Night Watchers - Primeira Temporada
29 Pequenos Destruidores (Vol. 3) - Capítulo 5
Notas iniciais
Já duas horas tinham passado desde que Melissa, Leonardo e Érica foram para casa da Night Watcher. No decorrer desse tempo já tinham feito alguma pesquisa e Melissa deixara-os a par do telefonema que tinha recebido… O qual lhe comunicou que ia começar a trabalhar.
Melissa — Não paro de pensar… Estou ansiosa!
Os jovens estavam sentados à mesa da Night Watcher e esta estava de pé em frente à sua estante.
Leonardo — Tudo isso por causa do emprego?
Melissa — Leo, eu sei lá fazer pizzas!
No telefonema que recebeu, Melissa foi informada de que ia começar a trabalhar na pizzaria “Lacrau”, um dos sítios onde tinha ido fazer entrevista e fora assediada pelo gerente, o Sr. Silva, aquele que também a acabara de contactar. A jovem nem pensou duas vezes e aceitou logo aquela vaga. Agora já iria ter algo para esfregar na cara de Clara Monserrate.
Leonardo — Ainda não sabes se vais para a cozinha ou para a caixa!
Melissa — E se eu não souber fazer nada?
Melissa estava um pouco nervosa.
Leonardo — Relaxa Melissa… Vai correr tudo bem!
Érica — Acho que entendo o que ela quer dizer… É o facto de começar já hoje que a assusta! Certo?
Melissa — Bem, é um pouco em cima! Ou melhor, começo daqui a umas horas!
Érica — Não te preocupes! É como o Leonardo diz, vai correr tudo bem, vais sair-te bem!
Exclama a Night Watcher num tom encorajador.
Melissa — Espero que sim! Quero é ver a cara da Clara quando souber!
Leonardo — Talvez seja agora que as coisas acalmem…
Melissa — Duvido… Mas veremos! Não me apetece estar a pensar nisso agora! Tenho outras preocupações!
Logo a seguir olha para Érica…
Melissa — Então não há mais nada a saber acerca deste Lezard?
Érica — Acho que não, mas penso que o que encontramos já seja o suficiente!
Leonardo — Sim, o facto de trabalhar só para demónios e ter 127 anos já mostra o quanto perigoso ele deve ser…
Melissa — É isso que eu não entendo… Como é que ele tem 127 anos e parece ser tão novo? De certeza que ele é humano?
Érica — O tipo de Magia com que ele lida permite-lhe isso! Acho que vocês ainda não perceberam muito bem o poder que a Magia pode ter. Nunca o ponham em causa, é um grande conselho!
Melissa — Ya, não és a única a dizer isso! A Ísis diz o mesmo!
E olha para Leonardo…
Melissa — Devíamos tomar mais atenção ao que ela diz!
Leonardo — Pois… Ela bem que tenta explicar-nos!
Érica — Só gostava de saber onde é que eles estão escondidos! Como é possível não haver nem uma pista?
Pergunta a Night Watcher para si mesma, muito indignada.
Leonardo — Mesmo que soubéssemos, será que faria muita diferença?
Pergunta o jovem, a tentar ser sincero.
Érica — Não sei… Talvez!
Melissa percebeu imediatamente que Érica tentava formar algum plano…
Melissa — O que tens em mente? Alguma emboscada?
Érica — Atacá-los de surpresa seria interessante! Por algum motivo Abaddon mantem o seu refúgio em segredo… Ele tem receio!
Leonardo — E não se esqueçam da maluca da metamorfo!
Érica — Sim, era importante apanhá-la primeiro! Já o tentei várias vezes, como sabem, mas não é um alvo fácil, ela é muito esquiva!
Melissa — Ao menos aquele tarado do Lunatik passou à história!
Érica — Felizmente!
Leonardo — E agora em substituição temos um feiticeiro com quase um século e meio de idade! Qual é pior?
Érica — Ainda estamos para descobrir…
Melissa — Só espero que não seja quando eu estiver a trabalhar! Estou a precisar de acção parar tirar o stress que tenho em mim!
Érica — Não vai ser problema… Lezard vai querer conhecer-nos a todos!
Leonardo — Tenho de ser sincero, estou curioso para saber como é que ele é!
