Night Watchers - Primeira Temporada
87 Um Toque de Magia (Vol. 8) - Capítulo 1
O dia tinha acabado de nascer. Todo o entusiasmo e agitação do dia dos namorados tinha desaparecido e as pessoas acordavam para as suas habituais rotinas.
Debaixo do solo, nas grutas secretas de Cila, a noite tinha sido festiva… Abaddon apenas queria celebrar. Assim que Verin passou-lhe toda a informação que tinha, o demónio deu a luta por vencida. Ia ver-se livre de Vanda e poder regressar à sua forma original, de forma a conseguir possuir totalmente aquele corpo, com todas as capacidades que tinha por direito.
Abaddon achara bastante irónico a sua cura ser através de um feitiço… Não gostava muito de Magia, achava-a comum. Mais engraçado ainda, era a localização desse misterioso e desconhecido feitiço… Ali mesmo, numa das grutas onde mantinha-se escondido. Todo aquele tempo a resposta estava perto de si e nunca o desconfiara
Abaddon — Já consigo ver-me a governar esta dimensão… Tudo vai voltar a ser como sempre quisemos!
Vangloriava-se. Tudo indicava que estava num bom caminho e isso iria trazer-lhe recompensas.
Giovanni — Posso comer outro?
O vampiro Giovanni acabara de arrancar a garganta a uma rapariga e atirara o seu corpo morto para o chão. No entanto, a sua fome era inesgotável e queria mais… Uma vez que existiam ali mais 7 jovens, não devia haver problema em matar mais um.
Abaddon — Não são todos para ti, Giovanni! Trouxemo-los aqui para entreterem-nos… Apetece-me festejar!
Exclamou enquanto olhou para os jovens que encontravam-se num dos cantos da gruta, aterrorizados. Abaddon tinha pedido a Giovanni e Lunatik pra irem até lá fora e trazerem 8 jovens. Queria torturar e praticar todo o tipo de atrocidades existentes. Só assim é que se sentia realizado. Giovanni já tinha devorado uma rapariga, os outros eram para o demónio.
Verin — Mas ainda temos de encontrar o feitiço…
Abaddon interrompeu-o…
Abaddon — Shiuuu… Não nos preocupemos! É por isso que temos um feiticeiro entre nós… Ele conseguirá fazer um feitiço de localização que nos vai dizer exactamente onde está o que queremos! E depois, ele próprio irá realizar o ritual que acabará com Vanda!
Lezard sorriu, estavam a falar dele. Como era óbvio, faria qualquer coisa pelo demónio.
Lezard — Estou aqui às suas ordens! Mas devo já avisar… Fazer um feitiço para acabar com uma alma humana é algo muito delicado! Não estamos apenas a matar um humano, estamos a acabar com a sua alma, como se nunca tivesse existido! Sinceramente estou ansioso por o fazer… Nem sequer sabia que existia algo tão cruel e potente!
Abaddon — Adoro o teu entusiasmo! É uma prova do quanto és leal… Eu sei que serás capaz!
Giovanni — Despachem-se lá… Quero vê-los a gritar!
Interrompeu com ar de louco, referindo-se aos jovens. Abaddon não ficara ofendido, também ele queria um pouco de acção.
Abaddon — Lunatik, traz os nossos convidados até ao centro da nossa reunião, se fazes o favor…
Pediu com muita educação e Lunatik, o mascarado, dirigiu-se até aos jovens e empurrou-os com força de modo a que estes andassem… Apavorados, agarravam-se uns aos outros, com medo que tivessem o mesmo destino que a outra rapariga teve.
Abaddon — É mesmo uma pena a Carlota ainda não ter chegado, está a perder a diversão toda! Ela ia adorar isto… Já saiu há tanto tempo! Que estranho…
Todos estavam presentes à excepção de Carlota, a metamorfo, que ainda não tinha regressado.
Lezard — Não é que me importe muito, como sabe… Mas quer que vá à procura dela?
Ofereceu-se.
Abaddon — Não é preciso… Ela deve chegar a qualquer momento! E estamos a celebrar, ninguém vai a lado nenhum!
Respondeu ao feiticeiro negro. Porém, a proposta de Lezard tinha outro objectivo…
Lezard — Por isso mesmo! Estamos a celebrar… Deixe-me aniquilar a Night Watcher e os seus companheiros! Não seria um bom presente?
Lunatik continuava a empurrar os jovens até ao centro da gruta.
