Night Watchers - Primeira Temporada
57 Perigo Constante (Vol. 5) - Capítulo 11
Leonardo Almeida estava muito pensativo… Tudo o que acontecera aquela tarde deixara-o confuso. Assim que a polícia tinha chegado ao beco, ligaram para os paramédicos e rapidamente tanto ele como Pedro Dias foram transportados para o hospital de Cila. Repousava agora numa cama de um dos quartos e mal acabara de ser tratado, enviara uma SMS a Melissa, explicando onde estava e o porquê de não ter aparecido. O jovem sentia-se estranho… Ao lembrar-se dos acontecimentos decorridos, não sabia como reagir. Pra começar, o seu momento com Carlota, a metamorfo, fora bastante invulgar. Algo estranho acontecera entre os dois, sem qualquer tipo de explicação. Cada vez que pensava em Carlota, Leonardo estremecia e um arrepio quente invadia o seu corpo… O jovem abanava a cabeça. Só esperava não estar a começar a nutrir algum tipo de sentimento pela metamorfo. Além disto, Leonardo também estava preocupado. Depois do que acontecera no beco, tinha muitas respostas a dar aos detectives. Por azar, Leonardo tinha ido ter ao sítio errado, na hora errada. E agora, estava numa má posição. Para seu alívio, a sua atenção foi interrompida quando ouviu algum barulho a aproximar-se da porta do quarto… Eram Melissa, Ísis, Camila, Érica e Rodrigo que apressados, entraram no pequeno espaço.
Melissa — Leonardo? O que é que te aconteceu?
Érica — Estás bem?
Perguntavam preocupadas. Érica já estava recuperada e tudo tinha estabilizado. Rodrigo pedira-lhe que fosse para casa, mas mais uma vez a mulher lembrou-lhe que era uma Night Watcher. Isabella retirara-se para o parque natural mas antes disso, certificou-se que os Goblins ficavam entregues, a pedido da jovem Ísis.
Leonardo — Sim, está tudo bem… Obrigado por terem vindo! Acidentalmente, meti-me em problemas!
Começou a explicar…
Érica — Que problemas?
Melissa — Quem é que te fez isso?
Perguntou a jovem, um pouco irritada.
Leonardo — Antes disso, o que é que tinha acontecido? Porque é que me chamaram até casa da Érica?
Perguntou baralhado, recordando-se do verdadeiro motivo pelo qual caminhava na rua onde encontrou Carlota.
Melissa — Érica raptada por vampiro incrivelmente poderoso, nós descobrimos onde ela estava e os Goblins salvaram o dia… Longa história. Tudo acabou bem, portanto depois explicamos! Voltando a ti…
Apressou-se a jovem, mas Ísis interrompeu-a…
Ísis — Leo, tinhas razão… Os Goblins possuem Magia. Desculpa pela cena de hoje! Fiquei preocupada quando soube que aqui estavas.
Disse a jovem bruxa.
Leonardo — Não tens de pedir desculpa… Na verdade, eu é que te peço! Não agi bem contigo! Espero que possamos esquecer isto!
Exclamou com arrependimento. Ísis sorriu para o amigo.
Ísis — Já está esquecido! A nossa amizade é importante demais… Uma pequena discussão não interfere em nada!
Camila — Desculpem, mas não estávamos a falar sobre coisas importantes? Este dia foi um pesadelo e vocês a sorrirem? É isso… estou no meio de loucos!
Como de costume, Camila dizia tudo o que lhe vinha á mente. Todos olharam para ela mas rapidamente alguém acalmou a agressividade daquele comentário.
Rodrigo — Eu acho que ela quis dizer que estamos preocupados… Como é que vieste aqui parar Leonardo?
Leonardo olhou para todos e preparou-se para contar a sua tarde.
Leonardo — Tenho más noticias… Fui apanhado no meio de algo. Esta tarde, quando dirigia-me a casa da Érica, encontrei a metamorfo que trabalha para Abbadon…
Todos ficaram atentos…
Érica — Há tanto tempo que espero encontrá-la assim ao acaso…
Admitiu a Night Watcher.
Leonardo — Continuando, ela fugiu e eu segui-a até ao beco onde lutámos contra o Mandurugu… E Abaddon estava lá!