Érica — Vais ficar surpreendido…
A Night Watcher observava a expressão preocupada nos rostos de Melissa e Leonardo. Pousou um livro que estava a segurar e virou-se sorridente para os jovens…
Érica — Sabem que mais? Precisamos de descontrair… Merecemos tempo para nós próprios! Vou à cozinha buscar algo para comer. Vou trazer pra vocês também!
Melissa — Na verdade estou já de saída Érica! Mas obrigado!
Leonardo — Tão cedo?
Érica — Fica mais um pouco! Vamos lanchar! Tens muito tempo…
Melissa — Eu sei, mas queria ver se me preparava com calma para não ir nervosa. E tenho de falar com o meu pai antes de ir! E claro, com a Clara também!
Diz Melissa enquanto se levanta a revirar os olhos em forma de aborrecimento.
Érica — É pena! E tu Leonardo?
Leonardo — Hum, se não houver problema eu fico! Não tenho nada para fazer… E lanchar vinha a calhar!
Exclama o jovem alegre.
Melissa — Logo se sair a horas ainda digo qualquer coisa!
Érica — Claro, à vontade!
Leonardo — E boa sorte!
Érica — Apenas lembra-te em estar focada e calma! Vais ver como é fácil!
Melissa — Espero que sim! Até logo!
Leonardo e Érica despedem-se de Melissa e esta sai da casa da Night Watcher.
Érica — Isto é bom para ela! Vai fazer-lhe bem!
Leonardo — Também acho… Logo vemos a diferença!
Érica — Tomara que sim! Bem, vou à cozinha! Liga a televisão se quiseres!
Leonardo — Vou antes ajudar-te! Não gosto de estar sem fazer nada na casa dos outros!
Érica — Também sou assim! Eu percebo…
Leonardo levanta-se.
Leonardo — Vamos! Tens queijo? Apetece-me queijo…
A sorrir, Érica dirigiu-se à cozinha e Leonardo seguiu-a.
*
O museu de Cila além de ser enorme, era muito bem estimado…Por fora não aparentava ter o tamanho que realmente possui. O seu interior era repleto de corredores que davam a salas espaçosas onde eram colocadas exposições de todo o tipo. As paredes eram brancas e em muitos sítios, tinham pequenas entradas onde eram colocados alguns artigos.
Para Ísis aquele sítio era fantástico pelo teor das exposições que costumava ter. E naquele momento ela tinha certeza disso mais do que nunca… As ossadas de dinossauro que estavam expostas por todo o museu, eram simplesmente espectaculares. Tanto ela como Filipe estavam espantados pelo tamanho gigantesco que aqueles animais deviam ter tido. Até Camila ficou admirada e acabara por ficar mais atenta à exposição que o próprio sobrinho…
Camila — Estes monstros eram mesmo gigantes!
Filipe — Eles não eram monstros! Eram animais, répteis em ponto grande!
Camila — Isso é o que tu achas! Ainda bem que estas coisas já não existem!
Ísis tinha sempre receio que Camila falasse demais… Então achou mais seguro mudar de conversa.
Ísis — Já viram como é que este está tão perfeito?
A jovem estava parada em frente a um esqueleto de um T-Rex completamente bem conservado e completo.
Filipe — Um dos maiores predadores de todos os tempos…
Diz o jovem pensativo enquanto examina o esqueleto com o olhar.
Camila — Talvez se fossem mais pequenos ainda tivessem alguma graça! Aqueles que vimos lá atrás eram pequeninos!
Ísis — O nosso planeta era povoado por eles… Deviam existir de todos os tipos!
Ao dizer isto, a jovem pensou se haveria algum feitiço capaz de a levar numa viagem astral, uma vez que fisicamente era muto difícil, até à época dos dinossauros… Devia ser muito interessante conseguir ver como era o nosso planeta naquela altura.
Camila — Dá pra reparar!
Filipe — Como é que um animal destes tem uns braços tão pequenos?
Perguntou o jovem ainda a observar o T-Rex. Os braços deste dinossauro eram bem pequenos em comparação ao tamanho gigante das pernas.
Ísis — Talvez tenha a ver com o equilíbrio, não sei…
Nisto, o sobrinho de Camila, Francisco, dá-lhe um puxão no braço…
Francisco — Tia, podemos ir ver outra vez o Camarassauro?
Perguntou a criança referindo-se ao dinossauro herbívoro, gigante e de pescoço comprido e que todos tão bem conhecem por parecer amistoso.
Camila — Já vai! Agora temos outros pra ver! No final passamos lá!
