Night Watchers - Primeira Temporada
34 Pequenos Destruidores (Vol. 3) - Capítulo 10
Notas iniciais
O dia de aulas tinha terminado. Melissa, Ísis, Leonardo e Camila haviam conseguido superar o facto de estarem enfiados em salas todas aquelas horas…. Estava calor e como tinham dormido poucas horas, o cansaço era um pouco pesado. Leonardo já tinha seguido para casa e Camila também. Melissa e Ísis atrasaram-se e decidiram ir embora juntas.
Melissa — O Leonardo estava cheio de pressa! Podia ter esperado por nós, nem demorámos assim tanto…
Diz a jovem enquanto saía da faculdade com a sua amiga.
Ísis — Ele estava mortinho pra sair daqui!
Melissa — Ya, hoje estávamos todos fartos de cá estar!
Ísis — Pra ti até deve ter sido bom… O teu dia não começou lá muito bem!
Melissa — Estás a falar da discussão com a Clara? Já esqueci! O pior era contar que já não tinha trabalho e isso já passou!
Ísis não respondeu, estava concentrada à procura de algo ou alguém por entre a multidão de estudantes que estavam à porta da universidade. Melissa ficou a olhar para a amiga…
Melissa — O que é que estás a fazer Ísis?
Ísis — Desculpa… Estava a ver se encontrava o Filipe! Ele tinha algo para contar-me…
Melissa riu-se com alguma provocação e Ísis intercedeu antes que a amiga pudesse falar.
Ísis — Nem te atrevas! Não é nada de especial… Amanhã falo com ele!
Melissa continuava a rir da mesma forma… Ísis teve vontade de desatar às gargalhadas, a expressão da amiga era engraçada… Mesmo assim, controlou-se e mudou de assunto.
Ísis — O que é que vais fazer esta noite? Vais ver o Hugo?
Só assim é que o sorriso desapareceu dos lábios de Melissa.
Melissa — Já sabia que ias falar nele, é sempre assim!
Desta vez, era Ísis quem tinha o sorriso provocativo.
Melissa — Sim, vou estar com ele! Devemos ir dar uma volta por aí… Já lhe contei acerca dos Goblins, mas só parcialmente.
Ísis — Tenho a certeza que se ele os conhecesse iria adorá-los!
Exclama Ísis muito entusiasmada. Melissa reparou e ficou um pouco relutante. Percebia o porquê da sua amiga gostar tanto deles, eram amigáveis para ela. Só para ela… O que significava que tudo o resto constituía uma ameaça para eles.
Melissa — Vamos deixar isso para depois…
Diz meio a sorrir.
Melissa — Vais ao ferro-velho?
Ísis — Vou, prometi que todo o tempo que tivesse livre ia passar com eles, pra se habituarem! Não posso falhar!
Melissa reparou que alguém se aproximava…
Melissa — Hum Hum! Acho muito bem! E esta vai ser a minha deixa! Já vais perceber porquê… Até logo!
E afasta-se da amiga… Ísis ficou confusa derivada à reacção de Melissa, mas rapidamente entendeu o que se tinha passado…
Filipe — Finamente encontrei-te!
Exclama Filipe Mendes por trás da jovem.
Ísis — Oh, Filipe… És tu! Já tinha procurado por ti!
Filipe — Podemos falar agora?
Ísis — Claro!
E devagar, começam a caminhar por uma das ruas existente, frente à faculdade.
Filipe — Sabes se já encontraram os responsáveis pelos actos de vandalismo?
Ísis tentou disfarçar o melhor que pôde… Detestava mentir.
Ísis — Sinceramente não sei… Mas tenho a certeza que irão conseguir! O que é que tinhas para me contar?
Filipe parecia um pouco nervoso e Ísis voltou a ter a sensação que afinal aquilo poderia ser mesmo algum género de confissão.
Filipe — Ísis, estou apaixonado por ti! Disseram-me que era mais fácil se eu dissesse logo de uma vez!
Filipe exclamou as duas frases num só folego. Ísis ficou a olhar para ele… Ao ouvir as primeiras palavras sentiu que o seu queixo tinha ido directo ao chão. Afinal era verdade… Filipe sentia algo por ela.
Filipe — Estás em choque?
Passado alguns segundos um pouco constrangedores, Ísis finalmente reagiu.
Ísis — Não não… Só não estava à espera…
Filipe — Bem, eu achei que devia contar-te. Já nos conhecemos há algum tempo e acho que até nos entendemos muito bem. Com o tempo tentei negar, mas não posso mais… Gosto mesmo de ti e de tudo o que tu fazes e pensas! És um ser humano incrível…
Ísis estava corada… Em certa parte ele tinha razão, eles entendiam-se muito bem. Mas não tinha a certeza do que sentia. Até ao momento via Filipe como um bom amigo, mas depois de ter ouvido aquelas palavras ficou confusa. Estava com medo de estar a ser influenciada pelo que ele dizia. E depois também havia Leonardo, a verdadeira paixão secreta da jovem… A que não vai levá-la a lado nenhum. Ísis estava baralhada e foi apanhada de surpresa. Não sabia o que dizer ou fazer…
Filipe — Não vais dizer nada?
Pergunta o jovem um pouco surpreendido.
Ísis — Ah… Obrigado! Não sabia que tinhas essa ideia de mim…
Diz Ísis atrapalhada.
Filipe — Então isso é uma coisa boa… Não é?
Filipe parecia esperançoso… Ísis sentia-se entre a espada e a parede.
Ísis — Filipe… Não sei o que dizer. Parece tudo tão precipitado…
Filipe — Porquê? Já nos conhecemos a algum tempo…Como é que era suposto saberes se eu nunca te contasse?
Ísis — Não é isso… É que neste momento passa-se muitas coisas na minha vida ao mesmo tempo…
Filipe — E eu quero estar presente para te ajudar…
Diz o jovem de um modo carinhoso.
Ísis — Não é assim tão fácil como parece…
Filipe — O que é que isso quer dizer?
Filipe começava a ficar desiludido… Estava com a sensação que Ísis não sentia o mesmo por ele.
Ísis — Desculpa Filipe… Mas acho que é muito cedo para decidir seja o que for…
Filipe ficou em silêncio… Para ele aquele momento foi como uma chapada.
Ísis — Fala, diz algo… Não me deixes mais nervosa!
Filipe — Não sabia que ficavas tão incomodada só por falarmos nisto…
Filipe estava triste e Ísis sentiu-se ainda pior.
Ísis — Oh, Filipe… Não era isso que queria dizer…
Filipe interrompeu-a…
Filipe — Isto foi um erro… Não devia ter dito nada! Desculpa por te ter incomodado… Vemo-nos por aí!
Virou costas a Ísis e saiu dali rapidamente.
Ísis — FILIPE?
Chamou a jovem, mas Filipe não olhou… Seguiu o seu caminho até desaparecer numa outra rua.
Ísis ficou a olhar para o caminho por onde o jovem tinha seguido… Sentia-se envergonhada pelo que tinha acabado de acontecer. E o pior era que podia também ter perdido um amigo. Filipe não merecia aquilo… Já não bastavam as mentiras que ela, Melissa e Leonardo estavam constantemente a inventar para justificarem o comportamento estranho que andavam a ter. Não queria magoar o jovem, mas teve de o fazer de qualquer dos modos. A jovem ficou sozinha, no meio da rua, desiludida consigo mesma… Mas aquela era decisão acertada.
Fim
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