Leonardo decidira não contar o que se tinha passado entre ele e Carlota e preferiu passar logo para a parte do beco. A expressão de todos mudou para uma assustada. Érica foi a única que ficou a olhar para o jovem, curiosa.
Érica — A fazer? E porquê nesse beco?
Leonardo — Não sei… Mas também estavam lá dois detectives! E um deles fora assassinado!
Ísis — Eles mataram-no à tua frente?
Perguntou assustada. Mas Érica interrompeu…
Érica — Por acaso algum desses detectives chamava-se Pedro Dias?
Leonardo — Sim… Como é que sabias? Ele sobreviveu! Mas também veio aqui parar! Conseguiu chamar reforços a tempo e graças a ele, ambos sobrevivemos… E agora tenho de ser interrogado pela polícia! O que é que farei?
Leonardo estava incomodado.
Érica — Esse foi o mesmo detective que interrogou-me há algumas semanas! Ele está desconfiado de algo e parece que esteja perto da verdade… Temos de ter cuidado! Leonardo, não te preocupes. Na verdade, tudo o que tens a fazer é mentir! Eles não têm provas de nada!
Melissa — O que é que Abaddon estaria a fazer no beco?
Melissa estava muito pensativa. Mas Érica parecia bem esclarecida…
Érica — Para mim é óbvio… Abaddon deve ter percebido que a policia estava a chegar a algum lado. Nomeadamente, o detective Pedro Dias. Claramente criou uma emboscada. Tendo em conta que a última vez que saiu do seu esconderijo foi quando o Mandurugu andava a caçar em Cila, mais em concreto no mesmo beco onde o Leonardo esteve hoje, o demónio deve ter escolhido esse sítio para realizar o seu plano…
Explicou a Night Watcher que, por pouco, não chegou mesmo à verdade. Se bem quem a sua explicação também era plausível.
Leonardo — Ainda não acabei… Falta o pior!
Todos calaram-se e olharam para o jovem.
Leonardo — Lunatik está vivo e em óptimo estado! Até tem uma máscara nova…
Tentou fazer piada para aliviar o momento, mas em vão. Todos ficaram surpresos.
Melissa — Como?
Camila — Estás a brincar? Esse monstro está vivo?
Leonardo — Tão vivo quanto nós todos!
Respondeu o jovem.
Érica — De alguma maneira deve ter sobrevivido à tempestade…
Rodrigo — Sim, vocês nem chegaram mesmo a vê-lo morrer!
Rodrigo tinha razão… Melissa, Camila e Leonardo apenas tinham visto Lunatik a ser levado pela tempestade.
Ísis — Mas ele não tinha sido levado pela tempestade?
Érica — Alguém como Lunatik era capaz de resistir a algo assim… Quem sabe se a nova máscara não estará relacionada com o acidente que teve!
Melissa — Boa! Quando tudo parecia esta melhor…
Disse a jovem com ironia. Naquele momento parecia que tinham regressado ao início.
Érica — Se ao menos soubéssemos onde é eles se escondem… Sempre tínhamos um trunfo!
Todos pareciam ter ficado desanimados… A qualquer momento poderiam esta em perigo, como acontecera a Leonardo. Excepto Camila, que olhava para os restantes, muito descontraída.
Camila — Uma vez eu vi-os a esconderem-se perto das rochas junto ao mar!
Disse com muita naturalidade. Claramente estava tranquila. Todos estavam a olhar para ela, pasmados.
Camila — Eu até senti-me tentada a segui-los, só por causa das vossas maluqueiras… Mas depois já era tarde e decidi ir para casa!
Continuava como se nada fosse…
Melissa — O que é que estás a dizer? Porque é que só estamos a ouvir isto agora?
Perguntou irritada. Não podia acreditar que Camila tinha visto algo importante e ainda não contara.
Camila — De certeza que já devo ter mencionado…
A tentar desculpar-se.
Camila — Ou então esqueci-me! Que mal tem? Não é assim tão grave!
Admitindo a verdade…
Érica — Exactamente há quanto tempo aconteceu isso, Camila?
Perguntou com calma, não havia necessidade de ninguém se chatear. Não podiam esperar mais de Camila.
Camila — Hum, deixem-me ver…
Dizia pensativa… Os restantes olhavam uns para os outros incomodados com a atitude da jovem.