Francisco — Vá lá, é já ali! Vamos…
Insiste para Camila. Ísis achou piada ao interesse da criança e sorriu.
Ísis — Vai lá com ele num instante Camila. Nós ficamos aqui à espera! Temos tempo para ver tudo e ele está tão empolgado em lá ir…
Filipe — Sim, eu também tenho de ir à casa de banho…
Diz o jovem a apontar para uma que estava a cerca de 7 metros à frente deles. Camila olhou para o sobrinho e rendeu-se.
Camila — Ok… Vá. Vamos lá!
Francisco — Fixe!
Exclama o miúdo contente.
Filipe — Também não demoro!
E afasta-se do grupo. Camila olha para Ísis…
Camila — És cega ou fazes-te?
Ísis pareceu confusa.
Ísis — O que é que isso quer dizer?
Camila — O Filipe está caído por ti! Vais dizer-me que ainda não reparaste?
Ísis — Porque é que estão sempre a dizer isso? Já enjoa!
Camila — Só alguém muito burro é que ainda não percebeu!
Ísis — Não tinhas onde ir?
Francisco interrompe…
Francisco — Vamos tia!
Camila — Espera!
E olha para Ísis…
Camila — Ainda não acabámos de falar Ísis!
Ísis — O que é que é preciso fazer pra não falarem mais disso?
De repente é escutado o som de algo a partir. O estrondo foi forte e fez eco… Todos olharam em volta a tentar ver o que tinha acontecido.
Ísis — O que é que foi isto?
Pergunta a jovem curiosa…
Desta vez é escutado outro som… Parecia algo a ranger e vinha de um local específico. Todos olharam e viram um dos esqueletos a balançar. Cinco criaturas estavam no seu topo aos pulos… Ísis percebeu logo que algo estranho estava a acontecer. Inevitavelmente, o esqueleto começou a tombar e em camara lenta, ou assim pareceu, caiu no chão com força e despedaçou-se. Rapidamente as pessoas entraram em pânico e começaram a correr em todas as direcções para saírem do museu, a mesma reacção de sempre. Camila agarrou no sobrinho com força quando vê as criaturas.
Camila — Ísis, o que é que se passa? O que é que são estas coisas?
Ísis — Não sei! Tem atenção Camila!
As cinco criaturas continuavam aos pulos de um lado para o outro a destruir tudo o que lhes aparecia à frente. Ísis estava a estudá-los… Pareciam estar descontrolados e terem algum prazer em destruir, mas ao mesmo tempo, deu-lhe a sensação de que também estavam assustados e sem saberem onde ir, como se estivessem perdidos. Independentemente da atitude que estavam a ter, Ísis sentiu pena deles.
Dos cinco, parecia haver um que era o líder. Para onde ele ia os outros seguiam-no. Camila estava a associar aquele comportamento destrutivo a algo que lhe era familiar, mas não tinha a certeza do quê… Até ao momento em que um deles pega num dos ossos dos dinossauros e começa a partir as estantes de vidro onde alguma peças mais pequenas estavam expostas.
Camila — Foram estes Ísis, de certeza!
A jovem olha para a criaturas e grita…
Camila — VOLTEM AQUI! FORAM VOCÊS QUE ME DESTRUIRAM O CARRO!
Curioso, Francisco volta a puxar o braço à jovem…
Francisco — São dinossauros?
Pergunta a criança fascinada pelo que estava a ver.
Camila — Parecido Francisco!
Ísis — Eles parecem perdidos…
Camila — E o que é que isso me interessa? Eles partiram-me o carro todo!
Quando as jovens olharam para a frente viram um dos seguranças a chegar… O homem para e vê as criaturas. Ísis pensou que este devia estar preparado pra situações de roubo e violência, mas não estava preparado para lidar com algo que não conhecia. Instintivamente, o segurança puxou a arma que tinha guardada e apontou a um dos destruidores, que por acaso, era o líder do grupo.
Ísis ficou alarmada… Independentemente do caos que estavam a criar, aquelas criaturas não mereciam ser abatidas. Era errado, a jovem sentia-o. Não podia permitir que aquilo acontecesse. Desatou a correr e foi contra o homem no momento que este disparara. O tiro foi desviado e felizmente acertou numa das paredes. Camila ficara boquiaberta ao ver o que Ísis tinha acabado de fazer. As criaturas tinham parado e ficaram a olhar para o segurança.
