Nightingale.

5 I'm better.


Notas iniciais
Prometi que ia postar e aqui está. Eu sei que esse começo tá bem chatinho, então, sei lá, espero que gostem.
Boa leitura!

“She can fuck you good, but I can fuck you betta etta etta...”

Os fones de ouvido estavam encaixados como tufos de algodão que me desligavam da realidade, eu balançava minha cabeça repetidamente, os mesmos coturnos que tinha ido pro pub do meu tio Ares, uma calça de couro, uma blusa 3/4 e o blazer preto de brilho estava preso em minha cintura, meus cabelos em um coque preso com uma caneta, minha mochila, por fim, pendendo em um único ombro enquanto eu descia as escadas cantarolando uma de minhas músicas preferidas.

- Droga. — empurrei a pessoa que me empatava de continuar andando

E ah, claro, como sempre Calipso tinha que começar animando minha manhã. Resmunguei um xingamento, continuando a andar, mas ela segurou meu braço porque claro que ela tinha que segurar meu braço.

- Solta. — tirei um dos fones, encarando-a — Solta, agora.

- Você não tem o direito de beijar o Percy.

Bufei, impaciente. Bati em sua canela com meus coturnos lindos, porém não muito forte, mas ela teve que dar showzinho, soltei um sorriso falso e continuei andando. Chovia incansavelmente quando passei, era como um espelho do meu humor, agora eu rezava muito pra aquela mini cachorra esquecer-se do chute, sem pensar que se ela não esquecesse, Dite ia me chamar porque seria bem claro que ela não falaria com o diretor. Grunhi e bati o pé no chão, eu ainda estava na passarela, respirando fundo e contando até dez em todas as línguas que eu sabia. Senti uma mão em minhas costas, em seguida, Thalia apareceu em minha frente, avaliando-me.

- Aconteceu algo, Annie?

Balancei a cabeça, e bati em minhas bochechas.

- Sono, raiva. Você viu alguma mini vadia pulando com uma perna só?

A morena riu, prendendo os cabelos em um rabo de cavalo alto, tinha olheiras, quase não vistas, no entanto fora muito tempo com Thalia que eu podia saber tudo que ela faria em seguida. E como eu havia dito antes, eu poderia roubar todas suas roupas. Vestia uma saia até a metade das coxas, coturnos de couro e o blazer preto da escola. Entramos no refeitório vendo todos calmos, outros na fila, outros dormindo e outros conversando. Eu e Thalia entramos na fila, peguei algumas frutas, um sanduíche e uma limonada. Esperei minha prima pegar enquanto conversávamos sobre algumas barbaridades, uma delas eram os panfletos espalhados para a entrada de mais líderes de torcida.

- Meninas! — Silena gritou

E claro, minha outra prima era o tipo modelo da França. Sua franja estava para fora enquanto um rabo de cavalo em seus cabelos loiros escuros, usava uma saia que marcava sua cintura, uma blusa 3/4 meio folgada sendo que a mesma tinha uma gola bem bonitinha, como aquelas de modelos mesmo. De qualquer maneira, minha prima parecia uma modelo pronta para desfilar na Fashion Week. Ela saltitou quando chegou a nossa frente, e nos puxou até uma das mesas do meio, acenando para quase todo o colégio enquanto passava.

- Vocês vão entrar para o time de líderes de torcida, não é?

- Não. — eu e Thalia repetimos juntas, como se fosse óbvio demais

- É claro que sim! Elas precisam de vocês!

- Eu ganho alguma coisa? — Thalia perguntou, mastigando sua salada de fruta calmamente

- Nada, além de viagens, dias de folga por causa dos jogos...

- Ok, eu parei de ouvir a partir de dias de folga. Tô dentro, quando é a eliminação? — perguntei rapidamente

- Cara, o que eu não faço para perder aulas? — bufou minha prima

Silena começou a falar sobre as regras, enquanto terminávamos de comer indo para as nossas salas, disse que ia ser hoje também, tínhamos que preparar uma dança... E eu nem sabia como dançar! Ok, eu sabia dançar aquelas danças de stripper, mas eu não sei se isso conta. Thalia reclamou o tempo todo, deixando bem claro que só estava entrando nas líderes de torcida por ter tempo vago — mais que o normal — e claro, dias de folga. Silena citou que Clarisse e Katie também estavam no time das líderes de torcida, como se isso fosse um incentivo. Eu não falava com nenhuma das duas.