Camila — Lembrei-me! Então, foi no mesmo dia que esse monstro com um nome estranho atacou o bar!
Ísis — O Mandurugu?
Camila — Isso…
Confirmou a jovem.
Érica — Bem, parece que temos trabalho nas mãos!
Exclamou a Night Watcher com vigor, agora que havia outra pista em jogo.
Leonardo — Quem me dera ter conseguido fazer algo…
Érica — Não faz mal Leonardo, ao menos estás bem! E em relação à polícia não te esqueças… Apenas tens de mentir!
Avisou-o… A partir daquele momento teriam de ter mais cuidado, uma vez que Pedro Dias já tinha conhecimento do que se passava em Cila…
*
Num dos quartos perto do de Leonardo, Pedro Dias recuperava dos ferimentos causados no beco… O detective encontrava-se sozinho e meditava acerca do que vira minutos antes. Perguntava a si mesmo quem seria o rapaz que apareceu no beco e também sobrevivera. As suas suspeitas estavam certas… Cila não era uma vila normal, assim como os acontecimentos que lá ocorriam. Monstros e forças sobrenaturais eram a causa de tantos crimes e desaparecimentos. Finalmente tinha a certeza. No entanto, não conseguia ficar animado pela descoberta... Toda a informação adquirida custou-lhe uma vida, a do seu melhor amigo., Henrique Gomes. Pedro sentia-se incapaz… O seu amigo, que há tantos anos conhecia, fora brutalmente assassinado à sua frente e ele não fora capaz de fazer nada. Rapidamente, o detective concluiu que não estava preparado para enfrentar este tipo de situações… Precisava de tempo, estudo e treino. Mas estava decidido a consegui-lo, mesmo estando sozinho. E assim até seria melhor… Henrique tinha sido o único a acreditar nele e agora estava morto.
Pedro olhou para a janela do quarto e suspirou… Havia muito trabalho pela frente.
*
Debaixo do chão, nas grutas secretas de Cila, o ambiente estava calmo… Abaddon estava satisfeito. Nem tudo tinha corrido como desejado, mas ao menos as noticias não eram más. O demónio encontrava-se a andar de um lado para o outro, muito calmo. Lunatik escondia-se nas sombras, como sempre. Carlota estava sentada numa das pedras existentes na caverna, assim como Lezard. Giovanni era o único que estava furioso e acabara de dar um soco a uma das paredes… O vampiro já tinha actualizado o demónio do que tinha acontecido e as suas feridas já tinham cicatrizado. A humidade dos túneis ajudava o processo.
Giovanni — Quando eu voltar a pôr as minhas mãos na Night Watcher… Nas duas! Em todos!
Exclamava enervado.
Abaddon — Relaxa Giovanni! Também lamento não teres conseguido drená-la, mas terás mais oportunidades! Estou bastante satisfeito por teres conseguido a informação…
Carlota — Sim, que não nos serviu para nada!
Retorquiu a metamorfo.
Abaddon — Ao menos ficámos a saber que a Night Watcher e a Vanda não tiveram nenhuma conversa interessante! Ela pensou que eu ficaria aborrecido com a notícia, mas na verdade, apenas deixou-me relaxado!
Explicava o demónio cheio de satisfação.
Carlota — Uau… Eu cá fiquei aborrecida!
Lezard — Qual é o dia em que não tens algo?
Respondeu-lhe o feiticeiro… E pela primeira vez, Carlota deixou passar. Decidiu desprezá-lo. Não gostava dele de qualquer dos modos…
Giovanni — Quem é que eles pensam que são? A tentarem destruir a dignidade de Giovanni, criador do seu próprio clã…
Continuava o vampiro, convencido. Abaddon aproximou-se e colocou-lhe a mão num dos ombros.
Abbadon — Ora, Giovanni… Apenas tens de ficar por aqui e marcar a tua posição! O teu clã aguenta uns tempos sem ti!
Carlota — Mais um!
Exclamou baixinho, de modo a que ninguém ouvisse.
Abaddon — E garanto-te meu amigo… Novos tempos virão! As coisas estão prestes a mudar! Consigo senti-lo… Brevemente…
Avisava o demónio sorridente e convicto do que estava a dizer. Abaddon estava a ser paciente… E isso dar-lhe-ia recompensas.
Fim
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