Segurança — A menina é louca? Saia daqui!
E com força, dá um empurrão a Ísis e esta caiu ao chão.
Camila — Ísis?
Pergunta preocupada e olha de seguida para o segurança.
Camila — O senhor é parvo? Viu o que fez?
A jovem estava zangada…
As cinco criaturas também assistiram àquela atitude. Para eles, aquele ser que acabara de ter sido atirado ao chão, Ísis, tinha-os defendido do tiro. Embora selvagens, eles percebiam a fala humana e tinham noção dos perigos existentes. Alguém tinha tentado protegê-los e acabara por sofrer as consequências. Como grupo, defendiam-se uns aos outros… E agora que alguém tinha feito isso por eles, sentiram que Ísis, embora diferente em termos físicos, também fazia parte do grupo. Ao ser atacada tinham de igualmente protegê-la. Então, revoltado, o líder fez sinal aos outros e avançaram todos, aos gritos, na direcção do homem. Este começou a fugir, bastante assustado, e as criaturas seguiam-no com determinação…
Com sucesso, o segurança saiu do museu… E mesmo assim, os estranhos seres continuaram atrás dele. Ísis, Camila e Francisco ficaram sozinhos no museu, todo destruído e completamente vazio.
Camila — Estás bem?
Pergunta a jovem a Ísis enquanto esta levanta-se do chão.
Ísis — Sim… Temos de segui-los. Eles podem estar em apuros, estão só assustados…
Camila — Estás a brincar comigo? Viste o que eles fizeram?
Finalmente ouve-se uma porta a abrir… Filipe sai da casa de banho, pára e olha para o caos que estava à sua volta. Parecia que tinha ido dar a outro mundo, estava sem reacção. Quando caiu em si olhou para as jovens…
Filipe — O que é que aconteceu aqui?
Ísis não sabia o que dizer…
Ísis — Ah… Filipe…
Francisco — Os dinossauros existem!
Diz a criança cheia de firmeza e a sorrir para Filipe. Camila chegou-se a frente, bastante atrapalhada mas meio a sorrir para disfarçar e coloca a mão por cima da cabeça do sobrinho.
Camila — As crianças e a imaginação…
Filipe fica a olhar para Ísis e Camila, as quais sorriam abertamente, cheias de vigor e energia, com um cenário destrutivo por detrás delas…
*
Desde que Melissa chegara a casa pensava nas várias maneiras que podia contar ao pai e a Clara que tinha conseguido um emprego e depois disso, pensou nas várias respostas que poderia ouvir. No entanto, já só faltavam 40 minutos para ir trabalhar e até ao momento, ninguém tinha chegado a casa. Também queria ter contado a Ísis, mas como não a viu, não pôde dar-lhe a novidade. Durante aquele espaço de tempo apenas tinha ligado a uma pessoa, Hugo. Ao mesmo tempo que estava feliz por ter trabalho, Melissa também ficara um pouco triste por ter de cancelar os planos que tinha combinado com o jovem, mas era por uma boa causa e certamente teriam mais hipóteses para sair juntos.
Tudo o que restava à jovem, era tempo pra queimar, então, como estava calor, Melissa foi sentar-se à janela do seu quarto. Enquanto olhava para o nada, houve algo que se realçou naquele espaço… A porta partida do armário. Um novo turbilhão de pensamentos invadiu a mente da jovem, desta vez, pensava no que ia fazer com o dinheiro que ganhasse. A primeira coisa seria comprar um armário novo. Mas depois disso não tinha muito mais onde gastar. Melissa nunca foi consumista, não era agora que se ia tornar. Além disso gostava de levar uma vida bem simples e pacata.
A porta de casa foi aberta e rapidamente se ouviram as vozes de Clara e Vasco Monserrate… Ambos tinham chegado ao mesmo tempo. Melissa levantou-se e foi ter com eles. Vinham a falar sobre algo que tinha acontecido, possivelmente durante o dia de trabalho, mas a jovem não entendeu e também não estava interessada…
Tinha algo a contar e isso é que era importante. Ao chegar ao pé deles interrompeu-lhes a conversa e sorriu com satisfação…
Melissa — Olá! Tenho uma grande novidade a dar!
Clara fez uma expressão de admiração e Vasco sorriu para a filha.
Vasco — Olá filha! Como foi o teu dia?
Vasco ia a preparar-se pra cumprimentar Melissa mas Clara impediu-o.
