali.

Mordi o lábio inferior, evitando o olhar da ruiva que sorris exageradamente para Poseidon, bebendo minha Coca com voracidade.

– Aqui está Rachel, pai, vocês já se conhecem.

– Prazer revê-lo, Sr. Jackson.

– O prazer é meu, Rachel. – sorriu, carinhoso – Olha, Percy, sua amiga, certo? Boa garota, uma Olympus! – parecia um tom de elogio, o que me fez corar, e querer me esconder

– Hm, oi. Acho que ele também me conhece, Poseidon. – dei um risinho sem graça, limpando uma sujeira invisível no tecido do meu vestido

Os três me encararam com expressões mistas, Percy, parecia intrigado, Rachel, surpresa e Poseidon, indecifrável com seu sorriso enorme.

– Bem, conversa de nora e sogro. Ok, estou ligada, eu vou ali interromper o casalzinho feliz...

O pai de Percy riu, segurando meu pulso, obrigando-me a sentar-me novamente.

– Não se vá, Annabeth. Você estava sendo uma ótima companhia. – estreitei meus olhos, tentando entender se era uma piada, uma verdade ou uma provocação, dei de ombros, desistindo, percebendo pela primeira vez suas covinhas fundas

As mesmas de Percy. Embora, eu nunca tenha o visto sorrir diretamente para mim, mas ok.

– Pai... – Percy começou, colocando a mão em seu ombro

– Ei, não, cara. Você estava ali se agarrando e eu não fui estragar o clima, agora eu estou tendo uma conversa adorável com sua amiga aqui e você não vai expulsá-la daqui, entendido? – Poseidon disse, o tom de voz grosso e parecia ser um castigo nas entrelinhas

Pelo menos, se minha mãe falasse assim comigo, eu saberia que eu estava encrencada e que eu não ia nem dar bola.

– Podemos acompanhar vocês na conversa?

– Ahn, Percy, eu acho...

– Não, será ótimo. – concordei, cortando Rachel

Percy encarou-me, um misto de raiva e ainda instigação, puxando duas cadeiras, oferecendo uma para a namorada com o queixo.

– Então, onde estavam? – o mais novo perguntou, colocando um dos braços sobre os ombros de Rachel, encarando-me como se aquilo fosse um desafio

– Que eu sou uma Olympus. Não sei o impacto que isso tem em você, Poseidon.

– Bem, sua mãe, sua família. São intrigantes. Você é intrigante.

Ri, desviando meus olhos para os de Percy, deixando claro que eu tinha um round vencido.

– Não sei porquê, eu sou tão...

– Vadia, puta, oferecida... Vamos lá, eu tenho uma lista completa para citar.

Mordi o lábio inferior, dividida entre me encolher ou sorrir desafiadora, embora não pudesse esconder minhas bochechas que formigavam assim como o topo de minha testa, mexi na barra do meu vestido dando um sorriso de canto.

– Chame como quiser. – dei de ombros, levantando o olhar para o moreno – Eu não devo nada a você, até porque... Não sei sua questão de me humilhar já que tem uma namorada todinha para você. – acusei

– Percy, se for continuar com esse comportamento esnobe, vou pedir para que se retire da nossa conversa. Creio que não foi assim que eu ou sua mãe lhe criamos.

– Pai, você não tem o direito de...

– Certíssimo, eu sou seu pai. E tenho o direito que eu quiser antes que complete vinte e um, ou até que se sirva das suas custas, então... Modere suas palavras quando for falar com a minha nova amiga.

Abri meu sorriso, quase levantando o braço para esfregar mais um round vencido. Percy emburrou o rosto, dessa vez, acariciando os cabelos de Rachel que parecia perdida naquela briga óbvia por disputa de atenção.

– Desculpe-me por isso, Annabeth.

– Pode me chamar de Annie, Poseidon.

– Voltando, deveríamos fazer um jantar, sabe... Sua mãe é uma mulher adorável, e não poderia esperar para vê-la novamente.

– Ah! – empolguei-me – Ela está aqui, sabe? E ela vai para o próximo jogo, daí se você puder ir ver o Percy jogando, eu também vou estar dançando...

– Líder de torcida? – perguntou, surpreso

– Capitã. – corrigi, empolgada

– Que legal... Com certeza, eu irei.

– Então, ela vai passar um tempo comigo porque vou ter um tratamento por aqui e ela quer acompanhar.