Abaddon — Lezard Lezard… Ultimamente tens pedido muito por essa tarefa! Existe alguma razão pessoal que eu desconheça?
Desconfiou o demónio.
Lezard — Tudo o que eu quero fazer é agradar-lhe, Abaddon! E eu sei que com os meus poderes, posso destrui-los a todos!
Lezard talvez tivesse razão… Talvez ele conseguisse. Abaddon já tinha percebido que o feiticeiro era muito leal… Como tinha referido antes, Lunatik era o se braço direito e Carlota o esquerdo. Se tivesse um terceiro, Lezard ocuparia o lugar.
Abaddon — Hum… Talvez…
Abaddon ficara pensativo…
Lezard — Por favor… Eu sei do que sou capaz!
Insistiu o feiticeiro.
Abaddon — Não posso negar que se tivesse a cabeça daqueles intrometidos, estaria bem mais feliz…
Lezard — Então deixei-me trazê-las! Eu consigo…
O demónio ficou a olhar para o feiticeiro e durante uns segundos não respondeu. A vontade e dedicação de Lezard começavam a entusiasmar Abaddon.
Abaddon — É uma ideia bastante interessante… Consegues mesmo fazê-lo?
Lezard — Aposte em mim…
Lezard deu um passo em frente… Estava prestes a convencer o demónio a deixá-lo realizar a tarefa.
Abaddon — Então conto contigo! Espero que sejas tu a resolver o incómodo, já que outros tentaram e não conseguiram!
Abaddon acabara por aceitar a proposta de Lezard e este riu-se, satisfeito.
Abaddon — Mas primeiro, antes de ires Lezard, precisamos de ânimo! Temos de mostrar aos nossos convidados o que os espera…
Lunatik já tinha levado os jovens até onde o demónio tinha pedido. Todos eles olhavam para as criaturas que o rodeavam, sem saberem o que fazer.
Giovanni — Estava a ver que não…
Verin — Estou ansioso pra ver o que vai acontecer…
Tanto o vampiro como o novo demónio estavam curiosos pela tortura que Abaddon ia escolher para os jovens.
Abaddon — Acho que tenho vontade de sentir um pouco de calor… Afinal de contas, estou satisfeito! Lezard, fazias o favor de iluminar os nossos queridos convidados?
O feiticeiro percebeu o que o demónio queria… Também ele estava a precisar de aquecer. Num só gesto, uma bola de fogo foi criada na mão de Lezard, iluminando a gruta por completo. O homem louro sorriu com maldade e lançou-a na direcção dos 7 jovens… Ao fazê-lo, as suas chamas cresceram e engoliram os adolescentes num segundo, queimando-os vivos. Gritos de agonia ecoavam pelos túneis à medida que os corpos ardiam. Em poucos segundos o silêncio voltara a reinar e tudo o que restava era uma enorme fogueira composta de labaredas místicas, cinzas e o cheiro de carne queimada.
Giovanni e Verin observavam a cena, completamente maravilhados. Abaddon e Lunatik encontravam-se lado a lado a contemplar a imagem que tinham à frente. Lezard mantinha uma postura séria, as chamas reflectiam nos seus olhos… Estava preparado pra realizar a sua tarefa.
*
O fresco cheiro da terra era sentido no ar, misturado com os vários aromas das flores existentes… As plantas e árvores brilhavam e a sombra dos mesmos refrescava a floresta de Cila cuja beleza era única, derivado à sua extensão e à sua diversidade em termos de vida. O chilrear dos pássaros formava uma melodia agradável e relaxante, algo mágico e autêntico…
Para qualquer amante da Natureza aquele era o sítio ideal para passar algum tempo, como era o caso da jovem Ísis Rocha. Desde pequena que frequentava aquele local e conhecia-o muito bem… Maioria das pessoas não sabiam apreciar a magnificência da Mãe Natureza e muitas vezes, tentavam destruí-la. O ser humano tornara-se num consumidor descontrolado e egoísta… Não olha a meios para ter o que quer e perdera o contacto que tinha com a Natureza. Isso entristecia a jovem, cuja consciência era mais elevada. Ísis não era capaz de comer animais e achava errado quem o fazia. O mundo estava errado e por vezes, achava que era a única que partilhava aquele pensamento.
