Nightingale.

8 I Love It.


Notas iniciais
EAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI How i promise. Eu A M E I o final. Simplesmente é perfeito. É mais um dos "dons" que serão de grande importância para o Percy, então... This is it. Aliás, aconselho vocês a ouvirem minha nova playlist enquanto estão lendo http://8tracks.com/mylenarodrigues_/acoustic-stuff é toda fofinha entao espero que gostem!

"Oh, I love the way you make me feel"

As coisas não ficaram mais fáceis depois daquele dia.

O pub do tio Ares não foi muito diferente da última vez que fomos, só que a música era folk e todo mundo estava “drogadão”, a tarde, eu e Thalia, ficamos ajudando-o a colocar a mesa do pub, conhecemos os integrantes da banda – um tal de Ty que é realmente muito lindo, e agora eu finalmente conhecia o camarim da banda, principalmente o banheiro -, resumindo: teve muitos drogados, Percy ficou agarrando a namorada sem graça no sofá... No sofá! Essas pessoas são muito baixas, e eu era chamada de vadia.

Era domingo, e diferentemente de como todo mundo, eu decidi aceitar a carona de meu tio Ares para a Goode.

Minhas pernas estavam em cima do porta-luvas enquanto meu tio batia constantemente na minha canela, peguei uma de suas revistas da playboy deixada de lado, folheando com nojo. Inclinei-me sobre meu dorso e liguei a rádio, escutando alguma música eletrônica tocar.

– Pensei que a sobrinha preferida iria ficar fingindo de drogada para arranjar uma boa cama.

– Você me acha tão baixa assim? – respondi com tédio, sem direcionar meus olhos para ele

– Bem, sim. – sua voz era um pouco culpada, mas rapidamente voltou a ter o “tom Ares” – Na verdade, eu até posso arranjar um cara pra você. – balançou meu ombro – Sabe abrir as pernas e coisa do tipo.

Bocejei e passei outra página.

– Você me enoja, titio.

– Era de se esperar.

Então, senti o balancear do carro parar, as paisagem rabiscada que se passava pelo canto dos meus olhos foi parada até eu conseguir ver apenas um bar de esquina com vários bêbados assistindo um jogo de hóquei.

– Hampshire parece bem parada e sem graça quando vemos pela primeira vez. – Ares comentou, pegando a revista de minhas mãos e avaliando o conteúdo com interesse – Isso vai servir para os dias que minha internet não estiver pegando. – fez um beicinho ao falar, dando de ombros e jogando a revista para o banco de trás – Então, me diga o que lhe aflige. Tio preferido, sobrinha preferida. – bateu continência com a mão na testa intercalando o olhar entre mim e o semáforo com rapidez

– Nada. – respondi, suspirando cansada, voltando a sentar-me corretamente no banco, mexendo nas dobras de minha meia calça entediada.

– Foi o pescador?

Arqueei uma das sobrancelhas e vi meu tio corar, foi tão rápido que nem pude memorizar as maçãs vermelhas sobre as rugas ao redor dos olhos.

– Que pescador? – perguntei, avaliando sua expressão de culpa, deu de ombros e voltou a colocar os óculos escuros abaixo da marcha

Isso era um claro de sinal de: vamos mudar de assunto, ou chega de ser minha sobrinha preferida.

– É outro cara. Mas foi aquele branquelo de olho verde? Quando eu arrancar aqueles olhos de gay, ele nunca m...

– Não, tio. Até porque ele tem namorada. – respondi, batendo na janela embaçada com a ponta dos dedos

– Isso nunca foi um empecilho.

– É, não foi. Mas, se eu vim aqui para mudar... Bem, eu tenho que mudar. – dei de ombros, forcei um sorriso e encarei meu tio – Embora, eu ainda ache que arranjar um psicólogo para mim seria bem melhor, não acha?

– Você está certa. – tirou os óculos escuros, mexendo entre seus dedos – Sempre está certa, loira birrenta. Vou falar com sua mãe sobre isso...

– Obrigada, tio. – deixei um sorriso abrir em meu rosto e beijei seu ombro descoberto – Eu te amo, sabe disso, não é?

