Night Watchers - Primeira Temporada
25 Pequenos Destruidores (Vol. 3) - Capítulo 1
Notas iniciais
esperemos que gostem ;)
O despertador já havia tocado há dez minutos atrás e Melissa sabia que estava mais que na hora de se levantar… Tinha de ir para a faculdade e não podia chegar atrasada como tem acontecido nos últimos dias. “É o que dá as saídas até tarde…” Pensava a jovem, que naquele momento, arrependera-se de ter ficado até tarde na rua. Agora, de manhã, tinha vontade de ficar a dormir até não poder mais. Mas sair à noite era algo que não conseguia evitar por várias razões… Uma delas era o facto de muitas vezes haver alguma criatura maluca à solta em Cila. Depois havia os amigos, com quem costumava ir pra bares ou cafés. Outra era Hugo… O jovem que conhecera algumas semanas atrás e com quem tem convivido bastante. Cada vez mais, Melissa apreciava a companhia de Hugo e nem ela compreendia bem o porquê. Sem dar por isso e envolvida em pensamentos, a jovem estava a começar a adormecer novamente…
Um grito vindo do outro lado da porta, quase que a fez saltar da cama…
Clara — MELISSA? SÃO 9 HORAS! AINDA ESTÁS A DORMIR?
Assustada pelo barulho, Melissa sentou-se na cama e respondeu à madrasta.
Melissa — Não… Estou quase pronta! E o que tens a ver com isso?
De repente Clara Monserrate abre a porta do quarto, entra e vê a jovem de pijama e tapada até à cintura.
Clara — Agora deste em mentirosa?
Melissa pôs-se de pé… Detestava que embirrassem com ela, principalmente quando acabava de acordar.
Melissa — E tu agora deste pra entrar no meu quarto sem bater primeiro?
Clara — Ando farta da tua indisciplina! A casa também é minha, posso entrar onde quiser!
Se havia alguém com quem Melissa pedia facilmente as estribeiras era com a madrasta.
Melissa — Não é por nada, mas não devias estar a trabalhar em vez de me andares a seguir?
Clara — Hoje entro mais tarde! O teu pai já saiu! E sim, nós trabalhamos! Ao contrário de certas pessoas…
Melissa — E eu tenho aulas! Que sinceramente, são mais importantes do que outra coisa qualquer neste momento!
Clara riu-se com ironia…
Clara — O teu pai bem tem tentado tirar-me da cabeça a ideia de querer que tu arranjes um emprego! Mas não penses que é assim tão fácil!
Desde que Vasco Monserrate recebera um aumento significativo no seu ordenado, as coisas finalmente estavam a começar a compor-se. Aos poucos, começavam a sair da crise financeira em que se encontravam e Melissa já tinha sido dispensada do serviço de encontrar um emprego… Pelo menos pelo seu pai.
Melissa — Eu não preciso de te provar nada!
Clara — Deves mesmo odiar-me… Porque é que fazes a minha vida tão difícil? Não consegues ver que só quero o teu bem?
Melissa ficara espantada com a sua madrasta… Pra ela, era preciso ter muito descaramento pra dizer uma coisa daquelas.
Melissa — A sério? É que eu tenho a sensação de que se pudesses punhas-me fora de casa!
Clara — Como podes dizer isso? Eu amo o teu pai e só quero o melhor pra ti! Não é culpa minha achar que sejas irresponsável, é o que mostras!
Melissa — Nem sequer me conheces…
Clara era bastante exigente e o tipo de comportamento rebelde que a jovem estava a assumir ia contra a educação que ela tanto estimava.
Clara — Enfim, esta conversa já deu o que tinha a dar! Tenho de ir trabalhar… Sempre queres boleia para a faculdade?
Melissa — Não, deixa estar! Eu safo-me!
Clara — Como quiseres!
E com um ar de indiferença, Clara Monserrate sai do quarto da jovem, deixando-a sozinha.
Pra Melissa a manhã não tinha começado bem. Chateada pela conversa que tinha tido coma madrasta e pelo facto de já estar atrasada, a jovem começou a despachar-se à pressa. Ainda a pensar nas palavras de Clara, dirigiu-se ao seu armário, antes de ir tomar um duche, pra escolher o que vestir… Por estar um pouco irritada, ficou com a porta na mão quando o abriu. O movimento que fizera tinha sido forte demais.
Melissa — Era só o que me faltava!