Ao caminhar por entre plantas e árvores num vestido branco e bastante longo, a jovem sorria e observava cada pormenor existente, desde pedras a folhas secas. Sempre que o fazia os seus sentidos ficavam aguçados e aos seus olhos tudo ganhava uma cor diferente… Não entendia muito bem como é que aquilo acontecia, mas era algo muito fascinante.
Curiosamente, a jovem estava a ter uma sensação familiar, como se estivesse a ter um dejá vu. Nesse preciso instante, um som foi escudo entre uns arbustos ali perto e Ísis olhou nessa direcção… Uma linda e grande raposa aparecera e olhara para ela. A rapariga achou-a espantosa e os seus olhares cruzavam-se de um modo invulgar. De alguma forma, parecia já ter vivido aquele momento... O animal encarava-a, sem desviar o seu foco.
Ísis — Olá…
Tentou cumprimentá-la… A raposa avançou uns passos e olhou para trás, como se tivesse a fazer algum sinal. Ísis achou aquilo estranho e pouco comum. Parecia que o animal estava tentar dizer-lhe algo…
Ísis — Que simpática…
Elogiou. Geralmente as raposas eram bastante tímidas e não apareciam com muita facilidade. O animal voltou a olhar para trás e devagar começou a caminhar nessa direcção. No entanto, parava para olhar novamente pra Ísis. Claramente estava a pedir à jovem para a seguir…
Ísis sabia que os animais eram bastante inteligentes, ao contrário do que muitas pessoas pensavam. Então, decidiu segui-lo… Este podia querer dizer ou mostrar-lhe alguma coisa. Assim que começou a caminhar atrás da raposa, tudo ficou escuro repentinamente e a jovem deixara de ver a floresta e o animal, assim como deixara de sentir o aroma e a temperatura ambiente… Tudo desaparecera.
…
Ísis Rocha tinha acabado de acordar… O sol já havia nascido, mas quando olhou para o relógio, verificou que ainda era bastante cedo. O sonho que estava a ter fez com que a jovem despertasse…
Ao sentar-se na cama, sentiu-se um pouco confusa. Já há algum tempo que dormia com um caderno em cima da mesa-de-cabeceira… Desta forma, podia escrever acerca do que sonhava assim que abria os olhos. Mas naquele dia, Ísis não tinha vontade de anotar nada… Essencialmente porque o sonho que tivera era na verdade uma recordação de algo que vivera. Por alguma razão que desconhecia, tinha sonhado com o momento em que encontrara a raposa numa das suas visitas à floresta de Cila. Fora exactamente nesse dia que a jovem encontrara o Grimório e começara a praticar Magia. A única diferença do sonho para a realidade era o vestido branco que a jovem estava a usar… Um pormenor irrelevante, porém curioso.
Pela primeira vez, graças ao que sonhara, sentiu que tinha sido conduzida por algo superior até às Artes Mágicas, como se aquele tivesse sempre sido o seu destino. A Natureza mostrara-lhe algo que poucos têm acesso…
Subitamente lembrara-se dos primeiros dias em que começou a conhecer o misticismo… E da emoção que sentira por estar a descobrir algo tão magnifico. Embora tivesse receado um pouco o “desconhecido”, entregara-se à Magia por completo e hoje já sabia fazer alguns encantamentos sem ter de recorrer ao livro.
Independentemente de nunca ter conhecido o autor do Grimório, Ísis tinha um bom pressentimento acerca do mesmo. O facto de um animal ter-lhe indicado o caminho, apenas mostrava que anergia à volta do livro era boa… Ainda pra mais uma raposa, um dos animais mais desconfiados que existe.
Com tudo isto, a jovem começara a ficar com vontade de fazer Magia… Então saiu da cama e dirigiu-se até ao baú que tinha no quarto, onde guardava os seus instrumentos e ingredientes mágicos, assim como o Grimório. Ainda faltavam duas horas até as sulas começarem, tinha tempo suficiente pra fazer algo…
Assim que pegou no livro, abriu-o numa página e como por Magia deparou-se de imediato com algo interessante…
Ísis — “Como Ler uma Aura Humana.”
Leu num tom curioso. Parecia-lhe muito interessante…
*
Na casa dos Monserrate tudo continuava calmo… Vasco era o único que já estava acordado, tinha de começar o trabalho bem cedo. No tempo em que se despachou, certificou-se que fazia pouco barulho para não acordar nem Clara, nem Melissa. No entanto, algo estava a intrigá-lo profundamente… Na noite anterior, reparou que a sua filha Melissa tinha chegado bastante tarde a casa. Vasco não podia ser considerado um pai controlador, sempre confiara muito nela e dava-lhe a liberdade que qualquer outro jovem merece. Mas agora era diferente… Sentia-se preocupado. Ultimamente estavam a acontecer muitas tragédias em Cila e não existiam notícias em que os responsáveis eram apanhados… Era deveras estranho, mas a única coisa em que Vasco Monserrate conseguia pensar era na protecção da sua filha.
