Night Visions
1 Prologue - Dauntless
Notas iniciais
Boa leitura!
P.O.V Melody

Tudo sangrava, cataratas de sangue jorravam sobre mim. Me debatia, gritava, esperneava, mas parecia estar presa a aquilo, tudo parecia um pesadelo, e bem, era um pesadelo, um pesadelo que iria se tornar realidade em um futuro não tão distante.
— Melody! — ouvi um grito abafado – Está na hora da escola!
Abri meus olhos e logo reconheci quem gritava sobre mim.
— Tudo bem, mãe. — me levantei zonza — Eu vou me arrumar.
Assim que disse isso fui em direção a porta e a abri, gesticulando para ela sair. Ela se levantou da minha cama graciosamente, tudo ela fazia assim, graciosamente.
— Coloque uma roupa decente – ela disse empinando o nariz já no outro lado da porta – Por que não se veste como o seu amigo?
— Por que não sou homem. — falei e fechei a porta na cara dela.
Logo depois, desci as enormes escadas com a minha bolsa pendurada no ombro, parei na metade e olhei para baixo, vi minha irmã, uma garota popular e “metidinha”, o tipo de garota que dar para se odiar facilmente, olhava para as pessoas com cara de nojo intenso, sim, aquele ser era minha irmã. Também vi as duas pestes dos meus irmãos gêmeos, dois pirralhos loiros e irritantes, aprontavam de tudo e colocavam a culpa em mim, e, como sempre, minha mãe acreditava neles.
Terminei de descer a escada e minha irmã e todos me olharam com caras de nojo, bufei e disse:
— Me olham estranho por eu estar na minha casa? — andei um pouco mais e peguei o burrito do meu irmão.
Ele me olhou enfurecido e disse:
— Isso é meu!
Lambi o burrito inteiro e entreguei a ele.
— Pegue de volta! – disse e fui até a porta, onde minha mãe me parou.
— Melody Standford – ela empinou o nariz, como sempre e disse – Você não vai tomar café?
— Como na rua. – falei e fechei a porta.
***
Caminhava lentamente pelas ruas frias de New York, parei em uma cafeteria e me encostei no balcão esperando alguém me atendesse.
Até que uma mulher apareceu ao balcão, e olhou para mim com um olhar de dúvida.
— Um cappuccino médio. – falei colocando o dinheiro sobre o balcão.
Depois de pouco tempo a mulher colocou meu cappuccino sobre a mesa então eu o peguei e fui embora.
***
— Melody! – Um rosto nada desconhecido se aproximava lentamente em minha direção.
- Ah! Oi. – Falei não tão animada quanto ele.
— Está preparada para hoje?
— Por que? O que tem hoje? – perguntei em quanto tomava despreocupada um gole do meu cappuccino.
— Hoje, é um dia tão importante...
Como pude esquecer! Bem, a sociedade é dividida em 5 facções: Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição. Eu pertenço a Amizade, mas não me encaixo muito bem aqui, e bem, aqui há muitas pessoas que não são nada amigáveis. Hoje, faremos o teste para nos sabermos qual facção nos encaixamos melhor e amanhã, é a cerimônia da escolha onde escolheremos para onde queremos ir.
Encarei Peter um pouco e percebi que ele estava cansado e deprimido, com noites mal dormidas, mas ainda tentava sorrir.

Ele era um dos meus melhores amigos.
Virei-me para frente novamente e disse:
— Estamos quase chegando!
— Por que você se veste desse jeito? — ele disse olhando para minha roupa e depois para mim com uma expressão de dúvida.
No meio de todas aquelas pessoas com roupas coloridas e vivas, eu parecia uma morta.
Olhei para minhas roupas negras e para a bolsa pendurada em meu ombro e depois para Peter.
— Por que todo mundo igual é sem graça. – afirmei girando e brincando com o meu café.
Abracei a mim mesma, com frio. Não sei se trouce algum casaco na minha bolsa, mas acho que sim.
— Segura? — falei apontando o meu café para ele, que logo o pegou. — Não tome!
Virei-me e comecei a vasculhar a minha bolsa negra, me ajoelhei sobre a calçada e achei um casaco vermelho em minha bolsa.