Ares sorriu, levantou a mão e bagunçou meus cabelos, jogando-os para frente dos meus olhos.

– Eu sei, birrenta. Vou te dizer uma coisa, mas não fui eu que disse.

Ri e assenti, cruzando as pernas, ansiosa.

– Talvez sua mãe esteja vindo para cá. Pode parecer horrível, eu sei. Aquela mulher é o diabo em pessoa. – tive que rir, enquanto meu tio fazia uma careta horrível

– Eu ainda quero saber como ela te ameaçou.

– Na verdade, nem queira. É humilhante pensar o que ela fez, enfim... Ela quer dar uma festa. Para seus amigos da escola... – me olhou de esguelha, franzindo os lábios e voltando a colocar os óculos – Eu não sei se é uma boa ideia, Silena disse que você não se dava bem quase com ninguém...

– Ela disse? – sorri, encarando meus coturnos floridos – Bem, talvez seja verdade. Você sabia que eu sou líder do time de torcida?

– Líder de torcida? – meu tio assentiu, surpreso – Nunca pensei nisso, quando vai ser o próximo jogo?

Dei de ombros e sorri ao ver meu tio entrando no estacionamento da Goode onde poucos carros restavam e o porteiro ouvia música, distraído com uma cara de poucos amigos, inclinei-me para trás do banco pegando minha bolsa de antes, verificando com os dedos nervosos se o maço de cigarros ainda estava ali, sentindo também o isqueiro roçar em meus dedos.

– Bem, eu não sei, tio. Mas prometo que se eu estiver lá, Lions irão vencer. – bati em seu peito, dando um beijo em sua bochecha de despedida – E diga a minha querida mamãe que eu não tenho amigos, mas como dizia o velho ditado...

– Mantenha seus amigos pertos, e os inimigos mais pertos ainda. Boa garota.

– Isso aí, tio. Exemplo de vida. – pisquei enquanto acenava, batendo a porta do carro

Andei pela grama da frente, olhei para trás e ainda podia ver meu tio procurando alguma coisa no banco de trás, apressei o passo até que estivesse na passarela leste que dava acesso ao prédio dos quartos. Antes de atravessar o primeiro corredor, dei uma olhada para a ala masculina.

Talvez...

Balancei a cabeça, correndo, passo após passo, sentindo o salto curto do coturno bater com força no carpete fazendo um barulho abafado. Subi as escadas de vidro rapidamente, descontando toda a raiva no vidro, talvez eles quebrassem e eu fosse expulsa. Sorri com a possibilidade enquanto diminuía a velocidade dos meus passos chegando a porta do meu quarto.

Encostei minha testa no veludo preto, enfiando meus dedos no tecido fofo, mordi os lábios com força.

Eu não tinha amigos, era assim que minha prima definia para meu tio.

O que não era uma mentira.

Encarei o teto alto de madeira, procurando minhas chaves nos bolsos do short, assim que os encontrei, abri a porta com um empurrão a ponto de ver uma cabelereira ruiva irrompendo da escadaria.

Não tive tempo de identificar quem seria porque minha porta já estava fechada, eu me enroscava no veludo interior quentinho, como se fosse meu cobertor. O piso frio de madeira tocava em minha meia calça preta grossa, fazia parecer que ela não servia de nada em meu corpo, puxei meus joelhos para meu peito, apoiando meu queixo ao topo dos meus joelhos, mordendo os lábios, impedindo que o que mais temia viesse a tona.

Eu ia manter guardado.

Chega de problemas.

Sobre minha visão embaçada, eu conseguia ver meu criado mudo de madeira redondo bem trabalhado com um abajur vermelho brilhando incansavelmente, a cama elevada por um degrau baixo onde um tapete claro ressoava lá estava bem forrada, talvez as mulheres que limpam tinham passado por aqui. Um edredom vermelho estava passado e bem forrado assim como as almofadas vermelhas e marfins que ressoavam de um jeito moderno e bagunçado em cima da cama.

Tirei os coturnos, assim como o short, ficando apenas da camisa curta e meia calça, enrosquei-me no edredom, verificando o horário no relógio de cabeceira, desejando um remédio que me fizesse dormir. Por muito tempo.

