Nightfall
3 Saint Thomaz
Notas iniciais
Quando acordei minha cabeça doía bastante consegui sentir algo gelado repousando sobre minha nuca,estava em uma cama,ouvi barulhos como 'bips',ao lado da minha cama havia uma bolsa de soro e alguns equipamentos que não fazia idéia pra que servia.
Devia estar em algum quarto de hospital,ele era mal iluminado por um abajur na estante e a luz que vinha de uma janela ao lado esquerdo da cama.
Retirei o saco de gelo que repousava sobre minha nuca e me sentei para olhar melhor o quarto mas acabei me deparando com uma figura sentada em uma poltrona ao fundo,olhei com um pouco mais de esforço e percebi que era Alessia seu rosto estava abatido,seus olhos semi abertos e era óbvio que ela havia passado um bom tempo sem dormir.
Seus olhos refletiam a luz lunar que entrava pela janela,por um longo período fiquei apenas observando o lua se alinhar com sua íris,suas sardas formavam as constelações em sua pele que era um perfeito céu iluminado pelo luar.Aos poucos seus olhos se fecharam e ela dormiu,deixando apenas as estrelas descansando sobre sua pele branca.
Por um momento me fez pesar a consciência,ela era minha melhor amiga e a conhecia tão bem quanto conhecia minha própria vida,eu não merecia seu carinho,sua preocupação e muito menos o brilho de seus olhos.
Ainda estava bem confuso mas consegui ficar de pé,fui em direção a porta,mas antes verifiquei o relógio que ficava em uma cômoda ao lado de Alessia e constatei que eram 23:45.
O corredor era longo,a iluminação fraca,as correntes de ar que passavam por ele cortavam lentamente minha pele como garras gélidas,o chão era frio e se não fosse pelos poucos pontos de luz que haviam nele eu não teria coragem de avançar.
Aos poucos percebi que conhecia aquele lugar,era o Hospital Saint Thomaz aonde meu pai já havia trabalhado,mas agora o hospital estava muito sombrio e diria que até sem alma.Continuei seguindo o corredor tentando encontrar a enfermaria mas fazia muito tempo desde que não ia ao Saint Thomaz e minhas recordações não eram as melhores.
Ao final de mais um corredor avistei um enfermeiro ou médico,não consegui distinguir devido a falta de luz.
– Hey você! — gritei com força.
Nenhuma resposta,o vulto se virou e seguiu para esquerda ignorando meu chamado.Eu o segui.
– Hey CARA da pra você parar?
Continuei gritando enquanto o perseguia,mas entre quartos e corredores acabei me dando conta de que aquilo não era algo digamos humano.Sua aura era azul translúcido e ele não andava,na verdade aquilo levitava de uma maneira assombrosa.
Chegamos a um corredor que eu chamaria de 'Corredor Central' e o vulto se desfez em vidro e pó,não sei o porque mas não me assustei com aquilo e tinha a sensação de que conhecia aquilo tão bem quanto a palma da minha mão.
Me aproximei lentamente dos restos daquilo e...
– Garoto o que faz aqui?
Rapidamente me virei e me deparei com uma enfermeira,ela tinha longos cabelos grisalhos,uma enorme verruga na bochecha e vestia um vestido branco que era a mistura de um jaleco com uma calça mal passada.
– Desculpa..Mas eu preciso de um cobertor,está muito frio e minha acompanhante vai acabar congelando — Disse de maneira gentil.
– Tá bom,me espere aqui e eu já volto.
Sua voz me lembrava minha avó Madeline.
Um tempo depois ela voltou com dois cobertores que mais pareciam barracas.Agradeci e fui em direção ao quarto mas no caminho de volta algo me chamou atenção,em meio aos destroços do vulto que vim perseguindo havia uma luz em um ponto fixo.
Me aproximei e pude notar um pequeno triângulo translúcido que emitia uma fraca luz azul.
Me agachei e ao toca-lo senti meu corpo eletrificado,meu pulso ardeu em chamas dando origem a uma cicatriz vermelha em forma de círculo,me arrastei no chão e choraminguei.
Com dificuldade devido a 'queimadura' no braço esquerdo e aos hematomas do dia anterior,me levantei e com cuidado peguei o pequeno triângulo.Ele parecia possuir uma espécie de encaixe nas laterais,suas bordas eram cercadas de pequenos espinhos e no meio brilhava um azul mais escuro que nas laterais.O enrolei entre os cobertores e com dificuldade voltei para o meu corredor.
Cheguei no quarto apenas desejando dormir e nada mais,aquele frio estava realmente me matando.Peguei um dos cobertores que a enfermeira havia me dado e coloquei gentilmente sobre Alessia.Voltei para minha cama e quase instantaneamente adormeci.
Acordei com a voz de Alessia me chamando.
– Jason?Acorda o Doutor .. Quer..falar..
Limpei as pálpebras com a mão e me sentei.
– Quem quer falar o que? — disse forçando um bocejo
– Eu quero falar.
Havia um homem de meia idade ao meu lado ele tinha olhos negros,pele clara e cabelos cortados em estilo militar.Usava calça jeans e uma blusa social azul que por cima era coberta por um enorme jaleco.
– Me chamo Doutor Cristopher White e vim lhe dar alta. — Ele disse de maneira bem simpática.
– Mas doutor o que houve comigo? — Perguntei.
– Você arrumou confusão de novo! — Disse Alessia.
Quase me esqueci que ela estava ali e fiquei surpreso com sua atitude.
– É como sua namorada disse,encontramos você em um bar no subúrbio desacordado e com alguns hematomas.
Quando ele disse a palavra 'namorada' me senti envergonhado mas ao mesmo tempo feliz..
– Não sou namorada dele,somos apenas amigos.
Toda minha fantasia se desfez e percebi que Alessia estava realmente irritada.
– Já o examinei e constatei que tem condições de ir para casa.
Ele me entregou vários papéis e me deu um 'tapinha' nas costas.
– Fique longe de encrenca Jason,e Bom Dia.
Ele saiu do quarto deixando eu e Alessia a sós.
– Vou espera-lo na recepção. — Disse Alessia saindo do quarto.
Era evidente que ela estava muito irritada e com razão é claro.
– Okay. — Repondi no tom mais humilde que consegui.
Me arrumei o mais rápido que pude,notei que meu braço queimado estava com ataduras e um leve cheiro de menta que deduzi ser remédio.Por pouco quase esqueci o objeto misterioso da noite passada em baixo dos travesseiros,o peguei e coloquei no bolso com cuidado tentando evitar um novo acidente.
Segui pelos corredores rumo a saída mas pelo menos dessa vez eles eram habitados e com poucas instruções cheguei a recepção.
Procurei por Alessia mas ela não estava lá,perguntei a recepcionista se ela à tinha visto e ela apenas me entregou uma folha de papel rasgada com alguns rabiscos e alguma coisa escrita que rapidamente deduzi ser 'Venha para casa o mais rápido possível,Alessia'.
Fui em direção a rua,peguei um táxi e pedi para o taxista me levar o mais rápido possível para a San Leandro Way.
Cheguei nas portas do prédio em alguns minutos que mais se pareceram horas,subi as escadas o mais rápido que pude ignorando meus machucados e hematomas.
Abri a porta do apartamento com rispidez,segui o pequeno corredor que dava para a sala e vi algo inacreditável...
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