Night and Sun
13 Capítulo 13
Notas iniciais
“Então, sobre o Alois.”
“Estou ouvindo.”
Ciel suspirou baixo, lambendo os lábios enquanto se sentava em sua cama antes de deixar seu corpo cair no coxão. “Alois e eu nunca namoramos.”
Sebastian ficou surpreso com as palavras, seus olhos se arregalando levemente antes de franzir o cenho. “Sério?”
“Bom, é, hehe...” O mais novo riu baixo ao telefone, um pouco nervoso, segurando o aparelho com o ombro enquanto retirava suas botas. “Nós nunca namoramos, mas nós já transamos algumas vezes, mas não foi nada de mais e-”
“Ah, é, claro. Eu sei aquelas vezes quando você transa com alguém e não é nada de mais. É só colocar O PINTO dentro de uma pessoa, nada de mais.”
“Olha aqui, acalme-se. Guarde seus ovários e seus hormônios femininos antes de falar comigo, não gosto de homens só por causa dos paus.” Ciel disse, já cortando o ataque que seu chefe estava dando. “Alois e eu sempre fomos muito amigos, melhores amigos. Ele me ajudou em muita coisa, me salvou de muita coisa. Eu morro por ele e ele morre por mim, sei disso porque somos próximos assim. Ele é como um irmão pra mim e não há nada no mundo que eu não faça por ele.”
Sebastian estava se segurando para não bater sua cabeça contra a parede ou não destruir tudo ao seu alcance. Ciúme era pouco para descrever o que estava sentindo e sua mão apertava seu celular com força, a ponto de destruir o aparelho. “Isso é ridículo.”
“Oi?”
“Isso é ridículo! Você fala dele como se vocês fossem casados!”
“Você estava escutando o que eu disse não estava? Alois é como um IRMÃO pra mim, o amo como amo meus pais e não tenho medo de admitir e nada jamais pode mudar isso. Agora, se você tem algum problema com ele, não quero ter mais nada com você.”
Com um suspiro baixo, Sebastian passou a mão pelo rosto, sentando na beirada de sua cama, ouvindo Ciel respirar pelo telefone.
“Ainda ta aí?” Ciel perguntou baixo, sentindo um puxão desconfortável em seu ventre, mordendo seu lábio inferior.
“Estou...” Seu chefe respondeu, a mesma sensação de nervosismo passando pelo seu corpo. “Não vou desistir de você. Eu só... só me sinto um pouco inseguro. Você o trata tão bem e... Bom, eu sempre fico nervoso perto de você e não sei o que fazer direito e acabo sempre estragando tudo.”
As palavras imediatamente fizeram com que o mais novo se sentisse aliviado, e ele sorriu para si mesmo, um leve rubor aparecendo em suas bochechas porque o que acabara de ouvir era simplesmente adorável demais.
“Você fica nervoso perto de mim? Você já se olhou no espelho? Você parece um modelo. Você já foi modelo?”
“... Não, nunca fui modelo.”
“Você é super alto e você é maravilhoso, você é tão cheiroso que eu queria viver respirando o seu perfume. Sem falar nessa anaconda faminta que você esconde nas calças.”
“Tch, não o chame assim.”
“Que tal então salsichão alemão?”
“O quê?! Não!”
Ciel riu ao telefone, fazendo seu chefe sorrir do outro lado da linha, rolando na cama e pressionando o rosto no travesseiro por alguns momentos.
“O quê eu quero dizer é, Alois é parte da minha vida, sempre foi. Mas não precisa ter ciúme dele. O que eu sinto por ele e por você é totalmente diferente.”
“... Quando foi a ultima vez que vocês dormiram juntos?”
“Dormiram?”
“Transaram. Fizeram sexo.”
“Ah, faz muito tempo. Alguns anos. Acho que três ou quatro.”
“Ok... É... Bom, então já que nós conversamos sobre isso, eu vou desligar e-”
“Espera!”
“Que foi?”
“Quer falar putaria?”
“Você não vai agüentar.”
“Tch, cala a boca seu flerte. Até amanhã.”
“Até amanhã, Ciel.”
O mais novo deixou o telefone cair na cama, passando as mãos pelo rosto. “’Até amanhã, Ciel’ tch idiota. Voz grossa do caralho... será que é tão difícil me foder de uma vez ao invés de ficar adiando, cú.”
..
“Você é um filho da mãe.”