Aula de inglês, ok. Física, de boa. Química, ótimo. Intervalo não tão legal.

A sala de química era dois corredores longe do refeitório, e para chegar lá eu tinha que enfrentar um batalhão de alunos esfomeados. Se eu pudesse bater em todos na canela como havia feito com Calipso teria sido ótimo. E como pensamentos atraem o que eles chamam/pedem, lá estava ela com sua seguidora de sempre, Drew. Bufei, impaciente demais para me dar conta de que elas olhavam para mim e então, como era de se esperar a mini cachorra viria tomar satisfações, sério?

- O que você fez comigo hoje, não foi muito legal, Srta. Chase.

- Sério? — fiz uma cara de surpresa, em seguida, um beicinho — Sinto muito, Srta. Ninguém Nesse Colégio, eu não me importo.

- Já era de se esperar isso, sua animal. — Drew, a ossuda, disse
— Ah, claro, porque você tem muitos argumentos para brigar comigo, não é? Olha aqui, suas pirralhas mal comidas, saiam da minha frente, saiam da minha vida e tratem de procurar alguém pra chupar isso que fazem vocês serem mulheres, se forem, não é? — dei um amplo sorriso, aproximando-me ainda mais de Calipso — Se você sonhar em se aproximar de mim, de novo... É melhor tomar muito cuidado porque esse chute pode ser bem pior.

- Sua... Sua...

Soltei um sorriso de escárnio, antes que eu pudesse sair lindamente diva, sua mão levantou-se, como se fosse me dar um tapa, e não, eu não segurei porque eu realmente queria acabar com a raça daquela imbecil, mas alguém fez isso por mim.

- Ah, não, você também. — resmunguei quando vi a ruiva nojenta

- Deem o fora daqui. As duas. E é melhor não chegarem mais perto nem de mim nem dela. Dite não irá gostar de saber o que vocês fazem.

As palavras foram tão rápidas como se ela estivesse com uma arma dizendo que poderia atirar a qualquer momento, elas só correram, eu acho que ela achava que eu ia dizer "oh, muito obrigada por me salvar dessas ossudas, estou devendo minha vida para você!", no entanto, o máximo que eu fiz foi encará-la com pouco caso enquanto ela dava um sorriso fofo.

- Oi, eu acho que nós não fomos apresentadas direito, eu sou...

- Não faço questão de sermos apresentadas. — respondi, seca, cortante

- Ahn... Bem, eu só queria s...

- Eu não me importo. — repeti lentamente — Não me importa o que você queria, ruiva. E da próxima vez que me ver com essas pirralhas, pode fazer o favor de passar direto e continuar para onde você estava indo.

- Pare. Você está agindo pior que elas.

- Own. — aproximei da ruiva e belisquei sua bochecha cheia de sardas — Legal. Vou te mandar uma mensagem com não me importo em letras maiúsculas, prometo não me esquecer.

- Eu não sei como você quer ganhar respeito.

Droga. Resmunguei em minha mente, por que alguém tem que se meter em todas as discussões que me meto? Principalmente ele, de novo.

- Todo mundo nessa escola é curioso assim mesmo, ou só o casalzinho feliz?

- Ou você é a única invejosa aqui.

- Percy, dá um tempo, ok? Eu já me toquei que a gente não se dá bem, e eu superei isso, olha! Você não vai mais ter uma loira gostosa atrás de você, cara, agora pode ficar com a ruiva nojenta. — dei batidas leves em seu peito coberto por um casaco antes de passar para o meu destino original

O moreno segurou meu pulso com força, encarando com raiva, parecia mais do que quando encarava o outro garoto.

- Eu não quero ver você tratando a Rachel desse jeito, ok?

- Eu não fui atrás dela, Charming Prince. Ela veio atrás de mim, então explica isso pra sua namoradinha ali, ok? — usei o mesmo tom agressivo que ele utilizou

Seu toque em volta de meu pulso fazia-me todo meu corpo vibrar em direção aqueles dedos ásperos, minha mente passava as imagens do elevador e eu fazia o possível para que minha respiração não se desestabilizasse ali.

- Olha...

