Notas iniciais
Surpresaas !

Não consegui prestar atenção em nenhuma das aulas durante o dia. E preferi trocar de lugar e me sentar bem longe de Damon. Ficar o mais longe possível dele, ainda era considerado pouco. Resolvi ir de ônibus pra casa, andar em um mesmo veículo em que Damon estava, não, em hipótese alguma. Quando eu cheguei em casa, me surpreendi com as malas na sala. Meus pais viajariam só no final do mês, não tinha necessidade de fazer as malas tão cedo.

- Boa tarde querida. — mamãe me deu um beijo no rosto. — temos uma noticia pra você, como você não quer viajar conosco, iremos mais cedo, mas seu pai e eu tomamos uma decisão, na verdade é uma condição para você poder ficar em casa. – ótimo! Algo de bom em um dia péssimo.

- E qual é a condição mãe?- perguntei apreensiva.

- Você vai poder ficar em casa, mas terá que ter uma pessoa responsável, a final você ainda não fez 18 anos. — minha mãe disparou um olhar para meu pai.

- Então, — continuou papai. — acho que a pessoa mais indicada para isso, seria uma pessoa em que eu tenho uma plena confiança, que more aqui por perto, e que... — comecei a suar frio, a conversa não chegaria a algo que eu fosse gostar. — fosse seu amigo. Já falei com o Sr. Salvatore, e ele concordou em deixar Damon como seu responsável durante a nossa viajem.

- O quê? Pera ai, vocês não estão pensando em me deixar em casa com Damon né? Por favor, me digam que não. — disparei um olhar de cachorrinho sem dono e eles se entreolharam.

- É isso, ou ir para o Canadá, no frio, e com toda a família, ficaríamos felizes se você fosse. — minha mãe realmente queria que eu fosse, mas de jeito nenhum eu iria para a neve em pleno verão.

- Isso é tortura. — choraminguei- mas pelo menos ele vai ficar na casa dele né? — perguntei, temendo a resposta.

- Damon ficará aqui desde hoje, aliás- minha mãe olhou para o seu relógio de pulso — ele chegara em meia hora, se você quiser, ainda da tempo de ir com a gente.- minha mãe ainda insistia para que eu fosse. Mas não tinha jeito, eu teria que achar uma maneira para tirar Damon de perto de mim por esses dias. Eu acharia alguma coisa.

- Tudo bem, acho que consigo suportar isso. — falei revirando os olhos.

- Obedeça a ele, ele será seu responsável a partir de hoje. — tentei ignorar a frase de meu pai. Onde eles estavam com a cabeça? Com isso eles se despediram de mim. Minha mãe fez aquela melosa despedida, me disse onde estavam as coisas de comer, como se eu ainda não soubesse. Subi para meu quarto para tomar um banho. Tirei minhas roupas e entrei para baixo do chuveiro. A água estava relaxante, e eu estava com o cabelo cheio de xampu quando a luz acabou. Não tinha mais nada de ruim para acontecer nesse dia? Maldito pensamento. Ouvi bater a porta da frente de minha casa, e lembrei que Damon chegaria. Por um segundo fiquei em desespero. Enrolei-me em minha toalha, na esperança de tatear alguma de minhas roupas, quando sai do banheiro, trompei em Damon, e soltei um grito assustada.

- Seu idiota, não conhece privacidade não? — Falei ainda em choque.

- Pra que privacidade se somos só nos dois, tenho certeza que não tem nada ai que eu não conheça.- Damon passou a mão por trás da nuca e me olhou dos pés a cabeça, com aqueles olhos sedutores e cheios de malicia.

- É... – fiz uma pausa- que infelizmente você conhece, mas muita coisa mudou até hoje Damon. — falei com a maior indiferença que possuía. Damon me olhou profundamente com um ar de questionamento, como se dissesse "Me mostra o que mudou então". Imediatamente fiz uma cara feia, e afastei a ideia de tê-lo em minha cama só pra mim.