Ciel riu das palavras de Alois, abraçando os ombros do amigo, beijando sua bochecha gentilmente. “Não seja bobo.”
Os dois saiam da universidade depois de receber um teste que haviam feito uma semana atrás, e como sempre, Ciel tirou nota máxima sem nem estudar direito. Enquanto Alois não foi tão bem (sem estudar muito também).
“No próximo te ajudo a estudar.”
“Não entendo o que você faz, chega a ser assustado o quanto você é inteligente.”
Eles caminharam até o carro de Ciel, jogando suas mochilas no banco de trás. Ciel ligou o veículo e acelerou calmamente, adorando os pequenos estouros que o motor soltava.
Em pouco tempo, chegaram ao apartamento de Ciel e ele entrou imediatamente no chuveiro para se arrumar para o trabalho enquanto Alois ficou assistindo televisão na sala.
O estudante de cabelos escuros colocou uma boxer cinza, uma calça escura, uma camisa preta de mangas compridas e suas botas favoritas, indo para a sala enquanto colocava seu tapa olho no lugar. “Vamos indo, se não vou me atrasar.”
..
“Oi Finny!” Ciel disse ao dar o primeiro passo dentro da loja, correndo de encontro ao loiro atrás do balcão, abraçando-o fortemente. “Senti saudades!”
“A-ah o-oi Ciel.” Finny disse surpreso, mal conseguindo respirar com o abraço que estava a ponto de quebrar todos os ossos de seu corpo.
“Phantomhive, largue ele, ele mal consegue respirar.” Uma voz profunda, parecendo levemente entretida.
Ambos imediatamente se viraram, vendo Sebastian ali parado encarando-os com divertimento em seus olhos. E ele estava bonito como sempre, de tirar o fôlego. Vestindo preto da cabeça aos pés, as mangas de sua camisa social levantadas até seus cotovelos, sua roupa da melhor qualidade, cabelo perfeitamente bagunçado.
Ciel largou seu colega, olhando seu chefe como se fosse atacá-lo, tentando se segurar para não pular naquele espécime único de homem.
“Oi Sebastian.”
“Ciel.”
Apenas ouvir seu nome sair daqueles lábios fazia o mais novo querer se masturbar e tentava o seu melhor que podia para que não ficasse obvio. Seu coração batia cada vez mais rápido a cada vez que via Sebastian. Ele parecia ficar mais bonito, mais irresistível, mais cheiroso.
‘Acalme-se Ciel. Ai merda ele é muito perfeito. Ele está sorrindo pra mim, olha esse sorriso arrghh! Vencedor, capa de revista. ’
Seus pensamentos foram interrompidos quando dois clientes entraram na loja e, assim, Sebastian voltou para seu escritório, para a sorte de Ciel que já estava começando a ficar excitado.
..
“Hoje está parado.” Ciel comentou, esticando um pouco o pescoço de seu lugar atrás do balcão para tentar olhar para o posto de gasolina pelo vidro da vitrine da loja.
“De vez em quando temos dias assim.” Finny disse, organizando alguns salgadinhos nas estantes.
“Hm...”
Após de alguns minutos em silêncio, o estudante acabou se lembrando do que havia perguntado Bard. Por que Sebastian não tem fotos de família?
“Digamos que você vai vê-lo com outros olhos.”
Ele queria saber, ele precisava saber o que havia acontecido com Sebastian. Não era mais uma curiosidade. Era uma necessidade.
Noite passada, após terem acabado de conversar no telefone, Ciel e Alois foram dormir. Mas Ciel ficou até quase quatro da manhã acordado pensando no seu chefe.
O que aconteceu com a família de Sebastian?
‘Ai merda, e se Sebastian ficar chateado quando eu perguntar pra ele? Mas talvez... Eu não precise perguntar pra ele. ’
Olhou seu colega por alguns momentos antes de falar, “Ei Finny,”
“Sim?”
“Por que o Sebastian não tem nenhuma foto de família na casa dele? Já fui a todos os cômodos e não vi nenhuma. E até eu tenho umas fotos dos meus pais.”
Assim que as palavras deixaram sua boca, Finny congelou, encarando sem respirar a estante por alguns segundos, seus olhos esmeraldas arregalados em surpresa.
“Não sei se... não sei se sou a melhor pessoa para te dizer isso, Ciel... você devia perguntar para ele...” O loiro falou hesitantemente após um tempo, olhando para a direção oposta do outro rapaz.