Eu deveria ter uma intimidade enorme com meu subconsciente, e com esse pensamento, eu pedi – implorei de um jeito humilhante – que ele fizesse todo meu corpo adormecer até que o despertador tocasse avisando que era mais um dia naquela escola infernal.

***

Afinal, o que seria uma pessoa como eu sem coturnos?

Eu sei, é, não tem nada a ver isso com a minha vida infeliz em um internato nos confins da Inglaterra em uma cidade chamada Hampshire, repassando: eu estou em um fim do mundo.

Como eu tinha abandonado minhas aulas de costura com Izzy para ser capitã das líderes – frescas – de torcidas, no último horário, em vez de me perder nos corredores imensos da Goode, eu tinha que me dirigir a quadra ou campo. E eu ainda recebi uma bronca em forma de bilhete da treinadora que me pedia duas novas coreografias.

Na real, eu não sei como consegui fazer isso. Eu acho que nem fiz para ser sincera, para isso que serve ser filha da ameaçadora Atena, você sabia ameaçar.

Depois de alguns ameaças bobas, tive duas coreografias prontas, uma de Britney Spears, Piece of Me – o que era um clichê porque todo mundo já dançou essa música – e outra de Will.i.am, Fall Down.

Neste momento, eu estava saindo da aula de Inglês, o último horário, com o pen drive que Silena havia me dado com as músicas, verificando se o uniforme que a treinadora tinha me dado ainda estava na minha mochila quase vazia. Tudo certo, então repassava os passos da coreografia, correndo para os vestiários, pensando se teria tempo de chegar depois que a treinadora fosse fofocar com as meninas da cantina.

Minha sorte alcança 1% da minha vida.

De qualquer maneira, eu troquei minhas calças folgadas e minha blusa de hip-hop por um top roxo, três dedos abaixo do meu busto, e um short da mesma cor. Amarrando meu cabelo em um coque alto, ouvindo o soar de meus tênis brancos sobre o piso escorregadio, cheguei ao campo.

Hampshire não estava tão nublado como nos últimos dias. Conseguia ver o céu azul, e poucas nuvens no céu, entretanto o clima não estava tão quente quanto deveria estar. O sol aparecia, mas era bem fraco enquanto a brisa era fria, não o suficiente para nos fazer colocar um casaco, o suficiente para me retrair e então, continuar andando com toda a pose de capitã que eu deveria possuir.

Deveria ser o décimo treino que eu tinha. O primeiro que a treinadora estava lá.

Continuei caminhando como se não me importasse, as meninas faziam abdominais, reclamando incansavelmente.

– Annabeth, querida. – Ally apertou meu ombro com carinho

É, ela é meio bipolar ou eu só odiava pessoas que mostravam superioridades a mim.

Trate como quiser.

Sorri para a morena de cabelos castanhos claros presos em um coque. Seu uniforme diário era simples: uma calça de moletom roxa, assim como o casaco de fino e a blusa branca. Simples.

Ela não me mandou fazer nada, apenas me mostrou algumas coisas que tinha escrito em sua prancheta, do tipo, quem deveria ficar na base da torre e quem deveria ficar em cima, apenas concordei passando meu olhar pelo campo.

Eu diferenciava rapidamente Nico correndo de um lado para o outro carregando um saco nas costas, o suor descendo por qualquer área descoberta, a camisa grudada ao corpo, e a calça parecia atrapalhá-lo, provavelmente eu tiraria sarro dele outra hora.

Beckendorf também corria, entretanto parecia ser mais fácil com seu tronco bem malhado e a cara de bravo, nem dava para perceber que estava fazendo esforço.

Por fim, eu vi Percy. Ele estava parado, observando os jogadores – seus amigos – correndo de um lado para o outro como patetas, a regata caía muito bem em seus músculos e peitoral sempre coberto por imensos casacos, a calça de tecido fino parecia perfeita em suas pernas altas, meus olhos pararam quando ele deu um sorriso caloroso e grande para a pessoa ao seu lado, provavelmente o treinador, levantou um dos braços, como se fosse começar a aquecer-se, colocando-o atrás das costas, ainda com um sorriso. Encarei o treinador que deu batidinhas nas costas do Percy – ainda com um sorriso de matar – e então, o moreno, caiu sobre os tornozelos, começando uma série de flexões.

