Night Watchers - Primeira Temporada
45 Medos (Vol. 4) - Capítulo 11
Notas iniciais
O dia finalmente estava a acabar… O sol preparava-se para fazer a sua despedida e tudo tinha sido estabilizado. Melissa, Ísis, Leonardo e Camila encontravam-se com Rodrigo e Érica, na casa do casal. Depois dos estranhos acontecimentos e de terem verificado que tudo tinha regressado ao normal, dirigiram-se à habitação da Night Watcher para discutirem o que tinha acontecido.
Todos estavam sentados à volta da mesa da sala de estar e parecia que nada se havia passado… Os poucos ferimentos causados tinham desaparecido, tal como tudo o que era falso. À excepção da Night Watcher… Era a única que, por ter enfrentado o demónio a sério, tinha sido prejudicada. Rodrigo tratava as suas feridas, depois de já ter colocado uma liga à volta do braço da mulher, o qual tinha sido deslocado.
Até ao momento, Érica já tinha explicado o principal aos jovens. Preparavam-se agora para debater os pormenores e detalhes de toda a situação…
Ísis — Então a Melissa matou mesmo o demónio?
Érica — Sim… De uma forma rápida e surpreendente. Nem eu a vi chegar!
Os olhares estavam concentrados em Melissa…
Melissa — Foi apenas sorte… Ele estava distraído! A Érica podia ter acabado com ele facilmente…
Disse com honestidade.
Érica — Não tenho tanta certeza… O demónio apanhou-me a jeito! Mais uma vez salvaste-me a vida…
Agradeceu a Night Watcher sem se aperceber do que estava a dizer… Rodrigo estava ali.
Rodrigo — Já não é a primeira vez que ela salva-te?
Perguntou Rodrigo, muito admirado. Érica ficou sem saber o que responder e todos olhavam para o casal, atrapalhados. Leonardo decidiu interceder…
Leonardo — Sabem o que eu digo? Estamos todos bem… Vamos estar contentes por isso! Não acham?
Camila — Sim, o pesadelo acabou! Isto parecia uma vila de loucos… E pra variar, vocês tinham de estar por trás disso!
Reclamou a jovem.
Melissa — A culpa não foi nossa… Todos na vila passaram pelo mesmo!
Camila — Gostava de saber que desculpa é que vão arranjar para isto!
Érica — Eu não me preocuparia muito com isso… As pessoas tendem a esquecer este tipo de coisa… Por opção!
Rodrigo — Tens de estar quieta… Senão não consigo desinfectar-te as feridas!
Exclamava Rodrigo enquanto tratava da mulher.
Melissa — Eu nunca irei esquecer a imagem do meu pai a morrer… Mesmo que tenha sido uma ilusão! Foi o pior momento da minha vida!
Disse Melissa um pouco desconfortável.
Camila — Estás a brincar não? Eu estive enterrada em LARVAS!
Voltou a reclamar Camila… Mas ainda estavam todos meio abalados de tudo o que acontecera e deixaram aquele comentário passar.
Ísis — Falando em medos… O que é que a tua avó te disse para teres ficado tão incomodado Leonardo?
Perguntou a jovem, a qual ainda estava confusa.
Leonardo — Não consigo lembrar-me! Aconteceram tantas coisas que algumas devo ter escolhido esquecer!
Desculpou-se Leonardo, como era óbvio, não ia contar nada.
Ísis — Eu ainda me lembro de tudo!
Érica — Mas é normal! Não se admirem se vos acontecer o mesmo… Melissa, o que aconteceu ao Hugo? Ele não estava contigo?
Lembrou-se Érica…
Rodrigo — Está pronto!
Exclamou Rodrigo, que tinha acabado de fazer os curativos à Night Watcher. Esta sorriu para ele.
Melissa — Mandei-o para casa… Achei mais seguro! Sabem? Sozinha estou mais à vontade…
Melissa mentiu… E não compreendeu porquê. Devia contar aos amigos o que tinha acontecido… Mas no fundo, achava que primeiro deveria falar com Hugo e só depois é que agia. Então, preferiu não contar o que viu…
Leonardo — E ele foi?
Perguntou o jovem muito admirado.
Melissa — Ya, qual é o mal? Ainda bem que o fez, foi inteligente!
Ísis — Acho que até eu tinha fugido, se tivesse tido a hipótese…
Certamente, Ísis era a mais sincera…
Camila — Desculpem lá, mas este tipo de coisas acontece com frequência? Eu sei que existem monstros e isso, mas algo como hoje já implica todas as pessoas!