- Elena, — ele coçou a parte de trás da cabeça- alguém mais já provou de tudo isso? — estava ele, mais uma vez rompendo os limites.

-Porque isso interessaria a você?- perguntei deixando as palavras no ar.

- Fui o primeiro, tenho direito de saber quem esta usufruindo de tudo que ensinei a você. – ele deu um sorriso de canto, e pegou a ponta da toalha. Imediatamente retirei sua mão dali. Gargalhei ao ver a idiotice que ele tinha acabado de dizer.

- Que você me ensinou? – cruzei os braços e fiz uma cara de deboche. — Pera ai, o que mesmo você me ensinou Damon? – fiz uma cara pensativa, e ele me puxou pela toalha.

- Tenho certeza que você não esqueceu nada Elena. E embora faça um enorme esforço para me odiar, a sua maior alegria é ficar perto de mim. – Damon estava passando dos limites. — e nesse exato momento, vendo você assim – ele olhou para mim entre a toalha. Não tinha como me esconder. Damon estava me vendo nua, e eu não tinha o que fazer para impedir. –tenho mais certeza ainda, que você quer me jogar na sua cama, e repetir o que a gente fazia há um tempo. — ele me puxou para perto- você não consegue negar Elena... Porque você deseja o mesmo que eu, — ele sussurrava. Realmente eu estava desejando seu corpo, e tudo mais, mas as lembranças não me deixariam seguir em frente. – diz que sua vontade é me mandar embora agora, e que não está nem um pouco a fim de me ver nu, aqui na sua frente?- ele segurou minha cintura e a toalha caiu.

- Minha vontade é que você suma da minha vida pra sempre Damon. Que você nunca mais apareça. E se puder fazer o favor de me soltar, eu ficaria grata. – Olhei séria para ele. Eu estava nua, colada em Damon.

- Não quero a sua gratidão, quero você Elena. – ele ficou sério, e eu pude sentir seus nervos se enrijecendo- e você não respondeu a minha pergunta ainda, alguém mais além de mim? – ele ergueu uma sobrancelha, mas continuou sério.

- Já que você quer tanto saber, Damon. Não, mais ninguém além de você. – olhei diretamente em seus olhos. – Agora é melhor você sair daqui e ver o que aconteceu com a energia, preciso terminar de tomar banho, se é que não percebeu ainda... – me afastei quando Damon tirou as mãos de mim, peguei minha toalha e me enrolei novamente.

- Se não teve mais ninguém além de mim- ele deu aquela risada de canto. — isso significa que você ainda é totalmente e absolutamente, minha, Elena. — Com isso, Damon deixou meu quarto e foi para o andar de baixo. Não consegui responder, nem atingi-lo com alguma palavra rude, minha voz falhou e a resposta não saiu de minha boca. Senti um arrepio, não identifiquei o porquê, mas pensei em Damon no mesmo momento. Mais uma vez ele estava mexendo com minha cabeça e talvez com meu coração. Se ele não tivesse sido tão canalha, podíamos ter dado certo. Afastei imediatamente esse pensamento. Quando entrei no banheiro, a luz voltou. Fiquei mais tempo que o normal no banho. Chorei. As lágrimas caiam de meus olhos sem que eu percebesse. Alguma coisa no meu coração dizia para correr e ficar com Damon, e por outro lado meu coração dizia pra esquecer ele e arrebenta-lo de vez. Sai do banheiro, coloquei um short jeans e uma regata branca. Desci para cozinha esperando não encontrar Damon por lá, mas para a minha tristeza, ele estava sentado no lugar do meu pai, e comendo meus cereais. Revirei os olhos. Ele me olhou, e fez um sinal para que eu me sentasse à mesa. Sentei em silêncio enquanto ele me servia uma tigela de cereal. Não queria mais brigar, preferi o silêncio, pela primeira vez em tempos, Damon não me tingiu com suas piadas. Preferiu o silêncio também. Algo estava começando a mudar.