– De acordo, Annie?

Levantei meus olhos para Ally, confusa, vendo-a seguir meu olhar e parar em um menino que começava a suar com seu esforço de subir e descer sobre os braços.

– Hm, Jackson é muito bonito mesmo. Capitães de time na minha época sempre ficavam juntos.

– Época boa aquela. – comentei, ainda com os olhos cravados nele

– É, enfim, você ouviu algo do que eu disse?

– Sobre a torre? Eu acho que Thalia ficaria ótima como uma das bases.

– Ah, Clarisse e Camila estão com ela, tudo bem?

– Certo, podemos começar o treino?

– Não quer se aquecer?

– Estou ótima, obrigada, Ally.

– Tudo bem. – a treinadora bateu palmas para as garotas, e então observei Thalia levantando seu dedo médio para mim, sorri – Podem ir para o treino. Treinem acrobacias, danças solos e a torre. Se for preciso, pode chamar um dos meninos.

– Seria ótimo. – lambi os lábios com um sorriso safado

Ally me encarou com um sorriso e balançou a cabeça.

– Ou não. Enfim, bom treino.

A morena desapareceu sobre os portões que davam para o vestiário, fiquei sozinha com as meninas. Apontei para o espaço vazio atrás de mim onde treinávamos, vendo todas pularem e darem estrelinhas enquanto sentia a presença de minha prima ao meu lado.

– Secou o Percy, hm?

– Você vai ficar delimitando meus olhares agora? Sei que ele “não é o cara para mim” – disse entre as aspas com meus dedos -, mas não sabia que nem posso olhar pra ele? Aliás, eu também estava olhando para meus amigos, como o Nico magrelo ali.

Thalia revirou os olhos, mexendo na franja que caia sobre seus olhos, encarando o campo atrás de mim com um olhar interessante.

– Ele até que fica bonitinho com aquela camiseta.

– Vai treinar, idiota.

Minha prima riu, empurrando-me pelo peito enquanto corríamos e eu tentava fazer uma estrelinha descente.

– Vocês arrebentaram, meninas! – exclamei assim que chegamos ao vestiário, já de calcinha e sutiã depois do banho frio.

– É, somos demais, Chase. – Clarisse bateu o quadril comigo, rindo – Depois você se acostuma com isso.

Mandei-lhe língua, enquanto vestia minha camisa de antes, assim como a calça, procurando meus tênis com os olhos.

– Pra onde vai agora? – Katie me perguntou, sentada no banco de ferro calçando suas sapatilhas

– Fui convidada para passar um “tempo do time”. – pronunciei, sentando-me ao seu lado

– Finalmente. – Ashley piscou em frente a mim com sua saia curta, balançando o quadril a minha frente – Pena que eu não vou ficar para ver seu primeiro entrosamento com todos, fadinha.

Imitei sua careta.

– Não vai fazer falta, Ash.

Ela me mandou língua enquanto desaparecia.

– Vai ficar, Thals? – perguntei, ao vê-la enfiar os pés na sapatilha preta de spikes

– É, acho que sim.

Dei de ombros, pegando minha mochila e levantando-me.

– Encontro vocês na arquibancada, tchau. – acenei enquanto voltava a passar sobre os portões grandes

A grama sobre meus tênis reclamavam até que pulei sobre as arquibancadas de ferro, sentando-me ali. Do outro lado, vi Nico saindo junto com um garoto que eu não conhecia, ambos sorriam. Meus olhos vasculharam todo o campo para sabermos se estávamos sozinhos ou não, ao canto, já trocado com seu habitual jeans e casacos estilo moletom, Percy conversava com o treinador. Ambos estavam com expressões sérias e preocupadas.

– E ai, loira. – Nico veio até mim, bagunçando meus cabelos

Revirei os olhos.