Coloquei minha bolsa no chão e o vesti, peguei a bolsa e continuei andando. Agarrei uma das minhas mãos na alça da bolsa e continuei andando e percebi como o casaco era longo: Ele me vinha até os joelhos e balançava com o vento, cobria toda a palma da minha mão, deixando apenas os dedos de fora.
Paramos na frente da escola, um prédio alegre e colorido, aquela maldita escola simplesmente se chamava Happy Day.
Na frente da escola, quem dava pulinhos de alegria era Bianca.

Era uma garota animada que amava solzinhos e o deus Apolo pelo simples fato de ele ser o deus do sol e o sol ser amarelo.
Ela se aproximou de nós e mexeu nos cachos do Peter. Aquela garota era definitivamente, maluca.
— Oi! — ela disse saltitando.
— Por que você está tão feliz, garota? — perguntou Peter ajeitando raivoso o cabelo que Bianca havia bagunçado.
— Comprei tênis com molas. — ela respondeu.
Olhei para os pés dela e realmente, havia molas enormes grudadas em seus tênis, fazendo-a saltitar mais ainda.
— Vamos? — Ela perguntou pulando.
***
Pessoas andavam de um lado pro outro, estava lotado. Nós tentávamos nos encolher e não sermos atropelados pela multidão no refeitório. Era lá onde todos aguardavam para fazerem seus testes, e depois de sair da sala de testes, não poderia falar como era o teste para ninguém e nem mesmo o resultado. Como posso fazer um teste para qual não estou preparada?
Estava em pânico, como seria o teste? Você poderia morrer fazendo ele? Tentei afastar isso do meu pensamento me deixando mais insegura e aterrorizada ainda.
Tentei reconhecer alguém em meio à multidão, algo que não era muito fácil. Primeiro, procurei Peter e Bianca ao meu lado. Os dois estavam encolhidos e caminhados lentamente, se afastando de mim. Eles acenaram com a cabeça para mim e foram juntos até o outro lado do refeitório.
Estava um pouco desorientada em meio a aquele monte de gente. Esbarrei em alguém e me virei para ver quem era.

O garoto sorriu estranho para mim, o que me assustou, ele sorria como se gostasse do que estivesse vendo. Tentei me afastar um pouco já que estava quase em cima dele. Corei.
— Am... — ficava mais vermelha e envergonhada a cada segundo que ele olhava para mim. — Desculpa...
— Não tem problema. — Ele falou sombriamente e friamente, aquele garoto era estranhamente e anormalmente bonito. Ele estendeu a mão para um aperto de mão. – Eu sou o Tate.
Uma garota surgiu atrás dele. Ela me olhou com cara de nojo e depois olhou pro Tate.
— Tate, querido. – ela falou calmamente, o que a deixava mais assustadora, ela parecia ter voltado dos mortos. – Vi que anda conhecendo mais...
— Garotas? — Ele disse despreocupado, como se as palavras saltassem da sua boca. – Violet.
— Por que você está aqui com... – ela sussurrou para ele, mas ainda conseguia ouvir — ela?
— Por que eu quero! — ele não sussurrou — Sabe, eu acho que eu posso escolher as minhas companhias.
Olhei para os dois, o Tate puxou meu braço para o meio deles e apontou para mim como uma mercadoria.
— Se eu quiser fazer qualquer coisa com ela eu posso, sabia?! — ele falou, ou melhor gritou.
— Qualquer coisa? — me encolhi entre eles.
— Não fale assim comigo! — ela gritou, a namorada dele, eu acho.
— Seus níveis de ciúmes extrapolaram dessa vez! — ele olhou novamente para mim. – Eu acho que isso não está dando certo...
— Você está terminando comigo? — Ela gritou, irritada. – Por causa dela, não é?
— É! — Ele disse – Isso mesmo!
— Mas você me conheceu agora... — disse.
— Cale a boca! — ele sussurrou.
— Ok! — ela gritou e foi embora bufando.
Assim que ela foi embora ele começou a rir.
— Foi mesmo minha culpa? — perguntei.
— Não, só queria dar corda para bobagem dela, amo deixar ela irritada.
Sorri. Ele parecia ser um cara legal.