Como sempre, Camila expressou-se de uma maneira dramática…
Érica — Não, não acontecem… Hoje destruímos um grande demónio, que já aqui existia desde o inico dos tempos!
Melissa — Pelo menos acabámos com algo grande…
Érica — E mais vêm a caminho… Tenho uma coisa para contar-vos!
Exclamou logo de seguida.
Camila — O que vem aí agora?
Érica — É acerca do “Grande Projecto” que tanto tentamos decifrar!
Ísis — Descobriste mais alguma coisa?
Érica — Pouco… Agramon sabia do que é que se tratava, mas não consegui que ele contasse… Apenas revelou alguns detalhes, pensando que também sabia do que se tratava!
Rodrigo — O que é que ele disse? Pode ser que até nos ajude numa futura pesquisa!
Érica — Pelo que percebi, os cinco demónios da ordem superior querem juntar-se para trazer algo de volta à vida… Invocarem, ou parecido… Não sei. Foi tudo o que consegui!
Leonardo — Como? Os demónios não são os únicos que podem voltar?
Os jovens já tinham adquirido muitos conhecimentos desde que começaram a sair com Érica.
Érica — Que eu pense sim… Mas Agramon referiu ser algo antigo e destrutivo! E se fosse um demónio, um deles conseguiria fazer o trabalho sozinho! Não precisava dos outros quatro…
Disse a Night Watcher com um ar pensativo.
Melissa — É melhor continuarmos a pesquisar! Para Abaddon querer tanto estar livre, é porque deve ser algo que de certeza irá funcionar!
Érica — Claro, vamos manter a guarda! Precisamos de mais informação…
Camila interrompeu…
Camila — Ainda bem que não percebo metade do que vocês dizem!
A jovem era a única que não estava muito dentro do assunto.
Ísis — Mas devias… Algum dia pode vir a ser preciso!
Camila — Para quê? Não tenciono meter-me em aventuras! Já sabem!
Avisou Camila.
Ísis — E mesmo assim continuas sempre a ser envolver-te nelas…
Ísis tinha razão… Independentemente da rejeição de Camila, acabava sempre por se envolver. Leonardo voltou a puxar o assunto anterior.
Leonardo — Mesmo assim não consigo sentir-me à vontade… Abaddon dá-me arrepios!
Desabafou o jovem…
Érica — Agramon também não era muito diferente… Era terrivelmente assustador. Talvez também derivasse do seu poder!
Admite a Night Watcher, que lembrava-se muito bem de como se sentira quando vira o demónio.
Melissa — Posso voltar a relembrar como foi bom ter acabado com ele?
Perguntou Melissa numa tentativa de animar o momento.
Ísis — Por favor, humoriza-nos!
Pediu a sua melhor amiga.
Érica — Sim, podemos continuar a falar desse momento o resto do dia! Foi mesmo gracioso…
Um pouco mais aliviados, todos conseguiram sorrir pela primeira vez, enquanto continuavam a celebrar a vitória.
*
Mesmo com tudo terminado e com o dia quase a acabar, havia um espaço em Cila que continuava cheio de pessoas… Desta vez a confusão conseguia ser menor, pois apenas procuravam respostas e não havia local melhor que a esquadra da polícia para as encontrarem… Ou assim pensavam.
Henrique Gomes passava por entre a multidão para chegar à sala do seu amigo, Pedro Dias. No momento em que entrou, voltou a fechar a porta pra poder falar com ele à vontade. Ambos tinham regressado aos seus postos assim que as coisas tinham ficado curiosamente calmas…
Henrique — Já viste isto? Continuamos com departamento cheio!
Disse para o amigo, bastante espantado.
Pedro — Não é de admirar... Foi um dia agitado!
Henrique não respondeu e Pedro reparou que o amigo estava muito pensativo… Parecia que queria dizer qualquer coisa mas não tinha coragem.
Pedro — O que é que tens?
Perguntou com atenção. Henrique parecia relutante em falar…
Henrique — Ok, se calhar estou a ficar doido! Um pouco como tu…
Tentou explicar enquanto sentava-se numa das cadeiras frente à mesa de trabalho do amigo.
Henrique — Tudo o que aconteceu hoje… foi… estranho! Vi coisas que não consigo explicar. Lembrei-me de tudo o que já me disseste. E talvez tenhas razão… Algo não está certo no meio disto tudo!