- E só pra terminar, pede praelanão se meter nasminhasbrigas, certo? — Percy ia falar alguma coisa, mas eu realmente estava com fome e ouvir sermão dos dois era demais para mim — E você deveria cuidar melhor de sua namorada, acho que ela está com medo de te perder. Aprenda a usar isso aí. — olhei para baixo com um sorriso malicioso — Seu amiguinho moreno sabe. – completei, soltando uma piscadela

Seu aperto em meu braço ficou folgado aos poucos, e então eu pude sair dali com passos rápidos para o refeitório. O que, em parte, foi um alívio. E a outra parte louca e desconhecida de mim queria me afundar naqueles dedos e implorar pelo aperto de seus braços, prendendo-me contra outra parede e me fazendo arrepiar daquele mesmo jeito.

Bufei.

A raiva de sua intromissão – e da minha reação – tomava conta de cada pedaço do meu corpo. Meu dia só estava começando do melhor jeito possível. Quando cheguei ao refeitório, a fila estava curta, o que me fez adiantar e pedir dois hambúrgueres enormes junto com o maior copo de coca que eles deveriam ter. Eu precisava relaxar. Precisava de uma festa, precisava de um café forte, um livro bom e uma praia. Talvez, fingir que sei surfar com uma prancha de surf e ficar flutuando sobre as ondas calmas do anoitecer.

Mas eu não tinha nenhuma dessas coisas.

O curto período de paz que eu tive com o café e todo aquele surto com meu pai.

Andei calmamente onde minhas primas e as outras meninas estavam, ficando o mais afastada possível das outras, elas conversavam sobre o teste surpresa que Salomão estava dando, e eu nem me importava porque ele era o último tempo, talvez eu fosse ser liberada por causa dos testes, quem sabe. Eu também não me importava em tirar um zero na prova dele. Eu só queria paz.

Paz.

Terminei de comer meu segundo hambúrguer quando Silena me lembrou que ia me chamar no último tempo para o teste, e se eu não tivesse tão irritada, talvez eu tivesse dando um sorriso alegre. Falso, mas alegre.

***

Silena nos deixou depois do treino sozinhas no vestiário feminino, eu colocava minha blusa de botões deixando mais botões abertos que o normal, vesti minha calça, meu coturno, joguei minha mochila sobre o ombro e segurei meu blazer em meus braços, acompanhando Thalia até seu quarto.

- Pra onde vai? — perguntei quando ela jogou a mochila dentro do quarto e o fechou quase no mesmo minuto

- Vou me encontrar com o Di Angelo, vamos à ala de diversão ver um filme. Se quiser ir com a gente. — deu de ombros

- Ugh, isso soo mais como: "por favor, não venha".

Thalia sorriu e abraçou meu ombro.

- Talvez tenha sido isso que eu queria dizer.

- Tão prestativa, por isso que te amo. — beijei sua bochecha, abrindo a porta do meu quarto com o pé e encostando-me a soleira da porta

- Eu sei. — minha amiga apertou minhas bochechas com seu indicador e o polegar, avaliando-me — Sem aprontar, entendeu? Vai ser apenas umas duas horas, quando eu voltar, nem se dará conta.

- Como se eu fosse sentir sua falta, nojenta. Pode ir, e me deixar aqui mofando sem amigos, sem ninguém, apenas as garotas legais das líderes de torcida. E não estou sendo irônica se alguém estiver me ouvindo no corredor. — falei a última parte uma oitava acima do meu tom
— Oh, não, tão idiota e dramática. — a morena disse em um tom mais

dramático que o meu — Então, certo, volto em duas horas para jantarmos juntas, certo? Parece que hoje vai ter fogueira às dez.

- Onde você viu isso?

- Você não lê os avisos? — perguntou, incrédula

- Não?

- Ugh, tchau, Annie, nos vemos daqui a pouco.

Resmunguei alguma coisa quando Thalia desapareceu descendo as escadas em pulinhos. Fechei a porta do meu quarto em um estrondo... Respirei fundo, jogando-me na cama.

Minha mente tinha o apreço de não esquecer aquela cena do elevador que vinha se repetindo em minha cabeça há dias. E aquilo me irritava. Revirei os olhos, como se eu me importasse com ele e com o que ele pensava de mim, provavelmente eu só o deixei se aproximar de mim porque eu estava tentando parecer simpática ou algo do tipo. Sentei-me na cama novamente, irritada por não ter nenhuma praia que pudesse me acalmar. Talvez a biblioteca, o silêncio me faria bem... Nah, eu poderia ter outro surto.