– Oi. Não conheço seu amigo. – pisquei para o moreno de olhos claros a minha frente

– Seth, prazer. – inclinou-se sobre mim, beijando minha bochecha

Engatamos em uma conversa sobre como eles pareciam babacas correndo.

Depois de alguns minutos, todo o time chegou, assim como as líderes de torcida. Embora, eu não tivesse percebido que conversas todos estavam porque eles se dividiam em grupos e se reagrupavam de novo, o único fixo era: eu, Thalia, Seth e Nico sentados na parte mais alta da arquibancada, embora no próximo degrau, um grupo de meninos estivessem paquerando duas meninas.

– Não acredito! – balancei minha garrafa de coca que Seth havia descolado para mim no vestiário masculino

Bem, todo o time arranjou para toda a equipe de líderes de torcidas.

– É sério, existem coisas sombrias na Goode.

– E eu achava que essa escola era nova. – Thalia resmungou, entornando a garrafa em seus lábios – Não vi você no pub, sábado. – apontou para Seth com sua garrafa vermelha

– Família. – balançou a sua garrafa envolvendo o campo, encostando as costas no degrau superior – Sabe como é. Muito tempo trancado, e se tiver uma mãe dramática como a minha, com certeza, ela vai chorar na sua frente. – reclamou

– Ah, eu sei como é isso. – comentei, rindo

Seth começou a reclamar de como toda a sua família era dramática, de como aquilo lhe sufocava, Thalia só resmungou que sentia falta dos gemidos dos pais espalhados por toda a casa o que fez eu e os meninos imitarmos uma cara com nojo.

Todos conversavam ao meu redor, encarei mais uma vez, esperando encontrar o grupo fixo de Percy e o treinador grisalho, embora eu não tenha encontrado mais nada que um espaço vazio e escuro do outro lado do campo. Meus olhos, novamente, foram a procura de Percy, procurando o moletom azul marinho ou os cabelos que deveriam estar esvoaçando, assim como o meu que não parava quieto, toda hora entrando em minha boca ou em todo meu rosto. Visualizei-o em frente a arquibancada, debruçado sobre o parapeito, conversando com alguns caras em baixo.

Pela primeira vez no dia, depois de várias evitadas das nossas partes nos corredores da escola, nos olhamos.

Era difícil saber que cor seus olhos deveriam estar já que estávamos a alguns metros de distância, instantaneamente, o moreno deixou seu sorriso de antes vazar. Voltando a expressão séria de sempre quando olhava para mim, encarei o relógio de couro no meu pulso que marcava quatro horas da tarde.

– Ei! – Percy gritou por meio das vozes que se expandiam sobre o campo

Ninguém pareceu ouvir além de mim, inclinei meu pescoço, me perguntando o que ele queria falar comigo, no entanto, apontou o polegar para meu lado esquerdo e visualizei Nico com um sorriso estampado no rosto, ouvindo Thalia falar alguma coisa com o mesmo sorriso, imitando vozes e caretas acima dele.

– Nico. – balancei seu ombro, apontando para o garoto lá embaixo

– Ah, um momento.

Dando poucos tapinhas no joelho de Thalia, Nico pulou os casais se agarrando e os grupos formados, inclinando-se sobre o parapeito, vi os lábios de Percy mexer no ouvido dele, Nico assentindo e nossos olhares ainda grudados.

Desviei meu olhar para Seth que parecia conversar com Thalia, mas ainda me encarava.

– Capitães dos times tem tendência a ficarem juntos. – avisou, bebendo sua garrafa

– Vocês... Por que tão clichês? – revirei os olhos, bebendo da minha própria coca

– Por que talvez seja verdade?

Observei Percy sair do campo e Nico subindo pelo mesmo caminho de antes.

– Não, não é. – resmunguei – Nunca vamos dar certo, pode parecer clichê, mas ele tem namorada! E, agora, eu realmente pretendo acabar com essa nossa birra inútil, tudo bem? Me entende? – briguei com Thalia que apenas balançava as pernas e os ombros

– Tudo bem, loira. – Seth levantou os braços e sorriu – Voltando...

