Night of gifts: care, love and sleep
1 Capítulo Único - Especial Dia Das Mães
Notas iniciais
— Não não não, não chora, não chora… — sussurra ela entrando no quarto e parcialmente iluminado apenas pela luz do pequeno abajur de urso ao lado do berço. — Está tudo bem, está tudo bem.
Ela entra e encosta a porta delicadamente, indo até o berço, onde uma bebê de pijama rosa de cupcakes agitava os braços e perninhas chorando agitada, querendo desesperadamente um conforto.
— Você teve um pesadelo, foi? — Avery estende a mão e acaricia a barriguinha da irmã mais nova que por um instante parece se acalmar, mas logo volta a chorar novamente.
— Ei shhhhhhh…
Avery a pega no colo e aninha em seus braços, balançando levemente a fim de fazê-la se acalmar.
— Eu não sei porque você está chorando, mas… — ela anda pelo quarto no escuro, com cuidado para não pisar em nada. — Eu to aqui. Sua irmã ta aqui, Lilly.
Ao invés de estar sonolenta, Lilly pisca para Avery, prestando atenção em sua voz. Mesmo no quarto parcialmente escuro, os olhos verdes de Lilly eram visíveis.
— É tarde, muito tarde e você é muito nova para estar acordada. — diz Avery conversando com a irmãzinha. — E como nossa mãe está cansada, então eu vim te fazer companhia.
Avery senta na poltrona que Jane costuma amamentar Lilly e a ajeita em seu colo, acariciando os cabelinhos escuros dela para tentar trazer seu sono de volta.
— Aliás, você tem a melhor mãe do mundo, sabia? — murmura ela baixinho. — É sim, você tem. Eu não tive a sorte de crescer tendo-a como mãe, mas você vai ter.
Enquanto Avery fala, Lilly a encara atentamente como se compreendesse o que ela estava falando. A cada frase, ela sacudia as perninhas ou emitia um som baixinho.
— E você vai ter uma irmã mais velha também: eu. — Avery sussurra sorrindo, tocando o narizinho dela enquanto fala. — E eu vou te ensinar a ser teimosa e tirar nossa mãe do sério.
Avery para por um momento e ri para si mesma sabendo o quanto ela já deixou Jane louca quando sai sem avisar para onde vai, por exemplo. Não foram poucas as vezes em que Jane lotou sua caixa de mensagens para saber onde ela estava.
— Se bem que sendo filha do Kurt também aposto que você já nasceu mais teimosa que eu.
— Nunca pensei que um dia teria uma irmãzinha. — sussurra Avery passando o dedo delicadamente pelo rostinho de Lilly. — Sempre fui filha única mas olha onde eu estou agora. E estou amando isso. Minha mãe, você.
Da porta do quarto, Jane funga observando a cena, respirando baixinho e tomando cuidado para não fazer barulho, não querendo interromper a cena que estava assistindo.
— Não sei se estou fazendo isso certo, mas… — sussurra Avery acomodando Lilly aninhando-a mais junto ao corpo e percebendo que ela havia encontrado uma posição para se acomodar, encostando a cabeça na curva do seu braço e havia adormecido.
— Você me deixou falando sozinha, é? — sussurra Avery baixinho, rindo levemente. — Ótimo!
Sem conseguir segurar o riso, Jane ri abrindo a porta com cuidado para não fazer barulho e entra no quarto.
— Não acredito que você conseguiu. — diz Jane baixinho. — Não é qualquer pessoa que consegue acalmar um bebê com fome no meio da madrugada e ainda fazê-lo dormir apenas conversando.
— Acho que o assunto estava chato. — murmura Avery fazendo uma falsa careta.
— Eu sei que não estava. — rebate Jane.
— Há quanto tempo está ali?
— Algum tempo. — confessa Jane. — Você mandou muito bem com ela.
Sentada no braço da poltrona, Jane empurra a filha com o ombro delicadamente.
— É?
— Sim. — sussurra Jane sorrindo. — Apesar de ela ter acordado para mamar.
— Então, sobre isso… — começa Avery.
— O que foi?
— Deixa eu te dar um presente hoje? — pergunta a garota mordendo o lábio com cara de quem estava com algo em mente.
— Como assim?
Avery pega a mamadeira que estava ao seu lado na poltrona.
— É o leite que você tirou mais cedo. — diz ela olhando para Jane, que semicerrava os olhos para Avery, contrariada pois evitava ao máximo dar mamadeiras à filha.
— Eu sei o quanto você está cansada, pensei que merecia dormir um pouco mais do que 2 horas seguidas. — sussurra Avery. — Aliás, acho que por todos os presentes de dia das mães que não te dei ao longo dos anos, uma noite de sono já é alguma coisa, não?
— É muita coisa. — Jane balança a cabeça e sorri revelando uma expressão agradecida. Ela observa sua bebê dormindo profundamente segurando uma mecha o cabelo da irmã e deixa escapar um bocejo. — Obrigada.
Jane pega a mamadeira e tira a tampa protetora antes de entregar de volta à Avery bem na hora que Lilly começa a acordar e a procurar o peito de Jane na irmã. As duas riem e Avery coloca a mamadeira na boquinha dela, que começa a sugar o leite com vontade ainda de olhinhos fechados.
— Agora vá dormir e faça valer a conversa que eu tive com ela às 2h da manhã.
Jane ri levemente e antes de levantar deixa um beijo na testa de Avery e um beijo igualmente carinho em Lilly, que mamava pacificamente.
— Lilly tem sorte em ter você. — sussurra Jane. — E eu também.
— Ela ter sorte por ter você como mãe. — diz Avery. Jane abre a boca para falar alguma coisa, mas a garota continua antes que ela fale alguma coisa. — E eu também.
— Boa noite meus amores.
Lilly tira os olhos da mamadeira e olha para Jane, piscando os olhinhos verdes e fazendo seus sonzinhos enquanto mama. Jane sorri e toca o narizinho dela e depois o da Avery.
— Boa noite, mãe.
Jane sai andando praticamente de costas, observando a cena sem querer perder o nem um segundo desse momento e encosta a porta suavemente. Porém ao invés de dormir, ela deita na cama e pega a babá eletrônica, assistindo Avery ninar a irmãzinha, até que as duas caem no sono na cadeira de amamentação. E instantes depois, Jane termina por cair no sono também, aproveitando seu presente, no momento o melhor para este longo dia das mães.
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