Dei um pulo da cama, abaixei-me deslizando meu braço embaixo do criado-mudo ao lado da minha cama, peguei a pequena chave e retirei a imitação de Picasso presa a uma parede escondida, digitei a senha, outra portinha de ferro abriu com uma fechadura no meio, enfiei a chave, e fora algum dinheiro, peguei o maço de cigarro. Fechei tudo rapidamente, recolocando o quadro no lugar de antes, quase cai quando peguei minha bolsa de franja correndo enfiando o maço e meu velho isqueiro de sempre.

Atravessei a passarela correndo, dando susto em poucas pessoas que estavam conversando por ali. Pedi uma caneca, uma garrafa de café com pouco leite, saquinhos de açúcar, um pacote de cookies e quatro sanduíches.

A tia da cantina até que era bem legal porque ela preparou tudo em poucos segundos e ainda colocou os sanduíches em um saco ecológico, dei passos rápidos — quase correndo — por outra passarela de madeira que dava para o lago. Era o mais próximo que eu teria da Califórnia, não tinha ninguém. Dei um suspiro alegre, começando a andar calmamente até as mesas de pedra, subi nela arrumando meu piquenique particular, as águas do lago faziam um barulho mínimo assim como as folhas se roçando nas árvores.

Era tranquilizador. Olhei para trás, me certificando que ninguém estaria me vendo, e se estivessem demorariam demais já que a mesa em que eu estava era a mais próxima do bosque e mais afastada da passarela. Sorri, tirando um cigarro e brincando-o com meus dedos.
Deitei sobre a pedra e o acendi, levando até meus lábios e tragando profundamente.

Era delicioso e tranquilizador.

A fumaça cinzenta fazia círculos em cima de mim, aquilo me deixava em um transe e não me levaria a um surto. Não sei por quanto tempo fiquei quieta, apenas ouvindo aqueles sons suaves que o vento preguiçoso insistia em fazer nos pinheiros.

Uma semana sem cigarro. Talvez fosse meu primeiro recorde.

Sentei-me, segurando o cigarro com os lábios e abrindo o pacote de cookies de chocolate. Enquanto tragava, dava uma mordida no cookie, inconscientemente sorrindo pela curta duração de paz que eu já sabia onde poderia ter. Até certo momento, claro.

Eu deveria me lembrar de que aquele também era o lugar de paz de Percy quando o vi no fim da passarela, joguei o cigarro no banco, batendo meu pé freneticamente nele para que apagasse e quando o fez, joguei debaixo da mesa, com um suspiro de alívio.

O moreno metido ainda não tinha me visto, estava parado feito um idiota com uma mão na testa e outra, na cintura, avaliando o lugar, abaixei a cabeça, talvez ele visse que tinha alguém aqui e fosse embora, ou talvez ele percebesse que ali era eu e viesse tirar mais satisfações. Ou essas desculpas idiotas que ele vinha tendo.
Sorte ou não, ele estava vindo à minha direção, pareceu surpreso quando ergui a cabeça, fiz um coque alto e bufei.

- O que veio fazer aqui? — a frieza em minha voz era palpável — Me seguiu aqui pela primeira vez, é meu vizinho no apartamento onde eu moro e está em todos lugares que eu estou! Realmente, não entendo quando diz que não quer participar de meus joguinhos.

Percy me ignorou, dando um pulo e sentando onde antes eu estava sentada. Roubou alguns cookies do meu pacote — o qual eu reclamei com todos xingamentos que eu conhecia — mas pareceu inútil, pois ele continuou calado.

- Eu só quero paz, Annabeth. Dá pra você ficar calada por alguns minutos?

- Não? — gritei — Talvez porque eu estava aqui antes, talvez porque exista milhões de mesas iguais a essa espalhadas por todo parque.

- Talvez eu queira sua companhia. — apoiou seus cotovelos nos joelhos casualmente, olhando-me calmamente com aquelas íris de um verde mais claro, prendi um suspiro

Bufei.

- Pode dizer a verdade.

- Sério que você ficou com o Tritão? Quero dizer, já era de se esperar, mas no primeiro segundo em que se conheceram... Se quer se conheceram, não?