Nico sentou-se no lugar de antes, enquanto voltávamos a conversa. Embora eu pensasse o quanto seria melhor fazer o dever de casa... Não, aqui estava ótimo. Afirmei a mim mesma enquanto via Seth levantar-se e imitar um macaco. Tive que rir, vendo suas pernas tortas pularem de um lado para o outro.

– Annie, pega aquele seu jogo de cartas! – Thalia pediu, quatro e meia quando todo mundo começava a se espalhar e ir embora

– Te esperamos na diversão, fechou?

– Cartas, qual o problema de vocês? Deixem-me pegar o dado safado, por favor! – fiz um beicinho

– Seria bom. – Nico comentou, dando um olhar para Seth

– Concordo.

– Homens. – Thalia resmungou – Eu vou chamar Silena e Beckendorf, não quero um foursome na minha frente.

Revirei os olhos enquanto pulava os degraus, passando pelas portas de ferro, irrompendo pelo vestiário e então, chegando ao corredor que era bem próximo da ala de diversão. Uma droga porque eu teria que atravessar milhares de corredores até chegar a ala de dormitórios.

Não me importei, eu estava animada com isso. Tratei de acelerar os passos nos corredores, ouvindo apenas os impactos dos meus tênis no piso e então... Não era o som dos meus tênis no piso, mas também uma voz suave e um violão fraco.

Interrompido alguns momentos por uma voz feminina que dava conselhos de mudança de notas.

– Eu não quero cantar essa música. Ela está incompleta, Izzy. É irritante tocar uma música assim.

– Não é nada irritante, Perseu. Você só não está deixando a música fluir. Deixe a música fluir.

– Posso trazê-la pronta depois de algum tempo. Prometo que até o final do ano ela estará pronta.

– Final do ano? Não está dando orgulho a si mesmo.

– Só não acho nada que me inspire.

Ouvi passos de salto em uma sala abafada, diminui a velocidade do meu passo, procurando qual sala seria.

Sala de música. Uma sala de distância. Cheguei perto o suficiente para perceber que a porta estava aberta e que as paredes nem eram tão resistentes assim. Encostei-me na parede livre, obrigando-me a ouvir o máximo que eu pudesse.

– ...tem uma namorada, não é?

– É, isso não quer dizer que sou obrigado a escrever músicas de amor a todo momento.

– Isso quer dizer que não está apaixonado.

– Não é isso, Izzy.

– O fato, Perseu, é que uma pessoa só consegue escrever uma música de amor quando está apaixonado... Ou quando é compositor de primeira.

– Sou um compositor bom. – reclamou, uma sequencia de notas ressoou

– Eu sei que é, rapaz. Ok, não vamos insistir mais em uma música que talvez não tenha futuro. Qual é a próxima?

– É um cover... Eu só... Bem, eu só fiz algumas mudanças nas notas, não está nada demais.

– Vamos, toque.

Staring at the maple leaf, living on the mother tree, yeah, I said to myself we all lost touch, your favorite is chocolate covered cherries and...

– Ótimo, ótimo... – Izzy falava

Oh Chariot, your Golden waves are walking down upon this face, oh Chariot I’m singing out loud to guide me, give me your... Strength.

– Bom... – ela batia palmas no ritmo da música

There is a living promise land even over fields of sand, seasons fill my mind and cover me bringing back more than a memory...

Assenti, procurando forças para me afastar daquela voz. Consegui-as de algum modo, bem longe da minha verdadeira força, tendo coragem de correr passando pela porta. Em passos rápidos e barulhentos, estava do outro lado, tentando andar calmamente como se só estivesse indo para meu quarto.

– Viu algo? – Percy perguntou, ainda tocando o violão

– Continue, filho.

E então, a voz havia voltado a preencher todo o corredor e meus passos nem eram ouvidos, mesmo quando sua voz parecia ter desaparecido dos corredores, e apenas meus tênis eram escutados na passarela de madeira. As notas dos violões ainda estavam grudados em meu ouvido, consequentemente fazendo com que sua voz se pronunciasse em minha mente.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Eu adorei essa música e tipo, perfeição, enfim. Isso aí. Love, xx.