***
— Então... – Tate falou enquanto brincava com o canudo do seu suco azul. – Você é a próxima.
— Eu sei... E isso faz meu estômago revirar.
— Melody Standford – uma voz feminina chamou.
— Tchau. – falei para o Tate.
— Vejo você depois do teste.
Virei-me e fui em direção à sala. Nossa, havia feito um novo amigo e uma nova inimiga.
***
Parecia uma sala de dentista. Eu tenho muito medo de dentista. Sentei-me na cadeira, ou melhor, me deitei.
— Olá. — uma mulher surgiu da porta e se sentou na cadeira ao meu lado. — Eu sou a Tori. Agora beba.
Ela estendeu um copo com um liquido transparente para mim. Simplesmente o peguei e o bebi.
***
Acordei tonta e não lembrava nada do que aconteceu depois de acenar para Tate e ir embora.
— Então... – disse uma mulher sentada a minha frente. – Você teve um resultado bem raro e fascinante, porém bem perigoso algo bem esperado pelo o que aconteceu enquanto você estava desacordada. Você lembra-se de algo?
Balancei a cabeça, não lembrava nada.
— Bem, você não pode dizer seu resultado para ninguém... Você é...
— Divergente? — perguntei assustada.
Ela apenas assentiu com a cabeça.
***
— Nossa, você me esperou mesmo. – Falei para Tate – Não precisava.
— Não, eu sai agora, você que demorou muito. – ele respondeu.
Até que me virei e vi Peter e Bianca vindo a mim.
— Oi! – falei para eles e depois olhei para Tate — Esse é o Tate...
— Oi — disse Bianca — Tate parece um nome britânico. Eu gosto de britânicos.
— Também percebi que o loiro aí gosta de americanas. – bufou Peter.
— Oi? — Tate perguntou.
— Nada. – Peter respondeu.
— Vamos? — Perguntou Bianca.
— Para onde? — perguntei.
— Para casa. Já são 22:00 horas.
***
Acordei no outro dia animada. Não sei o motivo, talvez o fato de sair da Amizade me deixasse feliz. Nunca fui muito com a cara desse lugar.
Me levantei e me arrumei. Coloquei o mesmo casaco vermelho de ontem. Desci as escadas apressadamente e fui em direção ao grande prédio onde aconteceria a tão esperada escolha.
***
Eu, Peter e Bianca estávamos andando no prédio esperando as pessoas chegassem e a porta do pátio abrisse.
— Então... – Disse Peter – Aquele tal de Tate...
— O que? Ele parece ser um cara legal. – Bianca disse saltitando com seus tênis novos.
Aquele tempo que passava com eles me fazia esquecer de ontem. Não deve ser tão ruim quanto parece.
— Melody? – Peter estalava os dedos sobre meu rosto.
Pisquei os olhos rapidamente e disse:
— Estou aqui!
— Sobre o Tate... – disse Bianca — Você conhece ele melhor...
— O que vocês estão insinuando?! — Falei
— Nada... — Disse Peter – Você conheceu ele primeiro, talvez melhor...
— Ei! – Eu disse
— Vamos! Vai abrir! – disse Bianca já pulando em direção a porta.
***
O grande salão estava cheio de gente, e no centro, enormes recipientes de metal contendo uma substância para cada facção: Pedras cinza para a Abnegação, Água para a Erudição, Terra para a Amizade, Vidro para a Franqueza e, o que mais me chamava atenção, as brasas acesas para a Audácia.
Todos sentados ao redor dos grandes círculos estampados no centro do salão em ordem alfabética. Logo percebi que não sentaria perto de Bianca nem de Peter, mas, pelo menos, nem de Sasha, minha irmã.
Despedi-me deles e sentei no lugar onde os iniciados em M sentavam. Não conhecia ninguém ali. Mas não queria conhecer. Garotas que aparentavam ser frescas estavam sentadas ao meu lado me olhavam estranho.
Até que ouvi uma voz masculina falou:
— Bianca Green.
Os pelos da minha nuca arrepiaram. Ela se levantou calmamente aos grandes recipientes e o homem em meio deles.