– Posso perguntar que tipo de tratamento? – Rachel se intrometeu pela primeira vez na conversa

– Desculpa, é algo muito pessoal. – dei um sorriso e levantei-me da cadeira – Enfim, eu acho que já dei muito trabalho para o senho-

– Poseidon.

– Certo, Poseidon. – completei abanando a mão – Eu vou procurar Thalia. – assenti rapidamente, acenando para Rachel e apoiando-me nos ombros de Percy, inclinando-me sobre seu ouvido ao sussurrar – Um ponto pra mim. Um prazer revê-lo, querido. – dei batidinhas em suas costas, beijando o rosto de Poseidon ao virar as costas.

Eu emanava um misto de orgulho, curiosidade e preocupação. Primeiro porque eu tinha vencido um desafio que nem tinha sido exposto, segundo por que... Sei lá, Poseidon parecia saber demais... Meu avô, dava para ver que tinha algo mais além disso, e minha mãe com ele, eu e o filho dele. Que irônico. Por fim, eu me preocupava com o que eu tinha feito lá, talvez Rachel ficasse com ciúmes... Mas, calma, quem ligava? Eu queria... Não, eu não queria nada com aquela ruiva, então tudo bem.

Aliviei-me o suficiente para puxar Thalia pelo ombro e sorrir para Nico.

– Vamos fazer algo de legal, isso tá tão parado!

Em fato, ela não fez nada. Porque nos dez minutos seguintes, quando eu, minha prima e Nico começamos a discutir sobre algo inútil, uma mulher com um avental branco, cabelos encaracolados enormes castanhos veio com uma colher de pau obrigando todo mundo a sentar-se.

Por fim, eu estava – de novo – ao lado de Poseidon, em frente a Percy, com Silena do meu outro lado, trocando olhares com Thalia que cutucava o moreno, talvez perguntando se a lasanha de frango era boa.

Agradeci que o almoço passou mais rápido do que eu esperava, com briguinhas entre as crianças no final da mesa, todo mundo rindo de piadas que eu não entendia, e eu conversando com Poseidon tentando entender alguma conversa que um dos adolescentes estavam tendo.

Terminou que eu, minhas primas e Nico estávamos esperando minha mãe chegar para nos dar uma carona... Um carro preto parou do outro lado da rua, em poucos segundos, um cara de óculos de sol onde o por do sol refletia caminhou até nós. Assim que tirou os óculos, pensei apenas uma coisa: por favor, mãe, não chegue agora.

– Nada bom. – Nico comentou ao meu lado, arrastando as mãos nos jeans gastos

Mordi o lábio inferior, desligando-me da conversa entre as três pessoas ao meu lado, observando o jeito despojado que Tritão andava até nós, parecia o mesmo gentleman de sempre, mexendo nos cabelos, depositando o óculos na gola da camisa, abrindo um sorriso ao subir os poucos degraus da varanda.

– Annabeth. Que prazer. – abaixou-se sobre os tornozelos, encarando-me – Posso perguntar o que está fazendo aqui?

– Fui convidada. – disse, dando de ombros com normalidade – Sabe, seu pai é um ótimo cara.

Seus olhos se arregalaram por pouco tempo, até que seus lábios tremeram abrindo-se em um sorriso novamente, acenou para a galera atrás de mim, abrindo a porta com um ponta pé, fechando-a tranquilamente logo em seguida.

– Vai rolar briga. – admiti virando-me com euforia – Isso pode ser muito feio. – avisei, levantando-me rapidamente e limpando a poeira atrás do meu vestido – Mas, eu...

Antes que eu terminasse minha fala, ouvi gritos e dei um sorriso, assim como Thalia.

– Preciso ver! – terminei, abrindo a porta, sabendo que eu estava acompanhada de todos que estavam ali

Assim que adentrei a sala, as pessoas iam temerosas até os fundos, encarei Nico atrás de mim, seu rosto estava indecifrável, sua mão me empurrou levemente, dando passos rápidos entre as pessoas para chegar ao quintal rapidamente. Acompanhei seu ritmo, batendo-me com uma criança de olhos azuis e por fim, na soleira da porta que dava para os fundos. Tinha muita gente envolvida na briga.

A mulher com a colher de pau gritava com um cara de cabelos grisalhos enquanto Poseidon tentava controlar a briga entre seus filhos. Percy gritava a mesma coisa “por que ele veio?” enquanto Tritão ficava calado.

– Chega! Vocês não são criancinhas brigando por um pirulito.

– De fato... – Tritão deu um sorriso de escárnio, desviando o olhar de seu irmão, encontrando o meu rapidamente, percebi que seu sorriso tremeu e ampliou-se, virando-se para Percy novamente – Somos. E estamos brigando por um pirulito. Bem saboroso, aliás. Posso até chutar o gost...