Clara — Então Vasco? Não a ouviste? Ela tem uma novidade… Vamos escutar!
Pela conversa, Melissa percebeu logo que a madrasta achava que ela tinha feito alguma coisa de errado… Dadas as circunstancias, ia saber-lhe bem espetar aquela novidade na cara de Clara.
Melissa — Já que a curiosidade é tanta, eu não vou fazer cerimónias Clara… Arranjei um emprego!
Ao dizer aquilo, Melissa pode verificar a reacção deles. Vasco ficara com um sorriso completamente orgulhoso e Clara parecia estar verdadeiramente surpreendida. Pela primeira vez, a jovem teve a sensação de que a sua madrasta estava rendida…
Clara — Melissa… Nem sei o que dizer…
Vasco — Bem, muitos parabéns! Era óbvio que ias conseguir, quem é que não te aceitaria?
Diz Vasco Monserrate enquanto dá um abraço à filha. Realmente estava orgulhoso da mesma… Mesmo depois de lhe ter dito que não era preciso arranjar um emprego porque as coisas estavam melhor financeiramente, ela tinha decidido aceitar aquela proposta.
Melissa — Ligaram-me da pizzaria “Lacrau”… Eu sei que não é grande coisa, mas é melhor que nada… Começo hoje!
Vasco — Tão rápido?
Melissa — Sim… O gerente parecia desesperado por achar alguém!
Clara aproxima-se da jovem…
Clara — E fizeste muito bem em aceitar!
Melissa estava admirada pela serenidade com que Clara falava…
Vasco — Claro! É um emprego como outro qualquer!
Melissa — Só ainda não sei onde é que me vão colocar, espero que não seja na cozinha!
Clara — Não faz mal! Todas as experiencias que temos servem-nos sempre de aprendizagem! O que hoje não sabemos fazer, amanhã já somo profissionais!
Clara tinha uma maneira de pensar rígida, mas naquele momento, aquelas palavras fizeram sentido a Melissa.
Melissa — Ya… Acho que tens razão! O que não souber também aprendo…
Vasco sorriu e olhou para as duas…
Vasco — Olha só para vocês… A falarem decentemente uma com a outra!
Tanto Melissa como Clara riram face àquela afirmação… Era totalmente verdade.
Clara — Não há razão para discussões!
Foi aí que Melissa lembrou-se do armário…
Melissa — Ops, lembrei-me de um pequeno problema! O armário do meu quarto… Houve um pequeno acidente e uma das portas partiu-se. Era velhinho… Mas não se preocupem, assim que tiver dinheiro compro um novo!
Clara — Esquece isso. Acidentes acontecem!
Vasco — Sim, se todos os males fossem esses…
Melissa ficou aliviada… Realmente aquela notícia parecia ter mudado as coisas entre ela e Clara.
Melissa — Foi isso mesmo que pensei! Bem, se calhar é melhor ir andando!
Vasco — Entras a que horas?
Melissa — Às 19 horas!
Vasco — Mas ainda falta meia hora!
Melissa — Eu sei, mas quero dar uma boa impressão! É o meu primeiro dia!
Clara — Deixa a rapariga estar focada e ser pretensiosa! O desenvolvimento concentra-se aí!
Melissa e Vasco riram-se perante aquela exclamação de aprendizagem.
Vasco — Já cá não está quem falou!
Melissa — Já me despeço de vocês. Vou só ao quarto buscar a minha mala!
A jovem sentia-se cheia de energia. Tudo parecia estar a correr bem… Tinha excelentes amigos, descobrira coisas magníficas naquela vila, tinha um emprego, a sua relação com a madrasta podia finalmente estar a mudar para melhor e estava a conhecer um rapaz que, até ao momento, era alguém diferente, especial… Sentia um interesse diferente por ele, o qual ela ainda não sabia explicar, e gostava do tempo que passava com ele. Tudo isto, fazia-a sentir-se livre… Talvez Cila fosse mesmo um bom local para mudanças. Entusiasmada mete a mão à maçaneta da porta do quarto e com um pouco de força rodou-a. Claro que aquela euforia descontrolou-a… Ao usar força a mais, teve sucesso em abrir a porta, mas deslocou a maçaneta do seu lugar, o que fez com que esta deixasse de funcionar. “Já sabia…” Pensou a jovem… “Mais uma coisa para arranjar!”
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