Quando ela chegou a mesa, vi algo que não havia percebido. Uma faca. Ela se aproximou e ele estendeu a faca para ela. Ela encarou a faca e depois fez um corte em seu braço, não tão fundo, mas o suficiente para fazê-la sangrar.
Ela encarou o corte e estendeu o braço para o recipiente com as brasas acesas, ela havia escolhido a Audácia. Ela deixou uma gota de sangue pingar no enorme recipiente. O homem gesticulou para ela se sentar junto aos iniciados da Audácia. Dito e feito.
***
— Melody Standford – Disse a mesma voz
Levantei-me tremendo. Não deveria ser tão difícil. Fui até lá e peguei a faca. Fiz um pequeno corte no meu braço. Coloquei meu braço trêmulo sobre a mesa, para ser mais especifica, sobre as brasas acesas. Meu sangue pingou. Tudo escureceu. E não via exatamente nada.
***
Acordei em um trem. Lembrei que a espécie de iniciação da Audácia era pular de um trem em movimento. Olhei para tudo ao meu redor e percebi Peter e Bianca sentados ao meu lado. Por que diabos Peter havia escolhido a Audácia? Mas não podia me preocupar com isso agora.
- Ela acordou! – Bianca cutucou Peter – Está viva!
— Você achou mesmo que ela tinha morrido? – Resmungou Peter com sono.
— Ela não acordava então era a melhor explicação no momento... – Bianca disse até ser interrompida por mim:
— Podem parar de falar sobre eu morrer? – Falei me ajeitando na cadeira.
— Está quase na hora de pularmos... – Peter foi interrompido.
— Todos para o teto! – Gritou um homem no meio do vagão – Agora!
Todos sairão e começaram a subir. Uma garota parecia estar prestes a cair, de uma altura extrema do trem. Estendi a minha mão para ela e a ajudei a subir.
Chegamos ao alto e me aproximei de Peter e Bianca.
— Pulem. – Disse o mesmo homem de maneira calma e cuidadosa – Quem quer ser o primeiro?
Peter deu um passo à frente. Todos ao seu redor o encararam e começaram a dar risadinhas. Ele continuou firme e deu mais um passo. Ele olhou para o telhado de uma casa a sua frente e todos fizeram o mesmo, inclusive eu. Em uma linha reta todos estavam em uma exata sincronia prontos para saltar de um teto a outro, quantas vezes fosse preciso.
Todos saltaram, fui a última a pular. Sentia a adrenalina em minhas veias, o vento gélido batia em meu rosto, fazendo meu corpo suar.
Meu coração estava em disparada, fechei os olhos e agarrei-me aos meus joelhos, esperando em que algum momento, eu pisaria em algo sólido novamente.
Senti o impacto, havia caído de cara no telhado. Tentei me levantar e quando finalmente fiquei de pé, as pessoas riam de mim. Apenas afastei o cabelo do rosto e fui caminhando até a ponta do telhado, onde teríamos que pular novamente, mas, para o chão dessa vez.
Olhei para baixo e engoli em seco, só agora que percebi o tão alto que estávamos. Um enorme buraco no chão parecia levar ao nada.
Senti minha pulsação acelerar, assim como meus batimentos cardíacos. Não liguei para isso, apenas abri os braços e pulei.
O impacto parecia que ia me matar. Quanto mais caia, mais sentia dor, medo e frio. Um calafrio percorreu minha espinha. Estava prestes a cair em algo, ou melhor, alguém.
***
Abri os olhos e percebi em quem havia caído.

Levantei-me rapidamente e estranhamente. Acho que não fui nada graciosa.
— Desculpa... – falei afastando algumas madeixas do meu rosto.
— Não tem problema. – disse ele se levantando.
— As pessoas só dizem isso para fazerem eu não sentir culpa. Para ser mais especifica... Os garotos. – Respondi.
— Vi que anda caindo em muita gente – ele disse sorrindo e estendeu a mão para me ajudar a levantar, aceitei e me levantei – Sou o Sam.
— Am... Oi! – disse – Eu sou a Melody...
— Bem vinda a Audácia – alguém atrás abriu os braços e disse.

Notas finais
Curtiram o cast? Bem, quero que respondam... :3
Aloha (no sentido de despedido).
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