Night Watchers - Primeira Temporada
74 Amor VS Ódio (Vol. 7) - Capítulo 2
Com agilidade deslocava-se pelas águas… A sua beleza era esplendorosa e consigo, trazia brilho e uma magia poderosa, talvez, a mais poderosa de todas: o Amor. Sabia que estava aproximar-se de terra e pressentia que o local que ia visitar precisaria muito do seu poder. Então, cheia de vontade de espalhar a sua energia, chegou à tona da água e saiu para a areia. Era um animal lindo, a sua pele reflectia sob os raios do sol, uma criatura mágica… Uma foca grande e bem constituída dera à costa em uma das praias de Cila e assim que saiu da água apressou-se em relaxar o corpo. Foram poucos os segundos até que algo estranho começara a acontecer… A pele do animal começara a rasgar-se e do interior do seu corpo uma luz forte emanava. Um globo luminoso saiu de dentro da foca e espalhou-se na areia até formar uma figura humana, deixando para trás a pele do seu antigo corpo. Aos poucos, a luz foi diminuindo a sua intensidade, revelando no que se tinha transformado… Numa linda mulher que estava agora deitada na areia, nua e inconsciente.
Ali perto, um jovem passeava pela praia… Claramente vinha da faculdade, trazia a sua mochila e alguns livros debaixo do braço. Pelo seu ar, parecia estar triste e pensativo. Enquanto deslocava-se à beira-mar, olhava para o oceano e visualizava a sua vida… Recentemente tinha acabado uma relação amorosa de longa data. Desde então, tudo perdera sentido e a depressão envolvia o rapaz. A vontade para fazer seja lá o que fosse havia desaparecido e o quase todo o tempo que tinha livre passava-o sozinho, embrulhado em pensamentos e sentimentos. E quase todos os dias ia até ali, para poder clarear a mente e sentir-se melhor. O oceano dava-lhe alguma tranquilidade.
No entanto, naquele dia, as coisas estavam prestes a mudar e o que ia ocorrer, certamente mudaria a vida do rapaz. Enquanto caminhava, distraído, foi de encontro à linda mulher que estava deitada na areia… Assim que a viu ficou parado durante uns segundos e olhou à sua volta. Mais ninguém se encontrava por ali naquele momento. O jovem ficou confuso e por instantes pensou que estava a alucinar. Mas mesmo assim, a razão falou mais alto e assim que caiu em si, aproximou-se da rapariga e tapou o seu corpo nu com uma das camisolas que trazia. Tentou acordá-la, mas não havia nenhum sinal em resposta. Assustado e sem saber o que tinha acontecido àquela jovem, pegou no telemóvel, decidido em ligar às autoridades e às urgências… E foi aí que viu algo que o chamou à atenção. Uma pele lustrosa e com um brilho único estava ali caída. Parecia ser de uma foca e havia algo nela que possuía uma beleza nunca antes vista pelo rapaz. Num estado se hipnose, o jovem voltou a guardar o telemóvel e chegou-se perto dela. Ajoelhou-se e tirou a mochila que trazia às costas. Abriu-a, tirou os livros, guardou a pele no animal no seu interior e voltou a colocá-la às costas. Quase em simultâneo, a jovem acordou e o estado de hipnose do rapaz desaparecera, voltando a focar a sua atenção na rapariga.
Fábio — Olá…
Assustada, olhou para ele, ainda não o tinha visto. Por segundos algo estranho aconteceu… Os seus olhares cruzaram-se e brilhavam enquanto encaravam-se um ao outro. Finalmente, depois de algum silêncio constrangedor derivado à situação, foram escutadas as primeiras palavras…
Fábio — O meu nome é Fábio! Não fiques assustada, acabei de te encontrar aqui! O que é que te aconteceu?
Só então é que a rapariga se apercebeu de que estava nua. Atrapalhada, tentou cobrir-se melhor com a camisola que tinha ao pé de si.
Fábio — Fui eu que te tapei...
Respondeu com calma.
Fábio — Podes dizer-me o teu nome?
A rapariga de cabelos loiros e longos, de uma beleza infinita, voltou a olhar para Fábio com alguma timidez.
Jéssica — Jéssica… Chamo-me Jéssica!
O rapaz assentiu com a cabeça.
Fábio — Ok Jéssica. E posso perguntar-te o que fazias aqui? Nua?
A jovem riu-se, um pouco envergonhada. Aos poucos já se estava a recordar de tudo… De onde veio, qual era o seu objectivo, da sua transformação, tudo. Os seus olhos não saiam de Fábio, nem os dele saiam dela.
Jéssica — Estava só a… descansar! Sinto-me livre sem roupas e sei que a esta hora não costuma estar ninguém por aqui!
Fábio sorriu face àquela resposta.
Fábio — Pois, mas pode ser perigoso! Com tanta coisa que acontece aqui em Cila, nunca se sabe…
Jéssica também sorria para Fábio. Devagar e sensualmente, começou a avançar na direcção dele.
Jéssica — Obrigado pelo aviso… És tão bonito! Já alguém te tinha dito isso?
O rapaz ficou envergonhado e olhou para o chão.