Pedro sorriu… Finalmente alguém estava reparar.
Pedro — Eu disse-te! Cila é diferente… Encontras aqui casos bizarros, nunca antes vistos!
Henrique — Eu sei, mas custa a acreditar que não exista uma explicação lógica para isto!
Pedro — Se calhar até há… Apenas deve estar é bem acima de nós. Talvez se trabalharmos os dois, consigamos descobrir algo que tenha passado despercebido… Duas cabeças a pensar é bem mais útil que apenas uma!
Propôs Pedro ao amigo.
Henrique — É tentador… Mas não tinhas perdido os arquivos?
Pedro — Pensava que sim… Pelo menos não estavam em lado nenhum! Olha…
E pega nas pastas para mostrar a Henrique.
Pedro — Está tudo aqui! Assim que chegámos ao departamento, vim à minha sala e estavam aqui… Em cima da mesa! Como se nunca tivessem sido mexidos. Estranho não é?
Henrique franziu os sobrolhos…
Henrique — Yep! Ao menos tens aí o trabalho todo…
Pedro — Pois! Então e o que dizes? Ajudas-me?
Henrique olhava atento para o amigo…
Henrique — Vou tentar… Não posso dedicar todo o meu tempo a isto! Logo agora que temos uma nova pista acerca do paradeiro da jovem Vanda!
Informou Henrique… Pedro sabia que uma das prioridades do amigo era encontrar a jovem.
Pedro — A sério? O que é que descobriram?
No fundo, até Pedro tinha uma curiosidade especial por aquele caso.
Henrique — Nada por aí além… Só uma testemunha que afirma ter visto Vanda. Mas não sei se podemos considerar este testemunho válido!
Pedro ficou confuso… Uma pista era sempre importante, de certa forma.
Pedro — Porquê?
Henrique — Porque veio de um miúdo de dezasseis anos! Queres ouvir o que ele disse?
Pedro acenou que sim…
Henrique — Afirma ter visto a jovem perto do bar “O Cais”, no dia em que este foi vandalizado! O que é praticamente impossível, senão mais alguém tinha reparado. O local estava cheio de gente! Lembras-te?
Pedro — Claro… Essa história também foi muito estranha… Nunca encontrámos o responsável por aquilo!
Henrique — Espera… Ainda não cheguei à melhor parte! O miúdo ainda disse que ela devia ir para alguma festa de carnaval, porque estava com um homem mascarado! Já viste o quanto ridículo isto soa?
Henrique ainda mostrava a sua admiração ao contar aquele testemunho e Pedro riu-se…
Pedro — Sim, não parece lá muito fiável, mas mesmo assim vale a pena investigar! Se há uma coisa que aprendi aqui em Cila, é que o chamado “normal” não existe…
Aconselhou o amigo. Lá fora ouviu-se alguém a reclamar…
Henrique — Acho que vou seguir essa ideia… Pode ser que chegue a algum lado! É melhor voltar ao trabalho… Isto continua um caos!
Disse Henrique, enquanto levantava-se.
Pedro — E por este andar, daqui a uns tempos teremos mais situações destas!
Henrique encolheu os ombros e saiu da sala… Pedro voltou a concentrar-se no seu trabalho, para ele, todos os minutos eram indispensáveis.
*
“Que dia confuso…” Pensava Leonardo ao entrar em casa. Independentemente de tudo ter terminado, o jovem ainda sentia-se agitado e com algumas dúvidas em relação ao que assistira. Quando chegou, reparou que estava sozinho, atirou-se para o sofá e ficou a contemplar o tecto por alguns segundos… Precisava de descansar, mas a sua mente não permitia. As perguntas continuavam a correr-lhe nos pensamentos.
Nem dois minutos tinham passado, quando ouviu a porta de casa a abrir… Depressa sentou-se e ficou à espera que a avó aparecesse.
Leonardo — Avó?
Chamou quando esta entrou na sala.
Emília — Leonardo… Ainda bem que estás em casa! Que dia tão estranho!
Dizia Emília Almeida enquanto aproximava-se do neto, preocupada.
Leonardo — Eu sei, andei por aí… Só cheguei agora!
Emília — E estás bem? Aconteceu-te alguma coisa?
Leonardo — Aconteceram várias, mas está tudo bem! E a ti?