Ele não pode terminar a frase porque seu irmão pulou em cima de seu colarinho, esmurrando o queixo, não pareceu ser com tanta força já que Tritão se recuperou rapidamente e riu.

Percebi que toda a briga que estava acontecendo ao redor parou.

Olhei de canto de olho para a pessoa que tinha ofegado surpresa, Silena.

– Isso sempre acontece? – meu tom de voz era de completo desinteresse quando a ruiva me encarou

– De vez em quando.

Sorri de canto, cruzando os braços na altura do busto, observando Poseidon segurando o braço de Percy, sussurrando alguma coisa para o filho.

– Olha pra mim. – o pai pediu, dando batidas em sua bochecha – Chega. Vá pra casa. Nos encontramos depois.

– Ah, claro, porque ele é seu filho preferido.

– Calado, Tritão. – a voz de Poseidon é dura

– Meu carro não está aqui. – Percy disse, abaixando a cabeça, parecia corado e envergonhado

Meu sorriso se ampliou. Mais um round ganho? Vaguei meus olhos a procura de sua namorada, mas nenhum sinal de que ela estivesse por ali.

Silena me encarou, um claro sinal de “não” enquanto a conversa ainda estava rolando e meu rosto era um claro sinal de “sim, sim!”.

Virei-me para pai e filhos novamente dando um sorriso.

– Posso dar uma carona. – balancei a mão, vendo todo mundo me encarar, em seguida, resmungarem alguma coisa estranha e voltarem para o que estava fazendo

Família estranha.

Poseidon sorriu.

– Eu te encontro depois, Percy.

– Eu sou seu filho legitimo! Eu sou um legitimo Walker!

Seu irmão revirou os olhos com a fala, avaliei Anfitrite caminhando até Tritão, lançando um sorriso para Percy e falando com seu filho em voz baixa.

– É melhor irmos. – Thalia disse, balançando seu telefone em frente aos meus olhos

Uma mensagem de minha mãe com letras maiúsculas. Ah, ótimo.

– Acho que o carro vai mais apertado que o normal. – Silena resmungou

– Não se preocupe, Beckendorf vai estar bem longe quando seu cabelo estiver bem feio.

Minha prima revirou os olhos, mandando-me língua enquanto voltávamos por um corredor vazio, repleto de passos rápidos de crianças e conversas baixas, talvez falando sobre a recente briga de família.

Assim que chegamos nos degraus curtos, o carro alugado de minha mãe estava ali parado. Uma Afrodite dentro, acenando para a mulher com a colher de pau que estava na janela ao lado e minha mãe tentando visualizar alguma coisa além dos cachos cheios de minha tia.

Percy vinha atrás de nós. Foi estranho, entretanto cada um conseguiu ficar espremido na parte de trás do carro.

Todo mundo estava irritado, eu deveria ser a única alma bondosa neste mundo que estava com um sorriso no rosto, saltitante e pela primeira vez, conversando com minha mãe enquanto ela comentava que iria esquentar a comida divina dela.

Chegamos ao prédio e ninguém falava além de mim e de minha mãe, talvez fosse saudade, ou talvez eu estivesse feliz por ter vencido de Rachel. Ok, não ter vencido, mas o namorado dela veio comido, então...

– Obrigada pela carona, Sra. Chase, Dite. – disse com um meio sorriso

– Ah, não! Qual é seu nome?

– Percy. – ele respondeu, recuando, ainda no elevador, tentei não rir de seu jeito tímido

– Eu fiz uma comida deliciosa, não foi, Dite?

– Não posso confirmar, querida irmã.

Minha mãe revirou os olhos, abanando as mãos, um claro pedido para que a ignorasse.

– Não importa, eu cozinho muito bem. Em vez de sair por aí comendo uma pizza nojenta ou aqueles salgados velhos do Starbucks, por que você não tem um almoço com a gente?

– Nós já almoçamos, mãe. – resmunguei

Thalia riu baixinho, acompanhado por Nico.

– Não custa nada almoçar de novo. – Silena cantarolou, empurrando o casalzinho enquanto eu puxava Percy pelo braço

Seu olhar era confuso. Uma plena confusão, ele tentava não encarar minha mãe enquanto entrávamos em casa, embora já tivesse ali, fingia que estava vendo tudo pela primeira vez. Arqueei as sobrancelhas.