- Hm, o bebê aqui está com ciúmes? – cantarolei – Aliás, você mesmo presumiu no elevador. – citei, estalando os lábios

- Primeira pergunta, não. E sim, eu presumi, mas Tritão? – ele bufou e balançou a cabeça de um lado para o outro, deixando os fios negros bagunçarem a deriva da brisa fraca – E eu te conheci muito bem em Cali.

- Não, você não me conheceu. Você só... Me pré-julgou por me ver daquele jeito na casa de Thalia.

- Quem sabe, talvez.

Ficamos em silêncio enquanto ele roubava mais meus cookies, empurrei todos para ele e enchi minha caneca com café, saboreando o gosto, o silêncio e tudo que vinha com ele.

Era como um novo estilo de paz, e eu estava curtindo isso também, até um cheiro novo, que substituía o cheiro do cigarro que ainda estava impregnado em minhas narinas, um cheiro que me lembrava claramente a minha velha e doce, Califórnia.

- Sabe, Annabeth, você é a garota mais hilária que já devo ter conhecido.

- Sério? Por que tenho essa honra? Consigo ser hilária sem nem ter aberto a boca, que emoção.

- Você é... Engraçada. – ele deu de ombros, franzi o cenho, indignada e ele soltou um riso baixo – Olha isso, que cara. – revirou os olhos – E você fica... Um tanto estranha e adoravelmente engraçada irritada.

- Hm, então em vez do gentleman ficar com raiva de mim porque briguei com sua namoradinha, você queria rir?

Percy deu de ombros mais uma vez, sorrindo.

- Só disse que você é hilária, não que vou rir de você sempre que insultar a Rachel.

- Mimimi, Rachel, vulgo ruiva nojenta.

- Acho que outra pessoa aqui tem ciúmes.

- Ah, claro, não se iluda, cavalheiro britânico. — dei leves tapas em sua bochecha, inclinando-me para pegar o último cookie do pacote

Ele não reclamou da piadinha, nem do meu tom irônico, apenas fechou os olhos e apoiou a cabeça nos braços, respirando calmamente e profundamente como se fosse dormir. Não repeti seus movimentos, eu estava louca para dar uma tragada, mas poderia aguentar até ele ir embora, a presença dele era adorável quando estávamos especialmente neste lugar, foi aqui que tivemos nossa primeira conversa civilizada e daí em diante, nossas conversas só nos levavam para brigas.

Apoiei minha bochecha em meu braço, bebericando meu café e olhando para o sol se pondo, era um dos momentos que eu mais apreciava na Califórnia e talvez, eu continuasse amando apenas aquele momento em Cali, mas agora... O sol descendo seguindo seu caminho, atrás do lago era uma vista tão bela que eu poderia ver por todo sempre.

- Lindo, não é?

Assenti, deixando o calor do café tocar meus lábios e talvez, queimá-los levemente.

- Eu acho que devíamos nos comportar como pessoas civilizadas, sabe? — disse fazendo pouco caso, senti o peso de seu olhar sobre mim e encolhi os ombros, mesmo sem querer — Sabe, uh, todo mundo já está enturmado, menos nós dois e isso é bastante chato porque todo mundo me vê como a garota que se acha e dá pra todos.
Sua risada foi baixa, assim como as outras, quando tive a decência de olhá-lo, ele mexia o cabelo de uma forma totalmente sexy, tentando arrumá-lo por causa da brisa que passava por ali e também bagunçava os meus, apenas os joguei para trás.

- Não vamos começar tudo de novo. — avisei antes que ele fosse falar — É muito clichê. — fiz uma careta — Talvez eu apareça essa semana apenas de lingerie em seu quarto, e esqueça a ruiva nojenta de uma vez.

- Pare, por favor, Annabeth.

- Ok, gentleman.

- E pare de se tratar como objeto, eu não quero transar com você, e eu não sou gay.

- Hm, você já transou comigo, não é? Ugh, que droga! Sinto muito por não lembrar, você deve estar bastante magoado, eu te entendo, mas...

- Não. — apressou-se a dizer — Nos falamos pouco quando estava em Cali. Só... Esquece, ok? Posso te tratar como trato qualquer uma das meninas. Fiquei sabendo que entrou para as líderes de torcida.

- Yep. — meu desânimo era visível, pensei — Nada demais.