Emília suspirou…
Emília — Tive o dia todo presa no mercado… Não achava a saída! Depois todos os vegetais ganharam vida… E por aí a fora… Coisas impensáveis! Mas também acabou tudo bem!
Leonardo — Então… Nunca vieste a casa desde que saíste?
Perguntou, como se não fosse muito importante.
Emília — Não, quem me dera ter conseguido sair de lá mais cedo!
O jovem ficou mais aliviado… Era mentira. Melissa não era nenhum demónio, apenas ainda desconheciam de onde vinha a sua força.
Leonardo — Pois…
Emília — E a ti? O que é que aconteceu?
Leonardo — Já não me lembro muito bem… Tivemos tanto trabalho que pus o resto de parte!
Leonardo preferiu guardar o que tinha visto, só para si.
Emília — Encontraram a causa deste pandemónio? O que é que tinha sido? Magia?
Emília estava um pouco chateada… O seu dia tinha sido uma loucura.
Leonardo — Sim, encontrámos! E não, não foi Magia… Foi um demónio! Agramon!
A sua avó ficou boquiaberta ao ouvir aquele nome…
Emília — Agramon? O demónio do medo?
Leonardo — Conheces?
Perguntou espantado.
Emília — Claro que sim, é um dos demónio mais poderosos que existe! Como é que livraram-se dele?
A admiração estava totalmente espalhada no rosto de Emília.
Leonardo — A Melissa matou-o! Perfurou-lhe o coração com uma adaga, quando ele estava distraído!
Emília — Apenas assim? Têm noção da sorte que tiveram? Era um dos demónios mais antigos, eu pensava que ninguém jamais o conseguisse eliminar…
Leonardo — Bem, a Melissa conseguiu!
Exclamou o jovem, sorridente.
Emília — Estou realmente surpreendida… Essa rapariga é mesmo especial!
Disse Emília, muito impressionada.
Leonardo — Podes crer!
Emília — Tens amigos muito importantes… É bom saber isso! Um dia já cá não irei estar e assim sei que estás bem entregue!
Leonardo — Não digas isso avó!
Emília agarrou a mão do neto e sorriu-lhe…
Emília — Não nos vamos preocupar com isso! Até lá ainda vou-te acompanhar muito… E sabes o que acho? Se está tudo resolvido devias ir descansar… Estás com ar de quem precisa!
O jovem concordou…
Leonardo — Tens razão… Acho que vou! Amanhã também tenho o dia livre, por isso estou à vontade!
Leonardo levantou-se.
Emília — Tudo bem! Eu deixo algo preparado pra depois comeres… Quando tiveres fome!
Leonardo — Obrigado!
Agradeceu quando se preparava pra sair da sala… No entanto, parou. Faltava-lhe fazer uma última pergunta, mas esta tinha de ser directa. Não havia outra maneira de a colocar…
Leonardo — Avó? Tenho uma coisa a perguntar-te… Há algum tempo que ando a ganhar coragem, mas acho que já estou pronto para saber!
Emília calculava qual seria a pergunta… Todo aquele tempo havia uma única questão que o jovem ainda não tinha colocado… Talvez por falta de coragem ou porque não estava pronto pra encarar a verdade…
Emília — Claro querido!
Leonardo — Qual foi o demónio que matou os meus pais?
Perguntou directamente.
Emília — Já calculava que o assunto fosse esse… Fazemos assim, depois de descansares e estares com as energias todas repostas, falamos sobre isto com mais calma… Pode ser?
Emília estava sorridente e Leonardo sabia que não valia a pena insistir… Talvez até fosse melhor saber mais tarde.
Leonardo — Ok… É melhor! Obrigado avó!
E ao acabar de dizer isto, saiu da sala… Emília Almeida ficou a olhar para a zona onde o neto estava, durante uns segundos, bastante concentrada… Rapidamente despertou e levantou-se para realizar as suas tarefas de casa.
*
Melissa também estava ansiosa por chegar a casa… Mas os seus motivos eram outros. Queria muito ver o seu pai. Depois do que tinha acontecido, a jovem concluiu que não havia ninguém mais importante na sua vida, que Vasco Monserrate. Gostava muito dele e precisava que ele soubesse isso. Ao chegar, verificou que tanto ele como a sua madrasta, Clara Monserrate, já lá estavam… Encontravam-se a pôr a mesa para o jantar.
Vasco — Olá filha! Porque é que vens tão apressada?