Com alguma dificuldade, pois não era entendida no assunto, Melissa tentou encaixar a porta no devido lugar. Não estava a ser fácil e a jovem optou por espreitar para as entradas que ligavam aquela parte ao resto do armário… Então, com o corpo debruçado, exerceu um pouco de força sob a outra porta. Não conseguia ver como devia ser… Inclinou-se um pouco mais e o inesperado a aconteceu… A outra porta cedeu com a pressão e partiu-se a meio, a que tinha na mão caiu. Melissa desequilibrou-se e tombou lá pra dentro. Sem dúvida quele dia não estava de todo a correr bem…
*
Todas as manhãs a faculdade de Cila enchia-se de vida. Centenas de alunos circulavam pelos corredores, edifícios e pátios da universidade. Como sempre, Ísis chegava antes dos seus amigos… De todos era a mais pontual e detestava chegar atrasada fosse onde fosse. Então, todos os dias repetia os mesmos passos, chegava cedo e sentava-se num dos bancos à espera dos amigos. Pelo menos quando não chovia… Como não era o caso e o tempo estava bem bonito e quente, a jovem já se encontrava lá sentada. Pra se entreter, Ísis aproveitou e comeu a sandes que trazia para o pequeno-almoço. Enquanto comia descansada e aproveitava o sol matinal, foi interrompida por alguém…
Camila — Não tens calor com esse vestido?
Pergunta Camila a olhar para o longo vestido verde que Ísis tinha vestido.
Ísis — O que é que tem o meu vestido? O tecido é leve…
Explica a jovem em defesa à pergunta.
Camila — Pois, mas é muito medieval!
Ísis sentiu-se intrigada… O seu vestido era bem giro. Mais que os curtos calções brancos e a camisa azul que Camila trazia.
Ísis — Não queres mesmo que comente as tuas roupas pois não?
Por vezes Ísis tinha de marcar a sua posição, não podia deixar Camila ganhar sempre.
Camila — Calma… Não é preciso ficares assim. Estava só a fazer uma observação!
Camila senta-se ao lado de Ísis e esta fica um pouco desconfortável e admirada pois não era costume aquilo acontecer.
Camila — Não me apetece nada ter aulas… O dia hoje vai ser tão secante!
Exclama a jovem aborrecida.
Ísis — Porquê? Temos dias com horários mais preenchidos! Hoje temos a tarde livre e tudo…
Camila — Fala por ti… Vou ter de ficar a tarde toda enfiada no museu! O meu sobrinho de 8 anos está a passar cá a semana e quer ir ver a nova exposição das ossadas de dinossauros! E o meu pai obrigou-me a levá-lo. Com tanta coisa que podia vir de interessante aqui à vila mandam algo que já não existe há milhões de anos! Que seca!
Ísis — Eu acho interessante… Enão é esse o objectivo de um museu? Expor peças acerca de coisas que já não existem há anos?
Pergunta com bastante calma.
Camila — Não quero saber! Ele que visse na net! Para que é que servem os computadores afinal?
Ísis — Não vejo qual é o problema! Eu também vou ver a exposição! Já tinha agendado! Deve ser incrível!
Camila olha para jovem e faz uma expressão esquisita…
Camila — Só podes estar a brincar! Com um dia destes vais passar a tarde enfiada num museu? Por vontade própria?
Ísis — Apanhamos muitos dias assim em Cila! E já agora, os dinossauros devem ter sido animais fabulosos! Não entendo como é que não te sentes cativada!
Camila — Talvez porque seja normal? Que mania que vocês têm de gostar do que é “anormal”!
Ísis — Desculpa Camila, mas não há definição para anormal… Nada existe à toa!
Camila — Como é que podes dizer isso depois das coisas horríveis que já vimos?
Pergunta a jovem muito indignada.
Ísis — Camila, já falamos sobre isto várias vezes! Já te explicámos que quase todos estes seres já andavam pela terra antes de nós…
Camila — Ok, eu também já vos disse que não consigo sequer imaginar. Portanto ficamos na mesma!
Ísis encolheu os ombros… Não havia nada a fazer, não conseguia mudar a opinião de Camila. Decidiu mudar de assunto.
Ísis — Acreditas no que quiseres! Não tarda estamos a entrar não é?
Camila olha para o relógio que trazia no pulso…
Camila — Sim! Estavas aqui à espera de quem? Dos atrasados de sempre?
Ísis não podia esperar outra coisa senão um comentário daqueles, aquilo sim, já era mais do que normal. A jovem rendeu-se…
Ísis — Exacto! Eles mesmo! E nunca mais chegam…
Camila — E tu admirada?
Ísis — Por acaso até não…
De repente Ísis avista Filipe Mendes ao longe e acena-lhe freneticamente, na esperança que este visse e a salvasse daquela conversa. Camila também o viu e foi mais eficiente em chamá-lo…
Camila — FILIPE? FILIPE?