Depois de estar despachado e prestes a sair, decidiu que não devia haver grande problema em ir até ao quarto de Melissa e tentar falar com ela… Afinal de contas, em meso de duas horas a jovem tinha de acordar para ir pra faculdade. Assim que Vasco entrou no quarto, dirigiu-se até à cama da filha e sentou-se. Devagar, colocou a sua mão no braço dela e acordou-a…
Melissa — Pai? O que é que aconteceu?
Melissa acordara um pouco assustada e baralhada… Não era habitual o seu pai acordá-la.
Vasco — Está tudo bem filha… O pai veio só até aqui para ver-te e saber se precisavas de alguma coisa.
Mentiu. Vasco não queria parecer invasivo. Estava a tentar arranjar maneira de fazer uma pergunta a Melissa, sem parecer que estava a meter-se demasiado na sua vida.
Melissa — Não, não preciso de nada…
Em seguida olhou para o relógio…
Melissa — Pai, ainda faltam duas horas para sair de casa. Não achas que é um pouco cedo?
Perguntou meio ensonada.
Vasco — Nunca é cedo para vir ver-te!
Melissa continuava a estranhar a situação e não acreditara no pai.
Melissa — Agora a sério pai… Porque é que me acordaste? Nunca o fizeste…
Vasco cerrou os lábios, um pouco relutante… Mas decidiu arriscar. Tudo o que estava a fazer era preocupar-se com a sua filha. Era essa a sua obrigação.
Vasco — Vim só ver se estava tudo bem… Ontem chegaste tarde! Com tantos acidentes que têm acontecido na vila fico sempre preocupado!
A jovem sorriu… Apreciava bastante o cuidado com que o seu pai abordava os assuntos. Se ele soubesse o quanto ela era forte, não teria motivo para sentir-se alarmado. De qualquer dos modos, na noite passada, Melissa não se tinha envolvido em nenhuma batalha… Passara o tempo todo com Hugo. Era verdade que tinha chegado bastante tarde a casa, mas estava tão feliz com o rapaz que ambos perderam a noção do tempo. Tinham tido uma noite fantástica…
Melissa — Tens razão… Ontem cheguei um pouco tarde! Mas não tens de te preocupar. Tive com o pessoal, a noite estava tão boa…
Tentou disfarçar… Mas Vasco começara também a falar.
Vasco — Mas por onde é que vocês andam? À hora que chagaste já tudo estava fechado. Não acredito que a Ísis e o Leonardo tenham ido tão tarde para casa… Há algo que não estás a contar-me!
Claro que Vasco conhecia-a muito bem… Esta sabia-o e começara a ficar avermelhada, envergonhada. O seu pai não podia saber o que ela e os seus amigos faziam. Certamente perderia a cabeça, depois de a internar.
Melissa — Não estejas a inventar pai…
Mas uma vez Melissa fora interrompida…
Vasco — É um rapaz? Existe algum rapaz?
Felizmente para si, o seu pai apenas estava a referir-se a um rapaz e não aos assuntos em que ela se envolvia.
Melissa — Exacto, é um rapaz!
Respondeu repentinamente. E só depois de o dizer é que viu o que acabara de fazer. Nervosa por estar a pensar que o seu pai desconfiava do que ela andava metida, nem sequer pensou que um rapaz também era um problema… Principalmente por que já devia ter partilhado essa notícia com o pai.
Melissa — Não não… Não há nenhum rapaz, estava só a brincar…
Disse bastante atrapalhada, na esperança que o pai não tivesse dado muita atenção ao assunto.
Vasco — Então é um rapaz… Eu sabia!
Exclamou confiante. Não havia nada a fazer, Vasco agora tinha a certeza.
Vasco — Porque é que não em contaste? Pensei que confiávamos um no outro…
Disse com alguma tristeza. Era isso que Melissa queria evitar… Que o pai pensasse que ela estava a deixar de confiar nele. O que não era verdade. Tudo bem que ultimamente mantinha alguns segredos, mas não podia fazer nada em relação a isso… Havia coisas que Vasco não podia descobrir…
Melissa — Não digas isso… É claro que confio em ti! Mas isto ainda é algo muito recente pai… Não queria contar-te até ter a certeza de que realmente valia a pena!