– Aconteceu alguma coisa? – perguntei, inclinando-me sobre meu ombro

Percy se afastou bruscamente, eu já esperava por aquela reação, então apenas dei de ombros, tentando recuar. Ele pigarreou e enfiou as mãos nos bolsos.

– Hm, desculpa. Não é nada.

– Pronto, podem vir! É um peixe norueguês.

Nem Silena nem Dite estavam na mesa, dividia-se apenas em Nico, Thalia no lado esquerdo, eu e Percy no direito e minha mãe na ponta da mesa com um sorriso animado. A mesa estava posta do mesmo modo elegante que era posto quando comia pizza nos dias em que minha mãe estava em California, embora não fosse uma caixa circular de pizza de três queijos, na verdade, era uma travessa enorme com um peixe bem tratado, alface e sala ao seu redor, acompanhamentos do tipo: arroz, mais salada, molhos que eu desconhecia.

Percy apertou os lábios, recuando com a cadeira.

– Aconteceu alguma coisa, querido? – minha mãe disse, seu tom era puro falso quando encostou a mão no ombro de Percy, fingindo estar apreensiva

Arqueei as sobrancelhas, não conseguia entender o porquê da minha mãe agir daquela maneira, tudo bem que ela era muito irritante e tudo mais, só que não fazia sentido.

– Ahn...

Nico começou a rir do nada, acompanhado por Thalia. Atena tentou prender o riso, mesmo assim deixou sair alguns meios sorrisos.

– Eu sou alérgico a peixe. Desculpem-me, licença. – levantou-se correndo da mesa e saiu de casa antes que me desse conta que ele tinha fugido

– Mãe! Você afastou o coitado. – revirei os olhos, saindo da mesa – Eu estou sem fome, nos vemos depois. – resmunguei

Me tranquei no meu quarto, antes passando pelo de Silena e a vendo sozinha enquanto arrumava os cabelos já de pijama, não vi Nico nem Thalia mesmo quando já estava tomada banho, sentada na minha cama e encarando a televisão onde passava desenhos infantis idiotas.

O loft estava um silêncio. Achei estranho já que Thalia nunca deixaria aquilo acontecer, coloquei minhas pantufas roxas, deixando meus cabelos molhados pelos ombros. Tentei não fazer barulho quando ouvi a voz de Atena e de minha prima interagindo na cozinha, aproximei-me, encostando-me em uma das paredes da sala e tentei ouvir a conversa.

–...eu não pude fazer nada, tia! Ele é o capitão do time de basquete, não é meio obvio que seria a primeira isca de Annabeth?

– É tudo um pesadelo. – minha mãe resmungou – Um pesadelo.

– Relaxa, tia. Você não contratou um psiquiatra? Vai dar tudo certo.

– Ela não precisa passar por tudo aquilo de novo. Esse menino vai ser a perdição dela!

– Talvez ele consiga trazê-la de volta.

Até poderia ver minha mãe balançando a cabeça, encostei-me mais ainda, a respiração entrecortada, tentando entender sobre o que elas estavam falando.

– Isso não existe, Thalia! – sua voz elevou-se, segundos depois, ela parecia ter recuperado o controle – Continue cuidando dela, obrigada por tudo. Obrigada mesmo.

– Não se preocupe, a Annie é minha irmã, sempre vou cuidar dela.

– Deixe-a afastada de Percy. Eles não se merecem.

Ok, agora, qual o problema da minha mãe?

Ouvi passos e corri. Corri pelas escadas, encostei minha porta e controlei minha respiração, contando em todas línguas que eu conhecia. Encarei a portinha que dava para meu closet, onde tinha o cigarro. Estalei a língua no céu na boca, forçando meu corpo a se controlar.

Eu não precisava daquilo, repeti várias vezes. Até ficar tão atordoada pelas palavras da minha mãe e de minha prima soarem estranhas e ainda ecoarem em minha cabeça.

Eu sei que dormi, mas não foi na minha cama.

Notas finais
EAAAAAAAAAAI O QUE ACHARAM Enfim, teve um pouco de Percabeth, mas eu ainda to me sentindo culpada, então tentem entender que esse "amor" deles nao pode surgir do nada, tem que ter uma preparação e blablabla e ainda tem MUITA coisa que aconteceu no passado entre eles que tem que ficar claro, esse é o motivo que vou deixando pistas perdidas. Essa coisa de "Percy nao merece voce" pode mudar entao fiquem atentas a qualquer coisa boba que o Percy faça para parecer "caidinho" pela Annie. Enfim, é isso ai. VALEUUUU Love, xx.