Fábio — Por acaso até já! Mas obrigado na mesma! Tu também pareces ser uma rapariga bastante interessante…
A beleza da jovem juntamente com a sua doce voz, estavam a deixar os sentidos de Fábio bastante apurados, assim como o aceleramento do seu batimento cardíaco. O rapaz voltou a olhar para Jéssica, com um enorme sorriso.
Fábio — Jéssica… Gosto do teu nome! Fico feliz por saber que estás bem! Pensava que estavas inconsciente!
Jéssica — Não estava… Mas de qualquer dos modos, salvaste-me!
Estavam um frente ao outro… O encanto que estavam a sentir visível à distância. E ditas estas palavras, mergulharam num beijo profundo… Como se nada à volta existisse. Jéssica sentia-se completa e cheia de energia. Fábio esquecera-se por completo da desilusão amorosa que tinha vivido, estava novo.
*
Dia dos Namorados… Não havia nada mais brega e insuportável para Carlota, a metamorfo. Desde bem cedo que saíra das grutas para manter-se um pouco afastada de Abaddon e dos restantes. O ambiente por lá estava cansativo, uma vez que o demónio ainda não parara de queixar-se acerca da situação actual… O facto de estar preso à humana Vanda, esgotava a sua paciência e em certos dias, não fazia outra coisa senão gritar em raiva e protesto. Eram em momentos como esses que Carlota adorava sair da sua casa e deixar os outros a aturarem Abaddon. Como ela sentia saudades dos tempos em que vivia sozinha nas grutas…
Na realidade, a metamorfo começava a cansar-se do demónio, dos seus planos e dos seus companheiros. Sempre preferiu estar por conta de si mesma, ao menos podia fazer o que queria… Agora andava sempre aborrecida. E parecia que tudo já não tinha a mesma piada, o mesmo entusiasmo. Além disso, há cerca de três dias que acarretava consigo um novo problema… Desde que tivera aquele estranho confronto com Leonardo, um dos ajudantes da Night Watcher, sentia-se diferente. Como se sempre que pensasse no rapaz, ficasse acelerada, cheia de adrenalina e calor. Nunca antes sentira aquilo por um inimigo… E por mais que achasse aquele sentimento estranho, não podia afirmar que era mau, muito pelo contrário… Tinha vontade de bater-lhe, mas ao mesmo tempo, de agarrá-lo e beijá-lo de forma animalesca. Sempre que chegava a esta conclusão, tentava inventar desculpas e respostas para tal fenómeno. Mas nenhuma fazia sentido… Nem a mais razoável de todas: por ser uma metamorfo e fisicamente sofrer várias transformações, talvez agora estivesse a ocorrer alguma mudança interior. Se assim fosse, Carlota reparava em mais mudanças… E não foi esse o caso. Continuava a ser ela mesma. Apenas estava a acontecer-lhe algo que nunca tinha acontecido antes… Pela primeira vez, reparara num humano, seres que tanto odiava, de forma diferente. E foi aí que lembrou-se de alguém de quem já foi amiga… O demónio Jezebedth, Carol. Também esta sofrera uma transformação e mudara toda a sua vida.
Pela primeira vez Carlota percebeu o que Carol tentara explicar-lhe há algum tempo atrás, pois talvez fosse aquilo mesmo que ela agora estivesse a precisar, uma mudança. Deu consigo numa das ruas de Cila, parada em frente a uma montra cheia de decorações acerca do dia. Ao focar a sua imagem no vidro, voltou a recordar-se do que ela era, uma metamorfo, uma criatura rejeitada por humanos. Era inacreditável que agora pensasse tanto num.
Carlota simplesmente não estava satisfeita… Tinha de o ver, de o encontrar, tinha de compreender o que se estava a passar. E claro, o melhor sítio onde o procurar seria na faculdade de Cila.
*
Só ao final de uma hora é que Pedro Dias começou a ficar agitado e com vontade de voltar a entrar pelo departamento a dentro pra tirar satisfações ao seu chefe. Ou melhor, ex-chefe, uma vez que tinha acabado de ser dispensado. No entanto, sabia que se agisse de cabeça fria podia prejudicar-se muito mais e aí sim, não teria hipótese de descobrir o que é que River estava a esconder. Independentemente do trabalho que ia ter, ele sabia que este assunto devia ter raízes mais profundas e teria de escavar bastante para encontrar as suas origens.
Desde que saíra do edifício, Pedro escondera-se no seu carro e aguardava… Já que lá dentro não descobriria nada, talvez conseguisse por fora. Estava disposto a tudo e se tivesse de esperar horas por algum sinal de River, não haveria problema… Tinha todo o tempo do mundo.
Felizmente, para ele e para o seu estado psicológico, o chefe da polícia não demorou muito mais até sair do departamento. O estado alerta de Pedro voltou instantaneamente a ter actividade. Achou estranho vê-lo a sair do edifício tão cedo… Com atenção e sem mexer um único musculo, observava River a deslocar-se até ao seu veículo. Assim que este entrou e ligou a máquina, Pedro endireitou-se no seu carro, colocou o cinto e fez exactamente o mesmo.
Pedro — Vamos ver o que é que andas a tramar River!
Logo de seguida River arrancou dali e Pedro, a uma distância segura, iniciou a perseguição…
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