Explicou, enquanto dava a mão ao pai.
Vasco — Eu sei que agora tens uma vida nova e tudo é diferente… Comigo e com a Clara foi exactamente igual, também tivemos de mudar tudo! Mas vamos deixar uma coisa igual… A nossa relação!
Pediu à filha.
Melissa — Nada está diferente… Acredita em mim! Podes ficar descansado! Se há uma coisa que nunca irá mudar é a nossa relação!
Tranquilizou o pai, com um grande sorriso. Vasco ficara mas animado…
Vasco — Então e estás feliz? Quem é ele? Agora contas tudo!
Vasco lidava com Melissa como se tivesse a mesma idade que ela. Fora um truque que adoptara há muito tempo… Desta forma deixava-a sempre à vontade para desabafar. Também ele já tinha sido jovem e lembrava-se muito bem do que isso era.
Melissa — Acho que sim…
Vasco ficara a olhar para ela, de modo a que esta fosse sincera.
Melissa — Sim, estou! Muito feliz! O nome dele é Hugo. Cila está cheia de pessoas únicas! Pra ser honesta, vir para aqui até foi uma coisa boa!
Admitiu.
Vasco — Eu sabia que com o tempo ias gostar… Se bem que andam a acontecer muitas desgraças na vila. Não achas? Que estranho…
Melissa — Acontece em todos os lados pai… Aqui como é um sítio mais pequeno temos mais facilidade em saber o que acontece!
Tentou dar a volta.
Vasco — Faz algum sentido… A comparar com a cidade em que morávamos, Cila é minúscula!
Vasco olhou para o relógio que tinha no pulso e apressou-se.
Vasco — Está na hora de eu ir… Não posso chegar atrasado. Melissa, filha, mesmo assim tem cuidado. Ok?
Frisou com firmeza. A segurança e bem-estar de Melissa eram sua responsabilidade.
Melissa — Eu tenho sempre… Aliás, só frequentamos sítios com muitas pessoas!
Garantiu-lhe.
Vasco — Ainda bem! O pai vai andando… Tenta não chegar atrasada à hora de jantar! E traz o Hugo, hoje jantamos com ele!
Melissa teve quase a certeza que ficou pálida quando ouviu o pai a dizer aquilo…
Melissa — O QUÊ? Vamos jantar com quem?
Perguntou embaraçada.
Vasco — Com o Hugo! Hoje vais trazê-lo cá a casa! Quero conhecê-lo, como é óbvio! Se ele está apaixonado pela minha filha, tenho de fazê-lo!
Exclamou entusiasmado.
Melissa — Mas pai, não é melhor deixar esse jantar pra outro dia? A Clara não vai achar piada…
A jovem tentava arranjar uma desculpa, mas Vasco interrompeu-a… Quando o homem tinha uma ideia em mente, era difícil tirá-la
Vasco — Não, já está combinado, estou a contar com ele. E a Clara também vai ficar interessada em conhecê-lo, a tua madrasta quer participar na tua vida… Acho que está na altura de deixares!
Vasco estava convencido mas mesmo assim, Melissa tentara uma vez mais…
Melissa — Não podíamos antes fazer…
Era escusado tentar… Vasco voltara a interromper.
Vasco — Está decidido! Quero-vos aqui às 8 horas! Não se atrasem… Até logo!
E saiu do quarto apressado, deixando a jovem sozinha a olhar para a porta.
Melissa — Não…
Lamentou-se, no entanto, a sua expressão transmitia mais choque do que tristeza. Sentia-se arrependida de ter contado acerca da existência de Hugo, mas agora não havia nada a fazer. Tinha de o levar lá a casa para jantarem todos juntos. O seu pai ficara mesmo entusiasmado com a ideia. Porém, algo dizia-lhe que Clara não ia achar tanta piada… Principalmente quando soubesse o estatuto de Hugo… O jovem não trabalhava, nem sequer estudava. Não fazia nada. E Melissa tinha quase a certeza que na boca da sua madrasta, Hugo ia passar por preguiçoso e desinteressante. O sono passou-lhe imediatamente. Depois de uma noite tão boa, nunca pensou acordar com um desafio tão grande e incomodativo como aquele…
Melissa — ´Tou lixada…
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