“Eu sei, mas... e se ele ficar chateado? Eu não quero que ele fique bravo comigo Finny, você sabe disso, eu ia ficar louco se ele... Por favor, me conta, prometo não falar pra ele que você me disse.”
Finnian suspirou antes de assentir, não tendo forças para negar nada para seu novo amigo, ainda mais quando Ciel falava daquele jeito.
“Ok, mas vamos sair da loja se não ele pode ouvir.”
–
Após os dois saírem do e irem para trás da loja, Ciel encostou-se á parede e Finny ficou parado na sua frente, mordendo o lábio inferior em nervosismo.
“Ok, ta... O motivo que o Sebastian não tem fotos de família...” Finny começou, obviamente hesitando, brincando com seus próprios dedos enquanto encarava o chão antes de tomar coragem e conseguir falar. “é porque ele não tem família.”
Ciel arregalou os olhos, completamente surpreso com a informação, mas ao mesmo tempo não entendo o que o outro queria dizer. “Fi-Finny, como assim? Eu não entendi...”
“Ele morava num orfanato, Ciel... e...”
“Então ele é adotado? Isso não significa que ele não tem família. A família adotiva dele não o tratou bem? Fala Finny! Você está me deixando ansioso!”
“Não Ciel, não é nada disso, eu falei que ele morava num orfanato...”
“Então desembucha Finny!”
“Sebastian morava num orfanato, mas ele jamais foi adotado, Ciel. Ele morou lá por dezoito anos e ninguém nunca teve interesse em tê-lo como filho.”
..
“Entre.” Sebastian disse ao ouvir alguém bater na porta de seu escritório, levantando seu olhar brevemente antes de focar em seus documentos novamente.
Podia ouvir sua porta sendo trancada e paços suaves sobre o piso de madeira caminhando até ele, mas a pessoa não dizia nenhuma palavra.
Curioso, e levemente irritado, Sebastian olhou para ver quem era e ninguém menos que Ciel Phantomhive, que tinha uma expressão muito estranha em seu rosto, estava lá.
“Phantomhive... Ciel, o que foi? Aconteceu alguma coisa?”
Ainda assim, o mais novo não disse nada, apenas continuou se aproximando de seu chefe, encarando-o com um olhar muito diferente. Ele olhava diretamente para o outro, mas era como se estivesse olhando através dele.
“Está me deixando preocupado Ciel, o que foi?”
Ciel apenas rodou a cadeira do mais velho para o lado e parou bem em frente dele, movendo-se para ficar em pé entre as pernas longas. Lentamente, ele se sentou no colo de seu chefe, suas coxas em volta do quadril do outro, suas mãos segurando o rosto mais belo que já viu em toda sua vida.
“Ciel...” Sebastian murmurou, olhando para o mais novo, estranhando o que seu empregado estava fazendo, mas não podia dizer que estava odiando. Suas mãos encontraram a cintura fina de seu empregado, segurando-o firmemente para que ele não caísse.
“Shh...” Murmurou baixo, roçando seus narizes juntos gentilmente, fechando seus olhos, seus dedos esguios movendo-se para o cabelo do mais velho, enterrando seus dígitos nos fios sedosos.
Eles ficaram daquele jeito por alguns momentos, apenas suas respirações quentes dentro do cômodo podendo ser ouvidas, Ciel apenas pressionando sua testa contra a de Sebastian enquanto este fechava seus olhos para apreciar o carinho que recebia por entre as mechas de seu cabelo. Era estranho para eles ficarem daquela forma, tão juntos e abraçados sem fazer nada, sendo que todas as vezes que ficavam sozinhos e juntos ficavam parecendo animais no cio, totalmente sem controle. Mas agora... Agora estavam apenas se segurando, e nenhum dos dois admitiria que os corações de ambos estavam batendo mais forte que nunca.
“Sebastian...” Ciel sussurrou baixo, quase manhoso, suas mãos novamente segurando o rosto de seu chefe gentilmente.
“Hm?” O mais velho murmurou de novo, não fazendo nenhum som alto ou movimento brusco, com medo de que se fizesse, Ciel iria se levantar e ir embora.
“Sebastian... Sebastian me beija...”
“... O quê?”
“Sebastian me beija me beija Sebastian, por favor, me beija Sebas-”
Sebastian tomou os lábios rosados no seu no beijo mais apaixonado que já tiveram, não conseguindo ouvir nem mais um segundo das súplicas do mais novo.
Fale com o autor