Perguntou ao ver Melissa a entrar na sala com grande rapidez…
Melissa — Pai!
A correr, Melissa dirigiu-se a Vasco e abraçou-o.
Vasco — Wow… Isso é tudo saudades?
Vasco sentia-se feliz… Melissa era uma filha espectacular.
Melissa — Gosto muito de ti!
Disse enquanto estava abraçada ao pai.
Vasco — Eu também, sabes disso!
Clara estava de parte e observava toda aquela cena…
Clara — De certeza que ela vai pedir alguma coisa… Quando eles fazem isso é porque querem algo!
Como de costume, Clara estava a ser fria. Melissa ao ouvir aquelas palavras largou o pai e olhou para a madrasta.
Melissa — E porque e que tinhas de estragar o nosso momento?
Vasco riu-se… Já estava habituado àquela pequena rivalidade existente entre a sua filha e a sua mulher.
Vasco — Clara, ela estava só a mostrar o quanto gosta de mim!
Clara — Pronto… Já não está aqui quem falou!
Disse logo de seguida.
Vasco — Como foi o dia?
Voltando a focar as suas atenções em Melissa.
Melissa — Longo… Não via a hora de chegar a casa!
Clara — E logo hoje que foi um dia tão invulgar… Sentiram o sismo?
Perguntou Clara Monserrate, ao recordar-se do que acontecera na empresa de marketing, o seu local de trabalho. Melissa e Vasco olharam um para o outro confusos… Não tinham sentido nenhum sismo. A jovem calculou que a madrasta tivesse experienciado um medo qualquer…
Vasco — Não me lembro de nenhum sismo… Mas sim, foi um dia incomum!
Clara — Talvez tenha sido um dos sonhos que tive… Eles na televisão disseram que uns helicópteros tinham largado uns químicos no ar, acidentalmente! E que era possível que termos tido alucinações durante o dia… Inadmissível!
Reclamava Clara.
Vasco — Mas eles disseram que os efeitos passavam em 24 horas… E que não trariam problemas de saúde!
Disse Vasco, de maneira a que a filha não ficasse assustada com o que acabara de ouvir… O que ele não sabia, era que a jovem sabia a verdadeira causa de todo o caos que tinha decorrido. Melissa percebeu de imediato, que aquilo era a desculpa que tinham dado para explicar o que se havia passado.
Clara — Isso é o que eles dizem sempre… Pelo sim ou pelo não é melhor irmos ao médico!
Respondeu com firmeza.
Melissa — De certeza que foi um acidente… Não deve haver problema, senão metiam a vila de quarentena. Não acham?
Explicou Melissa, na esperança de conseguir tirar aquela ideia da cabeça da madrasta.
Vasco — Claro… Também acho que não colocavam a nossa vida em risco. Não dessa forma!
Vasco era da mesma opinião que Melissa.
Clara — Pois, foi por isso que morreram algumas pessoas!
Melissa ficou mais atenta.
Melissa — Morreram muitas?
Aquela pergunta tinha sido estranha e tanto Vasco como Clara, olharam para Melissa um pouco indignados.
Melissa — Era só pra ter uma noção…
Desculpou-se a jovem…
Clara — Encontraram catorze vítimas!
“Um deles deve ser o corpo onde o demónio estava hospedado…”, pensou Melissa.
Vasco — É normal… Algumas pessoas sofreram desastres por estarem a alucinar!
Melissa decidiu apoiar o pai.
Melissa — É inevitável… Mas já acabou! O melhor é mesmo esquecer!
Vasco — Concordo!
Clara — Ok! Vocês é que sabem! Só espero não ter razão…
Vasco sorriu para a mulher.
Vasco — Esquece isso... Vamos jantar sem preocupações… O que dizes?
Clara olhou com um ar um pouco desconfiado…
Clara — Vou tentar! Não prometo…
E dirigiu-se até à cozinha, deixando Vasco e Melissa sozinhos na sala.
Melissa — Acho que um jantar sem preocupações serio óptimo!
Admitiu a jovem.
Vasco — Vamos ter, vais ver!
Respondeu à sua filha, com ternura.
Melissa estava mais descansada… Mais uma vez, tudo tinha acabado bem, tirando a parte dos estranhos acontecimentos em volta de Hugo, mas não queria pensar muito nisso, teria tempo. Sentiu pena pelas pobres pessoas que não tinham sobrevivido, mas não havia nada a fazer. Apenas podia dar-se por feliz por estar viva...
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