- Não vamos ser amigos, tenha isso em mente.

- Não pretendo. Aliás, acabei de ter uma ideia! — abri um sorriso enorme, e me escorei mais ainda na mesa de pedra, nos aproximando ainda mais — O que você acha de... Só sermos normais aqui? Eu sei que quando passarmos por aquela passarela, vamos brigar, então...

- Parece uma boa ideia. Gosto do jeito que faz questão de chamar minha atenção. — sorriu abertamente, o que me fez quase babar — Mesmo que eu dê mil foras em você, vai tentar sempre estar por cima, não é?

- Você já me deu dois, não? Ainda estou por cima, cavalheiro.

- De modo vulgar, claro que sim, lady.

Dei de ombros, terminando minha caneca de café e continuando sentada na mesma posição, esperando que ele falasse algo.

- Sabe que lá fora... Nunca dá certo? Nada. — deu um sorriso desanimado e me encarou — Parece que tudo conspira para que minha vida dê errado, às vezes penso em sair da escola e dar um basta nisso tudo, sabe? Não ser mais o cara que meu pai espera que eu seja.

- Sei como é. — sussurrei- Por que estava brigando com Tritão ontem? Sei que é algo...

- Nada. Não quero falar sobre isso, desculpa.

Claro, cavalheirismo britânico sempre predominaria nele.

- Tudo bem.

Em poucos segundos, tudo estava mais escuro que o normal e luzes, que eu nem sabia que existia começou a acender ao redor de nós, tudo estava parcialmente claro, o suficiente para eu continuar vendo quem viria da passarela.

- Acho melhor irmos. — avisei — Não pense que vou deixar as coisas serem fáceis para você, cara. — esmurrei seu ombro seguidas vezes

- Fraca. — resmungou — Só não... Não mexe com a Rachel, tudo bem?

Revirei os olhos e assenti.

- Promessa de escoteira. — pisquei o olho, pegando tudo que havia trazido e jogando os sanduíches que tinha sobrado na minha bolsa, assim como o maço de cigarro escondido

- Isso aí. Pode ir indo. Eu vou ficar mais um pouco.

- Onde foi parar seu cavalheirismo, gentleman, você deveria me levar pelo menos até a porta do meu quarto.

- Se não brigarmos daqui pra lá.

- Prometo não abrir a boca. — disse com um sorriso

Percy bufou e me ajudou carregando a garrafa de café. Passamos pelo refeitório para deixar a garrafa, pegamos mais dois pacotes de cookie, atravessamos a passarela ainda em silêncio, e então estávamos na ala dos dormitórios femininos. Pelas regras, era estritamente proibido que qualquer menino entrasse nesse corredor, mas não havia ninguém e se nos vissem, não estávamos fazendo nada demais. Não que fossemos fazer, claro, Percy deixou muito claro suas intenções comigo, e eu deixei bem claro — eu acho — que não iria desistir tão fácil quanto ele esperava que eu desistisse. Atravessamos o corredor do primeiro/segundo ano sem muitas preocupações, e subimos as escadas circulares lado a lado, por fim, chegamos ao meu quarto, procurei a chave em meus bolsos, abrindo-a e deixando uma visão clara de tudo que tinha lá dentro.

- Quer entrar? Tem uns chás gelados, refrigerantes e salgados, tudo contrabandeado, Sr. Certinho.

- Hm, eu acho melhor não.

Dei de ombros.

- Tudo bem.- prolonguei minha fala e dei mais um sorriso — Obrigado, Charming Prince, por acompanhar uma lady inofensiva ao seus aposentos. Vai ao baile chamado de fogueira?

Percy riu de novo, com um sorriso bastante aberto.

- Você é muito idiota, Annabeth. Mas acho que sim, daqui a uma hora, não?

- Prepare-se para mais uma briga fervorosa. — avisei

- Não. — resmungou — Não espero.

Dei tchauzinho para ele, encostada na soleira da porta de modo preguiçoso/sedutor, vi Percy desaparecer diante de mim, e abri um sorriso maior do que esperado.

Ele não esperava pra ver. Tadinho do ingênuo gentleman, não conhecia muito bem as californianas.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não me culpem por esse começo chaaaaato, é a vida de pessoas sem graças aka Perseu, entao nao me culpem.
Enfim, isso ai, beijao.
Love, xx.