Gritou a jovem de pé… Filipe rapidamente viu-as e foi ter com elas. Como sempre vinha bem apresentado, com uns calções pretos, uma t-shirt vermelha e simples e com um sorriso bastante alegre.
Filipe — Bom dia! Como estão?
Camila — Aborrecidas…
Filipe ficou confuso e Ísis rapidamente sorriu e respondeu…
Ísis — Oh, sabes como é a Camila… Nunca está bem com nada!
Camila olha pra Ísis admirada.
Camila — Ah? Como assim?
Ísis ignorou-a…
Ísis — Mas comigo está tudo bem!
Filipe olhou atentamente para Ísis.
Filipe — Como está o teu sobrolho?
Ísis tinha ficado com uma pequena cicatriz no sobrolho desde o incidente dado no dia em que o ciclone passou por Cila.
Ísis — Está a sarar bem. Obrigado!
Respondeu contente. Ísis apreciava a preocupação de Filipe por ela.
Camila — Sim, se não fosse eu ela não tinha chegado ao hospital!
Ambos olharam pra Camila, mas era escusado tentarem responder às afirmações da jovem, então decidiram continuar a conversa…
Filipe — Desculpa não ter aparecido no hospital, mas ninguém me tinha avisado, só soube depois…
Ísis — Não faz mal! Também não valia a pena, nem um dia lá fiquei!
Filipe sorria para Ísis e Camila estava a reparar num pormenor… Aquele não era um sorriso qualquer. Era de alguém que estava perdidamente apaixonado.
Filipe — Ainda bem! Estive a pensar… O que é que fazes hoje à tarde?
Ísis ficou surpresa…
Ísis — Porquê?
Filipe — É que ouvi dizer que chegou à vila uma exposição de ossadas de dinossauros e gostava de lá ir. Pensei que talvez fosse algo que gostasses de ver e assim íamos os dois…
Foi aqui que as suspeitas de Camila foram confirmadas… Não havia dúvida de que Filipe nutria sentimentos por Ísis.
Ísis — Já ia de qualquer dos modos, ainda há pouco estava a falar com a Camila sobre isso. Acho uma óptima ideia, vamos os dois!
Filipe ficou contente…
Filipe — Ok, então está combinado! Depois das aulas podemos ir almoçar a algum lado e depois seguíamos para o museu!
Ísis — Concordo!
Subitamente, Camila interrompeu aquela conversa… Não tinha paciência pra lamechices.
Camila — Ohhh, por favor Filipe… Diz logo de uma vez por todas que gostas dela!
Filipe ficou atrapalhado e Ísis apenas olhou boquiaberta pra Camila.
Filipe — O quê?
Ísis — Francamente Camila! Que falta de respeito!
Camila — Que é que foi? Estou errada?
Ísis — É claro que estás! E mesmo que não estivesses, isso não são coisas que se digam!
Retorquiu Ísis. Filipe continuou calado, mas bastante envergonhado…
Camila — Pronto, ok, tudo bem! Não digo mais nada!
Por momentos, os três jovens ficaram em silêncio. Foi um momento bem desconfortável… No entanto, Camila decidiu dar ânimo à situação e falou.
Camila — Então já que não há problema, vamos os três ao museu com o meu sobrinho!
Filipe — Ah? Mas também vais ver a exposição?
Camila — Sim, sou obrigada a ir! E já que vocês não vão em nenhum encontro, podem ir comigo! Sempre ajudam a passar o tempo!
Filipe não queria… E nem teve tempo de fazer algo…
Ísis — Claro, porque não?
Só depois de falar é que Ísis percebeu o que tinha feito… Ir com Camila ao museu implicava estar a ouvir uma tarde toda, comentários desagradáveis e observações de defeitos em todos os lados. A exposição já não iria ter tanta piada, mas agora não podia voltar atrás com a palavra.
Camila — Muito bem, então está feito! Vamos todos juntos! Ao menos agora já terei com quem falar enquanto o miúdo olha para os esqueletos!
Exclama Camila, muito satisfeita. Filipe parecia derrotado…
Filipe — Sim, que divertido…
Filipe ficara desanimado e Ísis percebera.
Ísis — Vamos fazer por isso!
Camila volta a olhar para o relógio e fica alarmada…
Camila — Está na hora! Temos de ir! Por vossa culpa já vamos chegar em cima da hora!
E com rapidez, Camila levanta-se e segue em direcção à sala onde teria aula… Ísis e Filipe olham um para o outro e a jovem encolhe os ombros com um ar saturado. Ambos seguem atrás de Camila…
Mais uma vez, Melissa e Leonardo iam chegar atrasados.
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